problemas sociais

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PROBLEMAS SOCIAIS
Não podemos absolutamente afirmar que em sociedades simples não existam problemas sociais... No entanto,
também não podemos negar que quanto mais complexa a sociedade, os problemas aumentam de forma acentuada.
A crise de identidade que estamos vivendo não é apenas brasileira, mas mundial.
O encontro da cultura ocidental com a oriental, a formação de uma "aldeia global" com o desenvolvimento da
comunicação, acabaram por abalar todas as sociedades, as quais perderam as referências morais que norteavam
suas vidas e de repente passaram a não ter nada para colocar no lugar dos antigos valores.
É impossível haver uma sociedade anômica (sem normas), mas não há dúvida de que diante de tantas e tão
bruscas transformações, todas as sociedades atuais parecem resvalar para uma quase anomia.
Seus valores, padrões de comportamento, costumes têm sido questionados de forma tal que as pessoas não
conseguem mais ter uma vida regular por falta de pontos seguros de referência para suas condutas. E é claro que isto
mexe com tudo, principalmente com o emocional das pessoas.
Com a industrialização, o êxodo rural cresceu bastante e as cidades "incharam", sem nenhuma infra-estrutura
(alimentação, transporte, habitação, rede de água e esgotos, energia, sistema de saúde e segurança, etc.) para
suportar uma população que. cresce dia a dia.
Os problemas sociais, entretanto, não são apenas próprios do nosso país ou de outros como ele. Também os
países ricos vivem problemas sociais seríssimos, verdadeiras convulsões.
Entre nós a violência social campeia, em todas as suas formas: seqüestros, homicídios, corrupção, falta de
respeito à pessoa humana, delinqüência infantil e juvenil, abandono completo de crianças e adolescentes - estes se
tomam, nas ruas, verdadeiras feras -, miséria, fome, falência de quase todas as instituições, doenças epidêmicas depois de controladas algumas voltaram a disseminar-se -, falta de higiene completa das populações de baixa renda,
tráfico de drogas, falta de confiança do povo em seus representantes, desesperança, ataque à natureza, . tornando
cada vez mais escassos os recursos naturais, etc.
Enfim, temos em nossa sociedade uma avalanche de problemas que provocam cada vez mais a desarmonia
individual e coletiva.
I
Quando vimos a mudança social percebemos que na raiz de quase todos esses problemas estão fatos como:
urbanização acelerada, deterioração das condições de vida da classe trabalhadora, de higiene e saneamento das
cidades, proliferação de cortiços e favelas, focos de desordem e reservatórios de vetores de doenças infecciosas,
aglomeração de maltrapilhos nas ruas, surtos epidêmicos. Aliás, causas e conseqüências se confundem, porque tudo
acaba num círculo vicioso.
Aqui é necessário colocar uma questão: por trás de toda essa problemática existe uma dimensão ética que diz
respeito a um juízo critico sobre a situação. A sociologia não pode apenas constatar friamente todos estes problemas
mas necessita partir para a elaboração de um projeto alternativo juntamente com outras ciências e, quiçá, com os
governos.
Há uma dimensão ética por trás da sociologia que nem todos admitem. O olhar sociológico não pode ser neutro,
mas deve exigir ou estimular um posicionamento. Não importa se neste posicionamento ela partir para o que é
considerado utopia. A utopia é importante: ela é uma força que impulsiona.
Dentro de um projeto novo, como existe uma inter-relação profunda entre o pessoal' e o social, o surgimento de
uma nova sociedade e de novas pessoas caminham juntos.
Infelizmente, na cabeça das pessoas existe um filtro ideológico que permite que elas enxerguem apenas o que
querem e o que lhes convém. Isto atrapalha bastante na constatação dos problemas e na busca de soluções
concretas.
Sabemos que nos países ricos cresce o número de suicídios, violência urbana, ataques inesperados de
sociopatas, "gangs" de bairros e ruas, tráfico de drogas, recrudescimento de movimentos radicais contra minorias e
inclusive o renascimento do neonazismo.
Compreender, enfrentar e solucionar toda essa problemática que nos envolve a todos é, portanto, o desafio maior
não só para a sociologia, mas para a filosofia, a psicologia social, a economia, a política, a religião, a ecologia.
A tensão existente em nosso sistema social parece provocar tensão em todos os membros da sociedade, cuja
contestação acaba voltando-se contra o próprio sistema. Esta contestação não é mais privilégio da juventude, como o
foi no passado, principalmente na década de 60. Hoje, a insatisfação geral provoca o conflito em todos os segmentos
da sociedade.
O fundamental, pois, dessa modalidade de conflito, alienação ou radicalização está relacionado com as pressões
sociais e culturais que afetam todas as pessoas que vivem numa sociedade em crise.
A problemática da juventude tem características específicas, pois ela vive uma crise de identidade dentro da crise
maior da própria sociedade. As opções que lhe são oferecidas são pobres, insatisfatórias e pouco diversificadas: Aqui,
novamente temos de lembrar o posicionamento ético da sociologia e a sua proposta de um projeto concreto. A
juventude é por natureza idealista. E o que lhe é oferecido?
A alienação é um dos maiores perigos - como conseqüência de tudo isto - porque ela não constrói, não ajuda na
conscientização de uma realidade dolorosa que necessita urgentemente ser transformada.
Temos que ter plena consciência de que a roda da história não volta atrás. Vivemos a idade da cibernética e dos
computadores, numa sociedade cada vez mais automatizada e mecanizada. É sobre este fato concreto que devemos
refletir e nos posicionarmos de forma tal que o projeto proposto não permita que o homem também se mecanize e
perca sua humanidade.
Devemos compreender que todo o desenvolvimento científico e tecnológico só tem sentido se sua razão estiver
no bem-estar do homem.
Ninguém pode, em sã consciência, negar que vivemos um momento histórico difícil, de convulsão, em que
grassa, como já foi colocado, a violência física e moral por todo o mundo e todos os estratos e segmentos da
sociedade. Ela atinge diariamente a todos nós, de uma forma ou de outra. Sabe-se também que ela nunca esteve
ausente da história da humanidade. Esta constatação, porém, pura e simples, não leva a nada. Alguma coisa deve ser
feita para transformar esta realidade: este é o ponto crucial para o qual estou tentando chamar a atenção do leitor. As
ciências humanas pouco contribuem para a sociedade se apenas se restringem a fazer reflexões. É necessário que
elas tenham um posicionamento diante da realidade e uma proposta de transformação.
Só onde existir a compreensão poderá começar um processo de transformação. Esta compreensão, porém, não
cabe apenas às ciências humanas, mas a todos os membros da sociedade, pois nós somos sujeitos da história e
agentes sociais.
A humanidade chegou a uma encruzilhada, disto
não há dúvida. Ela pode continuar pelos caminhos que vem trilhando e provavelmente se autodestruir, ou dar uma
verdadeira guinada que a levará à realização de uma nova sociedade e um novo homem isto são projeções que
estamos fazendo.
Sabemos que uma sociedade sã, justa, amorosa e cooperativa só poderá ser construída por homens sãos, justos,
amorosos e cooperativos. Parece utopia? Já foi colocada, entretanto, a sua importância. Provavelmente, não fossem
a pressão e o impulso da utopia, ainda estaríamos nas cavernas...
Este é um posicionamento inteiramente pessoal: penso que só a esperança - que não significa acomodação de quem
aguarda que algo aconteça, mas sobretudo a fé que ilumina uma práxis libertadora e transformadora - pode levar o
mundo a novos caminhos.
A competitividade de nossa sociedade, o medo constante do insucesso e de algum cataclismo estão levando a
grande massa de indivíduos a distúrbios psicológicos de ordem tal que o "anormal" está se tornando "normal", no
sentido de qu_ a imensa maioria perturbada passa a ser o parâmetro de normalidade.
Sabemos que não só no Brasil, país de "miséria crescente, como nos Estados Unidos considerado país rico e
poderoso, os indivíduos consomem toneladas de tranqüilizantes por ano para poderem enfrentar o dia-a-dia.
A vida contemporânea está colocando as pessoas, como já disse, num estado permanente de tensão, cujas
conseqüências são desastrosas, tanto do ponto de vista individual como coletivo.
Ninguém estupra, mata, seqüestra, saqueia supermercados sem que por trás de tudo isto exista toda uma
realidade sociológica com inferências psicológicas.
Estamos assistindo à deterioração da afetividade das pessoas, que por sua vez dificulta o contato consigo
mesmas e com o semelhante. O fanatismo religioso e político que cada vez mais vem sendo disseminado é um sinal
palpável de que elas estão mortas por dentro e que necessitam desesperadamente de algo que as faça se sentirem
vivas. Isto não é uma opinião, mas uma reflexão de prisma psicológico.
O ideal consumista, próprio da sociedade capitalista, é outro fator de desajuste pessoal. Ele leva geralmente à
depressão, ao stress, à frustração e à revolta.
Bem, finalizando gostaria de ressaltar mais uma vez que em sua raiz o aumento atual dos problemas sociais
parece estar relacionado com as mudanças sociais desordenadas: migração, alterações de normas culturais e dos
laços familiares, superpopulação, desorganização social das grandes cidades, injustiça social, incapacidade dos
governos de construírem um projeto sério, sólido, realista que possa revolver todos estes problemas.
Todo este triste panorama social é pois o grande desafio não só para a sociologia e os sociólogos, mas também
para os cientistas de outras áreas, para os governos e para cada um de nós.
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