PESSOAS IDOSAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

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Título: ESTRATÉGIAS RESIDENCIAIS - PESSOAS IDOSAS COM DEFICIÊNCIA
INTELECTUAL
ALGUMAS ESTRATÉGIAS RESIDENCIAIS PARA PESSOAS
IDOSAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
Texto extraído de conferência feita pela professora Maria de
Lourdes Canziani, que nos anos noventa fins do século 20,
estando à testa da CORDE, Coordenadoria das Pessoas com
Deficiência, deu grande atenção à questão do envelhecimento .
A Conferência cujos tópicos principais abordamos abaixo,
mais uma vez, foi realizada em Salvador,Bahia, em 27 de
novembro/3 dezembro 1997 durante o III Congresso Baiano
sobre \Deficiência e Reabilitação.
Questões como essas é que estamos abordando nestes dias
em que estamos na SEADs, grandemente empenhados nos
desafios di Programa Futuridade, em que o governador Serra
está vivamente interessado. A grande experiência profissional
e humana da professora Maria de Lourdes Canziani é um
estímulo para todos nós.
Digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, do
Grupo de Informações Área Deficiências e Programa
Futuridade da SEADS-Secretaria Estadal de Assistência e
Desenvolvimento Social de São Paulo, Carpe Diem, Sorri
Brasil, Rebrates, SP, FENAPAES, Brasília,(Diretoria para
Assuntos Internacionais Inclusion InterAmericana e Inclusion
International, em 8 de dezembro, 2009,
Em vista de estarmos apenas atualizando esta temática graças ao
grande talento da professora Maria de Lordes Canziani, estamos
reproduzindo nossa circular de 23 de abril de 2000 com o máximo
carinho e interesse., na certeza de que as idéias de Maria de
Lourdes Canziani serão plenamente valorizadas, pois são
atemporais, e estamos muitos anos luz de realmente fazer o
embasamento destas questões.
”Prezados amigos,
Transcrevemos hoje, pela importância das idéias transmitidas pela
professora Canziani, o trecho final da conferência por ela proferida
em evento na Bahia ligado ao envelhecimento de pessoas com
deficiência intelectual.
Na medida em que nós pais pioneiros do movimento apaeano,
avançamos em idade mas nos preocupa a incerteza que cerca o
destino de nossos filho
Com deficiência intelectual. Nossa preocupação é tão grande que
abordamos o assunto em um livro nosso, recente, “‘Diálogo com a
esperança.”
Em contato com amigos que nos visitam em São Paulo, vindos de
outros países, e em correspondência que mantemos
constantemente com o exterior,, ficamos sensibilizados em ver
quanta coisa se faz pela família que envelhece nos países
adiantados,e tristes por ver quanto falhamos nós, no Brasil, no
sentimento social, realmente humano e apoiador de nossas
famílias. Será que passaremos mais 500 anos protestando contra
as injustiças da nossa sociedade sem conseguir modificá-la?
Numa projeção à idade avançada das pessoas com deficiência, as
alternativas residenciais acompanham as propostas de atenção a
todas as fases da vida. Incluem o apoio às famílias, o treinamento
dos pais em como manejar e Edu ar seu filho em determinadas
circunstâncias e especialmente para adultos é necessário procurar
desenvolver alternativas for do lar natural. Por exemplo, quando os
pais falecem ou ficam doentes, ou quando o adulto que tem
deficiência intelectual tem problemas mais graves de
comportamento ou de saúde, ou chegando à velhice está sozinho.
Ás vezes é necessário apenas preparar a pessoa para ficar mais
independente As opções fora do lar natural, então, são muitas.
Talvez a alternativa mais comum seja a casa de grupo. Casas de
grupo são uma alternativa excelente para adultos deficientes
intelectuais que precisam de um lar para morar e para aprender a
viver o mais independentemente possível. Nem todas as pessoas
que teem deficiência intelectual precisam de uma casa de grupo.
Alguns só precisam dela para um tempo de treinamento. Outros
talvez precisem de uma casa de grupo para a vida toda. .
O ritmo do dia dos adultos com deficiência intelectual deve ser o
mesmo ritmo de qualquer outro adulto hora de acordar, hora de
trabalhar, hora de voltar para casa e hora de recrear.
Dentro deste ritmo a pessoa deve ter a oportunidade de agir como
uma pessoa adulta: vestir-se de modo normal, andar de ônibus, sair
com amigos, fazer compras, etc.
Em muitas comunidades existem movimentos que se chamam
“defensores” em que o voluntário treinado é ligado a uma pessoa
com deficiência intelectual. O “defensor” ajuda a pessoa a se
integrar na comunidade em ritmo de vida normal.
É necessário entender que uma casa de grupo deve ser um lar.
Deve ter um grupo pequeno de moradores de 4 a 6 pessoas. Deve
ser num bairro comum. Deve ser uma casa comum.
COMO DEVE SER UMA CASA DE GRUPO/
Os organizadores devem se perguntar quais as necessidades
daquelas pessoas que residirão ali.
1)
2)
3)
4)
Aprenda o máximo sobre as necessidades das pessoas;
Crie um grupo de voluntários que planejem a casa;
Escolha um bairro receptivo
Defina o tipo de equipe que vai assistir as pessoas com
deficiência intelectual.
Uma casa de grupo deve ser um lar, não um centro de treinamento.
O bairro escolhido deve encorajar a integração. A lista seguinte
indica as perguntas que devem ser feitas antes de fundar uma casa
de grupo.
1)
2)
3)
4)
5)
A casa é dentro de um bairro receptivo?
A casa se parece com qualquer outra casa?
O transporte é fácil?
A casa é limpa e bonita?
Os moradores saem durante o dia para o trabalho ou para um
centro de treinamento?
6) Os moradores têm direito a uma vida reservada quando
querem?
7) A equipe trata as pessoas como adultos?
8) Os residentes têm roupa pessoal, livros, jogos, etc?
A equipe é geralmente um casal simpático às necessidades de
adultos com deficiências. Eles geralmente têm um ou mais
assistentes. Também é bom utilizar voluntários da comunidade. O
casal tem a responsabilidade de criar um ambiente de amor e
comunidade, ensinar os residentes a cuidar da casa, preparar as
refeições, cuidar de si, etc., planejar a vida cotidiana com os
residentes, dar liberdade mas também proteger no que for
necessário.
Uma casa de grupo é um compromisso com a normalização de
adultos com deficiência intelectual. Pode ser uma base para a
maioria sair pára a independência. Permite até aos mais deficientes
morar e trabalhar e se socializar dentro da comunidade. (John
MAcGee, Universidade de Nebraska, Estados Unidos.
Um Plano “residencial” inclui:
Casa de cuidados
dispensar apoio familiar através de atendimento no próprio
lar, por determinado tempo.
Providenciar assistência e atendimento a pessoas
deficientes numa emergência familiar, período de férias,
crises familiares e outras situações.
Pode ajudar também na prevenção de possíveis crises
familiares, resguardando o equilíbrio familiar.
CASA PARA PEQUENOS GRUPOS
Para 6 a 8 pessoas – 2 pessoas para atendê-los (casal) É
uma proposta de normalização como se fossem os próprios
lares das pessoas deficientes.
Pode ter atividades “familiares” – como alimentação,
serviços individuais para pessoas que não são capazes de
viver em suas próprias casas mas que sejam capazes de
auto-cuidados.
MORADIAS DE 2 A 4 PESSOAS
Para pessoas mais comprometidas, como por exemplo com
certos graus de paralisia cerebral, visando o desenvolvimento
de habilidades para alcançar níveis compatíveis de
independência. Podem freqüenta a residência por períodos
curtos.
Pessoas com deficiências graves – visa o desenvolvimento
de níveis de independência. Pode ter caráter de transição ou
permanência por tempo longo.
RESIDÊNCIAS PESSOAIS
Exige um sistema de suporte adicional, implementado por outros
recursos na comunidade para assistir pessoas que vivem em suas
próprias residências – (apartamentos, por exemplo), mas que
necessitam ajuda nas compras, bancos, lavanderia, preparação de
comida, limpeza em geral (casa própria ou alugada).
Quando se aborda o tema relacionado com a pessoa que tem
deficiência intelectual e o envelhecimento, não podemos deixar de
fazer uma referência aos problemas que se colocam para os pais
idosos, razão da importância de também aqui se mencionar a
importância dos lares.
“ O envelhecimento, em princípio, para pais de um adulto ou de um
adolescente – representa o fato de não mais contar com a ajuda de
seus próprios pais, muito velhos ou já falecidos, nem de outros
filhos do casal que já se afastaram – é de repente se encontrar só
sem marido ou esposa. É também atingir a idade da aposentadoria,
tendo por corolário uma situação material reduzida, que para muitos
não permite o pagamento de um auxiliar, ainda que suas forças
diminuam. Que fazer então face aos esforços físicos que um
deficiente exige sempre, mesmo quando ele freqüenta uma
instituição mas, sobretudo, quando ele permanece no lar e ainda se
for o caso de uma pessoa com deficiência grave, cuja mobilidade é
reduzida ou até mesmo praticamente inexistente. Todos nós
conhecemos mães e pais que não conseguem mais carregar seu
filho adulto, que se tornou muito pesado, e, quando os pais ainda o
conseguem, continuam inquietos e angustiados em relação ao
futuro. Muitos, enfim, “perdem o controle da mente” e não
apresentam mais condições de assegurar o que quer que seja para
seu filho.” (Jacques Henry – França).
Nestas condições, estão presentes a criança, o adolescente, o
adulto e o idoso – antropologicamente a vida humana, o que somos,
o que fazemos, o que nos acontece é um processo contínuo
Este processo vital humano, de idades distintas, não representa
etapas ordenadas para uma eliminação ou apoteose, mas distintas
versões da possibilidade humana.
Assim, o portador de deficiência intelectual não “termina na idade
adulta, mas como todo ser humano chegará à terceira idade.
A terceira idade será um momento digno, de houver consciência e
coerência no seu preparo, que se iniciou num processo contínuo
desde a mais tenra idade, através de programas e serviços
adequados ao atendimento de suas necessidades específicas,
valorizando-se
suas
possibilidades
e assegurando
seu
desenvolvimento integral.
Tais considerações visam reafirmar que todos os envolvidos – pais,
profissionais, e amigos – junto às próprias pessoas com deficiência
– operacionalizem os objetivos pelos quais lutam, ou seja, atender
sempre as “necessidades especiais” de pessoas “muito especiais”,
para facilitar-lhes uma sólida integração e conseqüente melhoria de
sua qualidade de vida, capacitando-as a se integrarem
adequadamente à realidade social onde estão inseridas.
É indispensável que as pessoas com deficiência intelectual não
sejam “manipuladas” numa proposta fictícia de “adultização”, mas
que lhes sejam oportunizados os meios de vencer as suas
“limitações” através do desenvolvimento de suas potencialidades na
área da comunicação e socialização.
( trabalho da professora Maria de Lourdes Canziani,
apresentado no III Seminário sobre Deficiência e Reabilitação
de 27 novembro/3 dezembro 1997, Salvador Bahia.
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