HGC_A10

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Programa Sucinto (1)
1.
História e cultura; civilização e civilizações; a dinâmica
das civilizações.
2.
A civilização ocidental e oriental: da construção do
ocidente e do oriente.
3.
A Europa; história de uma civilização; das origens grecoromanas ao surgimento e criação da União Europeia.
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1
Programa Sucinto (2)
4. A América e a civilização europeia no novo mundo
5. O mundo muçulmano: características e
perspectivas.
6. O mundo africano e o mundo asiático: características
e dinâmicas
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2
O mundo islâmico (Módulo 5)
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
Braudel, Fernand (1989). Gramática das Civilizações.
Lisboa: Editorial Teorema.
Lewis, Bernard (1983). Os Árabes na História. Lisboa:
Editorial Estampa.
Best, Antony et al. (2008 [2004]). International history of the
twentieth century and beyond. New York: Routledge.
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3
Pré-História do Islão (1)
• O Próximo-Oriente foi unificado pelos Assírios e,
posteriormente, pelas conquistas dos Aqueménides
Ciro, Cambises e Dário (546-486 a. C.). Dois séculos
volvidos, o império sofre as incursões dos Gregos e
Macedónios de Alexandre (334-331 a. C.).
• Até à aparição do Islamismo, os Gregos colonizaram
esta região durante dez séculos, aí fundando
cidades, grandes portos (Antioquia, Alexandria),
amplos Estados (dos Selêucidas e dos Lágidas).
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4
O Império Selêucida (200 a. C.)
Fonte: wikipédia
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5
Pré-História do Islão (2)
• «O pequeno povo grego-macedónio colonizou esta
vasta parcela impondo-lhe a sua língua, a sua
administração, comunicando-lhe uma parte do seu
dinamismo.» [Braudel]
• Sem cessar esse período colonial, igualmente o
Império romano se estende até à Ásia Menor, à Síria
e ao Egipto. Quando este império sucumbe, sucedelhe o Império Bizantino, no séc. V d. C., instaurando
de novo o predomínio da civilização grega.
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6
Pré-História do Islão (3)
• O Próximo-Oriente rebela-se inúmeras vezes
contra os seus colonizadores: a partir de 256 com os
Partos Arsácidas e, a partir de 224 a. C., os Persas
Sassânidas, a partir do actual Irão, obedientes ao
Zoroastrianismo (religião precursora do monoteísmo).
• As primeiras conquistas árabes encontraram
«cumplicidades imediatas» [Braudel] neste PróximoOriente descontente com a presença grega e abalado
por incessantes confrontos religiosos.
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7
Pré-História do Islão (4)
• Num ápice a Síria (634), o Egipto (639) e a Pérsia (642)
do Império Sassânida admite os árabes oferecendo
escassa resistência - exausto das lutas seculares
contra Roma e Bizâncio.
• Assim, o Próximo-Oriente rendeu-se mais prontamente
aos recém-chegados do que a África do Norte, entre os
meados do séc. VII e inícios do séc. VIII, o fez.
Todavia, «a Espanha caiu de uma assentada nas
suas mãos» (711). [Braudel]
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8
Pré-História do Islão (5)
• Os conquistadores tomaram todo o Próximo-Oriente;
excepção feita às montanhas da Ásia Menor; salvas por
Bizâncio.
• Tal como o cristianismo foi herdeiro do império romano
que expande, o Islão nasce no Próximo Oriente outrora
palco de «uma das mais antigas, se não a mais antiga
encruzilhada de homens e povos do mundo.» [Braudel]
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9
Pré-História do Islão (6)
• É indiscutível que tanto cristianismo como islamismo
seriam inconcebíveis sem Cristo e Maomé,
respectivamente, porém estas religiões novas
beneficiam de um substrato civilizacional (instituições,
rituais, crenças, mentalidade) que as precede.
• O Islão, como o Judaísmo e o Cristianismo é uma
religião monoteísta (adora um só Deus). Jerusalém é
para o Islão uma cidade santa. Profetas do Islão: Adão,
Abraão, Moisés e Jesus - maior profeta anterior a
Maomé e só por este último suplantado.
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10
Maomé e as origens do Islão (1)
• Entre 610 e 612 (provavelmente) e 632, data do seu
falecimento, inscreve-se a obra fundamental de
Maomé.
• Ele será responsável pela unificação da Arábia até
aí «dividida em tribos e confederações rivais»
[Braudel], atreita às veleidades coloniais dos Persas,
da Etiópia cristã, da Síria, do Egipto bizantino.
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11
Primeiras conquistas árabes
Fonte: wikipédia
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12
Maomé e as origens do Islão (2)
• Nascido em 570, aproximadamente, o profeta
permaneceu na obscuridade durante 40 anos. Só
cerca de 610-12:
«Numa noite da última década do Ramadão, numa
gruta do monte Hira, não longe de Meca, enquanto
dormia, produziu-se a infusão da Palavra Incriada no
mundo relativo, a descida do Livro no coração do
Profeta.»
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13
Maomé e as origens do Islão (3)
«O ser misterioso mostrou-lhe em sonhos um rolo de
tecido coberto de sinais e deu-lhe ordem de ler… - Não
sei ler, diz Maomé – Lê, repetiu por duas vezes o Anjo,
atando o tecido ao pescoço do dormente. – Leio o quê? –
Lê em nome do teu Senhor que criou o homem.»
«O eleito recolhe-se na consciência de que um livro desceu
sobre o seu coração.» [Dermenghem apud Braudel]
• No seguimento das palavras do arcanjo Gabriel, Maomé
considera-se o derradeiro enviado de Deus, o maior dos
seus profetas da tradição bíblica.
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14
Maomé e as origens do Islão (4)
• Testemunhos dos ditos do Profeta: Hadith (prática e
pregação do Profeta preservada sob a forma de Tradições)
e a Sira (biografia tradicional do Profeta) permitem-nos
conhecer o teor da vida de Maomé.
• Nos seus primeiros anos como Profeta, Maomé prega para
um grupo restrito de fiéis, entre parentes e indigentes de
Meca.
• Em Meca, os ricos, a princípio indiferentes à mensagem do
profeta, em breve se tornam seus opositores. Assim
molestados, os maometanos são compelidos à fuga.
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Maomé e as origens do Islão (5)
• Uns fogem para a Etiópia cristã, outros, cerca de 60,
entre os quais Maomé, encontram refúgio no oásis de
Iatreb, a norte de Meca. Iatreb, agora Medina, será a
cidade do Profeta. Esta fuga – Hegira – marca o início
da era muçulmana (20 de Setembro de 622).
• A cidade era habitada na sua maioria por
camponeses, com duas tribos árabes rivais e ainda
um relevante número de judeus ligados ao
comércio.
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Maomé e as origens do Islão (6)
• Relativamente aos judeus, Maomé «irá passar da
simpatia à desconfiança e, depois, à hostilidade. A
oração, até ali orientada para Jerusalém, passa a
fazer-se em direcção a Meca.» [Braudel]
• A pilhagem é o meio de sobrevivência utilizado pelos
fiéis de Maomé: assediam os seus vizinhos e as
longas caravanas oriundas de Meca. Estabelece-se
uma guerra contínua de 10 anos que permitirá ao
profeta regressar vitorioso a Meca.
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17
Maomé e as origens do Islão (7)
•
O Islão assenta sobre 5 pilares:
1. A afirmação de um só Deus – Alá – de quem
Maomé é o enviado (a Chahada);
2. A oração (Salat), que se repete 5 vezes ao dia; no
sentido da Caaba (centro das peregrinações),
construção que alberga uma das relíquias
sagradas do Islão.
3. O jejum dos 29 ou 30 dias do Ramadão (Saum);
4. A esmola dos pobres (Zakat);
5. A peregrinação a Meca (Hajj).
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18
Maomé e as origens do Islão (8)
• Abraão, de acordo com Maomé, teria com o seu filho
Ismael, o antepassado dos Árabes, «organizado o
culto da Santa Caaba e as cerimónias da
peregrinação.»
«Assim se fundamentava a prioridade do Islão em
relação ao Judaísmo, criado por Moisés, e ao
Cristianismo, ligado a Jesus.» [Braudel]
• O Islão saúda em Abraão o primeiro dos
Muçulmanos.
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19
Maomé e as origens do Islão (9)
• As práticas e as crenças são determinantes na vida do
muçulmano, para ele tudo (incluindo o direito) decorre do
Corão.
• Maomé triunfou numa cidade, Meca, alheia a uma Arábia
ainda primitiva. Esta cidade acorda para a prosperidade
com as caravanas que a ligam a outras cidades
estrangeiras distantes experimentadas no «grande
comércio e ao capitalismo mercantil.» [Braudel]
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20
Maomé e as origens do Islão (10)
• Para Braudel, as prescrições do Islão: a chamada do
muezim (encarregado de anunciar, do alto dos minaretes, a
hora das preces obrigatórias para os muçulmanos), a oração
comum das sextas-feiras, o véu das mulheres, a dignidade
do imã (chefe de oração), pressupõe o bulício urbano.
• Os centros de fé no Islão primitivo são, assim, as cidades.
Contudo, a maioria dos árabes eram nómadas «formando
grupos sociais muito pequenos: famílias patriarcais,
subfracções, fracções, tribos, confederações de tribos.»
[Braudel].
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A península arábica
Fonte:http://www.zum.de/whkmla/histatlas/arabworld/sarhistreg.gif
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22
Maomé e as origens do Islão (11)
• A tribo congrega irmãos, primos e clientes. «É a grande
unidade de combate.» [Braudel] No sul e centro da Arábia,
estas tribos estão constantemente a guerrear: as mais
fortes rechaçam as mais fracas.
• A actividade dos Beduínos pelos desertos e semidesertos
inóspitos só é permitida graças à criação de camelos.
• Este animal, muito tolerante à sede, é capaz de fazer
grandes viagens de uma pastagem para outra. Garante
igualmente o transporte das forragens, da água e do cereal.
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Maomé e as origens do Islão (12)
• Os árabes não logram a vitória na Ásia Menor, no
século VII, porque os seus camelos não conseguem
enfrentar o rigor do frio nos grandes planaltos da
Anatólia (Turquia).
• O Saara «é um prolongamento do deserto da Arábia,
para além do fosso do Mar Vermelho» [Braudel], ao
passo que os desertos do norte, da Ásia Central, têm
os seus próprios nómadas, os seus próprios camelos
e cavalos, i.e. são menos permeáveis à fixação.
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Maomé e as origens do Islão (13)
• Só com dificuldade estes nómadas aderiram à nova
religião e utilizaram o seu furor guerreiro em proveito
do Islão. Quando o Profeta Maomé morreu, em 632, os
nómadas aparentemente subjugados rebelaram-se.
• Com a morte do Profeta Maomé, sobreveio uma luta
pela sua sucessão. Os que apoiavam o direito de Ali,
genro do Profeta, ao califado formaram o partido de Ali
(Shiat Ali), são conhecidos como Xiitas e representam
hoje 15% dos muçulmanos (a maioria, porém, é Sunita).
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Xiitas na Ásia (a verde escuro)
Fonte: a colocar
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Maomé e as origens do Islão (14)
• Estão concentrados principalmente no Irão, no
Iraque, no sul do Líbano e ainda dispõem de
comunidades em várias partes do mundo.
• O Califa Omar (634-644) superou estas querelas entre
tribos «lançando cavaleiros e camelos no jihad, uma
maneira de manter os afastados da Arábia e,
simultaneamente evitar as querelas entre tribos»
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Maomé e as origens do Islão (15)
• Os beduínos iniciaram, então, as primeiras
conquistas do Islão. Aonde quer que cheguassem
levaram a sua língua e o seu modo de vida.
• Em séculos posteriores, «os rudes montanheses da
África do Norte» [Braudel], os Berberes conquistarão a
Espanha e o Egipto Fatimida para o Islão. Finalmente,
serão os Turco-Mongóis, nómadas da Ásia Central, que
engrossarão o exército dos califa de Bagdade.
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Maomé e as origens do Islão (16)
• Para gerir o governo, a guerra e o comércio, o Islão carente
de gente, teve de ser muito mais tolerante do que o
Ocidente, mais populoso, procurando todos os braços que
pudesse arranjar.
• Foi isto o que sucedeu com os quatro primeiros califas (i.e.
lugar tenente) - que se seguiram a Maomé –, conhecidos
como os bem guiados e, posteriormente, com os califas
omíadas (660-750), que estabelecem a capital em Damasco,
actual Síria.
• Contudo, devido a esta escassez de braços, o Islão Clássico
é uma civilização esclavagista por excelência.
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Maomé e as origens do Islão (17)
• Nesses anos belicosos, a religião não é primordial.
Nos países submetidos, a administração continua
dependente dos nativos. A língua, a arte, a construção
das mesquitas imitam o modelo bizantino.
• Com a unidade linguística que se vai afirmando entre
estes povos (conta-nos Braudel que, em 700, o califa
omíada Abd-el-Malik decide suprimir a língua grega de
todos os actos de administração pública), terminará
uma era de tolerância entre cristãos e muçulmanos.
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Maomé e as origens do Islão (18)
• No final do primeiro quartel do séc. IX, «graças a um
capitalismo mercantil precoce», «os rendimentos do
califa elevam-se a cinco vezes o rendimento anual do
Império Bizantino seu contemporâneo.» [Braudel]
• A intensidade das trocas engendra cidades colossais:
Bagdade, de 762 até à sua destruição em 1258 é a mais
próspera cidade do Velho Mundo, diz-nos Braudel.
• Ainda no que hoje é o Iraque, encontramos, neste tempo,
a pujante Samarra (fundada em 836) e o grande porto de
Bassorá, Cairo, Damasco, Túnis, Córdova,…
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Maomé e as origens do Islão (19)
• É o Islão que, até à expansão marítima europeia, serve
de intermediário às grandes áreas culturais do mundo
até então conhecido: Extremo-Oriente, Europa, e África
Negra.
• O Islão tem a chave das passagens obrigatórias.
Durante séculos, o Islão distribui «o ouro do Sudão e os
escravos negros em trânsito para o Mediterrâneo; a
seda, a pimenta, as especiarias, as pérolas do ExtremoOriente, em trânsito para a Europa.» [Braudel].
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Maomé e as origens do Islão (20)
• O comércio do Levante, na Ásia e na África também lhe
está sujeito. Os comerciantes italianos só a ele têm acesso a
partir de cidades como a Alexandria, Alepo, Beirute ou
Tripoli.
• O Islão no entender de Braudel é uma civilização de
movimento - de caravanas de camelos, sobretudo.
• Tal compreende uma navegação de longa distância e um
sem número de caravanas que se expandem, de
sobremodo, entre o Oceano Índico e o Mediterrâneo, e,
igualmente, do Mar Negro à China e à Índia, bem como da
África Negra ao Norte deste continente.
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Maomé e as origens do Islão (21)
• Os mercadores do Islão (muçulmanos ou não) revelam
um conhecimento de todos os instrumentos de crédito e
pagamento e de todas as formas de associação
comercial (não foi a Itália a inventá-las).
• Os mercadores são intermediários de um comércio de
longo alcance: «coral que vai da África do Norte para a
Índia; escravos comprados na Etiópia; ferro trazido da
Índia, ao mesmo tempo que pimenta e especiarias. Tudo
isto implica um enorme movimento de dinheiro» [Braudel].
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Maomé e as origens do Islão (22)
• Com a dinastia abássida, de meados do séc. VIII, a
capital do Islão deixa de ser Damasco e passa a ser
Bagdade. Esta civilização deixa de conceder o
mesmo relevo ao Mediterrâneo.
• Ainda que os governos independentes do Egipto e do
Norte de África (Ifriqiya) «mantivessem frotas que
dominavam o Mediterrâneo de uma ponta a outra»
[Lewis].
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35
Maomé e as origens do Islão (23)
• As cidades muçulmanas prosperam e alimentam
este trânsito comercial. Braudel caracteriza-as: a rua
estreita e inclinada é um lugar de reunião. Às
mulheres está reservada «a comodidade da
circulação pelos terraços.»
• No centro da cidade está localizada a Grande
Mesquita, onde acorre a peregrinação semanal, local
para onde tudo conflui e de onde tudo reflui. Na sua
vizinhança encontram-se as madraças, escolas
islâmicas.
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36
Maomé e as origens do Islão (24)
• Nas imediações estão localizados os bazares, i.e. bairros
de comerciantes com os seus suqs (mercados).
• «Os artesãos dispõem-se concentricamente a partir da
Grande Mesquita» [Braudel]. O bairro do Príncipe
(makhzen), por seu turno, está situado no arredor da
cidade resguardado das escaramuças populares.
• Adjacente ao makhzen e sob sua protecção do Princípe
está localizado o bairro judeu (mellah). Alhures situam-se
os bairros residenciais, divididos segundo as etnias e as
religiões. Muitas vezes estas cidades estão cingidas por
uma muralha.
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37
A Era dos Califas
Fonte: wikipédia
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38
A presença árabe na Europa (1)
• Ainda em tempos pré-islâmicos, os povos do Sul da
Arábia haviam construído barcos e desenvolvido um
importante tráfego marítimo no Mar Vermelho e no
Oceano Índico.
• Contudo, os árabes do Norte, designadamente do
Hijaz e das terras que fazem fronteira com a Síria e o
Iraque eram inicialmente um povo continental com
pouca experiência na lida marítima ou na
navegação.
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39
A presença árabe na Europa (2)
• No entanto, os árabes prontamente se adaptam a este
meio de transporte. Pouco tempo após a ocupação da
costa Síria e Egípcia:
«os povos dos desertos da Arábia construíram e equiparam
grandes frotas de guerra capazes de fazer face e vencer as
potentes e experimentadas esquadras bizantinas e dar ao
Califado esse pré-requisito vital para a sua segurança
expansão – o controlo naval do Mediterrâneo.» [Lewis]
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História Geral da Civilização
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40
A presença árabe na Europa (3)
• A partir de Alexandria e dos portos do litoral da Síria,
os Muçulmanos equiparam e tripularam frotas de
guerra que a breve trecho seriam tão bem sucedidas
militarmente quanto os exércitos muçulmanos.
• No séc. IX, a florescente marinha mercante
muçulmana punha em contacto os portos das costas
muçulmanas do Mediterrâneo (entre si) e com os
portos cristãos do Norte.
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História Geral da Civilização
GAT: 1º ano - IPCA
41
A presença árabe na Europa (4)
• Em 649, o Califa Otman autorizou Muawiya (governador
da Síria e posterior fundador da dinastia Omíada) a levar
a cabo um ataque contra o Chipre, seguidamente Rodes
e Creta foram provisoriamente ocupadas. A ocupação
destas ilhas orientais «foi breve e transitória» [Lewis].
• O ataque à Sicília, contudo, revelou-se mais importante.
Em 740, Ubaida sitiou Siracusa e exigiu o pagamento de
tributos. Contudo, uma rebelião berbere em África forçouo a regressar à sua pátria.
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História Geral da Civilização
GAT: 1º ano - IPCA
42
A presença árabe na Europa (5)
• Em 831, os muçulmanos ocuparam Palermo, que se
tornou a capital da ilha. A guerra que opõe bizantinos e
muçulmanos tanto em terra – na ilha e na Itália
continental - como no mar terminará somente em 895896 com a capitulação de Bizâncio.
• No continente, os muçulmanos também fazem
estragos: estabelecem praças fortes em Tarento e Bari.
«Guerrilheiros muçulmanos ameaçam Nápoles, Roma
e, inclusivamente, o Norte de Itália, tendo compelido um
dos Papas ao pagamento de tributo durante dois anos.»
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43
A presença árabe na Europa (6)
• A Sicília muçulmana estava, de início, sob a alçada
da Tunísia e encontrava-se adstrita a esta província
politica e administrativamente.
• Os Normandos, que já haviam ocupado o Sul de
Itália, por volta de 1091 ocupam toda a Sicília,
exceptuando uns pequenos postos avançados
muçulmanos.
• Os árabes introduzem na ilha laranjas, amoras, canade-açúcar, tamareiras e algodão. «Ampliaram as
culturas através de uma irrigação cuidadosa.» [Lewis]
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GAT: 1º ano - IPCA
44
A presença árabe na Europa (7)
• Os reis normandos continuaram a cunhar moedas com
inscrições árabes e datas da Hégira. Numerosos
documentos foram escritos em língua árabe. Só no séc. XIV
a língua árabe e o Islão estaria extinto na ilha.
• O legado mais importante da Sicília para transmissão da
cultura muçulmana à Europa data do reinado de Frederico II:
«quando alguns tradutores, Cristãos e Judeus, traduziram
para o latim uma série de obras árabes, tanto originais como
baseadas em textos gregos» [Lewis]
• e.g. obra sobre medicina de Razi.
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História Geral da Civilização
GAT: 1º ano - IPCA
45
A presença árabe na Europa (8)
• Não obstante, foi em Espanha que os Árabes lograram
as mais relevantes e mais duradouras conquistas na
Europa.
• Em 711, um antigo escravo berbere liberto, Tariq,
desembarcou em Gibraltar com 7000 homens. Daí fez
uma incursão para Norte, derrotando os visigodos e
ocupando Córdova e Toledo. Em 712, juntaram-se árabes
aos berberes e tomaram as cidades de Sevilha e Mérida.
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História Geral da Civilização
GAT: 1º ano - IPCA
46
A presença árabe na Europa (9)
• Em seguida a expansão foi célere e, aproximadamente
em 718, a maior parte da península encontrava-se em
mãos árabes. Estes atravessam os Pirenéus e vão até
ao Sul de França, onde são rechaçados pelos Francos
de Carlos Martel em 732, na Batalha de Poitiers.
• As primeiras vitórias dos árabes provocaram um rombo
na estrutura anquilosada do Estado visigótico: «os
servos paralisaram; os judeus revoltaram-se e
juntaram-se aos invasores, entregando-lhes a cidade
de Toledo.» [Lewis]
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47
A presença árabe na Europa (10)
• O novo regime era liberal e tolerante, superior ao dos
Francos no Norte da Península, segundo os próprios
cronistas espanhóis.
• Um dos principais benefícios que advieram da ocupação
árabe foi:
«a supressão da antiga classe dominante da nobreza e do
clero e a distribuição das suas terras, criando uma nova
classe de pequenos proprietários, grandemente
responsáveis pela prosperidade agrícola da Espanha
muçulmana.» [Lewis]
31/05/2017
História Geral da Civilização
GAT: 1º ano - IPCA
48
A presença árabe na Europa (11)
• No século VIII, multiplicaram-se as vagas de imigração
oriundas do Norte de África e da Síria conduzindo
muitos africanos e árabes para a península.
• A consolidação dos sírios em Espanha levou a que os
omíadas (com capital em Damasco e derrotados em 750
pelos Abássidas) pudessem derrotar estes últimos (cujo
califado tinha capital em Bagdade) na península Ibérica.
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49
A presença árabe na Europa (12)
• Ao tomar Córdova, em 756, fundam a dinastia
omíada independente em Espanha, que só é
destronada em 1031.
• A conversão ao Islão foi rápida e vasta (ainda que não
forçada). Os Espanhóis, que não se converteram
rapidamente, adoptaram a língua árabe. Designam-se
de Moçárabes os cristãos e judeus de língua árabe.
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50
A presença árabe na Europa (13)
• O rei Abd ar-Rahman II (822-852), revelou-se um grande
«protector das letras tendo trazido muitos livros e
estudiosos do Oriente, reforçando grandemente os laços
culturais entre o Islão espanhol e os centros da
civilização islâmica no Oriente.»
• Durante o reinado dos sucessores de Abd ar-Rahman,
os árabes, berberes e hispano-muçulmanos foram-se
integrando paulatinamente numa população
muçulmana homogénea.
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A presença árabe na Europa (14)
• Esta população estava ciente da sua independência
cultural e política «e com uma concepção de vida
crescentemente ibérica» [Lewis]
• A ascensão dos Fatimidas (que reinaram na África do
Norte e no Egipto entre 969 e 1171) e a sua criação de
um anticalifado cismático, revolucionário, motivou Abd
ar-Rahman III (921-961) a atribuir-se a dignidade de
califa (chefe supremo do islamismo) em Espanha.
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A presença árabe na Europa (15)
• Assim «cortando os últimos vínculos de submissão ao
Oriente» [Lewis]. Consequentemente, as influências
do Oriente começaram a estiolar e começou a
emergir uma civilização hispano-árabe singular.
• A morte de Almansor, em 1002 – governador do
país que havia prosseguido a tarefa de centralização
e unificação da população – levou a um recrudescer
das rivalidades entre a população.
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A presença árabe na Europa (16)
Três partidos:
1. Os Andaluzes (população muçulmana de
Espanha);
2. Os Berberes recém-imigrados de África;
3. Os denominados Eslavos (inicialmente escravos
da europeia oriental e depois todos os escravos
de origem europeia ao serviço do rei), muitos
deles alforriados e detentores de grande riqueza
e posição social.
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A presença árabe na Europa (17)
• A primeira metade do séc. XI, achou uma Espanha
muçulmana dividida por uma série de reis e príncipes
menores de origem berbere, eslava ou andaluza.
• Esta dissensão política conduziu a uma dupla invasão
da península: pelos cristãos do Norte, coadjuvados
pelos Francos e, por outro lado, os Berberes do sul. Em
1085 cai a cidade de Toledo às mãos dos cristãos «desastre irreparável para o Islão espanhol.» [Lewis]
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A presença árabe na Europa (18)
• Não obstante, esta era dos reis partidários foi uma
época de florescimento cultural.
• «As diversas cortes foram centros de erudição,
filosofia, ciência e literatura, enquanto que a queda do
califado permitia o reatamento de relações activas,
tanto económicas como culturais, com o Oriente.»
[Lewis]
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A presença árabe na Europa (19)
• 1086: os cristãos são derrotados por uma nova invasão
árabe proveniente de África, que põe fim ao reinado dos reis
partidários. Yusuf ibn Tashfin funda a dinastia almorávida,
após entrar em Espanha respondendo ao pedido de apoio
dos Andaluzes que visavam contrariar a ameaça cristã.
• Em 1195, os árabes ainda obtêm um derradeiro triunfo em
Alarcos. Em 1212, cai em mãos dos cristãos Las Navas de
Tolosa, posteriormente as conquistas cristãs sucedem-se:
Córdova em 1236 e Sevilha em 1248.
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A península em 1085 e 1157
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A presença árabe na Europa (20)
• No final do séc. XIII, os cristãos eram donos de toda a
Península, à excepção da cidade e província de
Granada onde reinou uma dinastia muçulmana, no
magnífico Alhambra, durante dois séculos.
• Em 1492, os exércitos aliados de Castela e de Aragão
conquistaram a cidade de Granada e logo após «um
édito real decretou a expulsão de todos os nãocatólicos da Península.» [Lewis]
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A presença árabe na Europa (21)
• A língua árabe perdurou entre os conversos forçados ao
cristianismo, porém, até estes serem deportados para
África no início do séc. XVII.
• O contributo dos árabes para a Península é substancial:
«introduziram a irrigação científica e muitas novas culturas,
incluindo citrinos, algodão, cana-de-açúcar e arroz (…)
desenvolveram inúmeras indústrias – têxteis, faiança,
papel, seda e refinação do açúcar, e exploraram
importantes minas de ouro, prata e outros metais» [Lewis]
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A presença árabe na Europa (22)
• A Espanha muçulmana comerciou produtos espanhóis
com o Oriente: as frotas mercantes dos andaluzes
vogavam por todo o Mediterrâneo. Os seus principais
mercados estavam localizados no Norte de África,
mormente no Egipto e em Constantinopla.
• Nesta última cidade, os seus produtos eram comprados
pelos mercadores bizantinos para os venderem na Índia
e na Ásia Central.
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A presença árabe na Europa (23)
• Os inúmeros vocábulos que ainda persistem na língua
espanhola (e portuguesa) comprovam a influência
árabe na administração local, militar e política, bem
como nas áreas da agricultura, artes e ofícios.
• Por outro lado, «as moedas da reconquista
conservaram o padrão árabe durante muito tempo.»
[Lewis]
• O legado grego chegou até aos Árabes espanhóis a
partir do Oriente, através de livros traduzidos nos
centros de tradução orientais.
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A presença árabe na Europa (24)
• A poesia lírica foi um contributo original dos árabes
espanhóis, onde estes criaram formas desconhecidas
pelos muçulmanos do Oriente e que influenciou a
primeira poesia cristã espanhola (e eventualmente a
literatura europeia ocidental).
• Segundo Lewis, a sua criação mais relevante foi no
âmbito da arte e da arquitectura. Primeiramente
influenciada pelos cânones árabes e bizantinos do
Próximo Oriente e depois cristalizando formas
particulares e originais da península.
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O Alhambra
Fonte: http://www.ucalgary.ca/applied_history/tutor/imageislam/Alhambra.jpg
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A presença árabe na Europa (25)
• Esta arte hispano-mourisca surge com o reinado de
Abd ar-Rahman I na admirável mesquita de Córdova e
noutras obras de arte como a Torre da Giralda e o
Alcácer de Sevilha e o Alhambra de Granada.
• A herança cultural dos muçulmanos peninsulares foi
fundamental não só para a Iberia, mas também para a
Europa.
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A presença árabe na Europa (26)
• «cristãos oriundos de diversos países vieram para a
Espanha estudar, juntamente com os nativos
espanhóis, com professores judeus e muçulmanos de
língua árabe, e traduziram muitas obras do árabe
para o latim.» [Lewis]
• A cidade de Toledo, como já vimos anteriormente, foi
o principal centro irradiador de cultura do Islão para a
Cristandade.
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A presença árabe na Europa (27)
• Reconquistada em 1085, continuou a ser habitada por
muitos eruditos muçulmanos, aos quais se juntaram
refugiados judeus vindos do sul almóada (agora
intolerante) e aí traduziram diversas obras do árabe
para o latim.
• Durante o séc. XII e XIII, essencialmente durante o
reinado de Afonso o Sábio, de Castela e Leão (12521284) «as escolas de tradutores de Toledo
produziram um grande volume de obras.»
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A presença árabe na Europa (28)
• «Incluindo o Organon de Aristóteles e muitos dos escritos
de Euclides, Ptolomeu, Galeno e Hipócrates, enriquecido
pelos comentadores e sucessores árabes.» [Lewis] Estas
traduções, como já vimos, irão desenvolver a ciência e
a filosofia do Ocidente Medieval.
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A Reconquista
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A Civilização Islâmica (1)
• A época de esplendor da civilização islâmica situase entre o séc. VIII e o séc. XII.
• Esta civilização não foi levada pelos invasores árabes
do deserto, mas constituída pelo contributo de
muitos povos conquistados: entre os quais Persas,
Egípcios e, ainda, claro, os Árabes.
• Entre quem a edificou encontravam-se Cristãos,
Judeus e Zoroastrianos. Contudo, o seu veículo de
transmissão foi a língua árabe, «e foi dominada pelo
Islão e pela sua mundividência» [Lewis].
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A Civilização Islâmica (2)
• A língua e a religião foram os grandes contributos dos
invasores árabes para esta civilização original. O árabe é
uma língua semítica, em épocas pré-islâmicas, era falado
por um povo primitivo, de rude cultura e que só raramente
utilizava a escrita.
• Contudo, haviam desenvolvido uma linguagem poética que
constituía «a expressão autêntica da vida dos Beduínos, que
cantaram o vinho, o amor, a guerra, a caça, as terríveis
paisagens de montanha e do deserto, o valor marcial dos
homens das tribos, a torpeza dos seus inimigos.» [Lewis]
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71
A Civilização Islâmica (3)
• No século XI, a língua árabe tornar-se-ia o principal
idioma utilizado pelos muçulmanos dos Pirenéus à
Pérsia, mas também o principal veículo transmissor
de cultura destronando línguas de culturas de
antanho como a copta, o aramaico, o grego e o latim.
• Acresce que a língua árabe influenciou línguas
árabes subsequentes: a língua persa e turca e,
posteriormente, o malaio, o urdu, o swahili (um pouco
como o latim está para as línguas românicas).
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72
A Civilização Islâmica (4)
• O Islão não se limitou a ser uma religião unificadora,
mas igualmente «um sistema de estado, de
sociedade, de lei, de pensamento e de arte.» [Lewis]
• O código do islão era a Sharia, a lei sagrada extraída
pelos juristas do Alcorão e das tradições do profeta. A
sharia não se limitava a ser um código legal, mas,
igualmente, um paradigma de comportamento, um
ideal que a sociedade devia observar.
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A Civilização Islâmica (5)
• Não existe um poder legislativo para a civilização do Islão a
lei vem de Deus através da revelação. Porém o direito
consuetudinário, a legislação civil e a vontade do
soberano persistem de forma não oficial, «ocasionalmente
com o conhecimento restrito dos juristas.» [Lewis]
• A Sharia, de inspiração divina, disciplinava todos os
aspectos da vida, não só a fé e o culto, mas também o
direito público, constitucional e internacional, o direito
privado criminal e civil.
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74
A Civilização Islâmica (6)
• A Sharia prescrevia que o chefe da comunidade era o
Califa, representante eleito de Deus e possuidor do
poder supremo a nível militar, civil e religioso.
Este devia ainda zelar pelo legado espiritual e material
do Profeta.
• Contudo, o Califa não podia alterar a doutrina, não
tinha poder espiritual. Ele era apoiado pelos Ulama
classe semi-clerical, que eram os doutores da lei
divina e a quem competia somente a sua
interpretação.
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75
A Civilização Islâmica (7)
• No século XI, aproximadamente, secundando o Califa
aparece o Sultão – chefe secular supremo. A
administração da lei sagrada está a cargo do Qadi.
• A ciência e o saber árabes tiveram uma origem
religiosa. A gramática e a lexicografia surgiram da
necessidade de interpretar e explicar o Alcorão. A
codificação do material legal e biográfico da tradição deu
origem às escolas islâmicas de jurisprudência e de história.
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A Civilização Islâmica (8)
• «Os Árabes não tardaram a produzir volumosas obras de
história de diversos tipos: histórias universais, histórias
locais, histórias de famílias, de tribos e instituições.» [Lewis]
• Ibn Khaldun (1332-1406) é o maior historiador dos Árabes
e, eventualmente, segundo Lewis, o maior pensador
histórico da Idade Média.
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A Civilização Islâmica (9)
• A influência grega – verificável pelo enorme esforço de
tradução das obras gregas do original e do siríaco - foi
fundamental e está patente na filosofia e nas ciências
em geral: matemática, astronomia, geografia, química,
física, história natural e medicina.
• Em Alexandria, Antioquia, na Pérsia outrora Sassânida,
tinham sobrevivido escolas gregas, legado de Bizâncio.
• Durante o reinado de Mamun (813-833) foi criada uma
escola de tradutores em Bagdade, com uma
biblioteca pessoal regular.
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A Civilização Islâmica (10)
• Porém, também surgiram autores muçulmanos, sobretudo
persas, originais. Evidenciaram-se o médico Razi (865-925),
o médico e filósofo Avicena (980-1037) e Al-Biruni (9731048), médico, astrónomo, matemático, físico, químico e
historiador «um estudioso profundo e original.» [Lewis]
• Na medicina, os árabes não atingiram o mesmo apuro
teórico dos Gregos, mas contribuíram essencialmente
através da sua observação prática e experiência clínica.
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A Civilização Islâmica (11)
• Nas matemáticas, na física e na química, o seu contributo foi
bem muito mais substancial e original:
«O uso do zero, e dos algarismos ditos árabes (…) foram por
eles integrados pela primeira vez no corpo principal da teoria
matemática e transmitidos a partir da Índia para a Europa. A
álgebra e a geometria, e particularmente a trigonometria,
foram em grande parte descobertas árabes.» [Lewis]
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Arte Islâmica
Fonte:http://images-1.redbubble.net/img/art/size:large/view:main/2341699-3-islamic-art.jpg
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A Civilização Islâmica (13)
• Na filosofia, verificou-se a introdução de conceitos
gregos. As traduções de Aristóteles vieram influenciar
toda a filosofia e teologia do Islão, bem como um conjunto
de pensadores muçulmanos originais: Kindi (m.-ca. 850),
Farabi (m. 950), Avicena (m. 1037) e Averróis (m.1198).
• Os árabes são continuadores da tradição da arte e
arquitectura greco-romana, que metamorfosearam em
algo original.
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82
A Civilização Islâmica (14)
• «A tendência da arte bizantina para o abstracto e o
formal foi acentuada no Islão, onde o preconceito
contra a representação pictórica da forma humana
conduziu, em última análise, a uma expressão
artística estilizada e geométrica.» [Lewis]
• As artes islâmicas também sofreram em grande
medida a influência dos Persas e dos Chineses. A
singularidade e ecletismo da civilização islâmica está
patente nas artes decorativas (na sua bela faiança
envidraçada).
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A Civilização Islâmica (15)
• Também os artesãos se distinguiram nas artes do
metal, da madeira, da pedra, do marfim, do vidro, e de
sobremaneira na dos têxteis e dos tapetes, desde o
mero decalque até à criação de estilos inteiramente
originais genuinamente islâmicos.
• No séc. VIII, a transmissão da obra literária pode
deixar de ser feita de maneira oral para ser feita de
uma forma barata, generalizada e acessível através
do papel que chega da China, via Ásia Central.
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A Civilização Islâmica (16)
• A integração da herança grega pelo Islão
desencadeou um confronto entre tendências
racionalistas e a revelação corânica. Do confronto
saiu vitoriosa a concepção islâmica mais pura.
«O Islão, uma sociedade condicionada
religiosamente, rejeitava os valores que punham em
causa os seus postulados fundamentais. A aceitação
dos valores helenísticos teria conduzido a um
«renascimento humanista do tipo ocidental.» [Lewis]
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A Civilização Islâmica (17)
• A literatura árabe estava restringida a uma pequena
minoria de privilegiados, que beneficiava da arte da escrita
e do exercício de mecenato. O povo permanecia na
obscuridade.
• Os árabes distinguem-se pelo seu poder assimilativo:
«uniram numa única sociedade duas culturas inicialmente
colidentes – a tradição mediterrânica milenar e diversificada,
da Grécia, Roma, Israel e do Próximo Oriente antigo e a rica
civilização da Pérsia» [Lewis]. Da integração destes
contributos surgiria uma civilização nova.
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86
A Civilização Islâmica (18)
• O que surpreende nesta civilização, ainda mais se a
compararmos com o Ocidente coevo é a sua
tolerância: o muçulmano raramente se sentiu instado
a impor a sua religião pela força.
• A distinção limitava-se a algumas discriminações
sociais e legais concedendo liberdade religiosa,
económica e intelectual e dando possibilidade a
pessoas de outras fés de contribuírem de forma
muito relevante para a edificação da civilização árabe.
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A Civilização Islâmica (19)
• As populações dominadas mantinham o seu modo
de vida sem serem violentadas. De início, o
conquistador árabe não estava interessado em
converter as civilizações submetidas (Pérsia, Síria,
Egipto, Magrebe, Espanha).
• Porém, cominava uma série de tributos reservados
aos não-muçulmanos.
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88
A Civilização Islâmica (20)
• A expressão utilizada para caracterizar a visão do mundo
árabe é atomismo:
«concebe a sua sociedade não como um todo orgânico,
composto por partes interligadas e agindo conjuntamente,
mas como uma associação de grupos distintos – religiões,
nações, classes – mantidos coesos apenas pelo solo, em
baixo, e pelo governo, em cima.» [Lewis]
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A Civilização Islâmica (21)
• A teologia dogmática que prevaleceu sobre a
concepção racionalista aceita incondicionalmente a
Lei e Revelação Divina (sem questionar – bila kaif).
Nega todas as causas secundárias. Deus é a causa
primeira, tudo advém da vontade de Deus.
«Esta rejeição definitiva e deliberada de toda a
causalidade (…) marcou o fim da livre especulação
e investigação tanto na filosofia como nas ciências
naturais, e veio frustrar o promissor desenvolvimento
da historiografia árabe.» [Lewis]
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90
Estagnação e decadência islâmica (1)
• Assim, nota-se uma mutação na sociedade islâmica
que de uma vida social e económica assaz livre e
independente «da grande era comercial» [Lewis] faz
uma transição para uma sociedade feudalista
estática, que perdurou.
• «Esta nova versão do Islão não foi contestada
seriamente durante um período de cerca de mil anos,
até que o impacto do Ocidente, nos sécs. XIX e XX,
veio ameaçar a estrutura tradicional da sociedade
islâmica e as formas de pensamento (…)» [Lewis]
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91
Estagnação e decadência islâmica (2)
• O Islão terá um ressurgimento através das conquistas
dos Turcos Osmânidas, que terão como corolário a
Tomada de Constantinopla em 1453. Vitórias
subsequentes farão da Turquia uma das grandes
potências mediterrânicas do séc. XVI.
• «Depois de 1517, o sultão osmânida, (…) torna-se
califa dos crentes.» Por outro lado, mercenários turcos
e mongóis – muçulmanos, portanto – ocupam o
Império de Deli e criam em 1526 o Império do Grão
Mongol, que irá subjugar a maioria da Índia.
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92
Estagnação e decadência islâmica (3)
• Os otomanos prosseguem o seu avanço, em 1526,
submetem a Hungria cristã. Paralelamente, os
otomanos evidenciam um progresso material e
demográfico notório.
• Em 1687 Viena é sitiada: o Império otomano «haveria
de maltratar as grandes potências, no século XIX (…)
O Islão turco fez figura durante muito tempo, uma
figura grande, brilhante, temível.» [Braudel]
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Estagnação e decadência islâmica (4)
• Como vimos, o Islão concentra-se em todos os
aspectos das relações entre indivíduos e entre estes e
Deus, mas não prescreve uma forma de governo
particular.
• O Islamismo e os movimentos islâmicos modernos
estão arraigados, segundo Best et al.:
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Estagnação e decadência islâmica (5)
1. Na abolição do Califado, que sobreveio à queda do
Império Otomano (fim da 1ª GM).
2. No impacto da modernidade no mundo islâmico;
3. Nos traumas do colonialismo Ocidental;
4. No fracasso do estado secular, na prevalência da
corrupção e do autoritarismo,
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GAT: 1º ano - IPCA
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Estagnação e decadência islâmica (6)
5. Na incapacidade das políticas de desenvolvimento
conseguirem atenuar o atraso económico em relação
ao Ocidente;
6. Na impossibilidade de uma Palestina Livre;
7. Na percepção de que a política externa americana,
provocou injustiças;
8. Na incerteza quanto à globalização.
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Estagnação e decadência islâmica (7)
• A atracção da alternativa Islamista reside na ênfase
dada à justiça social e à crença de que a introdução
da religião e da moralidade irá conduzir à extirpação
da corrupção, nepotismo, prostituição, discriminação e
pobreza.
• O Islamismo, em muitos estados, tornou-se assim a
única forma viável de protesto, quando as oposições
são violentadas fazendo da mesquita o único local
onde se pode exprimir o descontentamento.
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GAT: 1º ano - IPCA
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Estagnação e decadência islâmica (8)
• A grande maioria dos movimentos islamitas são
nacionalistas na sua essência, já que existem
somente dentro das fronteiras de um dado estado ou
região. Contudo, os movimentos variam nos seus
objectivos, estratégias e filosofias.
31/05/2017
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