uso de plantas medicinais com potencial antimicrobiano e anti

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USO DE PLANTAS MEDICINAIS COM POTENCIAL ANTIMICROBIANO E ANTIINFLAMATÓRIO PARA O TRATAMENTO DE FERIDAS: UMA BREVE ANÁLISE
DOS RISCOS E BENEFÍCIOS1
Graziele Caroline Cardoso de Sousa2
Jackeline Lazorek Saldanha da Silva3
Priscila Aguiar Mendes4
Rogério Alexandre Nunes dos Santos5
RESUMO
As feridas constituem um grande problema em saúde pública, principalmente
tratando-se de feridas crônicas (1). Esse problema agrava-se ainda mais quando há
complicações dessas lesões que acabam dificultando a cicatrização, tais como:
inflamação crônica ou aguda e infecções secundárias. Nestes casos, deve-se intervir
com anti-inflamatórios e antimicrobianos, para eliminar ou controlar esses fatores
que impedem a cicatrização, porém, os medicamentos disponíveis no mercado,
geralmente causam citotoxicidade às células que atuam no reparo tecidual. Assim,
com a ineficácia dessas medicações e ocorrência de diversos efeitos colaterais, as
pessoas recorrem a fitoterapia, acreditando que esta possa ser uma medida eficaz e
sem efeitos colaterais (2). A partir disso, a presente pesquisa teve como objetivo
realizar um levantamento das plantas medicinais com potencial antimicrobiano e
anti-inflamatório utilizadas para o tratamento de feridas crônicas ou agudas, e
posteriormente evidenciar os riscos e benefícios advindos desta terapia, e
principalmente se a prática é de conhecimento e intervenção de algum profissional
de saúde. E por fim, evidenciar ações de enfermagem que possam tornar esta
prática mais segura. Quanto a metodologia, tratou-se de uma pesquisa de caráter
quanti-qualitativa, cuja investigação foi realizada em unidades de saúde pública de
Tangará da Serra, Mato Grosso. Como instrumento para coleta de dados utilizou-se
um questionário composto por 13 questões abertas e fechadas. Os sujeitos foram
selecionados intencionalmente segundo os critérios de inclusão estabelecidos pelos
pesquisadores em que estes deveriam ser maiores de 18 anos e apresentar algum
tipo de ferida crônica ou aguda. Resultados: Foram entrevistados 28 pacientes com
idades variáveis entre 22 e 86 anos e constatou-se que 9 tinham úlcera venosa e 6
apresentaram úlcera por pressão ou pé diabético. Os demais entrevistados tinham
feridas decorrentes de queimaduras, ferimentos relacionados a traumas e
perfurações por objetos. Foi questionado se eles estavam fazendo uso de plantas
para tratar a ferida, ou se já havia feito, e neste caso 20 pacientes disseram que sim.
As plantas mais citadas entre eles foram: a Babosa (Aloe Vera), folhas de confrei
(Symphytum officinale) e folhas de Erva de Santa Maria (Chenopodium
ambrosioides). Verificou-se que 75% dos entrevistados receberam a indicação da
planta a partir de um familiar ou amigos e vizinhos. E sobre “como conseguiram a
1
Extraído de um trabalho de conclusão de curso de graduação em Enfermagem da Universidade do Estado de
Mato Grosso (UNEMAT).
2 Enfermeira, graduada pela Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT.
3 Enfermeira graduada pela UNEMAT e pós-graduanda em Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva pela
Universidade Anhanguera - UNIDERP.
4 Enfermeira graduada pela UNEMAT e pós-graduanda em Enfermagem do Trabalho pela Universidade
Anhanguera – UNIDERP.
5 Farmacêutico e Bioquímico, Doutor em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos pela UFPB. Professor e
coordenador do curso de enfermagem da UNEMAT. E-mail para Contato: [email protected]
planta” a maioria respondeu que já cultivavam em casa (55%), e outros 25% através
de familiares, amigos ou vizinhos. Logo se verifica que a participação da família e de
amigos é uma importante fonte de propagação dessas informações, o que corrobora
com uma pesquisa realizada por Ceolin e colaboradores (3). Referente à ação das
plantas no ferimento, 65% dos pacientes relataram a melhora de sinais flogísticos e
da cicatrização. E apenas 15% referiram reações como, coceira, ou ardência.
Avaliando estas respostas constata-se que as plantas podem ter auxiliado na
melhora da ferida, porém isso não exime o fato de que elas também podem causar
efeitos indesejados como já foi esclarecido por outras pesquisas (4). Ao questionar se
os pacientes “foram informados sobre como preparar e aplicar a planta”, 65%
responderam que não. Além disso, 80% informaram que “não receberam
orientações quanto aos riscos de reações e interação com outros medicamentos”. Já
no que se refere à participação dos profissionais de saúde na decisão/adesão a
terapia, bem como no acompanhamento durante o uso da planta, 60% dos pacientes
disseram que não comunicaram a nenhum profissional. Considerações Finais: Ao
Considerarmos as plantas mais citadas, destacamos algumas bibliografias
estudadas como a de Jorge e Dantas et al. (5), que mencionam a babosa como um
eficaz antiséptico anti-inflamatório e ao mesmo tempo cicatrizante, quando utilizada
na concentração certa (25% gel ou creme) sendo que em concentrações maiores
pode provocar lesões nas células. Eles ainda relatam que ela não é indicada para o
tratamento de úlcera venosa como ocorreu com a maioria dos pacientes. Sobre o
Confrei Araújo et al. (6) comprovou por meio de testes in vivo que quando utilizadas
em emulsão á base de água e óleo suas folhas tem uma importante atividade antiinflamatória e cicatrizante. No entanto destaca-se que alguns pacientes fizeram uso
da planta em alcolatura, o que segundo o mesmo autor minimiza o efeito desejado.
Já quanto à atividade da Erva de Santa Maria, foram encontrados estudos que
demonstraram sua atividade como antifúngico e bactericida (7), porém não foram
realizados testes in vivo e tampouco sobre a citotoxicidade às células. Em conclusão
esses resultados nos permitiram compreender que, de fato, a fitoterapia pode ser
uma boa escolha e com ótimo custo-benefício se utilizada de maneira consciente.
Porém, este estudo evidenciou alguns riscos relacionados à falta de conhecimento e
informações coerentes adquiridas por fontes confiáveis, a omissão do uso da planta
aos profissionais de saúde, e, especialmente, o uso indiscriminado. Portanto,
sugerimos aos profissionais de enfermagem que busquem conhecer a cultura de
seus pacientes, seus hábitos e sua maneira de lhe dar com a própria saúde. E a
partir destes conhecimentos, realizem pesquisas que os associem à ciência.
Procurando desta forma, criar um vínculo entre comunidade e equipe de saúde.
Além disso, o enfermeiro também pode se qualificar em fitoterapia (8) ou promover
educação em saúde orientando para os riscos do uso indevido das plantas, e,
sobretudo, levar informações melhoradas sobre elas, ensinando os cuidados desde
o plantio até o preparo e aplicação do extrato. Conquanto, é necessário ressaltar
que jamais se deve ter preconceitos quanto aos conhecimentos populares, e
tampouco tratá-los com desdém.
Descritores: Plantas Medicinais, cicatrização de Feridas, cuidados de enfermagem.
REFERÊNCIAS
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento
de atenção básica. Área Técnica de Dermatologia Sanitária. Manual de
condutas para úlceras neutróficas e traumáticas. Brasília: Ministério da
Saúde, 2002. 55 p.
2. Irion, G. Feridas: novas abordagens, manejo clínico e Atlas em cores. 1ª ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. 389 p.
3. Ceolin T, Heck RM, Barbieri RL, Schwartz E, Muniz RM, Pillon CN. Plantas
medicinais: transmissão do conhecimento nas famílias de agricultores de
base ecológica no Sul do RS. Revista da Escola de Enfermagem – USP.
2011; 45(1): 47-54.
4. França ISX, Sousa JA, Baptista RS, Brito VRS. Medicina Popular: Benefícios
e Malefícios das Plantas Medicinais. Revista Brasileira de Enfermagem,
Brasília. 2008; 61(2): 201 – 208.
5. Jorge SA, Dantas SRP. Evangelista. Abordagem multiprofissional do
tratamento de feridas. 1ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2008. 378 p.
6. Araujo LU, Reis PG, Barbosa LCO, Saude-Guimarães DA, Grabe-Guimaraes
A, Mosqueira VCF, Carneiro CM, Silva-Barcellos NM. In vivo wound healing
effects of Symphytum officinale L. leaves extract in different topical
formulations. Pharmazie. 2012; 67(4): 355-360.
7. Jardim CM, Jham GN, Dhingra OD, Freire MM. Chemical Composition and
Antifungal Activity of the Hexane Extract of the Brazilian Chenopodium
ambrosioides L. Journal of Brazilian Chemical Society, 2010; 21(10): 18141818.
8. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN 197 de 19
de março de 1997. [Legislação na internet]. Brasília; 1997. [Acesso em agosto
de 2013]. Disponível em: http://portalcofen.gov.br/sitenovo/node/4253.
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