Informação e orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis

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Conhecimento dos adolescentes sobre a diferença de HIV e AIDS: educação em
espaço formal
Knowledge of adolescents on the difference in HIV and AIDS: the formal education
El conocimiento de los adolescentes sobre la diferencia en el VIH y el SIDA:
la educación formal
Artigo extraído da Dissertação de Mestrado: Informação e orientação sobre doenças
sexualmente transmissíveis e a diferença entre as siglas HIV e AIDS: educação em espaço
formal apresentada ao Programa de Pós-Graduação Strictu Senso em Enfermagem, do
Centro de Ciências da Saúde e do Ambiente, do Centro Universitário Plínio Leite/UNIPLI.
Niterói. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2008.
Maria Lucia Costa de Moura. Enfermeira. Mestre. Professora Assistente da Faculdade de
Enfermagem Luiza de Marillac – São Camilo, Rio de Janeiro. Professora do Curso
Proficiência do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Enfermeira do Trabalho
UFRJ. TPB DISHUPE/DESSAUDE. Hospital Universitário Pedro Ernesto.
Especialista em
Gestão na Saúde da Família, UERJ. Especialista em Docência do Ensino Superior UVA, Rio
de Janeiro (RJ), Brasil. E-mail: [email protected]
Carmen Lucia Paiva Silveira. Farmacêutica Bioquímica. Doutora em Ciências pela
UNICAMP. Pós-doutorada em Farmacologia e Toxicologia pelas Universidades de Maryland
e Mississipi-EUA. Professora Titular dos Cursos de Biomedicina e Farmácia, do
Departamento de Ciências da Saúde e do Ambiente, do Centro Universitário Plínio Leite.
Niterói (RJ), Brasil. Professora da Universidade Veiga de Almeida. Rio de Janeiro (RJ),
Brasil. E-mail: [email protected]
2
Autor responsável pela troca de correspondência
Maria Lucia Costa de Moura
Rua Gustavo Sampaio, 244 Bloco A apt. 1201.
Leme – Rio de Janeiro
CEP. 22010010.
E-mail: [email protected]
RESUMO
Objetivo: contribuir com a criação de estratégias para a educação em Saúde, a
partir das informações dos adolescentes sobre HIV/AIDS. Metodologia: A pesquisa
realizada foi descritiva do tipo pesquisa-ação de abordagem qualiquantitativa. Os
sujeitos da pesquisa foram 31 estudantes de enfermagem do 1º período de uma
faculdade privada com faixa etária entre 17 a 19 anos.
O instrumento utilizado foi
composto de perguntas fechadas como meios de transmissão, como os sujeitos gostariam
de aprender sobre o assunto, o que é HIV e a AIDS, e a diferença entre o vírus e a
doença. Foram utilizados 2 questionários, no inicio do 1º período e outro ao final do
semestre.Resultados: No 1º questionário aplicado cerca de 64,5% não demonstraram
conhecimento acerca dos principais modos de transmissão do HIV. O local escolhido para
receber as informações e orientações a respeito do assunto foi a escola (64,5%).No 2º
questionário aplicado todos os 31 alunos souberam responder a diferença entre HIV e
AIDS.Este trabalho teve aprovação do Comitê de Ética da Faculdade de Enfermagem São
Camilo de Belo Horizonte sob o protocolo nº 002\08 de 13 de março de 2008. Conclusão:
Existem dificuldades e falhas nas informações e orientações recebidas pelos
adolescentes a respeito do HIV e da AIDS. È necessário criar estratégias para a educação
3
em Saúde voltada para os adolescentes nas escolas. Tendo em vista esta necessidade, foi
confeccionada uma Cartilha Educativa como instrumento de Informação e Orientação
sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e HIV/AIDS, para adolescentes.
Descritores: AIDS; Dsts; Adolescentes; Orientação.
ABSTRACT
Objective: contribute to the creation of strategies for health education, from the
information of adolescents on HIV / AIDS. Methodology: The research was descriptive of
the type of action research qualitative and quantitative approach. The subjects were 31
nursing students of the 1st period of a private college aged between 17-19 years. The
instrument used was composed of closed questions as a means of transmission, how the
subjects would like to learn about it, what HIV and AIDS, and the difference between
the virus and disease. We used two questionnaires at the beginning of the 1st period and
another at the end of semestre. Resultss: In the 1st questionnaire administered
approximately 64.5% did not demonstrate knowledge of the main modes of HIV
transmission. The site chosen to receive the information and guidance on the subject
went to school (64.5%). In the 2nd questionnaire administered every 31 students know
how to answer the difference between HIV and AIDS. Este study was approved by the
Ethics Committee of the Faculty Nursing St. Camillus de Belo Horizonte under protocol #
002 \ 08 March 13, 2008. Conclusion: There are difficulties and gaps in information and
advice received by adolescents about HIV and AIDS. It is necessary to develop strategies
for health education aimed at adolescents in schools. Given this need, a booklet was
prepared as an instrument of Educational Information and Guidance on Sexually
Transmitted Diseases and HIV / AIDS, teen Descriptors: AIDS; STDs; Adolescents;
Guidance.
4
RESUMEN
Objetivo: Contribuir a la creación de estrategias de educación para la salud, a partir de
la información de los adolescentes sobre el VIH / SIDA. Metodología: La investigación fue
descriptiva del tipo de métodos cualitativos de investigación-acción y el enfoque
cuantitativo. Los sujetos fueron 31 estudiantes de enfermería de la época primera de
una universidad privada de edades comprendidas entre 17-19 años. El instrumento
utilizado fue compuesto por preguntas cerradas como un medio de transmisión, cómo los
sujetos le gustaría aprender acerca de él, qué es el VIH y el SIDA, y la diferencia entre el
virus y la enfermedad. Se han utilizado dos cuestionarios al inicio del período de primera
y otro al final de semestre.Resultados: En el cuestionario de primera administra
aproximadamente el 64,5% no demostrar el conocimiento de los principales modos de
transmisión del VIH. El lugar elegido para recibir la información y orientación sobre el
tema fue a la escuela (64,5%). En el cuestionario segunda administrada cada 31
estudiantes saben cómo responder a la diferencia entre el VIH y el estudio AIDS.Este fue
aprobado por el Comité de Ética de la Facultad Enfermería San Camilo de Belo
Horizonte, en virtud del protocolo 002 \ 08 de marzo 13 de 2008. Conclusión: Hay
dificultades y deficiencias en la información y el asesoramiento recibidos por los
adolescentes sobre el VIH y el SIDA. Es necesario desarrollar estrategias de educación
para la salud dirigido a los adolescentes en las escuelas.
Descriptores: SIDA; enfermedades de transmisión sexual; adolescentes; orientación.
5
Introdução
No Brasil cerca de 630 mil pessoas vivem com o HIV. O número é estimado, pois se
notificam apenas os casos de soropositivos que tomam medicamentos antirretrovirais. Do
início da epidemia, em 1980, até junho de 2009, foram realizados 544.846 diagnósticos.
Durante esse período, foram registradas 217.091 mortes em decorrência da doença,
segundo dados do Boletim Epidemiológico de 2009. Por ano, são notificados entre 33 mil
e 35 mil novos casos de AIDS.
1
Diante destes dados é necessário considerar a maneira como a sociedade e os
jovens em geral, convivem com a carência de ajuda para se sensibilizarem a respeito dos
riscos do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e a Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida (AIDS).
Esta discussão está apoiada e estimulada nas leituras, conversas e pesquisas
realizadas com adolescentes, onde se descobriu a necessidade urgente de prioridades
com informações e orientações que representem resultados em salas de aula, e que se
estabeleçam diálogos onde todos possam falar a mesma língua e com o mesmo alcance.
Com esse entendimento, são considerados como problema: a falta de informação
sobre as doenças sexualmente transmissíveis e a diferença do HIV (vírus) e a AIDS
(doença) entre os adolescentes estudantes de enfermagem, onde se faz urgente uma
maior contribuição de todos na prevenção da AIDS, proporcionando informações
adequadas e persistentes, que permitam aos adolescentes optar por estilos de vida mais
saudáveis.
Nesse contexto, os profissionais de saúde devem engajar-se nos movimentos sociais
e com comprometimento para com a comunidade, com os devidos valores éticos
imanentes ao projeto político-pedagógico da educação popular em saúde, revelando
6
compromisso não somente com a mudança de atitudes e comportamentos, mas com a
construção do sujeito/cidadão.
2
Justificativa:
Dando continuidade a respeito dos sistemas educacionais, sabe-se que é impossível
separar a prevenção do HIV de abordagem voltada à saúde de forma mais ampla,
incluindo a saúde sexual e o uso de drogas, a precariedade de conhecimento é
preocupante, e justifica o (re) pensar sobre a inclusão de conteúdos específicos dentro
das disciplinas curriculares, na promoção da interdisciplinaridade e atividades didáticas
de integração entre os cursos, de modo a disseminar e socializar o conhecimento.3
Nesse contexto a prevenção bem sucedida se baseia em três elementos: informação
e educação, serviços de saúde e assistência social adequado às necessidades da
comunidade que sofre as conseqüências da epidemia, e apoio social. Desta tripla
perspectiva, vinculam-se as dimensões individual, social e institucional/estatal da
vulnerabilidade a AIDS.4
Sendo assim e já que o foco da investigação é justamente o conhecimento sobre o
HIV e a AIDS, será que esse conhecimento é adequado? Quais os fatores que interferem
no uso de medidas preventivas?
Objetivo:
Nesta perspectiva, o objetivo dessa pesquisa é contribuir com a criação de
estratégias para a educação em Saúde, a partir das informações dos adolescentes sobre
HIV/AIDS já que é inquietante escutar os próprios profissionais de saúde referir um
cliente soropositivo, como um doente AIDS.
Método
A pesquisa realizada foi descritiva do tipo pesquisa-ação de abordagem
qualiquantitativa, onde na realidade existe uma representatividade na análise dos
7
fenômenos à medida que se desenvolvem dentro do grupo onde o participante também é
o ator.5
O cenário de estudo foi uma faculdade de enfermagem privada no município do
Rio de Janeiro, onde os sujeitos da pesquisa foram 31 alunos do 1º período de
enfermagem, de faixa etária de 17 a 19 anos. Foram utilizados para a coleta de dados, 2
questionários que foram aplicados durante as oficinas de trabalho que duraram um
período letivo, ou seja, um semestre, com aulas entre 30 a 40 minutos por semana.
O estudo foi desenvolvido no período Março a Dezembro de 2008. Foi aplicado um
questionário teste para construir uma avaliação mais precisa no inicio do curso sendo
aplicado aos alunos do 1º período de enfermagem. O resultado do questionário permitiu
uma pesquisa mais apurada e um esforço maior no sentido de informar e orientar esse
novo grupo que chega a academia, pois foi percebido que 74% dos alunos presentes
sugeriram que as informações partissem das escolas, portanto os resultados da primeira
fase do projeto possibilitaram a observação do perfil e do conteúdo didático do grupo
estudado nesta pesquisa. No final do 2º semestre de 2008, iniciou-se a pesquisa já com
um questionário mais preciso e mais elaborado, visto que o 1º, que foi aplicado, só
serviu para percebermos e detectarmos as dificuldades.
O instrumento utilizado foi composto de perguntas fechadas constando perguntas
como meios de transmissão, como os sujeitos gostariam de aprender sobre o assunto, o
que é HIV e a AIDS, e qual a diferença entre o vírus e a doença.
Consoante exigido, a pesquisa respeitou todos os aspectos legais e éticos
preconizados pela Resolução no 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Solicitou-se
autorização por escrito aos alunos e seus responsáveis para participar do estudo através
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Ainda como exigido, a realização de
estudo foi autorizada pelo Comitê de Ética da Faculdade de Enfermagem São Camilo de
8
Belo Horizonte mediante emissão do protocolo do Parecer Consubstanciado de Projeto
de Pesquisa nº 002\08 de 13 de março de 2008.
RESULTADOS
Os alunos entrevistados apresentavam a idade variando entre 17 a 19 anos. A
maioria (90,3%) dos alunos era do sexo feminino. Dentre eles, somente 3 alunos
exerciam atividade remunerada como técnico de enfermagem.
Os resultados do primeiro questionário aplicado foram analisados, descodificados e
agrupados em tabelas a seguir.
O conhecimento sobre a AIDS é um fator importante para a prevenção desta
doença. Mais da metade dos respondentes, cerca de 64,5% não demonstraram
conhecimento acerca dos principais modos de transmissão do HIV. (Tabela 1).
Tabela 1. Conhecimento dos estudantes de enfermagem sobre os modos de
transmissão de HIV/ AIDS. Rio de janeiro, 2008.
Variáveis
N
%
Em branco
20
64,5
Relação oral
11
35,5
Conforme a Tabela 2, o principal local escolhido para receber as informações e
orientações a respeito do assunto foi a escola (64,5%). Destaca-se que o motivo dos
sujeitos preferirem este local, foi por considerar a escola uma fonte segura de
conhecimento.
Tabela 2. Sugestão dos estudantes de enfermagem sobre onde gostariam de receber
informações sobre as DSTs. Rio de Janeiro, 2008.
N
%
20
64,5
Respostas
Esclarecimento nas escolas
9
Programas de televisão
5
16,1
Troca de experiência com soro
3
9,7
Respostas
N
%
positivo
Não tem sugestão
3
9,7
Quando foram perguntados sobre o que é HIV, 20 alunos (64,5%) responderam deficiência
do sistema imunológico. Apenas 3 alunos (9,7%) informaram que é o vírus da AIDS.
(Tabela 3)
10
Deficiência do sistema
20
64,5
Baixa de glóbulos vermelhos
5
16,1
É o vírus da AIDS
3
9,7
Não sabe responder
2
6,5
Doenças sexualmente
1
3,2
imunológico
transmissíveis
Tabela 3. Conhecimento dos estudantes de enfermagem sobre 0 que é o HIV.Rio de
Janeiro,2008.
Dos 31 alunos que participaram da pesquisa, apenas 08 (25,8%),sabiam definir a
diferença entre HIV e AIDS. A maioria das respostas sobre a diferença entre o HIV e a
AIDS apresentaram relação com a presença do vírus no organismo.
Tabela 4. Conhecimento dos estudantes de enfermagem sobre a diferença entre o
HIV e a AIDS. Rio de janeiro, 2008.
Respostas
N
%
11
HIV
Vírus atenuado
4
12,9
Vírus presente
11
35,5
1
3,2
8
25,8
7
22,6
É a doença se desenvolvendo
AIDS Doença se manifestando
Manifestação do vírus
Após 6 meses, com o término das oficinas, foi entregue o segundo questionário com
as mesmas perguntas, onde todos os 31 participantes da pesquisa, (100%) responderam
que o HIV, é o vírus e a AIDS, é a doença.
Discussão
Entre as entidades mórbidas que apresentaram virtual explosão de novos
conhecimentos e entendimentos na última década, a Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida (AIDS), é um exemplo ímpar. A etiologia, fisiopatologia, meios de transmissão,
diagnóstico, tratamento e prevenção têm sido explorados com novos métodos e com
crescente compreensão dos importantes fatores envolvidos no controle dessa doença.
6
Sabe-se que a educação sobre o HIV/AIDS deve começar cedo, antes mesmo que os
jovens se tornem sexualmente ativos. As campanhas oficiais de prevenção contra a AIDS
deveriam além das informações sobre proteção, informar também diferenças entre o HIV
e a AIDS, a doença propriamente dita, pois um grande número de pessoas parece
12
desconhecer o assunto, adotando certos comportamentos considerados de risco podendo
envolver sexo e drogas.
O esboço sobre os programas de educação e comunicação não pode simplesmente
designar-se a oferecer informações, mas tem a obrigação de promover a capacidade
para evitar riscos, tais como comunicação, e educação sobre a iniciação sexual, a
negociação com o parceiro (a) sexual, e a informação correta já nas escolas de segundo
grau.
Destaca-se que a escola funciona como um instrumento social que atinge a grande
população jovem, devendo ser o local privilegiado para expandir a educação sexual.
7
Acredita-se que esforços conjuntos dos Ministérios da Saúde e da Educação
poderiam articular ações de prevenção das DST/AIDS incluindo responsabilidades aos
enfermeiros, que acima de tudo são educadores, professores para aulas de educação e
saúde em referência a sexualidade, inclusive disponibilizar preservativos para seus
alunos. Parece faltar iniciativa, autonomia dos professores, incentivo por parte das
famílias que não querem conversar sobre o assunto em casa e também não permite que
se discuta em sala de aula.
No mesmo contexto outra luta são os sistemas educacionais no Brasil, além de
possuírem estruturas muito frágeis, são alvos de freqüentes reformas, e reformas
superficiais sem uma mudança positiva, além da descontinuidade administrativa.
8
No que concernem as informações todo o empenho político, informativo e
educativo, ao associarmos invariavelmente as DST à AIDS, a observação dos trabalhos
desenvolvidos nesta área revela, infelizmente, mais uma intenção do que uma efetiva
atenção ao problema. 9
É necessário evidenciar que os aspectos sociais, culturais e econômicos
característicos da vivência do homem devem ser questionados e analisados, pois o
comportamento humano condicionado por fatores que demonstram os riscos e agravos à
13
sua saúde. Desse modo, crenças, valores e costumes permeiam o contexto de vida das
pessoas e interferem na forma como elas se comportam diante de situações de saúdedoença.10
Vale ressaltar que meninas apresentam uma percepção de risco de contrair AIDS
menor do que a dos meninos, pois elas não são treinadas para essa percepção. Os pais
ainda costumam agir de forma mais liberal com os filhos e mais conservadoras com as
filhas. No campo da sexualidade, o poder é estabelecido de forma desigual entre os
sexos, ficando as mulheres numa posição subalterna na organização da vida social.
10
Visto sob essa ótica a adolescência parece ser um estágio intermediário entre a
infantilidade e a idade adulta, onde os jovens costumam apresentar uma série de
comportamentos instáveis, variando suas opiniões e ações sempre experimentando,
como definir sua identidade. Normalmente sua identidade é definida em três níveis:
sexual, profissional e ideológico. O crescimento, nesta fase, é rápido e às vezes
desproporcional.
11
Sabe-se que a maneira dos adolescentes se comportarem, denota uma capacidade
de concentração menor, inquietude física, crescentes sentimentos antagônicos frente ao
que é oferecido aos seus sentidos, trejeitos, seu próprio conjunto de regras, sua própria
opinião a respeito do sexo, enfim, não existe uma preocupação a respeito de
contaminação, pois acreditam que nada acontece com eles. Que estão acima do bem e
do mal.
Parece que para algumas pessoas o uso da camisinha, serve apenas para evitar uma
gravidez indesejada, pois basta conversar durantes alguns minutos com alguns
adolescentes para se descobrir a falta total de informação, o desconhecimento do HIV e
a diferença entre o vírus e a doença, pois nota-se uma falta de interesse em saber mais
a respeito da doença.
14
Sabe-se que tanto adultos quantos adolescentes tem dificuldades em relação ao uso
da camisinha, desconhecem como colocar e têm vergonha de comprar no supermercado
na farmácia ou adquirir nos Postos de saúde.
Apesar dos problemas, das informações, das campanhas, do descaso da população,
ainda pode-se contar com a mídia exibindo depoimentos de pacientes que há anos vivem
bem, mesmo sendo HIV positivas. Talvez a imprensa passe verdades desastrosas e
mentiras animadoras. Mas lidar com uma doença, sem cura, é um trabalho que não deve
ser tratado com sensacionalismos.
Não há programa a ser cumprido, ou avaliações a serem feitas, quando se expõe
uma campanha na mídia contra AIDS e pelo uso de camisinha, por exemplo, possa alertar
e acarretar mudança de padrões de comportamento e atitudes dos jovens, enquanto
paralelamente a realidade funciona de forma diferente.
É paradoxal. Com as novelas, com os filmes, a televisão mostrando sexo a qualquer
hora do dia, é muita ingenuidade conjeturar que uma campanha por melhor propósito
que tenha possa vir a alterar esses padrões já estabelecidos nos comportamentos dos
adolescentes.
Falar sobre HIV/AIDS implica em se falar sobre sexo, ainda que as formas de
contaminação sejam diversas. Implica também em se falar sobre drogas, apesar de
continuarem sendo tabus. As famílias não tratam do assunto com os filhos como
deveriam e isto devido a várias razões.
Adolescentes usuários de drogas são mais vulneráveis à infecção pelo HIV e demais
DST. Tal fato está associado à baixa adesão ao uso do preservativo, início precoce da
vida sexual, multiplicidade de parceiros e uso de drogas injetáveis.
12
Não é possível determinar idades para começar alguma explicação, mas sugere-se
começar o assunto com frases curtas onde a criança possa aos poucos entender. Além
15
disso, terá que haver uma conscientização em massa, pelas instituições privadas e nas
escolas estaduais e municipais.
Acredita-se que um grande modo de minimizar as infecções pelo HIV é oferecendo
nas escolas de ensino fundamental e médio, um panorama sobre o vírus e a doença. A
criança tem que adquirir esse conhecimento e a trabalhar a história do sexo seguro e
outros aspectos, muito cedo, ou seja, desde quando ela entra na escola, e enquanto isso
se aguarda a vacina.
Mais de 25 anos após a palavra “AIDS” ter sido incorporada ao vocabulário global,
uma vacina ainda é vista como a melhor esperança para controlar e, eventualmente,
eliminar a epidemia A perspectiva atual, é de que não teremos um produto, mesmo
moderadamente eficaz, nos próximos anos.
13
Portanto, deveria fazer parte do currículo escolar com orientações aos professores,
no momento certo, aproveitar em sua disciplina, introduzir aos poucos e com clareza o
tema. O apoio das famílias, infelizmente ainda é muito pouco, com histórias de pais que
não aceitam conversar e nem que se esclareça aos filhos sobre o assunto.
Essa
premissa
já
foi
abordada
sobre
os
processos
educativos
que
são
suficientemente complexos para que não seja fácil reconhecer todos os fatores que o
definem. A estrutura da prática obedece a múltiplos determinantes, tendo sua
justificação em parâmetros institucionais, organizativos, tradições metodológicas,
possibilidades reais dos professores, dos meios e condições físicas existentes etc. Mas a
prática é algo fluido, fugidio, difícil de limitar com coordenadas simples e, além do
mais, complexa, já que nela se expressam múltiplos fatores, idéias, valores, hábitos
pedagógicos etc.14
Conclusão
16
Os dados obtidos apontaram a existência de dificuldades e falhas nas informações e
orientações recebidas pelos adolescentes a respeito do HIV e da AIDS, ou seja, muitos
deles possuem um conhecimento insuficiente. Essas informações revelam a necessidade
de uma atuação dos docentes de forma adequada e direcionada para os problemas
existentes. Chama-se a atenção para a importância da capacitação adequada dos
profissionais da saúde, pois se sabe que não só os adolescentes, mas grande parte da
população, ainda confunde o vírus com a doença.
È necessário criar estratégias para a educação em Saúde voltada para os
adolescentes. Tendo em vista esta necessidade, foi confeccionada uma Cartilha
Educativa como instrumento de Informação e Orientação sobre Doenças Sexualmente
Transmissíveis e HIV/AIDS, para adolescentes. Esta cartilha foi apresentada como
produto final para que pudesse refletir toda a sistematização dos resultados e os
momentos importantes do curso, principalmente por enfatizar a experiência adquirida.
Informação, Orientação e Aconselhamento, são os instrumentos mais importantes
para a interrupção da corrente de propagação das DST e HIV/AIDS na medida em que
vem favorecer uma reflexão sobre os riscos de infecção e a necessidade de sua
prevenção. Partindo dessa idéia, o impacto dessa doença sobre a sociedade, seja no
setor formal ou informal, provoca discriminação e preconceito contra aqueles que
convivem com o vírus, mas não desenvolveu a doença.
Sendo assim esse sentimento desfavorável, essas opiniões, e esse estigma que
insiste em permear a vida desses indivíduos, parece ser um dos obstáculos na ação de
combate à epidemia. As pessoas precisam sensibilizar-se em romper em definitivo o
preconceito contra os portadores do HIV, mostrando solidariedade e atenção, pois ser
portador do vírus, não significa ser um doente AIDS.
È importante ressaltar que hoje já se pode contar com medicações que poderia
minimizar a carga viral, fazendo com que o individuo possa conviver com o vírus,
17
tentando levar uma vida normal, desde que use as medicações prescritas rigorosamente
conforme orientação médica. A prevenção continua é um fator fundamental para que se
possa idealizar um futuro próximo que seja razoável, ao se pensar nessa doença.
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1972.
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9. Barbirato MA, Macruz CG. Endemia Invisível. A importância do Dialogo. São Paulo
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12. Machado GN, Moural FRE, Conceição VAM, Guedes GT. Uso de drogas e a saúde
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13. Oshiro T, Almeida A, Duarte SJA. HIV/AIDS. Vacinas Anti HIV. Atheneu, São Paulo,
2010.
14. Zabala A. A prática educativa. Porto Alegre (RS): Artmed; 1998.
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