Proposta Pedagógica

Propaganda
Pró-Reitoria de Extensão - Proex
Diretoria de Programas Comunitários – DPC
Programas de Ações de Pastoral
Centro de Reflexão e Estudos sobre Ética e Antropologia da Religião
(CREAR)
XI SEMANA ACADÊMICA
TEMA: Fraternidade e Juventude
6 a 11 de maio de 2013
Proposta pedagógica
A Universidade Católica de Brasília (UCB) é uma instituição confessional.
Enquanto tal procura sempre estar em sintonia com os projetos e atividades da
Igreja Católica no Brasil. Por esse motivo costuma realizar atividades
acadêmicas que respondam às suas propostas evangelizadoras.
Neste ano de 2013, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), a Igreja Católica realiza no período que ela chama de
“quaresmal” mais uma Campanha da Fraternidade com o tema: Fraternidade e
Juventude. Segundo o Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2013, o
objetivo geral desta atividade é: “Acolher os jovens no contexto de mudança de
época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus
Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna
fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz” (nº 4).
Em sintonia com esta Campanha da Fraternidade da CNBB, o Centro de
Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (Crear), da Diretoria de
Programas Comunitários (DPC) da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UCB
decidiu dedicar a sua XI Semana Acadêmica ao estudo do tema da Campanha da
Fraternidade deste ano. Após algumas consultas e reflexões, o Colegiado do
Crear aprovou a presente proposta pedagógica com a finalidade de orientar as
reflexões e atividades da referida Semana Acadêmica.
A XI Semana Acadêmica do Crear acontecerá de 6 a 11 de maio de 2013
nos Auditórios do Bloco Central e do Bloco K do Campus I da UCB. Fará um
estudo acadêmico sobre a situação da Juventude no Brasil, tendo presente a sua
diversidade: social, étnica, cultural, econômica, política, religiosa etc. Tal estudo
contemplará quatro dimensões que se completam mutuamente: 1) O potencial
das nossas juventudes não só como futuro, mas como sujeito do tempo
presente; 2) Principais questões, desafios e problemas que afetam e marcam as
juventudes brasileiras; 3) Ações fundamentais e significativas para potencializar
as juventudes e superar os desafios; 4) A missão da universidade como
educadora das juventudes.
Em relação à primeira dimensão, a XI Semana Acadêmica do Crear quer
aprofundar de modo particular o potencial que brota de nossas juventudes, na
sua rica diversidade. Usando uma pedagogia que terá os próprios jovens
estudantes como protagonistas, tanto na sala de aula como durante a própria
Semana Acadêmica, quer compreender melhor a presença e atuação dos jovens
nas relações, na sociedade, na família, na educação, no trabalho e em tantos
outros âmbitos sociais. Os jovens, ao interagir entre eles e com as demais
pessoas, “estão exigindo, cada vez mais, mudanças nos diversos âmbitos, como
o sociopolítico e econômico, para que possam criar ambientes colaborativos, de
transparência, de competência, de inovação e de engajamento na sociedade”
(CNBB. Texto-Base CF 2013, nº 44).
No tocante à segunda dimensão, a XI Semana Acadêmica do Crear
propõe a análise de temas como a formação da subjetividade, a constituição da
vida e da existência, a fluidez e a fragmentação das relações, a força associativa
dos jovens, sua demonstração de força e de fragilidade, as novas linguagens e,
de modo especial, o problema das desigualdades juvenis. “Somos desafiados e
provocados a refletir sobre uma das questões que afeta, de maneira devastadora,
grande parte da sociedade brasileira, em especial a juventude, que se sente
vulnerável diante da estrutura social de desigualdade e exclusão, geradora de
violência contra as pessoas” (CNBB. Texto-Base CF 2013, nº 106).
Respondendo à terceira dimensão, a XI Semana Acadêmica do Crear
buscará, a partir dos estudos em sala de aula e nos plenários, contribuir para a
elaboração de propostas transformadoras que ajudem a dinamizar o potencial
das juventudes e a buscar saídas para os problemas e as dificuldades que ainda
impedem as nossas juventudes de ser sujeito da construção e de transformação
da sociedade que queremos e precisamos. Aqui somos desafiados a entender em
profundidade o mundo das juventudes. “O que os jovens dizem nem sempre é
expresso por palavras e lógicas com que estamos acostumados. Seus sonhos e
sofrimentos, manifestados de várias formas, precisam ser captados pela
predisposição otimista do mundo adulto” (CNBB. Texto-Base CF 2013, nº 241).
Neste sentido, cabe à nossa sociedade “aproximar-se do mundo juvenil, de sua
realidade cheia de feridas e de belezas, de sua potencialidade e de sua
criatividade, de sua cultura e de seus modos de existência” (Ibid., nº 248). As
ações precisam contribuir para que pais, educadores e lideranças sejam capazes
de perceber essa realidade e optem por atitudes de abertura ao novo trazido
pelas mais diferentes juventudes brasileiras. E, nesta abertura, sejam capazes de
construir com elas um mundo mais humano, mais justo e mais solidário.
Por fim, na quarta dimensão, a XI Semana Acadêmica do Crear proporá
o aprofundamento da missão da universidade, enquanto instituição educadora
de juventudes. Nesta tarefa não podemos esquecer que os próprios jovens
devem ser os autores do aprendizado. De fato, o verbo educar vem do latim
educere e literalmente significa fazer brotar, fazer sair. Neste sentido,
lembrando Paulo Freire, o sábio patrono da educação brasileira, educar não é
acumular saberes que vem de fora (“educação bancária”), mas o esforço para
ajudar o próprio educando a descobrir o potencial que já existe dentro dele
mesmo. Neste processo a missão do educador é, acima de tudo, contribuir para
que o jovem saiba escolher, interpretar, aprofundar e aplicar eticamente as
informações hoje disponíveis em quantidade assustadora (CNBB. Texto-Base
CF 2013, nº 47).
Cabe-nos a tarefa de avaliar, durante a XI Semana Acadêmica, como se
dá no momento essa tarefa na UCB. Ela é educadora, no sentido etimológico e
freireano da palavra, incluindo os jovens no processo educativo, ou apenas
“depositante”
de
conhecimentos,
vendo
os
estudantes
como
meros
espectadores? A relação professor-estudante é interativa e participativa ou
apenas de professor-aluno (aluno visto aqui como o que não tem nada, o “sem
luz”)?
A XI Semana Acadêmica do Crear envolverá diretamente no estudo, na
pesquisa e na ação extensionista os estudantes de Antropologia da Religião e
Ética, mas estará aberta aos demais estudantes e professores da UCB, bem como
ao público externo. A expectativa é de que este momento possa ser a
incorporação de novos conhecimentos sobre o tema da Juventude, provenientes
de diversas áreas do conhecimento e também dos saberes populares. Espera-se
que o evento concorra para ampliar a formação de estudantes e professores da
UCB e para a transformação das pessoas, das comunidades e do contexto social
em que vivemos e atuamos. Espera-se, ainda, que a XI Semana Acadêmica
contribua efetivamente para a emancipação dos sujeitos participantes, fazendo
com que as habilidades pessoais e coletivas se desenvolvam e alcancem índices
significativos de conhecimento crítico.
Por fim, espera-se que a XI Semana Acadêmica do Crear reforce ainda
mais a certeza de que há esperança e de que outro mundo é possível. A história
nos mostra que a juventude se caracteriza por sua audácia e por sua capacidade
de “desestabilizar” a normalidade e de provocar mudanças significativas para a
humanidade. Estamos certos de que a juventude, por meio de pequenas ações,
ajudará a abrir novos caminhos e novos rumos para o tão sonhado mundo novo.
Sua mobilização e sua ação irão gerar aquilo que Edgar Morin chama de
“esperança ética”, ou seja, tornar possível aquilo que parece impossível.
Taguatinga (DF), 1º de março de 2013.
O COLEGIADO DO CREAR
Prof. Dr. José Lisboa Moreira de Oliveira
Prof.ª Msc. Sueli Pereira Caixeta
Prof. Msc. Aurélio Rodrigues da Silva
Walberth Teixeira da Silva – Representante dos Estudantes da UCB
Download