Avaliação de Isoladores poliméricos em Linha de Transmissão de

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Avaliação de Isoladores poliméricos em Linha
de Transmissão de 138 KV– Estudo de Caso
R. C. Bezerra, D. R. de Mello, D. M. Porfirio, F. E. R. de Araújo, J. M. T. Teixeira Jr, J. C. Pinheiro ,
J. A. S. Andrade, O. F. Alves Neto, R. C. Leite,
Resumo – A linha de transmissão Coaracy NunesTartarugalzinho, situada no estado do Amapá, apresenta
isoladores poliméricos, instalados a mais de 10 anos, ao longo de
toda a sua extensão. Após a ocorrência de alguns desligamentos
temporários e evidências de descargas em determinados
isoladores, tornou-se necessária uma avaliação desta família de
isoladores.
Para isso, foi realizada uma inspeção por instrumentos
utilizando câmera ultravioleta e o termovisor com o objetivo de
direcionar a amostra de isoladores a ser retirada de serviço para
avaliação laboratorial. Com a retirada da amostra foi possível
avaliar o projeto do isolador através da simulação de campo
elétrico e da determinação da severidade da poluição local em
três ambientes distintos ao longo da linha de transmissão.
O presente trabalho foi desenvolvido em parceria com o
Centro de pesquisa em energia elétrica (CEPEL) e apresenta a
primeira etapa da aplicação do programa de manutenção
preditiva para isoladores poliméricos da Eletrobrás Eletronorte.
Palavras-chave–
Inspeção
instrumental,
poliméricos, poluição, simulação de campo elétrico.
Isoladores
I.NOMENCLATURA
LT – Linha de transmissão
UV- Ultravioleta
SPL – Severidade da Poluição Local
DEEU – Distância de escoamento específica unificada
DDSE – Densidade de Depósito de Sal Equivalente
II. INTRODUÇÃO
U
m campo elétrico excessivamente alto na extremidade de
um isolador polimérico pode ter duas consequências:
aparecimento de corona, que pode ser intensificado por gotas
de água, ou descargas elétricas no ar próximo a superfície do
revestimento [1].
Pesquisas e experiências de campo apontam para um forte
relacionamento entre o efeito corona e o processo de
envelhecimento em isoladores poliméricos [2]. Descargas
corona no ar geram ozônio, o qual pode causar o fissuramento
ou a erosão da isolação polimérica. Óxidos de nitrogênio
combinados com vapor de água podem gerar ácidos e corroer
metais formando depósitos condutores na isolação provocando
o trilhamento do material [3].
A medição do efeito corona e do gradiente de temperatura
consiste em um dos métodos mais completos de avaliação de
isoladores em serviço, pois esses resultados levam em
consideração o efeito combinado da poluição, do estresse
elétrico e das condições ambientais.
A determinação de parâmetros de poluição, segundo a
norma IEC 60815[4], é importante para selecionar e
dimensionar isoladores de acordo com o ambiente onde serão
instalados bem como para analisar um projeto específico após
um intervalo de tempo em serviço.
A simulação computacional da distribuição de campo
elétrico na superfície do isolador permite observar o
comportamento de sua geometria quando submetido ao campo
elétrico, revisar a posição de anéis anti-corona e avaliar o
desempenho do isolador considerando-se as condições reais de
poluição.
O presente trabalho objetiva avaliar isoladores poliméricos
de 138 kV instalados na LT Coaracy Nunes-Tartarugalzinho,
há mais de 10 anos, em virtude da ocorrência de
desligamentos não programados e evidências de descargas nos
isoladores constatadas em inspeção visual.
III.CARACTERÍSTICAS DA LINHA DE TRANSMISSÃO
R. C. Bezerra é Engenheiro Eletricista do Centro de Tecnologia da
Eletronorte. Belém. Pará-Brasil (e-mail: [email protected])
D. R. de Mello é Engenheiro Eletricista do Centro de Pesquisas de Energia
Elétrica. Rio de Janeiro, RJ-Brasil (e-mail: [email protected])
D.M. Porfírio é Analista Química do Centro de Tecnologia da Eletronorte.
Belém. Pará-Brasil (e-mail: [email protected])
F. E. R. de Araújo é Técnico em Eletrotécnica do Centro de Pesquisas de
Energia Elétrica. Rio de Janeiro, RJ-Brasil (e-mail: [email protected])
J. M. T. Teixeira Jr é Engenheiro Eletricista do Centro de Tecnologia da
Eletronorte. Belém. Pará-Brasil (e-mail: [email protected])
J. A. S. Andrade é Técnico em Eletrotécnica do Centro de Tecnologia da
Eletronorte. Belém. Pará-Brasil (e-mail: [email protected])
J. C. Pinheiro é Técnico em Eletrotécnica da Regional do Amapá.
O. F. Alves Neto é Técnico em Eletrotécnica do Centro de Tecnologia da
Eletronorte. Belém. Pará-Brasil (e-mail: [email protected])R. C. Leite
é Engenheiro Eletricista do Centro de Tecnologia da Eletronorte. Belém. ParáBrasil (e-mail: [email protected])
T. C. Gomes é Engenheiro Eletricista do setor de engenharia de
manutenção da Eletronorte. Brasília. Distrito Federal, Brasil (e-mail:
[email protected])
A LT Coaracy Nunes-Tartarugalzinho possui uma extensão
de aproximadamente 88 Km e está localizada em ambiente
equatorial no estado do Amapá. Ela se inicia na subestação
elevadora 13.8/138kV da usina hidrelétrica de Coaracy Nunes,
situada no município de Ferreira Gomes e termina na
Subestação de Tartarugalzinho, no municio de mesmo nome.
Essa linha disponibiliza uma carga de 2.1MW e potência
reativa negativa. Em sua extensão, encontram-se instalados
desde a sua energização cerca de 870 isoladores poliméricos,.
Ao longo de seu percurso ela alterna ambientes extremamente
úmidos próximo a usina e a floresta, ambientes próximos a
estradas ou rodovias e ambientes urbanos.
Os isoladores poliméricos instalados possuem os valores
nominais e características dimensionais conforme mostrado na
2
figura 1. Estes valores foram levantados pela confecção de
desenho do isolador com o uso de software do tipo CAD.
Dos 100 isoladores inspecionados
cionados na LT, 45 apresentaram
emissão UV acima de 1000 fótons/min,
fótons/min ou seja, 45 % dos
isoladores inspecionados.
Tensão Nominal: 138 KV
Carga Mecânica Nominal: 120 KN
Nível de corona dos isoladores inspecionados
Tempo de instalação: 10 anos
Revestimento: borracha de silicone
> 1000 fotons/min
Dist. de arco a seco: 1.275,00 mm
Dist. de escoamento: 3.043,95 mm
Passo: 1.450,00 mm
45%
≤1000 fotons/min
55%
Área Sup.da aleta = 17.473,10 mm2
Área Inf. da aleta = 28.646,81 mm2
Aréa Total da aleta = 46.119,91 mm2
Fig. 1. Vista isométrica
étrica do isolador estudado e parâmetros nominais
nomin
IV. INSPEÇÃO COM INSTRUMENTOS
NTOS
As inspeções por instrumentos sejam elas aéreas ou
terrestres, são
ão usadas em locais específicos como, por
exemplo, áreas com severas condições de poluição marinha,
industrial ou mesmo LT´s com histórico de desligamentos.
desligamentos Os
principais instrumentos utilizados para inspeção são:
detectores de ultravioleta e de infravermelho.
Detectores de infravermelho ou termovisor
ermovisores são
equipamentos que consistem basicamente de uma câmera
equipada com detectores especiais de infravermelho, que
transformam a temperatura de objetos em imagens. A
inspeção por detector de infravermelho é aplicada em
isoladores poliméricos para identificação de defeitos internos,
sendo sua periodicidade anual ou bienal.
Detectores de ultravioleta são equipamentos que detectam
atividade corona ou descargas superficiais que emitem
radiação luminosa, transformando em imagem esta atividade
[5]. A melhor condição para diagnóstico utilizando
utilizand câmera
UV é logo após a chuva ou de manhã cedo quando há
condensação de umidade
de na superfície do isolador [6].
O uso das duas técnicas combinadas determina uma melhor
avaliação de isoladores poliméricos, pois permite esclarecer
situações duvidosas, como no caso de um aquecimento
provocado por descargas superficiais, sendo confundido com
um defeito interno.
A principal dificuldade na inspeção utilizando câmera UV é
a existência de várias fontes de corona proveniente
veniente de efeitos
físicos normais (gota d’água, poluição temporária,
temporária etc...),
gerando questionamentos sobre a viabilidade de removê-los.
Em relação à inspeção por termovisor em isoladores
poliméricos, a desvantagem é devido ao material polimérico
ser um excelente isolante térmico, dificultando o diagnostico
de defeitos internos em campo.
Fig. 2. Nível de corona dos isoladores inspecionados
Seguem abaixo, 3 exemplos de defeitos detectados por meio
dos instrumentos relacionando a imagem UV, imagem
termográfica e imagem visual.
CASO 1: Isolador
solador de entrada da Subestação
Tartarugalzinho, localizada em ambiente urbano.
Pode-se constatar um nível de emissão UV de 10.850
fótons/min localizado na região entre a ferragem e a primeira
aleta na imagem ultravioleta. A imagem termográfica não
n
apresenta diferença de temperatura no corpo do isolador
polimérico, ver Figura 3.
Fig. 3. Imagens ultravioleta e termográfica no isolador de entrada da SE
O alto nível de UV pode estar relacionado à elevada
intensidade de campo elétrico na posição em que os isoladores
estão na subestação. Pode-se
se perceber a presença de diversos
equipamentos energizados em suas proximidades
proximidades, não sendo
adequado o uso de isoladores poliméricos nnesta situação.
A Figura 4 mostra marcas
arcas de desca
descargas ao longo da
interface entre as ferragens
ns e o selo de vedação e um aparente
estufamento do selo de vedação.
A. Estudo de Casos
Foram inspecionados aproximadamente 103 isoladores
isoladores, 100
unidades da LT e 3 isoladores de entrada da Subestação
Tartarugalzinho. Considerando um total de 870 isoladores
poliméricos instalados na linha, foram inspecionados 11,5 %
do total de isoladores.
Fig. 4. Isolador
solador polimérico de entrada da SE
3
CASO 2: Isolador polimérico na configuração ancoragem,
localizado em região de alta umidade próximo a usina de
Coaracy Nunes.
A inspeção com câmera ultravioleta mostra uma atividade
de 3080 fótons/min localizada na interface ferragem e
revestimento.
Apesar de registrar uma atividade corona com uma
contagem bem menor em relação ao CASO 1, a imagem
termográfica apresenta um gradiente de temperatura da
primeira aleta próxima a fase em relação à aleta adjacente de
aproximadamente 2°C, ver Figura 5.
Muito embora, a imagem termográfica não tenha
apresentado diferença de temperatura significativa no corpo do
isolador, foram evidenciadas pequenas fissuras no
revestimento polimérico proveniente de descargas superficiais
ou atividade corona, assim como corrosão nas ferragens e
dano no selo de vedação, conforme mostrado na Figura 8.
Fig. 8. Imagem visual caso 3
Fig. 5. Imagens ultravioleta e termográfica do isolador de ancoragem
Na figura 6, é possível verificar um processo de corrosão e
dano na interface entre ferragem e selo de vedação, fazendo-o
perder a função de barrar a umidade. Neste caso, um processo
químico de ataque ao núcleo de fibra de vidro, chamado de
fratura frágil, pode ocorrer provocando a ruptura do isolador.
Para esta amostra recomenda-se o ensaio de verificação da
rigidez da interface entre ferragem e revestimento do isolador
seguido do ensaio de ruptura mecânica para avaliação se já
houve decréscimo do desempenho mecânico do isolador
Fig. 6. Isolador polimérico de ancoragem
CASO 3: Isolador polimérico na configuração suspensão
em região próxima a uma estrada de terra.
Percebe-se uma emissão ultravioleta de 4640 fótons/min na
região entre a ferragem e a primeira aleta.
Um ensaio relativamente simples que pode ser feito como
avaliação da degradação do revestimento é o ensaio de
penetração de água no núcleo conforme item 6.4.2 da norma
NBR 15122 [7].
V. ANÁLISE DO PROJETO DO ISOLADOR
Analisando-se o projeto do isolador, identificaram-se
aspectos construtivos oriundos do processo de fabricação que
não estão de acordo com as melhores práticas de fabricação
empregadas atualmente, entre as quais se destacam:
· as aletas dos isoladores compostos possuem nervuras
internas na parte inferior. Tal projeto tem o intuito de
aumentar a distância de escoamento, porém propicia
um acúmulo de poluição como será comprovado com
o resultado da coleta de poluente apresentado a
seguir;
· as aletas foram injetadas de forma independente
(coladas). Atualmente, o melhor processo de
fabricação é o de injeção do material polimérico a
alta temperatura e a alta pressão.
· as aletas das extremidades estão confeccionadas
afastadas da ferragem, e deveriam estar posicionadas
ao mesmo nível da borda das ferragens com a
finalidade de reduzir o estresse elétrico na interface
ferragem/ revestimento/selo.
· os selos de vedação nas interfaces ferragem/
revestimento não são recomendados e também as
aletas não possuem diâmetros alternados como forma
de prevenir curto-circuito entre aletas devido a
chuvas intensas.
VI. SIMULAÇÃO DE CAMPO ELÉTRICO
Fig. 7. Imagem ultravioleta do isolador de suspensão
As maiores intensidades de campo elétrico em isoladores
estão presentes nas suas extremidades, sendo predominante no
lado fase, onde os valores na 1ª aleta podem ser da ordem de
10% da tensão fase-terra. Anéis anti-corona são recomendados
para tensões a partir de 230 kV [2], porém, como diversos
fatores podem contribuir para o aumento do campo elétrico e
4
produção de descargas corona, torna-se importante o estudo da
distribuição do campo elétrico via simulação computaci
computacional.
Usou-se
se um modelo bidimensional do isolador aproveitando
a sua simetria axial. Então, duas situações foram simuladas:
simuladas a
primeira de um isolador seco sem o uso de anel anti-corona
anti
ea
segunda de um isolador com a presença de gotas de água e
sem anel anti-corona.
A simulação da presença de gotas de água no isolador foi
realizada porque, muito embora o isolador polimérico seja
hidrofóbico, a água tende a formar pequenas gotas ao invés de
espalhar-se.
se. Estas gotas por sua vez criam pontos de alta
concentração de campo elétrico que podem levar a formação
de descargas corona [2].
Na simulação do isolador seco sem o anel anti
anti-corona,
notam-se
se dois pontos onde o campo elétrico é mais intenso
intenso: na
extremidade da ferragem e no ponto de união de três materiais
diferentes, assinalado na Figura 9 como Ponto
onto 1. Este ponto
foi monitorado em virtude de haver evidênciass de descargas
corona constatado durante as inspeções.
VII. DETERMINAÇÃO DE PARÂMETROS DE POLUIÇÃO SEGUNDA
A NORMA IEC 60815
Foi realizada coleta de material poluente da superfície de
isoladores retirados de serviço utilizando
utilizando-se a metodologia da
norma IEC 60815-1 [4,10]. A determinação de parâmetros de
poluição segundo a norma IEC 60815 é importante para
selecionar e dimensionar isoladores de acordo com o ambiente
onde serão instalados, bem como para analisar um projeto
específico após um intervalo de tempo em serviço.
serviço
Os ambientes escolhidos foram: região de floresta próxima
á usina, ambiente próximo a estradas de terra e área urbana
dentro do município de Tartarugalzinho.
Segundo a norma IEC 60815-1,, a poluição é considerada do
tipo A, quando há depósitos de componentes solúveis e nãonão
solúveis sobre a superfície do isolador que, se umidificados,
umid
tornam-se condutivos. Para avaliar a severidade da poluição
local,, podem ser utilizados vários métodos de medição, sendo
o mais recomendado para locais com poluição do tipo A, o
método de medição de DDSE (densidade de deposito de sal
equivalente) e DDNS (densidade de deposi
deposito não-solúvel) da
superfície de cadeias de isoladores.
A. Medição da Densidade de Sal Equivalente
quivalente (DDSE)
Os materiais necessários para medição de DDSE são pincel,
bacia pequena, água destilada,, recipiente mi
milimetrado,
recipiente para colocação da solução e condutivímetro.
Fig. 9. Distribuição de campo elétrico em isolador polimérico seco
A intensidade de campo elétrico calculado nesta situação foi
de 2,64 kV/mm, valor insuficiente
suficiente para gerar descarga corona,
tendo em vista que, para condições secas, esse valor deveria
ser superior a 3,1 kV/mm [8].
Na simulação do isolador com a presença de gotas de água
e sem o anel anti-corona, observa-se novamente
ovamente que os pontos
de maior intensidade de campo elétrico foram a extremidade
da ferragem e o Ponto 1,, conforme verificado na Figura 10.
Neste caso, a intensidade do campo elétrico foi de 3,16
kV/mm sendo superior ao limite de início
io de corona tanto para
condições de umidade elevada, que variam
am entre 0,45 a 1,1
kV/mm [9], quanto para condições secas (3,1 KV/mm)
KV/mm).
Fig. 11. Material para coleta de poluente e método de coleta
Para medição de DDSE, são necessários em média 300 ml
de água destilada. Deve-se
se separar a coleta de poluente da face
inferior e superior da alaeta do isolador. Após a coleta de
poluente utilizando um volume conhecido de água, medi
medi-se a
condutividade da solução e faz-se
se a correção para 20ºC (s20 ).
Em seguida calcula-se
se a salinidade da solução utilizando a
fórmula Sa= (5,7s20)1,03. De posse da Salinidade da solução
calcula-se o DDSE utilizando-se a formula abaixo
DDSE =
S a xV
A
onde:
V – volume da solução
A – área do isolador
Sa– Salinidade equivalente
B. Medição da Densidade de Depósito
ósito Não
Não-Solúvel (DDNS)
Fig. 10. Gotas de água em um isolador polimérico.
Para medição do DDNS são necessários filtros de papel préseco graduação GF/A 1,6 µm
m ou similar e uma balança digital
de precisão para medir o peso do poluente sólido.
sól
5
O DDNS é dado por
DDNS =
ser considerado como inadequado segundo
metodologia apresentada pela IEC 60815-1.
1000(W f - Wi )
A
onde (Wf – Wi) representa a diferença entre o filtro seco e o
filtro seco com poluente.
Calculando-se o DDSE e DDNS, obtêm-se a severidade da
poluição local (SPL) pela intersecção dos dois valores no
gráfico da Figura 12.
a
nova
TABELA II
DETERMINAÇÃO DA SPL E DA MÍNIMA DISTANCIA DE ESCOAMENTO
Distância
Severidade da
Isolador
de escoamento (mm)
poluição local
1
poluição alta – E6
3.863,99
2
poluição alta – E6
3.107,13
3
poluição média – E4
3.449,71
VIII. CONCLUSÕES
Fig. 12. SPL tipo A – relação DDSE/DDNA e SPL para isolador bastão
A Tabela I apresenta os valores obtidos de DDSE e DDNS a
partir dos poluentes coletados nas três diferentes zonas de
poluição.
TABELA I
VALORES ENCONTRADOS DE DDSE E DDNS
Tipo de Ambiente
Média
DDSE
Massa
DDNS
1
Estrada de terra
0,053
0,300
0,651
2
Floresta
Próximo a usina
0,041
0,150
0,325
3
Urbana
Subestação
0,022
0,106
0,230
Isolador
Os valores encontrados para SPL nos três ambientes
distintos, segundo a norma IEC 60815-1 seguem na tabela II.
Com a definição da SPL, obtém-se a distância de
escoamento específica unificada (DEEU), em mm/kV, do
isolador por meio do gráfico da IEC 60815-3 [10], conforme
mostra a Figura 13.
Fig. 13. Distancia de escoamento específica unificada em função da SPL
O valor da mínima distância de escoamento do isolador é
obtido pela multiplicação de sua tensão fase-terra com a
DEEU.
Como o isolador estudado possui uma distância de
escoamento de 3.043,95 mm, constata-se que o mesmo pode
As ocorrências de desligamentos não programados na linha
Coaracy Nunes-Tartarugalzinho estão relacionadas ao modelo
inadequado dos isoladores poliméricos utilizados para as
atuais condições de poluição nas diversas regiões ao longo de
toda a extensão da LT.
Os resultados da simulação computacional do campo
elétrico confirmam o que foi constatado na inspeção por
instrumento, ou seja a ocorrência de descargas corona nos
isoladores da LT Coaracy Nunes–Tartarugalzinho. Estas
descargas se devem à alta concentração de campo elétrico que
pode estar relacionado à geometria do isolador em conjunto
com a presença de gotas de água em sua superfície. O uso de
anéis anti-corona apropriados bem como isoladores com
geometria diferente da usada pode ajudar a reduzir este
estresse. A simulação computacional poderia ser enriquecida
se fossem simulados as condições de poluição determinadas
pela IEC 60815-1 mais foram encontradas grandes
dificuldades para se reproduzir o poluente natural em
ambiente computacional.
As cadeias de entrada da SE de Tartarugalzinho, devido à
elevada atividade apresentada (mínimo de 9690 fótons/min),
devem ser substituídas por cadeias com isoladores de vidro,
que estão instaladas no interior da SE e não apresentam
qualquer atividade. A parametrização de valores para tomada
de decisão das equipes de manutenção levando-se em
consideração distância e umidade local é um objeto de estudo
que esta sendo desenvolvido pela empresa.
A determinação da SPL por meio da medição de DDSE e
DDNS foi importante para se verificar a contribuição de
poluentes não solúveis, tais como o limo, na determinação da
SPL. Além disso, percebe-se que as nervuras na face inferior
das aletas do isolador, colocadas para aumentar a distancia de
escoamento, propiciam um acúmulo de poluentes que
tornaram a SPL classificada como alta em dois casos.
O contato da umidade com o núcleo ocasiona um processo
químico de enfraquecimento da fibra de vidro, que culmina
com um evento denominado fratura frágil, sendo um tipo de
problema que não se pode estimar. Logo, uma vez evidenciado
o dano no selo de vedação, deve-se proceder á substituição
deste isolador imediatamente.
Para obter uma indicação da expectativa de vida destes
isoladores, bem como, definir sobre a substituição de unidades
e a periodicidade de avaliação/inspeção foram retirados 11
6
Jorge Alberto Segtovick Andrade
Andrade, nascido em
Belém-PA
PA no ano de 1954.
Concluiu o curso de Eletrotécnica na Escola
Técnica Federal do Pará em 1974,
1974 na cidade de
Belém, Pará. Experiência de vinte e cinco anos na
Usina Hidrelétrica de Tucuruí
Tucuruí, trabalhando na área
de geração de energia elétrica e atuando na gerência
de manutenção
ão elétrica.
Trabalhaa atualmente como Técnico Industrial de
Engenharia no Centro de Tecnologia d
da
Eletronorte, atuando na área de Engenharia de Alta
isoladores de serviço e 2 unidades reservas do mesmo lote
para realização de ensaios em laboratório.
IX.REFERÊNCIAS
[1]
TOURREIL C., BROCARD E., SKLENICKA V. CIGRÉ
CIGRÉ- Working
Group B2.03 - “ 284 - USE OF CORONA RINGS TO CONTROL
THE ELECTRICAL FIELD ALONG TRANSMISSION LINE
COMPOSITE INSULATORS”- 2005.
[2] Souza A., Lopes I., - “Estudo da Distribuição de Campo Elétrico em
Isoladores
res Poliméricos: uma abordagem computacional e experimental”;
Simpósio Brasileiro de Sistemas Elétricos – SBSE, Abril/2008.
[3] MASON, H. M. Enhancing the Significance of PD Measurements.
IEEE TDEI, v. 2, n. 5, p.876-888, Oct. 1995.
[4] IEC/TS 60815-1:”Selection and dimensioning of high--voltage insulators
intended for use in polluted conditions – Definitions, information and
general principles,, International Eletrotecnical Comition –2008.
[5] Góis N., Wesley R., “Critério de avaliação
valiação de isoladores em serviço
serviço”,
CIGRÉ – Brasil, GTB2.03 – Isoladores, 2008.
[6] Vaclav, S. – “Monitoring of HV and UHV overhead lines components
with UV and IR cameras”, EGU - High Voltage Laboratory A.S. –
Creta, Czech Republic - 2009.
[7] NBR 15122, “Isolador bastão composto polimérico par
para tensões acima
de 1000 V: Definição, Métodos de ensaio e Critério de Aceitação”, 2004
[8] B. Pinnangudi, R. S. Gorur, A. J. Kroese; “Quantification of corona
discharges on nonceramic insulators”; IEEE Transactions on Dielectrics
and Electrical Insulation; Vol. 12, No. 3, pp. 513-523,
523, 2003.
[9] A. J. Philips, D. J. Childs and H. M. Schneider, "Aging of NonCeramic Insulators due to Corona from Water Drops", IEEE
Transactions on Power Delivery, Vol. 14, No.3, pp. 1081
1081-1089, 1999.
[10] IEC/TS 60815-3:”Selection and dimensioning of high--voltage insulators
intended for use in polluted conditions – Polymer insulators for a. c.
systems”, International Eletrotecnical Comition –2008.
IX. BIOGRAFIAS
Ricardo da Cunha Bezerra,, nascido em Belém
BelémPA, no ano de 1981.
Graduado em Matemática pela Universidade do
Estado do Pará em 2002 e em Engenharia Elétrica
pela Universidade Federal do Pará em 2006, na
cidade de Belém, Pará. Trabalha atualmente como
engenheiro de manutenção elétrica no Laboratório
de Alta Tensão do Centro
tro de Tecno
Tecnologia da
Eletrobrás Eletronorte, em Belém, executando
ensaios dielétricos em equipamentos de alta tensã
tensão.
Darcy Ramalho de Mello, nascido no Rio de
Janeiro, no ano de 1952.
Graduou-se
se
em
Engenharia
Elétrica
na
Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1977.
Obteve o grau de mestrado pela COPPE em 1984.
Trabalha no CEPEL desde 1978, inicialmente nas
áreas de ensaio de alta tensão e sendo, atualmente,
responsável por diversos projetos de pesquisa e
desenvolvimento na área de linhas de transmissão e
redes de distribuição envolvendo, principalmente,
isoladores. Desde 1994 é o coordenador da
Comissão de Estudos de Isoladores (CE 36.1) do
COBEI / ABNT. Representante do Brasil na IEC 36: Insula
Insulators. Membro do
IEEE, do Cigré é secretário do Grupo de estudo B2-21
Darilena Monteiro Porfirio, Nascida em
castanhal- PA em 1973.
Gaduada em Bacharelado em Química pelo
Instituto de Química da Universidade de São Paulo
em 1999.Mestre em Química pelo Instituto de
Química da Universidade
de de São Paulo em
2004.Professora na FOC – Faculdades Oswaldo
Cruz de 2000 a 2004.Professora na UFPA –
Universidade Federal do Pará de 2005 a 2007.
Desde de 2007, trabalha como Ana
Analista Química e
Líder do Laboratório de Ensaios Quimicos e
Ambientais do Centro de Tecnologia da Eletronorte.
Tensão.
José Maria Tavares Teixeira Junior,
Junior nascido em
Belém-PA
PA no ano de 1979.
Graduado
em
Engenharia
Elétrica
pela
Universidade Federal do Pará em 2004, na cidade
de Belém, Pará. Trabalha atualmente como
engenheiro de manutenção elétrica no Laboratório
de Alta Tensão do Centro de Tecnologia da
Eletrobrás Eletronorte, em Belém, Pará,
executando ensaios dielétricos em equipamentos de
alta tensão, sendo o responsável pelos ensaios em
pára-raios de SiC e ZnO de alta tensão.
Josimar
osimar Coelho Pinheiro, nascido em MacapáAP, no ano de 1974.
Concluiu o curso Técnico em Eletrotécnica na
Escola Estadual de 2º Grau Graziela Reis de Souza
em 1991 – Macapá - AP. Acadêmico do Centro de
Ensino Superior do Amapá – CEAP no Curso de
Arquitetura
ura e Urbanismo, na cidade de Macapá AP. Atualmente exerce a função de Coordenador
da equipe de LT da Regional de Geração e
Transmissão da Eletrobrás Eletronorte no estado do
Amapá.
Olegário Ferreira Alves Neto,
Neto nascido em
Mossoró-RN no ano de 1961.
Concluiu o curso de Eletrotécnica na Escola
Técnica Federal do Pará em 1984. Acadêmico de
Engenharia Elétrica pelo Instituto de Ensino
Superior da Amazônia, na cidade de Belém, Pará.
Experiência de vinte anos na UHE
U
de Tucuruí,
trabalhando nas áreas de geração
ger
e transmissão de
energia elétrica. Trabalha
Trabalh atualmente como Técnico
Industrial de Engenharia
haria no Centro de Tecnologia da
Eletronorte, atuando na área de Engenharia de Alta Tensão.
Reinaldo Correa Leite
Leite, nascido em Belém-PA, no
ano de 1965.
Graduado em Engenharia Elétrica pela
Universidade Federal do Pará em 1990, na cidade de
Belém, Pará. Brasil, Mestre em Engenharia Elétrica
pela Universidade Federal do Pará em 2007.
Doutorando em Engenharia Elétrica pela
Universidade Federal do Pará. Trab
Trabalha atualmente
como engenheiro de manutenção elétrica no
Laboratório de Alta Tensão do Centro de Tecnologia
da Eletrobrás-Eletronorte,
Eletronorte, em Belém, Pará,
executando ensaios dielétricos em equipamentos de alta tensão
tensão.
Torricelli da Silva Gomes
Gomes, Nascido em Natal-RN,
no ano de 1981.
Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade
Federal do Rio Grande do Norte em 2004, na cidade
de Natal, Rio Grande do Norte. Especialista em
Engenharia de Segurança do Trabalho pela
Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Man
Mange em
2008, na cidade de Anápolis, Goiás. Trabalha
atualmente como engenheiro de manutenção elétrica
na ELETROBRAS ELETRONORTE, em Brasília,
Distrito
Federal,
executando
normatização,
manutenção e intervenções em linhas de transmissão de alta tensão.
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