56º Congresso Brasileiro de Genética

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56º Congresso Brasileiro de Genética
Resumos do 56º Congresso Brasileiro de Genética • 14 a 17 de setembro de 2010
Casa Grande Hotel Resort • Guarujá • SP • Brasil
www.sbg.org.br - ISBN 978-85-89109-06-2
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Triploidia natural no gênero Rineloricaria (Loricariidae,
Loricariinae)
Rodrigues, RM; Almeida-Toledo, LFA
Departamento de Genética e Biologia Evolutiva, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, SP, Brasil
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Palavras-chave: choque térmico, corpúsculo polar, Ribeira do Iguape, vantagem evolutiva, triploidia natural
Variações no número cromossômico e no material genético têm representado papel determinante na evolução
dos eucariontes. As variações mais dramáticas ocorrem por meio da poliploidia, processo caracterizado pela
multiplicação do genoma inteiro. Entre os vertebrados, relatos de poliplóides viáveis estão restritos aos peixes,
anfíbios anuros e alguns répteis. Muitos peixes economicamente importantes, tais como a carpa, salmões
e esturjão, evoluíram de antepassados poliplóides. Entre os peixes neotropicais, o gênero Corydoras apresenta
em sua história evolutiva uma possível ocorrência de poliploidia. O gênero Rineloricaria é composto por 64
espécies distribuídas da Costa Rica até o Norte da Argentina. Este gênero apresenta uma variação cariotípica de
2n=36 a 2n=70, indicando um aumento no número de cromossomos com dois braços à medida que se reduz o
número diplóide, o que demonstra uma marcante participação de rearranjos Robertsonianos em sua evolução.
Jamais foram relatados casos de poliploidia em populações de Rineloricaria, apesar de eventos de poliploidia
na evolução do gênero não estarem descartados. No presente trabalho é apresentado o cariótipo de uma fêmea
triplóide originada a partir do número diplóide 2n=70 cromossomos da espécie Rineloricaria sp. n., proveniente
da bacia do Ribeira do Iguape (Cajati/SP). A fêmea triplóide apresentou 2n=3x=105 cromossomos, com uma
fórmula cariotípica de 3M+3SM+99ST/A e uma heterocromatina distribuída nas regiões pericentroméricas dos
cromossomos. A triploidia foi identificada por três fatores: 1) número de cromossomos elevado, 2) marcações
de Ag-RONs em três cromossomos do complemento e 3) sondas do gene ribossomal DNAr 18S hibridadas, por
meio da hibridação in situ fluorescente, em três cromossomos do complemento. A triploidia foi confirmada com a
montagem do cariótipo, indicando que cada cromossomo apresentou três cópias nesse complemento. A triploidia
aqui registrada pode ser o resultado de uma retenção do segundo corpúsculo polar na meiose dessa fêmea,
originando um núcleo com três conjuntos haplóides. Em psicultura, a ploidia pode ser manipulada por meio de
choque térmico ou exposição das células a irradiações. Como a Bacia do Ribeira do Iguape está localizada numa
região fria do Estado de São Paulo e outros casos de triploidia já foram registrados nessa bacia, as oscilações bruscas
na temperatura da água podem ter sido a fonte de choque térmico que provocou a retenção do corpúsculo polar.
Não são totalmente claras as vantagens evolutivas que peixes poliplóides apresentam sobre peixes diplóides, uma
vez que ambos são fenotipicamente similares. Talvez uma vantagem exista no fato de peixes diplóides possuírem
somente duas cópias de cada alelo do genoma, e, portanto, se uma mutação ao acaso ocorrer em um alelo com
uma função vital para o organismo, esta mutação poderá ocasionar efeitos deletérios no indivíduo, mas cópias
adicionais deste alelo em peixes poliplóides reduziriam a probabilidade de esses efeitos negativos ocorrerem.
Apoio Financeiro: FAPESP; CNPq
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