Aplicação e efeitos da Kinesio taping na epicondilite

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Aplicação e efeitos da Kinesio taping na epicondilite lateral
Karla Viviane Gomes Ebrahim¹
[email protected]
Dayana Priscila Maia Mejia²
Pós graduação em Traumato e Ortopedia com Ênfase em Terapias Manuais
Resumo
Há varias etiologias para a algia na região de cotovelo, e a mais frequente é a epicondilite
lateral, uma inflamação que acomete os tendões que se inserem na parte lateral do cotovelo.
Causada pelo uso incorreto ou sobrecarga excessiva da musculatura, onde microtraumas são
gerados na região dos extensores. Este trabalho objetiva demonstrar a aplicação da fita
Kinesio taping assim com seus efeitos na epicondilite lateral, por meio de revisão
bibliográfica. A Kinesio taping é uma bandagem terapêutica que estimula através da derme os
tecidos contráteis e moles a buscarem sua homeostasia, proporcionando ainda diminuição do
quadro álgico, otimização da reparação tecidual e entre outros a facilitação ou limitação dos
movimentos.
Palavras-chave: Epicondilite lateral; Kinesio Taping®; Cotovelo.
1- Introdução
A epicondilite lateral é uma das causa mais comum de dor no cotovelo. De acordo com Baker
et al, Putman e Cohen, Nirschl e Baker, a doença foi descrita pela primeira vez por Runger, na
literatura germânica, em 1973. É uma inflamação dos músculos que se originam na região
lateral do cotovelo, sendo os músculos extensores os mais atingidos. Essa afecção é
denominada e conhecida também como tennis elbow ou cotovelo de tenista, provoca quadro
doloroso na região de epicôndilo lateral, origem do supinador do antebraço, extensor radial
curto do carpo, extensor comum dos dedos, extensor do 5º dedo, extensor ulnar, Ancôneo, e
braquiorradial.
“A etiologia da epicondilite lateral é variada; sua patologia obscura; e sua cura incerta”
(Cohen e Romeu, 2001).
¹ Pós-graduanda em Traumatologia Ortopedia com ênfase em terapia manuais
.
A epicondilite lateral é causada pelo uso excessivo ou incorreto da musculatura extensora de
punho. Acomete principalmente trabalhadores que executam suas tarefas laborais de forma
incorreta, com esforço intenso isolado e movimentos repetitivamente como, por exemplo,
digitadores ou em alguns desportos, principalmente o tênis, devido a tensões repetitivas na
articulação do cotovelo.
Devido ao uso frequente e demasiado dos tendões, gera-se força no ponto de inserção, o
epicôndilo lateral, gerando micro rupturas do tecido, consequentemente processo
inflamatório, o que causa dor. Dado que a epicondilite lateral e causada pelas contrações
forçadas e repetitivas dos extensores de punho o cotovelo de tenista é especialmente frequente
em indivíduos que realizam movimentos excessivos ou incorretos de extensão de punho. Os
tendões são as extremidades dos músculos que estão aderidas ao osso, para movê-lo quando o
músculo se contrair. Os músculos que estão envolvidos na epicondilite lateral são: supinador
do antebraço, extensor radial curto do carpo, extensor comum dos dedos, extensor do 5º dedo,
extensor ulnar, Ancôneo, e braquiorradial, eles tem sua origem no epicôndilo lateral.
2 - Anatomia do Cotovelo
A articulação do cotovelo é um gínglimo ou articulação em dobradiça, formada pelo úmero,
ulna e rádio. Possui três articulações: úmero-ulnar, entre a tróclea do úmero e a incisura
troclear da ulna, úmero-radial, entre o capítulo do úmero e a cabeça do rádio e rádio-ulnar
proximal, entre a cabeça do rádio e a incisura radial da ulna. Sendo que a articulação rádio –
ulnar é uma juntura trocoide ou em pivô. As superfícies articulares são unidas pela cápsula
articular, que circunda toda a articulação por meio de uma fina camada fibrosa que recobre a
face anterior da articulação, e outra fina camada membranosa com fibras obliquas e
transversais. A cápsula articular é espessada medialmente e lateralmente pelos ligamentos
colaterais ulnar e radial. O ligamento colateral ulnar é um feixe triangular espesso constituído
de uma porção anterior, uma posterior e uma intermediária mais fina. O ligamento colateral
radial é um feixe fibroso triangular. Existe ainda o ligamento anular que é formado por um
forte feixe de fibras que envolvem a cabeça do rádio, mantendo – a em contato com a incisura
radial da ulna, da borda inferior do ligamento anular sai um feixe espesso que se estende até o
colo do rádio, denominado ligamento quadrado. Na extremidade do osso úmero existem
duas proeminências ósseas, que são chamadas de epicôndilo medial e epicôndilo lateral, esse
último é o mais externo, onde se localiza um dos pontos álgicos da tendinite lateral e origem
dos tendões dos músculos envolvidos na inflamação.
2.1- Músculos envolvidos
- Extensor dos dedos: tem sua origem no epicôndilo lateral do úmero, inserção nas falanges
média e distal do 2º ao 5º dedo, é inervado pelo nervo radial (C7 – C8). Realiza a extensão do
punho, MF, IFP e IFD do 2º ao 5º dedo.
- Extensor do 5º dedo: tem sua origem no epicôndilo lateral do úmero, inserção no tendão do
extensor comum para o5º dedo, é inervado pelo nervo radial (C7 – C8). Realiza a extensão do
5º dedo.
.
- Extensor Ulnar: tem sua origem no epicôndilo lateral do úmero, inserção na base do 5º dedo
metacarpal, é inervado pelo nervo radial (C6 – C8). Realiza a extensão do punho e adução da
mão (desvio ulnar).
- Ancôneo: tem sua origem no epicôndilo lateral do úmero, inserção no olecrano da ulna e ¼
proximal da face posterior da diáfise da ulna, é inervado pelo nervo radial (C7 – C8). Realiza
a extensão do cotovelo.
- Extensor Radial curto do carpo: tem sua origem no epicôndilo lateral do úmero, inserção na
face posterior do 3º metacarpo, é inervado pelo nervo radial (C7 – C8). Realiza a extensão do
punho.
- Supinador: tem sua origem no epicôndilo lateral do úmero e ligamento colateral radial,
inserção na face lateral e 1/3 proximal da diáfise do rádio, é inervado pelo nervo radial (C6 –
C7). Realiza a extensão do punho e abdução da mão (desvio radial).
- Braquiorradial: tem sua origem na crista supraepicondilar lateral do úmero, inserção Acima
do processo estiloide do rádio, é inervado pelo nervo radial (C5 – C6). Auxilia na flexão do
antebraço.
3 – Diagnóstico:
O diagnóstico é realizado por meio de anamnese, exames radiológicos e descarte de outras
patologias. Na Anamnese são coletadas informações pessoais, localização da dor, tempo de
algia, movimentos que aumentam ou diminuem o processo doloroso, como são realizadas
suas atividades de vida diária e na sua jornada de trabalho, se há sobrecarga ou esforço
repetitivo, é também realizada a palpação e inspeção para observar edemas ou outros sinais
visíveis e palpáveis.
Ainda são realizados Testes ortopédicos para evidencia a musculatura envolvida, assim como
os movimentos comprometidos.
-Teste de Maudsley:
Posição do paciente: sentado.
Descrição do teste: Solicita-se ao paciente uma extensão do 3º quirodáctilo e oferece a
resistência.
Sinais e sintomas: O teste é positivo quando o paciente refere dor próximo ao epicôndilo.
- Teste de Cozen:
Posição do paciente: paciente em decúbito dorsal, parte de uma flexão do punho, pronação
radio-ulnar e flexão do cotovelo, mão do terapeuta realiza palpação no epicôndilo lateral.
Descrição do teste: O terapeuta com uma mão impõe resistência sobre o punho do paciente,
solicitando ao paciente uma extensão de punho.
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Sinais e sintomas: dor no epicôndilo lateral por tendinite dos extensores, o chamado “cotovelo
de tenista”.
Fonte: (Barros Filho & Leach, 2001)
- Teste de Mill:
Posição do paciente: sentado com o cotovelo em extensão° e punho cerrado e posição neutra.
Descrição do teste: O terapeuta forçará o punho do paciente em flexão, enquanto o mesmo
tenta impedir a realizando o movimento de extensão do punho.
Sinais e sintomas: dor no epicôndilo lateral.
Fonte: (Konim, Wiksten, Isear, 2001)
São realizado também exames complementares, como, o raio-x simples tem como objetivo
descartar fraturas, calos ósseos, artroses, artrite reumatoide, doenças ósseas, como
osteoporose. E o Ultra-som e a Ressonância magnética permitem a visualização do tecidos
moles, assim possibilita confirma alterações nos tendões que se originam no epicôndilo
lateral.
É importante ressaltar que antes de fechar o diagnóstico é necessário descarta algumas
patologias, já que as mesmas apresentam sintomas parecidos com os da epicondilite lateral,
entre elas estão: Cervicopatias, Síndrome do nervo Interósseo posterior, artrose capitelar,
corpo livre intrarticular, sinovite do cotovelo, instabilidade rotatória (pós cirurgia ou trauma
do cotovelo) e bursite.
4- Tratamento
Sendo confirmado o cotovelo de tenista, o tratamento geralmente é conservador através de
analgésicos e antiflamatórios não hormonais, infiltração de corticoides, uso de braces
(acessório que envolve o antebraço firmando-o). Essas condutas, no entanto são sempre
indicadas junto ao tratamento s fisioterapêutico.
.
Quando não a regressão dos sintomas, total ou progressivo, com o tratamento medicamentoso
e fisioterapêutico a cirurgia é indicada. Essa cirurgia consiste na retirada do tecido fibrótico e
ou liberação parcial da origem do extensor no epicôndilo lateral do úmero, podendo associar a
ostectomia do epicôndilo. Ultimamente se utiliza a infiltração de plasma rico em plaquetas
(PRP) como alternativo a cirurgia, o que proporciona um maior aporte sanguíneo ao tendão
degenerado, possibilitando a remissão dos sintomas e dos fatores que o causam em conjunto
com o tratamento fisioterapêutico.
4.1- Tratamento Fisioterapêutico
O tratamento é realizado através de muitas técnicas visando a melhora do quadro o mais
rápido possível. As técnicas mais utilizadas são:
- Ultra-som terapêutico: O atrito a atividade das células promove calor, aumento do calibre
dos vasos, de fluxo sanguíneo, nutrição tecidual e a retirada de catabólitos, favorecendo a
regeneração tecidual. E devido a esse efeito térmico, que aumenta a irrigação sanguínea local,
leva o aumento do metabolismo e consequentemente retirada do catabólitos, levando uma
descompressão das terminações nervosas de dor local. E Devido ao efeito mecânico acelera a
absorção de fluidos.
- TENS: A estimulação elétrica transcutânea é um valioso recurso físico para alívio da dor,
seja proveniente de dores agudas ou crônicas. Os estímulos no sistema aferente sensitivo,
atingem a via espino talâmico, principalmente núcleos periaqueais que sobre controle cortical
e do sistema líbico liberam endorfinas as quais produzem alívio da algia. E de acordo com a
teoria das comportas os impulsos do TENS são transmitidos através de grosso calibre, do tipo
A, que são de rápida velocidade, já os estímulos da dor são transmitidos através de fibras de
calibre menor, do tipo C, que são lentas. Desta forma os estímulos do TENS chegam primeiro
ao corno posterior da medula, e despolarizam a substância gelatinosa de Holando, impedindo
que os estímulos da dor passem para o tálamo. Sendo assim, as comportas ou portões da dos
são fechados.
- Corrente Interferêncial: A terapia com essa corrente é utilizada principalmente para
reparação de tecidos, analgesia, redução do edema e estimulação neuromuscular.
- Laser Terapêutico: Seus efeitos são analgesia, anti-inflamatório, anti-edematoso, aumenta a
síntese de colágenos, ativação do sistema linfático, proliferação de fibroblastos, aumento da
microcirculação local e entre outros aumento do nível de beta – endorfinas no líquido
encefalorraquidiano.
- Crioterapia: é a modalidade terapêutica preferida na fase aguda. Devido a o seu efeito de
vasoconstrição, ajudar a controlar hemorragia, diminuição do edema e interrompe o ciclo dorespasmo.
- Termoterapia: é utilizada no tratamento inflamatório e processo álgico crônico ou subagudo,
pontos gatilhos miofasciais, espasmo muscular e tensão muscular subaguda. Promove
aumento da flexibilidade dos tecidos músculos-tendíneos, diminui a rigidez articular e
aumento da circulação local.
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- Exercícios: Devem ser realizados após o controle da dor, iniciando com atividade isotônica
(aumentando o tempo e carga), e depois atividades isométricas.
- Alongamentos: São exercícios que aumentam flexibilidade. E que devem ser realizado antes
da realização de exercícios, preparando assim o músculo, protegendo-o e melhorando o
desempenho muscular. E após o exercício evitando assim a dor muscular tardia.
- Massoterapia: A ficção da pele estimula mecanorreceptores cutâneos, e esses sinais
sensitivos são capazes de bloquear ou diminuir a transmissão e percepção dos sinais de dor. A
estimulação de grande número de fibras A beta, após estímulos táteis no mesmo segmento,
ativa interneurôneos produtores de encefalinas, que inibem a fibra C de dor.
- Acupuntura: Inibe a transmissão de dor de acordo com a teoria da comporta de Melzck e
Wall, Ativando as fibras A- Beta e inibindo a transmissão por meio das fibras A- delta e C.
Estimula o aumento dos níveis de serotonina e endorfinas, alívio da algia em áreas de
atividade simpática alterada, elimina a contratura muscular e diminuem a hiperatividade
neural.
- Auriculoterapia: Visto que a orelha é um micro-sistema, que se relaciona com todas as
partes do corpo humano por meio de estímulos ao Sistema Nervoso Central. A mesma está
indicada para os mais diversos tipos de enfermidades, tendo entre muitos efeitos a diminuição
da dor.
- Kinesio tamping®: A Kinesio Tape® é uma técnica recente, que é utilizada para diversos
fins terapêuticos, tanto na prevenção, como quando já há lesão. Devido sua capacidade
diminuir o limiar de dor, reduzir inflamação, relaxar os músculos, melhorar o desempenho e
facilitar a reabilitação, apoiando os músculos em movimento.
5- Kinesio Taping ®:
A Kinesio Tapin® é uma técnica de bandagem terapêutica desenvolvida em 1973 pelo Dr.
Kenzo Kase, visando auxiliar os músculos e outros tecidos moles a procurarem sua
homeostase, por meio da estimulação da derme. Drº Kenzo percebeu que os tecidos
musculares, fáscias ligamentos e tendões, quando expostos a estímulos gerados por um
suporte eterno, consequentemente buscavam suas funções normais.
Devido ao material inadequado, por causa da pouca tolerância e curto prazo em contato com
a pele, o Drº Kenzo desenvolveu a Kinesio Taping®, uma bandagem elástica com alta
tolerância à pele sem provocar reações adversas. Por causa das suas propriedades
diferenciadas a Kinesio Taping®, pode ser utilizada 24 horas por dia, por até 5 dias, devido a
ser hipoalérgica é a prova d’água e sem substâncias medicamentosas impregnadas. Permiti
trocas gasosas, facilita a liberação muscular e o fluxo linfático, diminuindo a dor. É feita com
100% algodão, sua cola é ativada pelo calor, apresenta textura e elasticidade semelhante a
pele, com cerca de 40% a 60% de alongamento do seu comprimento de repouso, não contém
elasticidade no sentido transversal. As propriedades elásticas promovem suporte muscular
diminuindo sua fadiga.
.
A Kinesio Taping® promove através de estímulos sensoriais e mecânicos constantes na pele,
diversos benefícios, entre eles a diminuição do quadro álgico, correção da biomecânica
articular, redução do processo inflamatório, homeostase dos tecidos moles, facilitação da
circulação sanguínea e linfática, otimização da reparação de lesões teciduais. Pode ser usada
em conjunto com outras terapias, na prevenção de lesões, tratamentos agudos e subagudos e
crônicos, com excelentes resultados e sem efeitos colaterais.
A Kinesio Taping® e disponível em diversas cores, com objetivo de utilizar a cromoterapia
por meio de cores sedativas (refrescantes, inibitórias e relaxantes) ou tonificantes
(estimulantes, fornecem energia, aquecem, ativam e melhoram a circulação sanguínea e
linfática). A largura mais utilizada é a de 5 cm. E mesmo devido a essas diferenças seu
material e elasticidade são os mesmos.
Para a aplicação da Kinesio Taping® é necessário que o profissional tenha conhecimento
sobre anatomia palpatória, testes ortopédicos, funções musculares, amplitude de movimento e
disfunção de força muscular e de movimento.
5.1 Aplicação
A Kinesio tex Tape é a bandagem utilizada, ela tem uma elasticidade que varia de 40% a 60%
do seu comprimento em repouso, sendo 100% de tensão da bandagem a elasticidade máxima
conhecida. Quando retirada do papel tem 10% a 15% de tensão e retorna ao seu comprimento
de repouso, ficando classificada como normotensão ou sem tensão. Sendo que quanto maior a
tensão, mais efeitos mecânicos são gerados, e quanto menor maior são os efeitos sensitivos.
Há três tipos mais frequentes de cortes da Kinesio tex Tape. O corte e I, Y, X de garfo ou de
Rabo.
Fonte: (KASE, K; LEMOS, Thiago; DIAS, Elton, 2013)
Para a aplicação da Kinesio tex Tape, é necessário verifica se há descontinuidade ou lesões
cutâneas, se houver deve-se evitar essas áreas. A área da aplicação deve ser limpa, e em caso
de peles frágeis deve- se usar hidróxido de magnésio, evitando assim possíveis irritações. E
regiões do corpo com muitos pelos deve ser realizada a tricotomia, visando melhorar a
aderência da bandagem na pele.
A bandagem deve ser colocada com o seguimento a ser tratado em alongamento, visando
diminuir a tensão na bandagem durante o movimento, e quando o tecido não for estirado
.
colocar a bandagem mais suave. A bandagem só é utilizada com tensão moderada ou forte
quando se realiza técnicas corretivas.
Em pacientes que tem muita sudorese, ou que praticas atividades físicas extenuantes ou
aquáticas, a aplicação deve ser realizada 30 minutos antes da prática, e para que a fixação da
bandagem seja maior pode-se usar um pré-aplicador como o Skin Pre ap.
A aplicação da Kinesio tex Tape é contraindicada em região com atividades malignas, áreas
com celulite, infecções ativas na pele, feridas abertas, trombose venosa profunda ativa, e
pacientes que apresentem alergia a bandagem. Quando houver dúvida sobre a aplicação em
determinadas patologias, deve procurar o médico responsável pelo paciente, para discuti sobre
o tratamento com Kinesio Taping®.
Existem seis modalidades de técnicas corretivas: Correção Mecânica, emprega entre 50% a
75% da tensão máxima, promove posicionamento específico, manutenção da ADM, melhora
da circulação, inibição de movimentos indesejáveis, e entre outros a prevenção de atritos
articulares; Correção Facial, é utilizada com tensão entre 15% e 50%, para proporcionar
reposicionamento mantido, ou movimentação da fáscia em determinada direção abaixo da
pele, quando aplicada longitudinalmente atinge porções superficiais e transversalmente atinge
porções mais profundas; Correção Espacial, emprega entre 25% a 50% de tensão, tem por
finalidade aumentar o espaço abaixo da pele (derme, epiderme e fáscia superficial) em tecidos
lesados, com sinais de inflamação, seus efeitos fisiológicos são o aumento da circulação local,
eliminação de exsudato intersticial, ativação dos mecanoceptores locais e redução da dor local
devido a inibição a nível medular; Correção Ligamentar e Tendínea, pode ser iniciada tento
pela ancora como pela zona terapêutica, a primeira sempre com 0% de tensão e a segunda
com 75% a 100%, nos ligamentos superficiais a bandagem age diretamente sobre ele, já nos
ligamento profundos a bandagem possui uma ação mais mecânica; Correção funcional, é
usada como uma pré carga, aplicada ao favor ou contra o movimento, a tensão vai depender
do objetivo desejado; Correção Linfática e Circulatória, busca facilitar o aporte de fluidos
linfáticos e sanguíneos para áreas debilitadas, usa-se tensão entre 10% a 15%.
Durante a aplicação das bandagens a seguir, não coloque tensão sobre as âncoras. Deve- se
retornar o paciente para a posição inicial. Avaliar a qualidade da bandagem e os resultados
finais.
5.1.1 – Técnica para o Braquioradia:
Fonte: (KASE, K; LEMOS, Thiago; DIAS, Elton, 2013)
.
-Medida: distancia entre o processo estiloide do rádio até o epicôndilo lateral do úmero.
- Corte: Em “Y” de acordo com a devida feita sobre o paciente.
- Largura: 3,75 cm nas bases e nas caudas esse valor é dividido ao meio.
-Tamanho da âncora: Em geral de 2,5 a 3cm. Se houver aumento da tensão sobre a
bandagem, a âncora deverá ser maior.
- Ancoragem inicial: Fazer a ancoragem sobre o processo estilóide do rádio.
- Cauda medial e cauda lateral: Com o ombro em abdução e extensão leve. Fazer um desvio
ulnar para aumentar a distensão da pele. Aplique a Kinesio taping com tensão adequada na
cauda medial e lateral da bandagem, de forma que elas envolvam o músculo.
- Fazer a Ancoragem final destas caudas. Ativar as bandagens.
5.1.2 – Técnica Extensor dos dedos
Fonte: (KASE, K; LEMOS, Thiago; DIAS, Elton, 2013)
- Medida: Distância entre a epífise distal da falange proximal do dedo médio até o epicôndilo
lateral do úmero.
-Corte: Especial com 4 caudas na região dos dedos e duas caudas na outra extremidades.
- Largura 5cm na base e 2,5cm nas 2 caudas proximais e 1,25cm nas 4 caudas distais.
- Tamanho da âncora: Em geral de 2,5 a 3 cm. Entretanto, na região doa dedos as âncoras são
proporcionalmente menores. Nesta região é comum usarmos âncoras de 0,5 a 1,0cm. Fazer a
flexão do punho, aplicar uma pré-ancoragem na linha do punho.
- Colar a Kinesio taping em direção a cada um dos dedos com a tensão desejada, com os
dedos em flexão (todas as falanges ósseas).Fazer a ancoragem na extremidade dos dedos.
Aplicar a bandagem sobre a região dorsal do punho.
- Direcionar as caudas para o epicôndilo lateral, com o punho em flexão, de forma a envolver
este músculo e distribuir a tensão empregada.
5.1.3 – Técnica para Extensor Ulnar do Carpo
.
Fonte: (KASE, K; LEMOS, Thiago; DIAS, Elton, 2013)
- Medida: Distância entre o epicôndilo lateral até o osso piramidal no dorso da mão.
- Corte: Em “I” de acordo com a medida feita sobre o paciente.
- Largura: bandagens com 2,5 cm na base.
- Tamanho da âncora: Em geral de 2,5 a 3 cm. Lembre-se se aumentarmos a tensão sobre a
bandagem, a âncora deverá ser maior.
- Ancoragem inicial: Fazer a aplicação sobre a projeção do osso piramidal no dorso da mão.
- Posicionamento: Fazer uma leve flexão do punho. Colocar a mão sobre a âncora para
estabiliza-la durante a tensão. Fazer a tensão adequada, em direção ao epicôndilo lateral do
úmero. Fazer a ancoragem final. Ativar a bandagem.
6 – Metodologia
O método utilizado foi revisão bibliográfica, que é desenvolvida com base em material préelaborado, livros e artigos científicos. A revisão bibliográfica gera maior confiabilidade e
informações para melhor captação do assunto e assim aproximar teoria e prática. O
levantamento bibliográfico foi realizado consultando artigos de periódicos nacionais, e
eletrônico no sistema Medline, Scielo, Bireme, Lilics, Pedro, Pubmed, utilizando os seguintes
descritores: cotovelo, epicondilite lateral e Kinesio Taping® .
7 – Resultados e Discussão
A apicondilite lateral é uma patologia tendínea e muscular, gerada por esforço repetitivo ou
excessivo da musculatura extensora do antebraço, provocando microlesões na inserção dos
tendões acometidos. Os microtraumas provocam o aparecimento de hiperplasia fibranginosa
nos tendões. Esse achado sugere que a epicondilite crônica constitui-se em um processo mais
degenerativo que inflamatório. Sendo que após o primeiro trauma a área lesa com maior
recorrência, gerando formação de depósitos granulosos, de cálcio além de hemorragia dentro
do tecidos circunvizinhos. Quando a sobrecarga continua acorrendo, a degeneração das fibras
de colágeno nos tendões não proporciona melhora, cicatrizes fibróticas podem se formar e o
paciente passa a sentir dor crônica e diminuição da força.
Os músculos traumatizados são os extensores do punho e dos dedos. É um estresse mecânico
altamente localizado nas áreas de inserção dos tendões do epicôndilo lateral do cotovelo,
ocasionando processo álgico que geralmente inicia-se de forma leve e piora progressivamente
na região do epicôndilo lateral, na parte externa do cotovelo, podendo ter irradiação para o
antebraço, punho, mão e ombro.
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Essa afecção é corriqueira em pessoas que praticam tênis e outros desportes que usem raquete,
porém pode acontecer em qualquer individuo que realize movimentos repetitivos, atividades
que envolva movimentos de prono-supinação em excesso, como os movimentos de
encanadores, entre outros digitadores.
Os sintomas são: dor ao ser pressionado levemente o tendão no epicôndilo lateral, ou dor na
parte externa do cotovelo ao ser realizada a extensão do pulso e perda de força. Visto os
sintomas, a aplicação da Kinesio Taping® possibilita a diminuição de quadro álgico,
facilitação dos fluidos sanguíneos e linfáticos, aumenta da amplitude de movimento, redução
do processo inflamatório, cria mais espaço nos níveis epidérmicos, dérmicos e hipodérmico,
proporcionando maior eficácia junto a outros tratamentos. Porém a técnica deve ser estudada
mais afundo para seja empregada de forma correta a necessidade de cada paciente, tem que
ser analisado: se está em fase aguda ou crônica, qual o tendão ou tendões lesionados, qual o
movimento que está comprometido, se deve inibir ou facilitar o movimento do músculo, a
técnica a ser empregada (Sistema endógeno e analgésico, correção articular, efeito circulatório
ou suporte muscular).
8- Conclusão
A técnica Kinesio Taping® representa uma boa opção para ser associada ao tratamento da
epicondilite lateral, visto que a mesma mostra-se eficaz na redução de dor, e na melhora da
qualidade de movimento na epicondilite lateral. Devido a epicondilite lateral ser uma afecção
de difícil e prolongado tratamento e com grande risco de reincidência, torna-se necessário a
realização de mais estudos sobre a Kinesio Taping® na epicondilite lateral, assim varias
questões ainda serão esclarecidas, assim como a comprovação da eficácia do método. A
Kinesio Taping® pode ser utilizada na prevenção, na fase aguda e crônica da afecção, porém
para se ter resultados positivos, é necessário avaliar e constatar onde está o comprometimento
primário.
Devido a ser uma afecção que acomete muitos indivíduos, seja por uso excessivo ou incorreta
realização dos movimentos, a prevenção torna-se muito importante. Para preveni-la deve-se,
utilizar equipamentos adequados, realizar alongamentos antes e depois das atividades,
fortalecer a musculatura e utilizar a Kinesio Tape para a realização de movimentos que exijam
mais da articulação e dos músculos.
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