Como conhecer a vontade de Deus

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COMO CONHECER A VONTADE DE DEUS
Como conhecer a vontade de Deus
Watchman Nee
“O cristão tem apenas uma ocupação durante sua vida: realizar a vontade de Deus de tal modo
a obter regozijo eterno. Se ele falhar em fazer isto, o seu futuro será indubitavelmente sombrio
e imperfeito. Para muitos crentes, entretanto, o problema está não na falta de desejo de
realizar a vontade de Deus, mas freqüentemente em “como posso conhecer a Sua vontade?
A mensagem seguinte, baseada nas Escrituras em experiências espirituais, pretende esclarecer
esta questão. Conhecer a vontade de Deus não é uma tarefa impossível. Se no fundo do nosso
coração nós realmente estivermos desejosos em obedecer a Sua vontade, inquestionavelmente
a teremos revelada claramente a nós.” Rute Lee (Rute Lee foi a editora da revista ”Spiritual
Light”, quando este artigo, escrito em chinês pelo autor, foi publicado na mesma língua em
duas partes nos fascículos de fevereiro e junho de 1925.)
Introdução
Sempre notamos que os arquitetos têm projetos preparados quando algum edifício vai ser
construído. Eles desenham planos detalhados para as novas estruturas que vão edificar. Tudo
sobre o edifício, seu tamanho, grande ou pequeno, sua altura, alto ou baixo, é minuciosamente
planejado. Durante o período da construção tudo é feito segundo estes planos. Na construção
de todos os edifícios modernos, sempre existem os planos traçados previamente pelos
arquitetos. Quando os filhos de Israel construíram o tabernáculo no deserto, eles também
tinham um plano pré-concebido. Eles não se dispuseram a construir um tabernáculo para Jeová
por mero capricho. Moisés recebeu instruções de Deus, o qual não apenas lhe mostrou o
modelo do tabernáculo no monte Sinai, mas também lhe explicou cada item detalhadamente.
Foi-lhe ordenado que construísse na terra um tabernáculo de acordo com o que lhe havia sido
revelado do céu. Portanto, na construção desta estrutura de tenda, houve primeiro o plano e
depois a construção. Cada detalhe minucioso havia sido decidido por Deus previamente. Até
mesmo o material que deveria ser usado para algo minúsculo como um alfinete, Deus
desvendara a Moisés. Além do mais, Moisés não tinha qualquer autoridade para alterar o
menor item do tabernáculo à sua própria vontade. A estrutura inteira com todas as suas partes
fora totalmente planejada por Deus para que seu povo escolhido construísse em conformidade
ao planejado.
A vida de um homem, assim como todo o seu trabalho diário, são todos planejados por Deus.
Ele tem o Seu plano definido para a vida de trabalho e para as atividades diárias de todo o
crente. Ele tem a Sua vontade perfeita para todos aqueles que Ele comprou com o Seu sangue.
Ele projetou, de antemão, os movimentos dos Seus filhos regenerados. Uma vez que o Pai tem
o Seu esquema para os cristãos, Ele espera que estes sigam cuidadosamente o que Ele traçou.
Construtores ignorantes que seguem seus próprios pensamentos e não o plano bem elaborado
do arquiteto, estão destinados a cometerem falhas em sua obra de construção. Da mesma
maneira, como o trabalho dos filhos de Israel poderia ser aceito por Deus, o Arquiteto-Mestre,
se eles não erigissem o tabernáculo de acordo com a direção que Ele lhes dera? Assim
também, os cristãos que não seguem o plano pré-determinado de Deus para as suas vidas
estão destinados a falharem. A violação da vontade de Deus é a raiz de toda falha dos crentes.
Uma questão muito importante surge aqui. “Como nós podemos conhecer a vontade de Deus?”
Muitos crentes se consideram não como aqueles que não amam a vontade de Deus, mas como
aqueles que realmente amam realizar a Sua vontade. No entanto eles não fazem a vontade de
Deus porque não a conhecem. Portanto não estamos preocupados aqui com aqueles que não se
importam com a vontade de Deus, mas sim com os que sinceramente desejam realizar a Sua
vontade. E muitos deles têm grande problema em “como conhecer a vontade de Deus”. Eu sei
muito bem que muitos irmãos no Senhor têm esta dificuldade. Eles já se consagraram a Deus;
eles esperam sinceramente a aprovação e a satisfação de Deus. Eles amam a Sua vontade. No
entanto não possuem qualquer idéia do que constitui a Sua vontade concernente às suas vidas
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e aos seus trabalhos.
Eles não sabem qual é a vontade de Deus em relação a certos assuntos; eles estão tateando na
escuridão; conseqüentemente não conseguem outra coisa senão errar. Muitas lágrimas são
derramadas e muitos corações são quebrados por causa desta deficiência no conhecimento.
Quão dolorosa é tal experiência! No entanto há uma coisa que precisamos saber:
Deus é Responsável por Nos Fazer Conhecer a Sua Vontade
Isto é algo fácil de entender. Pois se Deus deseja que façamos a sua vontade, Ele deve nos
falar qual é esta vontade. Como poderia Ele esperar que vivamos e trabalhemos em
concordância com a Sua vontade, se Ele não nos informa qual é a Sua vontade? No caso de
falharmos por Ele não nos ter revelado a Sua mente, Ele mesmo deve se responsabilizar. Nos
revelar a Sua vontade é o que Deus deve fazer. Um pai deseja, por exemplo, que seu filho faça
uma determinada coisa num certo dia, mas ele não participa a seu filho os seus pensamentos.
Quando chega esse dia, seu filho continua a executar seus deveres diários sem realizar aquela
coisa especial que estava sobre o coração de seu pai. Qual desses dois você julga ser o
responsável? O filho? Não! O responsável é o pai. Uma vez que ele não informou ao filho sobre
a sua vontade, como este poderia ser responsável por não fazer essa vontade? Se o pai quer
que seu filho faça algo para ele, deve lhe falar sobre a sua vontade.
Nosso Pai celestial é tão bondoso para conosco. Sempre que Ele quer que façamos Sua
vontade, Ele no-la diz previamente. Na parábola dos dois filhos, a qual o próprio Senhor Jesus
narrou, o pai queria que seus filhos fossem trabalhar na vinha. Ele, portanto, lhes contou qual
era seu desejo. O filho que fez mais tarde o que foi ordenado foi obediente, enquanto o filho
que não realizou a ordem do pai foi considerado rebelde (ver Matheus 21:28-31). Nós
agradecemos a Deus, nosso Pai, pois Ele sempre nos revela Seu plano secreto.
Não Conhecer a Vontade de Deus – Falha Nossa
Reconhecemos que Deus sempre nos fala o que Ele requer de nós para que possamos conhecer
a Sua vontade. No entanto, em nossas experiências, não é verdade que muitas vezes
queremos a vontade de Deus mas simplesmente somos incapazes de conhecê-la? Por que isso
acontece? Uma vez que Deus deseja nos informar a Sua vontade, por que é que muitas vezes
somos incapazes de discerni-la? Já que do lado de Deus existe necessidade de nos deixar saber
qual é a Sua vontade e mesmo assim falhamos em percebê-la, o problema deve estar do nosso
lado. Deve haver algum obstáculo à possibilidade de Deus revelar Sua vontade a nós. Abraão
era sempre obediente ao Senhor. Quando Deus, então, pensou em destruir Sodoma e
Gomorra, as Escrituras nos dizem assim: “Disse o Senhor: Ocultarei a Abraão o que estou para
fazer?” (Gn 18:17). Para que Deus revele a Sua vontade, nada deve permanecer entre nós e
Ele. De outra forma, ainda que Ele queira nos mostrar a Sua vontade, não somos capazes de
recebê-la, porque não temos um coração aberto. Deus pode revelar, mas nós não podemos
nem ver, nem ouvir, nem entender. Estar em sintonia com Deus é um requerimento essencial
para se conhecer a Sua vontade.
As Condições para se Conhecer a Vontade de Deus
Para se conhecer a vontade do Senhor, é fundamental que deixemos de lado a nossa opinião
própria. Isto porque a nossa idéia pré-concebida freqüentemente não permite que Deus revele
a Sua vontade. Tal preconceito impede a entrada da vontade de Deus em nosso coração. Tenho
que confessar que, nas minhas experiências pessoais, sempre que falhei em conhecer a
vontade de Deus, invariavelmente foi porque tinha a minha própria idéia (algumas vezes o meu
próprio pensamento estava escondido nas profundezas do meu coração). A menos que eu me
livrasse da minha idéia própria, eu poderia encontrar muitas dificuldades em buscar conhecer a
vontade do Senhor. Mas assim que eu a punha de lado, Deus conseguia me mostrar a Sua
vontade.
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Esta questão de nos livrarmos de nossa idéia própria como sendo um pré-requisito para se
conhecer a vontade de Deus é tão essencial que eu nunca poderia enfatizá-la demasiadamente.
Este ponto é tão importante que merece atenção. Deixe-me, portanto, discutir mais esta
questão.
Quão enganoso é o nosso coração. Algumas vezes pode parecer que buscamos a vontade de
Deus, no entanto, dentro do nosso coração estamos cheios de idéias próprias e opiniões
pessoais, pois nosso desejo dominante é agradar a nós mesmos. Algumas vezes quando nos
ajoelhamos em oração, nossa boca pode dizer: “Ó Pai, seja feita a Tua vontade. Eu busco
somente a Tua vontade”. Nossos corações parecem estar concordando com as nossas bocas,
de que desejamos ardentemente fazer a vontade de Deus. No entanto, no fundo de nossos
corações existe outro desejo, de buscar a nossa própria vontade. Em um tal estado,
provavelmente nós nunca chegaremos a conhecer a vontade de Deus. Qualquer busca falsa
jamais produzirá algum resultado real. Pois a promessa “buscai e achareis” (Mt 7:7) não é dada
a um coração desonesto. A não ser que nós realmente busquemos a vontade de Deus, não nos
será dado revelação dessa vontade. Ainda que nós nos confortemos a dizer; “eu já conheço a
vontade de Deus”, isto é, muito provavelmente, o produto do nosso próprio pensamento o qual
é a falsificação da Sua vontade.
Se já há um desejo secreto em nós, é em vão que buscarmos a vontade do Senhor. Ao termos
a nossa idéia própria, nenhuma de nossas orações será proveitosa. Ainda que oremos
diariamente para conhecer a vontade de Deus, essas orações provarão ser totalmente fúteis.
Por esta razão, toda a vez que desejarmos buscar a vontade do Senhor, devemos examinarmos
a nós mesmos diante Dele, para ver se existe qualquer idéia própria dentro do nosso coração,
se há qualquer inclinação, qualquer anseio egoísta secreto. Buscar a Sua vontade com um
coração puro e impoluto! Tudo o mais é inútil.
Suponhamos que existam dois caminhos (ou até mais) diante de você: um é o caminho pelo
qual você gostaria de viajar; o outro é a vereda pela qual você não gostaria de viajar. Sem
dúvida você irá se perguntar: Se o Senhor me mandar para o caminho que eu não quero, será
que eu estarei disposto a obedecer, qual é, então, o beneficio de se conhecer a vontade do
Senhor?
Sempre que estamos diante de estradas divergentes, é melhor que não tenhamos inclinação
alguma, o que significa que mantemos um coração equilibrado olhando para as estradas à
frente com a mesma atitude, não amando uma estrada nem temendo a outra. Com tal atitude
em nós, será bem fácil para o Senhor revelar-nos a Sua vontade. Por outro lado, possuir
qualquer inclinação fixa ou nutrir uma indisposição em obedecer se torna a maior obstrução em
se conhecer a vontade do Senhor. Ter inclinação nenhuma não significa que estamos nos
colocando em uma disposição passiva. Isto está relacionado com a estrada à nossa frente. Nós
temos que exercitar a nossa vontade em decidir fazer a vontade de Deus. Portanto, dizer que
não há qualquer inclinação em nosso coração não implica que nós não termos nem mesmo o
desejo de conhecer. Apenas sugere que antes de conhecermos a vontade de Deus, não temos
inclinação alguma em direção a qualquer uma das estradas, mas estamos determinados que
uma vez que conhecemos a Sua vontade, nós iremos realizá-la. Apenas sugere que antes de
conhecermos a vontade de Deus nós não temos qualquer inclinação para um dos caminhos,
mas estamos determinados a fazer a Sua vontade assim que conhecermos. Concernente ao
nosso desejo, não possuímos qualquer “gosto” ou “aversão” de forma alguma para com as
estradas diante de nós. No entanto, mesmo antes de conhecermos a vontade de Deus, fizemos
uma escolha entre a Sua vontade e a nossa; que decidimos a favor da de Deus e contra a
nossa. Escolhemos a Sua vontade e rejeitamos a nossa. Portanto, não ficamos sem uma
vontade e sem escolha. Nós a temos, mas elas estão do lado da vontade de Deus. Queremos o
que o Senhor quer.
Podemos aprender esta lição através da vida do nosso Senhor Jesus Cristo. A vontade humana
do nosso Senhor e a vontade do Pai celestial não são uma só vontade, mas duas. Quando
lemos: “Seja feita a Tua vontade, e não a minha” (Lc 22:42b), podemos concluir com certeza
que a vontade do Senhor Jesus e a de Deus o Pai são realidades separadas. Há também esta
palavra nas escrituras: “Não busco a minha vontade, mas a daquele que me enviou” (Jo
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5:30b). Isto mostra claramente que estas duas vontades são na verdade distinguíveis.
Entretanto, ainda que a vontade do Senhor e a vontade do Pai viessem de duas fontes
separadas, notamos no entanto que não havia qualquer controvérsia entre elas. Pois a despeito
do fato de que o nosso bondoso Senhor tinha a Sua vontade própria, Ele, no entanto, deixou-a
de lado para fazer a vontade de Seu Pai. Ele colocou a Sua própria vontade ao lado de Deus.
Ele desejava obedecer ao Pai, e não realizou a vontade de Deus passivamente; em vez disso,
Ele ativamente entregou a Sua vontade para que pudesse realizar a vontade do Pai. Ele negou
a Sua vontade própria e desejou a vontade do Pai. E assim, a Sua vontade não era outra senão
fazer a vontade do Pai. Anteriormente, a Sua vontade se diferenciou da do Pai, mas agora Ele
desejava fazer a vontade do Pai que era, antes, diferente da Sua. Por esta razão, toda a vida
do nosso Senhor foi agradável a Deus, o Pai.
Resumindo então este primeiro passo em buscarmos a vontade do Senhor, não devemos
abrigar em nosso coração qualquer gosto ou aversão para com as estradas à nossa frente
antes saibamos qual delas é a vontade de Deus. E ainda ao mesmo tempo devemos manter
uma atitude de anseio em fazer a vontade de Deus. Em conseqüência à nossa disposição em
submetermos a nossa vontade à vontade do Senhor, nossa busca em conhecer a Sua vontade
já está metade efetuada. A razão porque nós falhamos em conhecer a vontade do Senhor é
devida muito a alguma falha neste ponto exato. Para aquele que deseja fazer a Sua vontade,
será logicamente mostrado qual é essa vontade. Mas para aquele que não a deseja, sua busca
pela vontade do Senhor é falsa; e a vontade do Senhor não é dada a tal pessoa. Portanto, se já
há uma inclinação estabelecida em nosso coração, não finja que você quer conhecer a vontade
do Senhor. Primeiro você precisa tratar com o desejo e inclinação do Seu próprio coração, pelo
poder de Deus. Aí então você irá receber a revelação de Sua vontade. De outra forma, o fato
de se conhecer e utilizar métodos para buscar a vontade de Deus resultará em nada.
Ao submetermos a nossa vontade ao Senhor, nós nos livramos deste obstáculo fundamental,
de tal forma que Deus não pode fazer outra coisa senão revelar a Sua vontade a nós.
Como Deus nos Leva a Conhecer Sua Vontade
Existe, ao todo, três métodos. Nós não devemos olhar apenas para determinado método, pois
se o fizermos, poderemos facilmente cair nas armadilhas de Satanás. Precisamos considerar e
seguir os três juntos, e assim estaremos salvos do desequilibro. Tendo luz perfeita, podemos
andar na vontade de Deus perfeitamente. Esses três métodos são: a inspiração do Espírito
Santo, o ensinamento das Escrituras e a provisão das circunstâncias. Em uma ocasião, o Dr. F.
B. Meyer perguntou ao capitão de um navio no qual viajava, enquanto se aproximavam das
águas de Londres: “Neste vasto oceano, como você sabe que esta entrada para o porto é a
entrada correta?” O capitão respondeu: “A medida em que direciono o navio até a posição onde
aqueles três faróis à frente formam uma linha reta, seguramente sei que cheguei ao Porto de
Londres.” Desta forma Dr. F. B. Meyer escreveu: “Quando nós vemos o Espírito Santo, as
Santas Escrituras e as circunstâncias – esses três – em um só acordo, então eu sei que estou
na vontade de Deus.” Realmente, a concordância desses três prova que estamos na vontade de
Deus.
1- A Inspiração do Espírito Santo
Não há ninguém no mundo que faça as coisas completamente de acordo com a sua própria
vontade, uma vez que se ele não estiver fazendo a vontade de Deus estará, invariavelmente,
fazendo a vontade do maligno. “Nos filhos da desobediência”, escreve Paulo, “o príncipe dos
poderes do ar” está operando (Ef 2:2). Naqueles que obedecem ao Senhor, “é Deus quem
opera (neles) tanto o querer quanto o efetuar” (Fl 2:13). Portanto, pode-se se dizer que ou o
espírito mal está operando no coração de uma pessoa ou Deus está. Nenhum de nós aqui pode
ficar isento de uma das duas operações. Quem quer que seja a pessoa, cada uma das suas
reações será o resultado ou da operação do Espírito Santo nele, ou da operação do espírito
mal. Mesmo um crente não é capaz de escapar dessa situação completamente.
Sempre que uma pessoa faz algo, ela é movida a fazê-lo. Algumas vezes ela é profundamente
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movida; outras vezes ela pode ter sido apenas levemente movida, e em conseqüência a este
tipo de inspiração ou impulso em seu coração, ela começa a atuar.
O mais lamentável é que os crentes geralmente são ignorantes quanto à vida no Espírito Santo,
bem como do Espírito Santo em suas vidas. Quando suas almas vão ficando estimuladas, eles
podem bem facilmente achar que isto é o mover do Espírito Santo. Eles são incapazes de
distinguir a inspiração do Espírito Santo da agitação da alma. De fato, não é bastante difícil
discernir o que é animação da alma e o que é inspiração do Espírito Santo? Logicamente, para
os jovens cristãos isto é naturalmente difícil; mas os santos maduros podem facilmente separálos, assim como uma criança é capaz de diferenciar o trigo do joio.
Ora, além da confusão causada pela mistura da animação da alma com a inspiração do Espírito,
pode também haver uma decepção nos crentes causada pelo diabo, o qual frequentemente se
atavia de anjo de luz e até mesmo simula a voz do Espírito Santo. Não pensemos que tudo o
que Satanás conspira contra nós é necessariamente mal, sujo e ruim por completo. Vamos
entender que o seu objetivo principal e nos tirar da vontade de Deus. Realmente algumas
vezes (talvez até com bastante freqüência) ele leva as pessoas fazerem coisas boas de tal
forma a fazê-los pensar que coisas boas são a vontade de Deus. Quem pode entender esta
verdade, que apesar da vontade de Deus ser sempre boa, as coisas boas podem nem sempre
ser a vontade de Deus? Satanás não fica com medo das pessoas fazerem coisas boas; ele teme
apenas que eles façam a vontade de Deus. Enquanto ele for capaz de desviar os crentes da
vontade de Deus, ele estará plenamente satisfeito. Por esta razão, sempre que um crente
deseja conhecer a vontade de Deus, que ele não deduza sob algum tipo de inspiração que, se
algo é bom, está portanto ligado à vontade de Deus. Pois nem todas as coisas boas são a
vontade de Deus; e mesmo se fossem, quem é que sabe se elas são a vontade de Deus préordenada para você e para mim?
Considerando a inspiração do Espírito Santo em relação à busca do conhecimento da vontade
de Deus, é necessário distinguir três coisas:
a) a inspiração do Espírito Santo;
b) a animação da alma;
c) a instigação de Satanás.
O primeiro é um tipo de mover do Espírito de Deus em nosso espírito, o que nos leva a
conhecer a sua vontade. Tal movimento e inspiração é calmo e constante, não súbito e
empolgante. Ele pertence a Deus. O apóstolo Paulo declarou certa vez: “constrangido em meu
espírito, vou para Jerusalém” (At 20:22). Vamos ler também essas palavras sobre Paulo:
“Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava, em face da idolatria
dominante na cidade. Por isso dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos;
também na praça todos os dias, entre os que se encontravam ali” (At 17:16-17). O Espírito
Santo inspirou Paulo, levando-o a sentir como se estivesse amarrado, sem qualquer liberdade.
O mesmo Espírito de Deus também provocou o espírito de Paulo a pregar como se algum tipo
de poder operasse nele e o levasse a obedecer.
Quão triste é que os crentes nem sabe o que o “espírito” é. Eles não estão cônscios de que o
homem é um ser triplo, se constituindo de espírito, alma e corpo (I Ts 5:23). O que eles sabem
é que o homem possue uma alma e um corpo. Muitos crentes podem reconhecer na letra o
“espírito” e a “alma”, e podem até mesmo reconhecer que além do Espírito Santo existe o
espírito humano. No entanto, em suas vidas, eles não sentem como se tivessem um espírito.
Eles são totalmente ignorantes quanto à atividade dentre deles – se elas são as operações do
espírito ou se são as elevações da alma. Alguns descuidadamente interpretam a alma como
sendo o “espírito”! Ora, devido a tal falha de um conhecimento preciso, eles descobrem que é
muito difícil conhecer a vontade de Deus.
Alguns crentes cometem o erro de considerarem a “mente” como sendo o “espírito”. Mas a
“mente” pertence à alma; ela não pertence ao espírito humano. Os pensamentos da mente são
indignos de confiança e não deveriam ser aceitos como sendo a inspiração do Espírito Santo.
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Já descrevemos um pouco sobre o fenômeno da inspiração do Espírito Santo. Por causa dos
filhos de Deus que ainda são fracos e imaturos, podemos adicionar mais umas poucas palavras
aqui. A inspiração do Espírito Santo usualmente nos confere fé; isto é, Quando Deus quer que
você faça uma certa coisa, Ele lhe concede uma fé firme, você crê firmemente que aquilo que
está para fazer é a vontade de Deus. Tal convicção firme lhe sobrevém serenamente. E quando
esta firme convicção é dada, uma paz perene entra em seu coração como uma nova unção. No
entanto, está firme convicção precisa ser sustentada pela fé, e então ela nunca se rebelará,
não será afetada pela mudança das circunstâncias, nem perturbada por dúvidas sobre a
vontade de Deus. Para os iniciantes na vida cristã é essencial sempre se lembrar que a
inspiração do Espírito Santo é poderosa no entanto serena, gradual e nunca compulsiva. Deus
sempre espera o consentimento da sua livre vontade para obedecer e seguir a vontade Dele, e
Ele deixa que você o faça. Ele nunca o oprime com algum tipo de coerção, como se fosse para
te esmagar. Outra coisa que devemos ter em mente é que a inspiração do Espírito Santo
sempre vem do interior, uma vez que Deus opera do centro para a circunferência. Ele,
usualmente, opera no espírito humano para que esse por sua vez, ilumine a mente da alma
levando-a a entender. Somente a aprovação do próprio crente, é que a vontade de Deus será
finalmente trabalhada no corpo, em um ato de obediência.
A animação da alma, por outro lado, é um tipo de atividade emocional. Algumas vezes, devido
a razões especiais, você se sente animado e satisfeito. Nestas ocasiões você pensa nas muitas
coisas a serem feitas. Além disto, o seu poder emocional parece estar tão alto que você não
consegue deixar nenhuma só coisa por fazer. Para se distinguir o que é estimulação da alma e
o que é a inspiração do Espírito, faríamos bem em nos lembrarmos de algumas poucas regras.
A estimulação é usualmente governada pelo ambiente, quando estamos sozinhos
experimentamos uma certa sensação. O que quer que a animação nos induza a fazer, sempre
vem subitamente. Parece haver um fogo dentro em nós que nos domina. Nosso coração não
fica tranqüilo mas pode ficar queimando e confuso. Se formos capazes de parar e deixar que a
emoção agitada decaia, logo descobriremos que aquilo que fomos incitados a fazer naquele dia,
não era a vontade de Deus. Aqui está algo que podemos discernir: que o sentimento que temos
quando somos instigados está todo em nossa emoção. Não há aquela confiança firme dentro de
nossos corações. Deus, por outro lado, é paciente. Ele falou através do profeta Isaías dizendo:
“Aquele que crê não se apressa” (Is 28:16). Portanto, quando pelo Espírito Santo Deus nos
inspira, Ele não se apressa. Nove entre dez vezes, o sentimento súbito não é uma indicação da
Sua vontade.
A instigação de Satanás e a inspiração do Espírito Santo são tão opostos na pratica que chegam
a ser virtualmente antagonistas um do outro. No entanto, por causa da sua aparência
semelhante, muitos crentes acham difícil discernir um do outro. Pois nem sempre Satanás nos
leva a cometer pecado. O que ele almeja é sempre nos guiar para fora e para longe da vontade
de Deus. Algumas vezes ele nos embaraça de tal forma, que ficamos atrasados quanto à
vontade de Deus; outras vezes ele nos empurra para irmos bem à frente da vontade de Deus.
Ele se atavia como um anjo de luz, imitando a voz do Espírito de Deus. Ele sussurra em nossos
ouvidos aquilo que nos levará ficar confusos em relação à voz calma e suave do Espírito Santo.
Os filhos de Deus precisam ser exercitados para diferenciar a sugestão de Satanás da revelação
do Espírito Santo. A instigação do inimigo sempre vem de repente. Ele usa uma estratégia
como a “guerra relâmpago” contra os cristãos. A inspiração do Espírito Santo, contudo, é
primeiro uma revelação, seguida por uma iluminação da mente do crente. A primeira obra de
Satanás é injetar uma semente de pensamento na mente do crente. Tal pensamento chega
subitamente e traz muitas razões. Porque há muitas razões, os crentes geralmente se
confundem, pensando que é a inspiração do Espírito Santo. No entanto, enquanto que esse
último opera vindo do interior, essa semente de pensamento usualmente vem do exterior.
Portanto, os filhos de Deus não devem aceitar pensamentos súbitos como se fossem a vontade
de Deus. Nós devemos ser cuidadosos e seguros. Antes de fazermos qualquer coisa, devemos
solucionar todas as dúvidas. Devemos ser cautelosos quanto a todas as instigações súbitas que
vêem do exterior, porque nove - décimos delas não são inspiração do Espírito Santo.
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2 – O Ensinamento das Escrituras
Havendo compreendido a inspiração do Espírito Santo, os filhos de Deus deveriam também
conhecer o ensinamento das Escrituras com respeito aos diferentes assuntos. Isto é importante
por causa da segurança. O ensinamento das Escrituras que temos em vista aqui, não se refere
ao ensinamento de um certo versículo de um determinado capitulo – isto é, tomar um texto
fora do contexto. Muitos crentes se envolvem nesta pratica em tempos de necessidade. Eles
lêem um ou dois versículos da Bíblia, e assim os tomam como sendo a vontade de Deus
preordenada para eles. Ou também em outras ocasiões, após fervorosa oração, eles abrem a
Bíblia aleatoriamente e lêem alguns poucos versos. Se por acaso a palavra se encaixa em suas
circunstâncias, eles a consideram como a vontade de Deus. Suas atividades ou inatividades,
suas vindas ou idas, serão decididas por estes poucos versículos. Por outro lado, se a palavra
ali encontrada ao acaso não tiver qualquer relevância para com a situação, mas pelo menos
não for contraditória a ela, eles não a interpretarão como não sendo alguma direção de Deus.
Pelo contrário, eles tentarão torcer estes versículos aleatórios para fazê-los adaptáveis às suas
circunstâncias, condições ou situações, afim de possibilitá-las a decidirem suas ações futuras.
Tal método de aproximação do ensinamento da Bíblia é altamente perigoso. Quão impossível é
esperar direção das Escrituras sobre algo que a pessoa não possui conhecimento algum!
O que, então, nós queremos dizer por conhecer o ensinamento das Escrituras na vida do
crente? Vejamos que isto aponta para o testemunho unificado à Bíblia inteira. Em outras
palavras, nós precisamos ver como a Bíblia inteira ensina sobre um determinado assunto ou
situação. O que ela fala sobre o que determinada pessoa deseja fazer? Nós precisamos
entender o que o Velho Testamento diz e o que o Novo Testamento diz. Também precisamos
saber como as coisas eram resolvidas no tempo dos patriarcas, sob a lei, e também agora, sob
a graça. Pois o que obedecemos agora não é o julgamento da nova aliança, mas da nova; não
os patriarcas, nem a decisão da lei, mas o mandamento da graça.
Será que isto se torna realmente difícil? Quem pode entender exceto aqueles exaltados
eruditos da Bíblia? Esta é, portanto, uma das razões porque todos nós precisamos sondar as
Escrituras. O que a Bíblia registra é a vontade de Deus para o mundo inteiro, para as pessoas
tanto sob a antiga dispensação quanto sob a moderna. Se os crentes querem conhecer a
vontade de Deus, eles precisam estudar (não apenas ler) a Bíblia. E as palavras da Bíblia são
facilmente compreendidas pois de acordo com o próprio Senhor Jesus elas são reveladas aos
bebês (ver Mt 11:25). As escrituras são a revelação completa de Deus. Elas expõe uma
exposição clara sobre o Seu plano, Seus preceitos, propósitos e todos os tipos de problemas.
Deus da a Bíblia para o Seu próprio povo antecipadamente à sua capacidade de entender toda
a Sua vontade. Conseqüentemente, não há qualquer desculpa para um crente que não estuda
a Bíblia dizer, então, que não conhece a vontade de Deus.
Talvez em ocasiões que um problema for muito grande ou muito complicado para você
realmente conhecer o que a Bíblia ensina, você pode buscar ajuda em um cristão mais
experimentado espiritualmente. O Senhor é capaz de usar uma pessoa assim para instruí-lo.
No entanto, você não deve fiar-se demasiadamente na palavra de outra pessoa. Você mesmo
tem que discernir o que ele lhe disse (ver I Co 14:29), e então decidir se a resposta está de
acordo com a palavra das Escrituras. Se nós mesmos não sondarmos as Escrituras, e se não
quisermos perguntar a um outro crente que seja mais espiritual, mas ao em vez disto
voltarmos aleatoriamente para um ou dois versículos das Escrituras aceitando-os como sendo
uma indicação da vontade de Deus, colocando-os, portanto, em execução, o prognóstico de
nosso fracasso é certo.
A importância em obedecermos a palavra das Escrituras é claramente demonstrada nas
tentações em que se encontram o primeiro e o último Adão, respectivamente no jardim do
Éden e do deserto. Um Adão sofreu derrota enquanto que o outro pode clamar por vitória. O
fator decisivo de vitória ou derrota esta em nenhum outro fato senão que o primeiro Adão não
obedeceu a palavra de Deus, enquanto que o último Adão a obedeceu. A derrota sofrida no
jardim do Éden por causa da desobediência à palavra de Deus tornou a raiz causadora de toda
a rebelião humana. No deserto entretanto, o último Adão nosso Senhor Jesus Cristo, venceu o
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inimigo e suas tentações por três vezes sucessivas, pela Sua obediência à palavra das
Escrituras com temor e tremor. Ele ganhou, portanto, perfeita vitória. Como resultado, agora é
possível que a regra da nossa vida diária seja essencialmente as Escrituras. Se buscarmos o
ensinamento da Bíblia em todas as coisas, não andaremos fora da vontade de Deus.
Conseqüentemente, após sermos movidos pelo Espírito Santo, precisamos perguntar se este
mover é um com as Escrituras. Isto porque não temos certeza se o que sido inspirados a fazer
realmente do Espírito Santo. Por causa de tal indagação e investigação, a verdade sobre o
assunto será demonstrada de uma forma ou de outra. Pois as Escrituras são inspiradas pelo
Espírito Santo e revelam a vontade de Deus. É absolutamente impossível o Espírito Santo dizer
uma coisa nas santas Escrituras e dizer outra coisa para nós. A inspiração do Espírito Santo e o
ensinamento das Escrituras são sempre a mesma coisa, e nunca contraditórias. De fato, o
Espírito Santo e as santas Escrituras trabalham juntas para nos mostrar o caminho certo. Eles
se unem em nos mostrar a vontade de Deus. Eles nunca se diferem em suas direções. No caso
de alguém declarar que foi movido pelo Espírito Santo a fazer certa coisa e no entanto isto
estiver oposto às Escrituras, a sua inspiração professada é indubitavelmente falsa. Possamos
nos lembrar bem disto, para que quando a inspiração e a Escritura discordarem entre si,
possamos ficar quietos e não agir. Seria sempre aconselhável que checássemos para ver se a
inspiração vem do Espírito Santo, e se assim for, ver além, se ela é uma com as Escrituras.
Algumas vezes, entretanto, as Escrituras podem parecer não ter qualquer orientação sobre
fazer algo ou não fazer, ir ou não ir. Por exemplo, se você quer ir pregar em certo lugar, este ir
é bíblico, porque já há bastante ensinamento evidente na Bíblia que demonstra a aprovação de
Deus em anunciarmos o evangelho. Mas o não ir não é necessariamente errado, uma vez que
as Escrituras também registram como em algumas poucas ocasiões o Senhor proibiu os Seus
apóstolos de irem a certos lugares para pregar, em certas ocasiões (ver At 16:6-7). Sob tais
circunstâncias, o que é importante fazer é discernir cuidadosamente a inspiração do Espírito
Santo e seus atrativos, Se o Espírito Santo der uma direção definida, você pode ir.
3 – A Provisão das Circunstâncias
As circunstâncias freqüentemente servem como um bom instrumento na expressão da vontade
de Deus. Não em relação à aprovação ou oposição dos homens, mas à provisão de Deus em
nossas circunstâncias pessoais. Estar na vontade de Deus não nos impede de sermos mal
entendidos e opostos por muitas pessoas. Não é porque existe oposição do homem que tais
circunstâncias indicam que não deveríamos ir a certo lugar ou fazer determinada coisa. Não é
assim. Aprendemos através da Bíblia como os apóstolos da igreja primitiva eram atacados
pelas pessoas e foram, muitas vezes, presos. Suas circunstâncias eram verdadeiramente
adversas a eles. No entanto não andavam eles na vontade de Deus? Eles mesmos disseram ao
supremo conselho judeu em Jerusalém: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós
outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos”
(At 4:19-20). E novamente eles falaram: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens”
(At 5:29). Eles ouviram a Deus e estavam dentro da Sua vontade. Conseqüentemente, ao
falarmos que as circunstâncias podem ser um instrumento para expressar a vontade de Deus,
não podemos estar nos referindo às circunstâncias que os homens nos proveram.
Nas obras de Deus, o antagonismo das pessoas é freqüentemente instigação de Satanás.
Portanto isto não deve ser considerado. À parte das pessoas, Deus deve fazer provisões para
nós pessoalmente, para a obra que Ele nos chama a fazer. Ele proverá as nossas necessidades
– força física, finanças adequada, e algumas vezes assistência natural para nos ajudar.
A mão de Deus freqüentemente se mostra nas circunstâncias. Ele sempre está por trás de
nossos acontecimentos diários. Um cristão maduro pode ver o mover da mão do Senhor em
suas circunstâncias. Pois Ele é o Deus de todas as coisas. Ele é a fonte, bem como o fim de
todas as coisas. Bendito é o crente que tem aprendido a buscar a Deus em suas circunstâncias.
Um crente consagrado resiste, por um lado, o que vem de Satanás, e aceita, por outro lado,
quaisquer que forem as circunstâncias que Deus tem preparado para ele. Sabemos que sem a
permissão de Deus, nada pode cair sobre nós. Isto nós deduzimos do livro de Jó. Apesar de
Satanás ser o movedor principal de todos os desastres, no entanto, por detrás ele é controlado
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COMO CONHECER A VONTADE DE DEUS
por Deus. Pois todas as suas atividades estão sob a restrição do Céu.
Na Bíblia podemos achar muitas ocorrências onde a mão de Deus estava no controle, incluindo
as menores coisas como as maiores. Pois Ele não é somente o Senhor das grandes coisas, Ele é
também o Senhor das pequenas coisas. Se os próprios cabelos dos crentes são numerados,
existe alguma coisa que não esteja nas mãos de Deus? Benditos são aqueles que conhecem
Romanos 8:28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito”.
Portanto, depois de conhecer a inspiração do Espírito Santo e o ensinamento das Escrituras, o
crente também deve ver como Deus providenciará as suas circunstâncias. Se Ele quer que você
faça algo, sem falta Ele lhe dará a oportunidade, o tempo, e a força (tanto física como
espiritual) para fazê-lo. Ele também o proverá com co-obreiros se você precisar deles. Ele irá
certamente providenciar tudo o que você precisa; pois não é um dos Seus nomes “Jeová jireh”
– “Jeová proverá” (ver Gn 22:14). Se você está verdadeiramente dentro da vontade de Deus,
verá muitas das chamadas coincidências. Você ficará surpreso com as muitas seqüências
“acidentais” dos eventos, que parecem ter relacionamento causal ao longo do seu caminho.
Estes são “coincidências” ou “acontecimentos casuais”, mas são ordenanças de Deus. Ele faz
com que todas as coisas sobrevenham juntamente para atenderem às nossas necessidades.
Concordemente, todos os que andam na vontade de Deus não tem necessidade alguma de
batalhar contra as coisas que vêem do exterior, pois os Senhor as usa a fim de serem os
passos para o sucesso de seus servos e servas. Mesmo se as oposições dos homens não
puderem ser evitadas, Ele proverá toda necessidade.
Os três métodos acima são as formas que Deus usa para Se expressar. Toda a vez que Ele guia
seus filhos, Ele emprega estes três métodos. A concordância destes três prova se os crentes
estão ou não dentro da vontade de Deus. O Espírito Santo, as Santas Escrituras e as
circunstâncias não devem contradizer um ao outro. No caso de contradição, podemos julgar o
assunto como não sendo a vontade de Deus. Que os crentes se lembrem bem destes três
métodos à medida que buscam andar diante de Deus.
Situações Especiais
Algumas vezes a situação pode ser muito peculiar. Pode haver dois pensamentos conflitantes
em nossa mente como se tanto o fazer quanto o não fazer seja a vontade de Deus; em outras
palavras, é difícil decidir qual é o certo e qual é o errado. Além do mais, as Escrituras podem
parecer neutras quanto ao assunto, em nada se opondo. Mesmo as circunstâncias podem
parecer estar abertas para ambas as ações. Em tal situação, o melhor caminho é manter uma
atitude de resistência a Satanás. Se nós verdadeiramente desejamos fazer a vontade de Deus,
nesta conjuntura, devemos tomar uma firme posição de aprovar tudo o que é do Senhor e opor
a tudo o que é de Satanás. Apesar de ainda estarmos incertos de sabermos qual é a vontade
de Deus e qual a do inimigo, podemos no entanto, manter uma atitude de querer o que Deus
quer e rejeitar o que não for Dele. Ao mesmo tempo podemos orar: “Ó Deus, eu quero o que é
Teu; não quero o que não é Teu. Por favor, mostre-me o que é Teu e o que não é”. Deus nos
capacitará a sabermos com toda a certeza. Não conseguimos enfatizar excessivamente este
ponto, pois ele é muito importante.
Algumas vezes Satanás nos perturbará tanto que acabaremos vacilando entre dois caminhos.
Se afirmarmos nossa atitude de aprovação do coração de Deus e oposição a Satanás, nossa
confusão se desvanecerá imediatamente ou logo desaparecerá. Entretanto, antes de nos ser
dado o conhecimento da vontade de Deus, a melhor prescrição é a seguinte:
Nenhum Conhecimento, Nenhuma Ação
Espere pacientemente diante do Senhor, desejando agir somente após ter a Sua vontade
conhecida. Pois algumas vezes quando Deus considerar que nos é proveitoso conhecer a Sua
vontade um pouco mais tarde, Ele demorará em no-la revelar. Durante um período assim,
devemos manter a atitude de nenhum conhecimento, nenhuma ação. O salmista disse uma
vez, “não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim” (Sl
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131:16). Portanto, na ocasião em que não há conhecimento do mistério, é melhor não agirmos,
para que não achemos necessário nos arrepender mais tarde. Muitas faltas e arrependimentos
são devidos a uma ação apressada. Nosso perigo está em sermos muito ativos, em agirmos
mesmo antes de conhecermos a vontade de Deus. O Senhor quer que esperemos Nele e que
avencemos no Seu passo. Somente depois de conhecermos verdadeiramente a vontade de
Deus é que começamos a mover nossas mãos e nossos pés. Quão difícil é que freqüentemente
somos pressionados pelas circunstâncias a agirmos apressadamente, fugindo assim da vontade
de Deus. Podemos afirmar que nove de dez coisas feitas apressadamente não são da vontade
de Deus. Quando o Senhor Jesus estava na terra, Ele nunca fazia algo apressadamente. Nós
deveríamos imitá-Lo. Antes de estarmos cem por cento certos quanto à vontade do Senhor,
nunca deveríamos agir presunçosamente. Estamos determinados a começar somente após
conhecermos a vontade de Deus?
Algumas vezes, sob entusiasmo ou estímulo, podemos prometer fazer uma certa coisa, mas
concluímos posteriormente que isso não é a vontade do Senhor. O que deveríamos fazer,
então? Falando no salmo 15 sobre “aqueles que temem a Jeová”, a palavra de Deus prossegue
dizendo que qualquer que dentre eles “jura com dano próprio e não se retrata... não será
jamais abalado” (vs 4b, 5b). Estes versículos se referem àqueles que já são crentes. Os
Crentes devem tratar as pessoas com justiça: “Sim, sim; não, não” (Mt 5:37); e não “Sim e
não” (II Co 1:19b). Na luz das Escrituras de Deus, não podemos voltar em nossa palavra, uma
vez dada ou prometida. Mas quando nos acharmos em uma situação tal como a descrita,
podemos apenas confessar diante do Senhor que a nossa promessa foi defeituosa, e pedir-Lhe
para agir de tal forma a tornar essa promessa ineficaz. O Senhor abrirá uma saída. No entanto,
se o Senhor tem algum outro propósito para o nosso erro, nós temos que aprender a nos
submeter. Apesar de que agirmos erroneamente é algo amaldiçoado, no entanto, nós lemos
que “o Senhor Deus trocou a benção por maldição” (Dt 23:5b). Espere portanto no Senhor com
grande paciência. Seja assim liberto de muitos problemas.
Muitas coisas nas quais estamos atarefados e comprometidos provam ser vazias porque não
estão dentro da vontade Deus. Se o que fazemos está fora da Sua vontade, o Senhor a Quem
servimos não se agradará. Podemos estar ocupados completamente até o anoitecer, no entanto
se nossas obras não têm qualquer benefício espiritual, nós não recebemos o louvor e a
recompensa de Deus. Estaremos salvos de muitos “negócios” sem sentido se determinarmos
não atuar em qualquer deles antes de conhecermos a vontade de Deus em relação aos
mesmos. Isto nos livrará de ficarmos ocupados o dia todo, de tal forma que podemos ter mais
tempo para estarmos quietos diante do Senhor, e termos comunhão com Ele.
Pequenas Coisas
Nós deveríamos buscar a vontade do Senhor em todos os nossos afazeres diários. Se
descuidadamente buscarmos a nossa vontade própria nas pequenas coisas do dia, nos
descobriremos distantes do Senhor quando tentarmos buscar a Sua vontade nas grandes
coisas. Nesse caso, a Sua vontade aparecerá a nós como “Sim e Não”. Apesar de podermos
gastar muito tempo em busca, ainda ficamos frustrados. Por causa disto, nós devemos buscar
a vontade do Senhor igualmente tanto nas questões pequenas como nas grandes. Se
estivermos acostumados a conhecer a vontade do Senhor diariamente, não acharemos
problema algum em conhecer a Sua vontade quando acontecerem coisas especiais. Deveríamos
estar tão exercitados no conhecimento habitual da vontade de Deus, de forma que a podermos
conhecê-la e segui-la sempre que surgir qualquer questão em nosso caminho.
No entanto, Satanás é tão astuto que assim que ele perceber que um crente está buscando a
vontade de Deus em todas as coisas, ele sugerirá muitas coisas pequenas à mente do crente
como se fossem vontades de Deus. E o que ele sugere ao longo desta linha são, na maioria das
vezes, anormais em caráter. Por exemplo, ele sugerirá que você tome um caminho tortuoso,
que é tanto mais longo como mais difícil, em vez de tomar a estrada principal e direta, a qual
você naturalmente tomaria. Pode haver muitas coisas como esta. Em um único dia o inimigo
pode falsificar a vontade de Deus e lhe dizer muitas, muitas coisas. Nessas ocasiões você pode
manter a atitude de resistir a Satanás, como dissemos anteriormente. Nós temos que
investigar se estas são as vontades de Deus. Isto porque algumas vezes, por razões especiais,
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Deus pode ordenar que circundemos o caminho comum, para nos proteger. Lembre-se de que
apesar do Senhor ter a Sua vontade em todas as coisas, Ele nunca abole o poder de raciocínio
do homem. Para aqueles cujas mentes foram renovadas, o Espírito de Deus irá, nas pequenas
coisas (exceto em casos muito especiais), nos guiar pelo nosso poder racional; de tal forma
que em muitas coisas pequenas nós não precisamos ser enganados por Satanás se formos fiéis
em exercitar nosso poder de discernimento normal e racional. Algumas vezes Satanás pode nos
acusar por não seguirmos a sua vontade falsificada isto nós temos que resistir.
(Note que esta seção da mensagem te sido tratada somente com pequenas coisas.)
Busque e Faça
Em buscar conhecer a vontade de Deus, temos que ter um coração honesto para fazermos o
que conhecemos. A verdadeira busca termina em se fazer. A razão para se buscar conhecer é
para fazer a vontade de Deus. De outra forma, qual é o propósito e o beneficio de conhecer?
Conhecer mas não fazer a Sua vontade é pecar contra Deus, apenas nutre a nossa carne e a
leva a viver. A carne sempre vê a dureza da vontade de Deus; portanto ela se retrai e fica com
medo de prosseguir. A menos que amortecemos os atos da carne e façamos a vontade de
Deus, nossa vida espiritual sofrerá um sério golpe. O Senhor quer que façamos a Sua vontade,
e não apenas que a conheçamos. Ele nos mostra a Sua vontade para que possamos realizá-la.
Não executá-la é possuirmos um conhecimento inútil! Deus gosta muito de nos ver fazendo a
Sua vontade. O verdadeiro conhecimento é demonstrado pelo nosso fazer.
Vamos reiterar aqui que em nosso coração não deve haver qualquer auto-inclinação, opinião
própria ou desejo secreto; de outra forma não nos será dado o conhecimento da vontade de
Deus. Se não estivermos desejosos de fazer a Sua vontade, Ele também não desejará nos
mostrar a Sua vontade. Se temos um coração desejoso em fazer a vontade de Deus
naturalmente ela nos será mostrada. No entanto os filhos de Deus freqüentemente têm um
problema, o qual é que existe:
Um Desejo Natural no Coração
Neste assunto de se fazer a vontade de Deus, é como se a inclinação pessoal, o desejo secreto
e a vontade própria existissem naturalmente. Sentimos ser bastante custoso, e muito contra a
nossa própria vontade, seguir a Sua vontade. Ela faz a carne sofrer e deixa desconfortável o
nosso sentimento. Isto não indica necessariamente que não temos algum desejo de conhecer a
vontade de Deus. Ao contrário, podemos gostar muito de conhecê-la, mas em nosso coração
existe também aquele desejo próprio. Como podemos ser libertados de tal condição mista? Por
um lado precisamos reconhecer mais e mais os direitos de Deus sobre nós. Deveríamos
meditar no amor de Cristo – Como ele morreu por nós, quanto Ele sofreu, como Ele nos salvou
e demonstrou misericórdia para conosco. Em vista de Seus direitos, nós temos que obedecêLo. Em vista do Seu amor, somos constrangidos a segui-Lo. Nós o consideramos até que
nossos corações sejam derretidos e nossas lágrimas fluam. Se fizermos isso, então sem falha o
amor de Cristo nos moverá.
Por outro lado, poderíamos nos perguntar: “a principio eu não gostava de fazer a vontade de
Deus, pois tinha a minha própria inclinação. Será que agora eu quero permitir que Ele me torne
desejosos de fazer a Sua vontade e subtrai a minha inclinação própria?” Em outras palavras,
podemos não estar diretamente desejosos em fazer a vontade de Deus, no entanto será que
queremos nos tornar desejosos indiretamente através Dele? Ou, colocando ainda de outra
forma, apesar de nós mesmos não possuirmos a voluntariedade para realizarmos a vontade de
Deus, nós o deixaremos mudar a nossa involuntariedade em voluntariedade?
Se nós não temos a primeira vontade temos a segunda? No caso de não termos nem o desejo
de cumprirmos a vontade de Deus, nem deixa-Lo nos tornar desejosos em cumpri-la é certo
que não conheceremos a vontade de Deus. (Qual seria a utilidade mesmo que a
conhecêssemos?!).
Finalmente temos que cair através da nossa vontade própria. No entanto, ainda que não
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tenhamos a vontade direta mas tenhamos a vontade indireta, Deus certamente operará em
nosso espírito bem como em nossas circunstancias, para tornar-nos desejosos em realizar a
Sua vontade.
Quão impressionante é que o Senhor operará o milagre de virar os corações humanos para
fazê-Los desejosos de cumprir a Sua vontade. Algumas vezes tal passo leva tempo, uma vez
que Deus nunca força alguém. Se nós sentirmos que não podemos obedece-Lo, nem
permitirmos que Ele nos faça obedecer, Ele não operará de forma alguma.
O que Filipenses 2:13 declara é realmente uma grande verdade: “É Deus quem opera em vós
tanto o querer quanto o realizar, segundo a Sua boa vontade”. Isto não significa que é Deus
quem deseja, em vez de nós. Significa simplesmente que ele opera em nós até que nós
desejemos a Sua vontade. Por esta razão, ainda que não queiramos fazer a vontade do Senhor,
deveríamos pelo menos ter a vontade de permitir que Ele transforme o nosso coração em
involuntário. Assim Ele trabalhará em nosso corações e nos tornará desejosos em realizarmos a
Sua vontade. Mas se não tivermos nem mesmo esse pequeno desejo em nós, então está além
de qualquer dúvida que o que nós fazemos esta fora da vontade de Deus e Lhe é inaceitável.
Quão abençoados e felizes são aqueles que são atraídos pelo amor de Deus e que esperam ela
glória futura. Em seus corações eles já estão prontos para a ordem de Deus, e não têm o mais
leve desejo em não realizar a Sua vontade.
A Pergunta Importante
George Müller era profundamente experimentado em oração e comunhão com o Senhor. Ele
disse que toda vez que fazia algo, primeiro ele fazia a si mesmo algumas perguntas, dentre as
quais a mais importante era: Isto é a vontade de Deus, isto é a vontade de Deus para mim? É
este o Seu tempo? É este o Seu caminho? Ele esperava até que conhecesse claramente a
resposta para todas essas perguntas antes de decidir a sua ação. Aqui nós precisamos
aprender dele. Sejamos cuidadosos como George Müller, e não cometeremos erro algum.
Palavra Final
Se na verdade nos oferecermos inteiramente ao Senhor, veremos como Ele governa as nossas
vidas. Muitas coisas que reconhecemos como belas e apropriadas não nos atreveremos a fazer,
porque não são da vontade de Deus. Muitas obras podemos considerar proveitáveis e amáveis
também não nos atreveremos a fazer porque nelas não nos é dada a Sua vontade. O que quer
que não for a vontade de Deus, mesmo um pensamento ou uma idéia, nós colocaremos de lado
alegremente. Estamos determinados a fazer a vontade do Senhor, a agradá-Lo e não a nós
mesmos. A despeito do que nós consideramos precioso e desejável, estamos desejosos de
deixá-lo por causa do Senhor. Que escravidão! Bendita escravidão! Que restrição! Bendita
restrição! Que inibição! Bendita inibição! Diariamente vemos nosso próprios pensamentos e
opiniões esmagados em pedaços. Diariamente encontramos “frustrações”. Quão bela é a mão
limitante do Senhor. Nossos corações magnifícam ao Senhor. Ele deve crescer; nós devemos
decrescer. Nossos corações se regozija em nos vermos despojados e a vontade do Senhor
sendo realizada. Possa Ele nos capacitar sempre para conhecermos a Sua vontade e fazê-la. “Ó
Senhor! Quando o nosso eu está aprisionado e entristecido, nós estamos verdadeiramente
regozijantes, pois então o Teu coração está feliz”
“Para que vos conserveis perfeitos plenamente convictos em toda a vontade de Deus”. (Cl
4:12b)
Extraído da revista, À Maturidade – Número 24 – Primavera de 1993
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