efeito da aplicação de diferentes aditivos na cama avícola

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I Simpósio Internacional sobre Gerenciamento de Resíduos de Animais
Emissão de Gases Associados à Produção Animal e ao Manejo de Dejetos
11 a 13 de Março de 2009 – Florianópolis, SC – Brasil
EFEITO DA APLICAÇÃO DE DIFERENTES ADITIVOS NA CAMA
AVÍCOLA SOBRE OS NÍVEIS DE AMÔNIA VOLATILIZADA
Simioni Jr., J.R.*1; Homma, S.K.2; Gomes, J.D.F. 3; Predosa, V.B.4; Xavier, J.K.5
& Chagas, P.R.R.6
1
Zootecnista do Centro de Pesquisa Mokiti Okada, Estrada Municipal de Camaquã s/nº SP 191 Km
82,5 Caixa Postal 033 - CEP 13537-000 Ipeúna/SP Brasil, [email protected]
2
Eng. Agr., M.Sc.. - Coordenador Técnico do Centro de Pesquisa Mokiti Okada, [email protected]
3
Prof.ª Dr.ª da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, FZEA – USP Av. Duque de
Caxias Norte, 225 - Campus da USP - CEP 13635-900 - Pirassununga/SP Brasil, [email protected]
4
Doutorando pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, FZEA – USP,
[email protected]
5
Técnico de Nível Médio do Centro de Pesquisa Mokiti Okada, [email protected]
6
Conselho Técnico Científico - Centro de Pesquisa Mokiti Okada, [email protected]
Resumo
A elevada quantidade de emissão de amônia em instalações avícolas de
moldes industriais causa impacto negativo nas aves, no granjeiro, bem como
provocam perturbações no entorno quando situada em regiões onde há
aproximação entre zona rural e perímetro urbano. Avaliou-se o efeito da aplicação
de diferentes aditivos sobre a cama aviária na produção de amônia, pH e matéria
seca (MS). O experimento foi instalado em boxes experimentais avaliando-se quatro
tratamentos, sendo: T1: Cama sem aditivos; T2: Cama + I-CPMO 20; T3: Cama + ICPMO 40 e; T4: Cama + Sanimax, em seis repetições composta de 54 aves cada,
distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado utilizando-se 1.296
pintainhos de um dia. As amostras de cama para análises foram coletadas aos 14,
28 e 42 dias de idades das aves. O melhor resultado foi obtido pelo T2 e T3 que
apresentou menores valores de NH3 aos 28 e 42 dias, respectivamente, quando
comparados ao T1, sendo a diferença estatisticamente válida (P<0,05) para o T3 na
última avaliação, fase mais crítica em função do acúmulo de fezes. O T4 apresentou
menores valores de NH3 e pH da cama na avaliação inicial aos 14 dias, entretanto,
não manteve a tendência finalizando com os piores resultados. Não houve influencia
sobre os resultados de pH da cama entre T1, T2 e T3 e em nenhum dos
tratamentos na MS da cama. Os resultados demonstram que os aditivos I-CPMO 20
e I-CPMO 40 reduziram a emissão de amônia na cama avícola.
Palavras-chave: emissão de amônia, cama de frango, aditivos, frangos de corte.
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EFFECT OF APLICATION DIFFERENTS ADDITIVES TO POULTRY LITTER ON
THE LEVELS OF AMMONIA VOLATILIZED
Abstract
The high amount of waste produced in poultry plants causes negative impact
for birds and farmers, besides causing social - environmental disturbance in rural and
urban regions. It was evaluated the effect of applying several additives on poultry
litter, as far as the ammonia production, pH and dry matter. The experiment was
composed by four treatments. The litter samples were taken at the birds’ ages of 14,
28 and 42 days. A total of 1296 male chickens, of one day-old, were distributed in a
completely randomized design with four rations, six replicates and 54 birds per box,
324 birds per ratio. Statistical analysis were made by the program SAS (2000) with
Tukey 5%. The ammonia volatilized and the litter pH was lower in T4 (litter+Sanimax)
at 14 days (p<0,05). At 28 days, the treatment T2 (ICPMO 20) showed the lowest
average emission of NH3 and there wasn’t statistical difference for pH. At 42 days
the T3 (I-CPMO 40) efficiently restrained the volatilization of ammonia (p<0,05).
There was not influence on the results of litter’s dry matter. The results show that
additives in poultry litter reduce the emission of ammonia, however, studies must
carry on in order to bring more concrete results.
Key-words: ammonia volatile, poultry litter, additives, poultry.
Introdução
A presença de amônia em aviários vem sendo discutida em todo mundo,
principalmente por duas razões: existem evidências epidemiológicas de que a saúde
dos trabalhadores possa ser afetada pela exposição diária aos diversos poluentes
aéreos. E as instalações de produção animal são as maiores geradoras de amônia,
óxido nitroso, metano e dióxido de carbono na atmosfera, e contribuem para a
acidificação do solo e o aquecimento global (MIRAGLIOTTA et al. 2000).
O uso de aditivos na cama de frango é uma solução rápida e econômica para
reduzir a volatilização da amônia e amenizar alguns problemas como o aumento na
incidência de doenças respiratórias nas aves e no ser humano, a desclassificação
de carcaça devido à lesões na pele e também a redução do teor de nitrogênio na
cama, o que diminui seu valor como fertilizante (OLIVEIRA et al. 2003)
Irritante às mucosas, sendo formado a partir da decomposição microbiana do
ácido úrico eliminado pelas aves, a amônia, quando inalada em quantidade superior
a 60 ppm, a ave fica predisposta a doenças respiratórias, aumentando os riscos de
infecções secundárias às vacinações. Quando o nível de amônia no ambiente atinge
100 ppm, há redução da taxa e profundidade da respiração, prejudicando os
processos fisiológicos de trocas gasosas. Esses níveis altos de amônia (60 a 100
ppm) podem ser observados no início da criação em galpões, com a reutilização da
cama (GONZÁLES & SALDANHA, 2001).
Uma alternativa para diminuir as perdas de nitrogênio por volatilização da
amônia é a adição de algumas substâncias ou compostos à cama avícola que
favoreçam, através de reações bioquímicas, o aumento na fixação do nitrogênio.
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O objetivo desse trabalho foi mensurar a capacidade de reduzir os níveis de
amônia volatilizada em ambiente de criação avícola, com aplicação de diferentes
aditivos diretamente sobre a cama de frango.
Material e Métodos
Para execução do experimento foram utilizadas as instalações do aviário
experimental da Fundação Mokiti Okada, localizada em Ipeúna, SP. O período
experimental teve duração de 42 dias, entre os meses de fevereiro e abril de 2008.
Os pintainhos foram alojados em 24 boxes de 1,5 x 3,0 m, com 54 aves por
box (densidade de 12 aves/m2). Foi utilizado 40 Kg de cama de frango (serragem)
por box.
O experimento foi distribuídas em delineamento inteiramente casualizado
(DIC), com 4 tratamentos e 6 repetições cada, com 54 aves por repetição,
totalizando 324 aves por tratamento.
box.
As aves receberam alimentação à vontade, na mesma quantidade para cada
Os tratamentos foram os seguintes:
T1 – Controle (cama s/ aditivo)
T2 – Cama + I-CPMO1 20
T3 – Cama + I-CPMO 40
T4 – Cama + Sanimax2
Todos os tratamentos receberam a mesma dieta formulada com base em
Rostagno et al. (2005) e em função das fases de crescimento
Os parâmetros analisados foram: amônia volatilizada da cama avícola
(mg/72horas) segundo a metodologia de Sampaio et al. (2001)., matéria seca (MS
em estufa de circulação contínua de ar a 105ºC/24horas) pela metodologia descrita
por Silva et al. (1991) e pH (potenciômetro Digimed DMPH-2). As coletas de amostra
de cama de frango para as análises mencionadas foram feitas nos dias 14, 28 e 42
dias de idade das aves.
As variáveis foram submetidas a analise estatística pelo programa SAS
(2000) e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5%.
Resultados e Discussão
Na primeira coleta, que compreendeu o período de 01 a 14 dias de idade das
aves, a emissão de amônia foi menor para o tratamento T4, diferindo
estatisticamente dos demais, conforme Figura 1.
Já na segunda coleta, período de 14 a 28 dias, o tratamento T2 apresentou o
menor valor de emissão, com diferença significativa (p<0,05) comparado ao T4, não
1
2
Produto experimental a base de farelos fermentados com inóculo microbiano.
Produto formulado a partir de argilominerais dessecantes (higroscópicos) que, em associação com minerais antiumectantes,
possuí atividade dessecante, antiumectante e reduz o pH.
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diferindo de T1 e T3. Para a última coleta, 42 dias de idade das aves, houve ação
redutora de amônia na cama no tratamento T3, diferindo (p<0,05) de T1. Sampaio et
al. (1999) estudando a liberação de amônia e a população microbiana da cama de
frango obtiveram resultados que evidenciaram a capacidade inibidora do gesso na
volatilização de amônia da cama de frangos no 25º dia e ao final do experimento,
comportamento semelhante ao observado na segunda avaliação aos 28 dias.
Miragliotta et al. (2000) avaliando dois sistemas de produção de aves encontrou
maiores concentrações de amônia em sistema de ventilação de galpão tipo túnel
com densidade de 18 aves/m2.
Com relação ao pH da cama, na primeira coleta aos 14 dias, o tratamento T1
obteve o menor valor, diferindo estatisticamente (p<0,05) dos demais. Oliveira et al.
(2003) encontraram efeito dos aditivos (P<0,05) na diminuição do pH, obtido na
cama de frango tratada com gesso agrícola. Este menor pH se deveu ao fato de o
produto ter sido usado em grande quantidade (40% do peso da cama) e de sua alta
capacidade de absorver umidade, o que reduz a atividade das bactérias produtoras
de amônia, reduzindo assim o pH da cama. Íons H+ e pH abaixo de 7,0 resultam em
aumento na proporção NH3/NH4 +, e como o íon amônio não é volátil, há redução
das perdas de nitrogênio por volatilização da amônia. À medida que o pH se eleva,
essa razão aumenta, causando maior volatilização. (GAY & KNOWLTON, 2005)
Na análise da matéria seca da cama aviária não foram encontradas
diferenças significativas (p<0,05) entre os tratamentos, assim como os observados
por Oliveira et al. (2003) que não acusou influência dos aditivos sobre os resultados
de matéria seca.
Conclusões
Pelos resultados observados no presente experimento, pode-se concluir que
o tratamento da cama avícola com aditivos I-CPMO 20 e I-CPMO 40, de atuação
microbiológica, reduz os níveis de amônia volatilizada quando comparados com
camas sem aditivos.
Os resultados parciais sugerem que novas experimentações sejam feitas no
sentido de aprimorar os aditivos que apresentaram os melhores resultados e assim
contribuir para a melhoria das condições ambientais do aviário e diminuir a poluição
ambiental.
Literatura Citada
GAY, S.W., KNOWLTON, K.F. Ammonia Emissions and Animal Agriculture Authors:
Dairy Science, Virginia Tech Publication Number 442-110, 2005.
OLIVEIRA, M.C.; ALMEIDA, C.V.; ANDRADE, D.O.; RODRIGUES, S.M.M. R. Bras.
Zootec. vol.32 no.4 Viçosa July/Aug. 2003.
MIRAGLIOTTA, M.Y. Avaliação dos níveis de amônia em dois sistemas de produção
de frangos de corte com ventilação e densidade diferenciados. 2000. 122p.
(Dissertação de mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
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ROSTAGNO, H.S.; ALBINO, L.F.T.; DONZELE, J.L. Tabelas brasileiras para aves e
suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais. Viçosa, MG: Editora
UFV, 2005. 186p.
SAMPAIO, M.A.P.N.; SCHOCKEN-ITURRINO, R.P.; SAMPAIO, A.A. M. et al. Estudo
da população microbiana e da liberação de amônia da cama de frango tratada com
gesso agrícola. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.51, p.559-564, 1999.
NH3 Volatilizada
3,5
mg NH3/72horas
3
2,5
T1
2
T2
T3
1,5
T4
1
0,5
0
14
28
42
dias
Figura 1. Amônia volatilizada (mg NH3/72horas) das amostras de cama aviária em função dos dias de
coleta.
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