15 - O conceito de Deus nas outras religiões

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15. – O conceito de Deus
nas outras religiões
Encontros de
Formação Cristã
Paróquia de Santa
Maria de Carreço
«O HOMEM ANDA
À PROCURA DE
DEUS. … Todas as
religiões
testemunham esta
busca essencial do
homem».
CIC 2566
15ª sessão – O conceito de Deus
nas outras religiões
Sumário:
1.
Considerações gerais
2.
O Hinduísmo
2.1 – Generalidades sobre o Hinduísmo
2.2 – O conceito de Deus no Hinduísmo
3. O Budismo
3.1 – Generalidades sobre o Budismo
3.2 – O conceito de Deus no Budismo
4. O Islamismo
4.1 – Generalidades sobre o Islamismo
4.2 – O conceito de Deus no Islamismo
5. O Judaísmo
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
5.2 – O conceito de Deus no
Judaísmo
6. O conceito de Deus nas
outras religiões
7. Critério de valoração das
religiões:
breve
abordagem
8. Bibliografia recomendada
(E.F.C. 15)
1. Considerações gerais
1 – Considerações gerais
O que é a religião?
Deriva do latim religio, que, segundo o escritor cristão Lactâncio (sécs.
III-IV), deriva do verbo religare (“ligar”).
Indica a relação que o homem tem com Deus e que
se concretiza na história num conjunto de crenças
e de actos cultuais e rituais; desta forma, não
existe a religião em si mesma, mas as «religiões».
Algumas tipologias de religião:
- NATURAIS / REVELADAS: as naturais são as que provêm da busca
do Homem; as reveladas são as que tiveram a sua origem na
manifestação de Deus (judaísmo e cristianismo) ou na convicção de que
Deus Se manifestou de modo especial (islamismo).
- ÉTNICAS / UNIVERSAIS: étnicas são as que se confinam a grupos
ou nações; universais são as que ultrapassam a área nacional
estendendo-se a outras nações.
1 – Considerações gerais
-MONOTEÍSTAS / POLITEÍSTAS: as monoteístas são as que
adoram um único Deus (do grego mónos, “um só” + theos, “deus”); as
politeístas são as que adoram diversas divindades; há ainda as
enoteístas, isto é, aquelas que afirmam a existência de um só Deus,
mas não excluem a possibilidade de outras divindades. As grandes
religiões monoteístas são: judaísmo, cristianismo e islamismo; Os
elementos essenciais do Monoteísmo são: Deus é único e criador de
tudo. O monoteísmo pode ainda ser abraâmico (exemplo, o cristianismo) ou nãoabraâmico (por exemplo, o siquismo), se tem como referência inicial a figura de
Abraão ou não, respectivamente.
- RELIGIÕES DO
LIVRO:
são
consideradas
nesta
tipologia o judaísmo
(que tem a Tanak), o
cristianismo (tem a
Bíblia) e o Islamismo
(que possui o Alcorão).
Embora se
considere
o cristianismo
uma
Religião do Livro,
não o é!
O essencial do cristianismo
não é o Livro, mas sim uma
Pessoa:
JESUS CRISTO
1 – Considerações gerais
Quanto à CLASSIFICAÇÃO GEOGRÁFICA. Agrupa as religiões com base
em critérios geográficos, como a concentração numa determinada região ou o
facto de certas religiões terem nascido na mesma região do mundo (não tem a ver
com a distribuição espacial hoje). As categorias mais empregues são as seguintes:
Religiões do Médio Oriente: judaísmo, cristianismo, islamismo, zoroastrismo, fá
bahá’i; do Extremo Oriente: confucionismo, taoísmo, budismo mahavana e
xintoísmo; da Índia: hinduísmo, jainismo, budismo e siquismo; africanas: religiões
dos povos tribais da África negra; da Oceania: religiões dos povos das ilhas do
Pacífico, da Austrália e da Nova Zelândia; e religiões da Antiga Grécia e Roma.
As oito principais religiões são todas originárias da Ásia (hinduísmo, budismo,
judaísmo, cristianismo, islamismo, taoísmo, xintoísmo e animismo).
Distinção entre RELIGIÕES, SEITAS e NOVOS MOVIMENTOS
RELIGIOSOS (NMR). SEITA provém do latim seco, cortar, trata-se de um
grupo separado de uma Igreja ou religião histórica e com o qual não é possível
nenhum tipo de aproximação; seita pode vir também de sequere, isto é, de seguir,
o seguimento que os adeptos fazem do seu mestre ou das suas doutrinas; «seita»
apresenta carga pejorativa, por isso nenhum grupo religioso se aceita como tal!
NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS são aquele conjunto de grupos, mais ou
menos religiosos, que nasceram à margem das grandes religiões históricas e que
são novos nas suas práticas ou formas de associação.
1 – Considerações gerais
As religiões hoje:
Principais Religiões da Actualidade
Fonte: Agenda
Missionária;
Editorial
Missões 2009
Distribuição geográfica
1 – Considerações gerais
Os conceitos de Deus:
CONCEPÇÕES DE DEUS: ao longo da história surgiram várias concepções de
Deus, por exemplo: TEÍSMO, ATEÍSMO, DEÍSMO, AGNOSTICISMO,
PANTEÍSMO. Panteísmo (pan-tudo; theos-Deus) – tudo é Deus; Deus impessoal e
confundido com o mundo; Deísmo: admite um Deus Criador, mas que depois não se
interessou mais pelo mundo e o abandonou às leis físicas naturais; assim, nega a
providência divina;
Agnosticismo: impossibilidade de demonstrar a existência (ou
inexistência) de Deus, pelo que estão abertos à sua existência; na prática, é um ateísmo;
Ateísmo: nega a existência de Deus; o Universo é produto das leis de desenvolvimento da
matéria em evolução. TEÍSMO: do grego theós, “Deus”. Designa um pensamento que
defende a existência de um Deus (contra o ateísmo), que deve entender-se como ser
absoluto e transcendente ao mundo (contra o panteísmo), pessoal e vivo, que continua a
agir mesmo depois da criação no mundo (providência) e o mantém (contra o deísmo). Outras
formas religiosas: Animismo é uma tentativa de explicação dos fenómenos da natureza. Pode ser
entendido como Religião quando leva o homem ao culto de adoração. Magismo (Magia) é a crença em
forças ou poderes ocultos impessoais. Manismo - culto às almas dos defuntos. Totemismo - crê-se que
há um parentesco entre o clã e uma espécie animal ou vegetal. Assim sendo, as religiões podem
ser TEÍSTAS e NÃO-TEÍSTAS. A busca de Deus é comum a todas as religiões,
todos procuram Deus embora nem sempre o saibam, nem tenham esse nome, ou
O neguem… «Deus» é o essencial em todas as religiões!
2. O Hinduísmo
2.1 – Generalidades sobre o Hinduísmo
O termo
«Hinduísmo»:
Distribuição
geográfica:
O termo «hinduísmo» deriva do persa hindu (nome do rio
Indo), indica um grupo de religiões afins entre as mais
antigas do mundo (meados do segundo milénio a.C., à volta de
3000a.C.), difundidas sobretudo na Ásia Meridional (Índia,
Paquistão, Bangladesh e Nepal.
É a terceira maior religião em número de adeptos, à volta
de 877 milhões.
A Índia, a Ilha Maurícia e o Nepal assim
como a ilha indonésia de Bali têm como
religião
predominante
o
hinduísmo;
importantes minorias hindus existem em
Bangladesh (11 milhões), Myanmar (antiga
Birmânia) (7,1 milhões),
Sri Lanka (2.5
milhões),
Estados Unidos (2,5 milhões),
Paquistão (4,3 milhões), África do Sul (1,2
milhões), Reino Unido (1,5 milhão), Malásia
(1,1 milhão), Canadá (1 milhão), Ilhas Fiji
(500 mil), Trindade e Tobago (500 mil),
Guiana (400 mil),
Holanda (400 mil),
Singapura (300 mil) e Suriname (200 mil).
2.1 – Generalidades sobre o Hinduísmo
O símbolo do
Hinduísmo:
Fases do
Hinduísmo:
Textos
sagrados:
Páginas dos Vedas
O Om (ou Aum) é o mais importante símbolo
religioso do Hinduísmo, e significa o Espírito
Cósmico.
Na história milenar do hinduísmo distinguem-se três
momentos ou fases fundamentais: 1º VEDISMO; 2º
BRAMANISMO; 3º HINDUÍSMO PROPRIAMENTE DITO (ou
hinduísmo popular). Esta última é a religião praticada pela
maioria dos hindús.
Possui alguns textos sagrados, definidos como fontes
principais dos seus ensinamentos e costumes. Escritos em
sânscrito, dividem-se em duas categorias: a revelação (shruti)
e a tradição (smriti). Ao primeiro grupo pertencem os Vedas,
tidos como verdadeiro depósito das verdades eternas,
transcendentes, infalíveis; também influenciaram o jainismo,
siquismo e budismo; Vedas significa conhecimento; existem quatro
vedas: Rig Veda; Sama Veda; Yajur Veda; Atharva Veda; e
também obras de comentários aos Vedas, como Brahmana
Aranyaka, Upanixadas, Vedantas. Ao segundo grupo pertencem
textos que contêm aforismos (Sutra), lendas antigas (Purana; é
famosa a colectânea Bhagavatá-Purana) e poemas épicos.
2.1 – Generalidades sobre o Hinduísmo
Os valores
fundamentais:
Os estados ou
fases da vida:
Os cultos e
rituais:
O hinduísmo admite quatro valores fundamentais: 1º - Kama (desejo,
paixão); 2º - Artha (bem-estar, sucesso); 3º - Dharma (dever); 4º Moksha (libertação, afastamento de tudo o que é material).
O hinduísmo admite quatro fases ou estágios da vida (Ashramas): 1ª O
discipulado ou da instrução, brahmacharya ("pastar em Brahma") é
passado em celibato, sobriedade e pura contemplação dos segredos da
vida sob os cuidados de um Guru, solidificando o corpo e a mente para as
responsabilidades da vida. 2ª Estado do casamento, da família e
profissão; Grihastya é o estágio do chefe de família, alternativamente
conhecido como Samsara, em que se casa para satisfazer kama e trabalha
para satisfazer o artha; 3ª Ocupação de coisas anteriormente
abandonadas, fase mais espiritual, mais madura; Vanaprastha é o
gradual desapego do mundo material, ostensivamente entregando seus
deveres aos filhos e filhas, e passando mais tempo em contemplação da
verdade, e em peregrinações santas; 4ª Concentração na procura
religiosa, no Sanyasa, o indivíduo vai para reclusão, geralmente em uma
floresta, para encontrar Deus através da meditação Yogica (Yoga) e
pacificamente libertar-se de seu corpo para uma próxima vida.
•O principal elemento é o sacrifício, consiste numa cerimónia longa, cujo
momento culminante é o lançamento das oferendas ao fogo; consistem em
grãos de arroz, leite, manteiga, pedaços de animais imolados…; parte das
oferendas é lançada ao fogo e a restante é consumida pelos sacerdotes e
pelos crentes que a eles recorreu para a celebração do ritual;
2.1 – Generalidades sobre o Hinduísmo
Os cultos e
rituais
(cont.):
•Culto das imagens sagradas (deva-puja) é a expressão mais comum da
religiosidade popular; em cada casa hindu, num pequeno compartimento
venera-se as divindades tutelares e outros deuses; somente a imagem
consagrada pode receber o culto; com a consagração a divindade desce à
imagem e transforma-a numa espécie de incarnação divina; por isso a imagem
consagrada não é inerte, mas acredita-se que nela palpita a presença divina,
por isso a elas dirigem orações e ofertas;
• Outras manifestações: celebração de festas religiosas durante o ano (Holi,
Divali, Dasara, etc), peregrinações a lugares sagrados (como o banho no Rio
Ganges), etc.; há ritos apropriados para solenizar um nascimento, casamento
ou funeral; Reverenciam a vaca, que é considerada como mãe da terra,
símbolo da fertilidade do solo, alimentar a vaca é visto como uma espécie de
veneração; rapam a cabeça, para mostrar que a pessoa está mais interessada
na beleza da alma do que a do corpo; a pintura na testa e no nariz é tilaka,
feita com argila especial proveniente dos rios sagrados da Índia… Especial
relevo tem o ioga e meditação transcendental, a pessoa pode transcender
este mundo de ilusões e atingir a iluminação, a libertação final; os mantras
também ajudam (pequenas fórmulas sagradas, que se crê com poder mágico e
recitam-se com frequência)…
Mahatama Gandhi (1869-1948). Foi uma das grandes figuras de toda a história
Mahatma Gandhi:
hindu; defendeu o princípio da não-violência; Mahatama significa «alma grande»;
liderou grandes protestos, como a Marcha do Sal (em 1930); era contra a divisão da
Índia e dois Estados, como aconteceu, com a Índia e o Paquistão.
2.1 – Generalidades sobre o Hinduísmo
Crenças
fundamentais:
São as seguintes: 1ª Crença na Trimurti (como veremos no ponto
2.2), que personifica a tríplice personificação do absoluto:
Brahma (o criador), Vixnu (o conservador) e Xiva (o destruidor),
com as respectivas divindades femininas; 2ª Crença na
reincarnação da vida humana, quando não atinge a “libertação”;
3ª Crença nos livros sagrados (como vimos); 4ª Crença na divisão
em castas.
2ª Crença na reincarnação da vida humana: o mundo está sujeito a um contínuo ciclo
de criação, conservação e dissolução (samhara); a finalidade disto é o dar oportunidade às
almas para descontarem as consequências das suas acções das vidas passadas, karma e
assim chegar à libertação final, incorporação na divindade (moksha); essa lei de retribuição
chama-se lei do karma: a alma reincarna para sofrer as consequências das suas acções
passadas, boas ou más; pode reincarnar numa pessoa, animal, vegetal ou mineral.
4ª Crença na divisão em castas: aos quatro filhos de Brahma corresponde quatro
castas, com normas rígidas de permanência em cada casta: brâmanes (sacerdotes,
religiosos…), xâtrias (nobres, guerreiros e autoridades), vaixiás (mercadores, artesãos,
trabalhadores rurais) e sudras (servos..); abaixo estão os intocáveis ou párias, considerados
inferiores, não dignos de uma casta; a quebra das normas rígidas entre castas, determinava
ficar pária; embora a intocabilidade seja, desde 1948, proibida na Índia, os párias
continuam a ter muitas poucas condições de vida. O nascimento de uma pessoa dentro de
uma casta é resultado do karma produzido em vidas passadas. Só os brâmanes podem
realizar os rituais religiosos.
2.2 – Conceito sobre Deus no Hinduísmo
Os deuses hindus:
BRAHMA, o criador. Tem quatro braços e nas mãos ele segura uma flor de
Lótus, seu Ceptro, colher, um rosário, um vaso contendo água benta e os Vedas . O
veículo de Brahma é o cisne "Hans-Vahana", o símbolo do conhecimento. A esposa
de Brahma é Saravsti, a Deusa da Sabedoria. Na Índia, Brahma é pouco cultuado,
pois na visão hindu, sua função já se acabou depois que o universo foi criado. As
lendas sobre Brahma não são tantas nem tão ricas quanto as de Vishnu e Shiva.
Para Vishnu e Shiva, existem incontáveis templos de adoração, mas para Brahma,
apenas um, que fica no lago Pushkar em Ajmer.
SHIVA,
VISHNU,
conservador
o
é
considerado como o deus
maior no hinduísmo e na
mitologia indiana. Ele é
tido como o preservador
do universo, enquanto os
dois
outros
deuses
maiores,
Brahma
e
Shiva, são considerados
os
criadores
e
destruidores do universo,
respectivamente.
Os
seguidores de Vishnu são
chamados Vaishnavites.
o
destruidor
é
a
personificação
das
transformações,
simbolizando
a eterna
mutação
do
universo, que consiste na cíclica destruição
e criação. O processo cósmico é a morte e
a ressurreição, eterna renovação da vida.
Dentro de nós mesmos, a acção de Shiva
seria a de morrer para nosso velho corpo e
renascer a um novo ciclo da vida. A dança
tem por tema a actividade cósmica, a
eterna transformação. As cinco actividades
divinas de Shiva são: a criação contínua do
universo,
originada
no
ritmo;
a
conservação, baseada no equilíbrio e na
medida dos movimentos; a destruição das
formas já superadas, mediante o fogo
interior; a eterna renovação; a encarnação
da vida.
2.2 – Conceito sobre Deus no Hinduísmo
Os deuses hindus (cont.):
Seguem-se outros deuses hindus, de menor importância.
GANESHA
“Senhor de
Todos os Seres”.
É filho do
Senhor
Shiva e
de Parvati.
é o Mestre do
Conhecimento,
da Inteligência
e da Sapiência.
LASHIMI
Deusa
da saúde
e
prosperidade,
tanto
material
quanto
espiritual.
SHAKT
É a força
e a energia
nas quais
o universo
é criado,
preservado,
destruído
e recriado.
DURGA
SARASVATI
Representa a
Deusa
força
protectora
do ser supremo
dos que
que
representa a
lidam com
ordem
a arte
moral
eo
e a correcção
conhecimento.
da criação.
RADHA e
KRISHNA
Radha é a
Alma,
Krishna é o
Deus.
Ambos
foram
amantes.
2.2 – Conceito sobre Deus no Hinduísmo
• O hinduísmo começou por ser um politeísmo naturalístico. Na primeira parte dos
Vedas rende-se culto a milhares de deuses, na sua maioria, personificações de
fenómenos naturais: o sol e o céu, o vento e a chuva, a terra e o fogo.
• O hinduísmo evoluiu depois (anos 800-300a.C.) para a crença num único deus,
geralmente denominado Brahman (ou Atman); é considerado a realidade autoexistente, a origem e o fim de tudo quanto existe, é o Absoluto, sem forma, de
forma que tudo contém e que não é contido por nada, primeiro sem segundo; tudo
é deus, deus é tudo (panteísmo);
• No início só Brahman existia; tudo o resto era silêncio; houve a primeira
vibração, OM (ou AUM), o som primordial e a partir deste todo o universo foi
criado; é o som mais sagrado para os hindus e semente de todos os mantras e
orações; Brahaman é a essência pura, Deus sem atributos; Brahaman realiza-se
a si mesmo e torna-se Brahma, Vishnu e Shiva, os três principais deuses hindus,
a tríade hindu ou trimurti; a energia latente que existe dentro de Brahma, quando
libertada na criação do universo, toma a forma de maya (ilusão),sendo captada pelos
sentidos humanos;
• A doutrina do avatara: Deus desce repetidamente em forma visível, com intuitos salvíficos,
ao meio dos homens, é a «incarnação divina; revela profundos valores religiosos: um Deus que
está interessado pelas suas criaturas; contudo, esta crença não goza no hinduísmo a
centralidade que no cristianismo se dá ao dogma da incarnação.
3. O Budismo
3.1 – Generalidades sobre o Budismo
O termo
«Budismo» :
O termo designa a religião actualmente mais difundida na
Ásia e deriva do alto título do seu fundador, Buda («o
acordado» ou «iluminado»).
Distribuição
geográfica:
É a quarta maior religião em
número de adeptos, à volta de
382 milhões. Do Nepal, terra de
Buda, o budismo espalhou-se
através da Índia, Ásia, Ásia
Central, Tibete, Sri Lanka (antigo
Ceilão), Sudeste Asiático como
também para países do Leste
Asiático,
incluindo
China,
Myanmar, Coreia, Vietname e
Japão. Hoje o budismo encontrase em quase todos os países do
mundo,
amplamente
divulgado
pelas diferentes escolas budistas.
3.1 – Generalidades sobre o Budismo
O seu
fundador:
Sidharta Gautama, que viveu de 560 a 480 a.C., no nordeste
da Índia. Era filho de um rajá, cresceu rodeado de luxo,
ainda jovem, desposou uma prima; aos 29 anos, aventurou-se
fora do palácio, apesar das proibições do pai e viu um idoso,
um enfermo e um cadáver em decomposição; ao regressar,
renunciou à sua vida de príncipe e sem se despedir abandonou
a mulher e o filho e partiu para uma vida «errante»; Buda
começou por viver asceticamente; depois entrou na via da
meditação; aos 35 anos, alcançou a iluminação, sentado
debaixo de uma figueira e tornou-se Buda (iluminado); a
ILUMINAÇÃO consistiu no seguinte: a conclusão a que
chegou era de que todo o sofrimento do mundo era causado
pelo desejo e pela ânsia; apenas suprimindo o desejo se
poderá escapar a encarnações futuras; durante sete dias e
sete noites Buda esteve sentado sob a sua árvore de
iluminação; adquiriu a compreensão de uma realidade não
transitória, mas absoluta acima do tempo e do espaço,
estado conhecido como nirvana; o deus Brama incitou-o a
divulgar os seus pensamentos, Buda decidiu ser o guia da
humanidade; fixou-se em Benares e começou a ensinar aos
homens a sua doutrina.
3.1 – Generalidades sobre o Budismo
Fundamentos
do budismo:
Estão expostos na sua Pregação em Benares:
• As “quatro nobres verdades” sobre o sofrimento: 1ª Viver é sofrer; de facto, a dor acompanha o nascimento, a
velhice, a doença, a morte, etc. (=diagnóstico); 2ª - A dor
nasce não só do apego à vida e aos seus prazeres, mas
também do desejo de sobreviver à morte (= causa da doença
é o desejo); 3ª - A dor destrói-se extinguindo a sede de
viver (= a doença é curável); 4ª - A via, que conduz à
libertação da dor, percorre-se observando oito formas de
rectidão (“senda óctupla”, ou «Caminho das Oito Vias» = o
remédio); por isso, Buda assume um papel de clínico e por
causa disto, os budistas descrevem-no como «o grande
médico».
• As Oito vias são: recta fé, recta decisão, recta palavra,
recta acção, recta vida, recto esforço, recto pensamento e
recta concentração.
•A auto-contemplação constitui o meio de o budista alcançar
o controlo completo sobre a mente e o corpo. É neste ponto
que pode aspirar à total iluminação (bodhi) e, a posteriori, a
libertar-se da lei do karma, chegando ao nirvana.
3.1 – Generalidades sobre o Budismo
A ética do
budismo:
A
rectidão das ideias deve ser acompanhada por um
comportamento rigoroso; chega-se a isso pela observância
de dez prescrições, cujas primeiras cinco obrigam também
budistas leigos. São:
1) Não matar; não se deverá prejudicar nem o semelhante, nem
os animais, embora o homem seja o mais importante; o aborto
e o suicídio são por isso proibidos;
2) Não tomar o que não foi dado; refere-se também às
falsificações de todo o género;
3) Não cometer adultério; engloba também a violação, incesto,
homossexualidade;
4) Não mentir; refere-se também à detracção, bisbilhotice,
fúria e conversa desaforada; permanecer em silêncio faz
parte da linguagem correcta;
5) Não tomar bebidas alcoólicas (ou drogas); contudo, não é
tão rigoroso quanto à ingestão de álcool como o Islamismo.
A lei do
karma:
Aplica-se o que se disse no Hinduísmo.
3.1 – Generalidades sobre o Budismo
Monges,
freiras e
laicado:
Culto e festas
religiosas:
Buda deixou para trás o sistema de castas e criou uma nova
ordem, a sociedade monástica. É necessário deixar para trás
todas as preocupações relacionadas com a vida familiar e social.
Os monges e freiras levam vida de pobreza, sendo a mendicidade
encarada como uma honra; para os leigos, é uma honra dar
esmolas aos monges; mas os monges também catequizam os leigos
sobre os ensinamentos de Buda; as pessoas comuns também podem
passar algum tempo num mosteiro para meditação; em alguns
países, como Myanmar e Tailândia, é costume os rapazes
passarem algum tempo num convento aprendendo a doutrina
budista.
Em tempos mais remotos, o culto religioso consistia na veneração das
relíquias de Buda e outros homens santos; eram guardadas em
pequenos montes de terra (stupas) que evoluíram para os edifícios
circulares em forma de sino: pagodes. Desde o séc. I a.C. tornou-se
comum produzir imagens de Buda, que existem em toda a parte nos
países budistas; em qualquer destes locais, o devoto budista fará a
sua confissão – a fórmula de refúgio das três vias ou «As Três
jóias»: procuro refúgio no Buda; procuro refúgio na doutrina; procuro
refúgio na comunidade monástica. A festa religiosa mais importante é
a do nascimento de Buda (em Abril ou Maio, por altura da lua cheia),
que se supõe ser o dia da iluminação de Buda e sua entrada no
Nirvana.
3.1 – Generalidades sobre o Budismo
As duas
correntes
principais no
budismo:
São: a Theravada («escola dos Anciãos»), que
domina no Sul (Sri lanka, Myanmar,
Tailândia, Camboja e Laos); e a Mahayana
(«Grande Veículo») que prevalece no Norte
(China, Tibete, Mongólia, Vietname, Coreia e
japão.
THERAVADA. Esta escola acredita representar o
Budismo na sua forma original; de acordo com
Buda, realça a salvação individual através da
meditação; não existindo um deus que liberta
o homem do ciclo, é ao homem que compete
salvar-se a si próprio; é uma religião de
auto-redenção; Buda é um mestre e guia da
humanidade;
Estátua
theravada de
Buda
Monge Mahayana
em prece
MAHAYANA. Esta escola acredita que Buda é
mesmo o salvador, e não apenas um guia; isto
é importante, pois implica que os monges não
são os únicos que têm hipótese de se
salvarem; também os leigos poderão devotarse a Buda e alcançar a redenção pela sua
graça.
3.2 – Conceito sobre Deus no Budismo
• Buda não negou a existência de deuses; até porque foi um deus que
instigou Buda a ensinar a sua mensagem; Buda não é assim um ateu no sentido
ocidental;
• Contudo, o budismo é considerado uma religião não-teísta; de facto, Buda
ensina que existem vários “deuses” (devas), que são apenas seres celestiais
que habitam temporariamente e mundos celestiais de grande felicidade; mas
estão sujeitos à morte e eventual renascimento em reinos inferiores de
existência; nas escrituras Pali, Buda trata como «algo vão e vazio» o facto de
os brâmanes possam ensinar aos outros a união que eles nunca viram, pois
nunca viram a Brahma face a face; não há negação de Brahma, mas este está
sujeito ao ciclo de reencarnações; o “conceito de Deus” não faz parte da
doutrina Pali de Buda sobre a libertação do sofrimento ─ embora alguns
vejam na noção de “Nirvana” alguma relação com um Absoluto
transcendental e impessoal.
• Na corrente de Mahayana a ideia de uma Base do Ser, e é tida como
atemporal, inerente a tudo, que tudo sabe, incriada e incessante é promulgada
em diversos textos, em que se poderia destacar a concepção do panteísmo.
• Em resumo, para Buda, não era importante a existência ou não de deuses;
contudo, o que Buda procurava era a verdade, o sentido da vida era alcançar o
que ele chamava de Nirvana, embora não o soubesse procurava a Deus!
4. O Islamismo
4.1 – Generalidades sobre o Islamismo
O termo
«Islamismo» :
Distribuição
geográfica:
O termo deriva do verbo árabe aslama, que significa
«submeter-se (a Deus», tudo na vida deve ser submetido a
Deus. Indica a religião fundada por Maomé no início do séc.
VII d.C., precisamente a partir do ano 622, quando Maomé
(570-632) migrou (Hegira) de Meca para Medina.
É considerado a segunda religião do mundo (com
cerca de 1339 milhões de seguidores), a seguir
do cristianismo ou a segunda se considerarmos a
divisão dos cristãos, ficando à frente do
catolicismo romano. Cerca de 45 nações têm
uma população maioritariamente muçulmana e
outras 30 têm comunidades significativas; na
Europa,
a
Albânia
e
o
Kosovo
são
predominantemente muçulmanos, a Bulgária, a
Bósnia, a Macedónia e a Geórgia têm
comunidades significativas; em França, há cerca
de 4 milhões de muçulmanos, na Alemanha, 3
milhões, na Grã-bretanha, 1,7 milhões, na
Espanha e Holanda, cerca de 500 mil em cada,
na Bélgica cerca de 300 mil; em Portugal são
entre 30 a 40 mil. A nação com maior número
de muçulmanos é a Indonésia, com cerca de
113 milhões.
4.1 – Generalidades sobre o Islamismo
O seu
fundador:
O Profeta Maomé,
recitando o Alcorão em
Meca (grav. século XV)
O Alcorão:
Maomé. Nasceu em Meca, na actual Arábia Saudita, em
570d.C. Órfão em criança, foi criado pelo avô, e mais
tarde pelo seu tio; trabalhou com mercador, casou-se
com 25 anos; no Monte Hira, à saída de Meca, recebeu
em 610 a primeira revelação de Deus, feita pelo arcanjo
Gabriel; a partir de 613 proclamou-a ao povo politeísta
de Meca, mas não teve grande acolhimento; os seus
ensinamentos levaram a que fosse perseguido; em 622,
Maomé, já viúvo, aceitou o acolhimento do povo de
Mediana e foi para aí; essa migração chama-se hégira e
assinala o começo da era islâmica. Morreu em 632, aos
62 anos de idade.
Contém as revelações que o profeta recebeu, expressão da
vontade de Alá (Deus). A mesma mensagem tinha já sido
comunicada a outros profetas mais antigos, como a Moisés e
a Jesus, mas as comunidades anteriores – pensa Maomé –
corromperam aquilo que lhes tinha sido transmitido; assim, o
Alcorão expressa, sem defeito a palavra de Deus; ele
pretendia que o Alcorão não fosse traduzido e qualquer outra
língua, podendo ser apenas interpretado; divide-se em 114
capítulos (suras) e estas em versículos (ayat’s).
4.1 – Generalidades sobre o Islamismo
As fontes da lei
islâmica
(xariá):
São: o Alcorão, a Suna (colectânea de factos, ditos e aprovações
tácitas do profeta, que completa a revelação), o consenso dos
teólogos, representantes da comunidade e o raciocínio analógico,
aplicado para resolver casos não previstos nas fontes anteriores.
Actualmente a religião islâmica é representada pelos sunitas (cerca de 90%) e pelos
xiitas (cerca de 9%) e outras seitas menores (como os drusos, com cerca de 1%). A
divisão remonta à morte de Maomé, que não deixou sucessor; surgiu a cisão entre
sunitas (encabeçados por Abu Bark, o primeiro califa eleito por maioria de votos; daí
«aqueles que seguem o líder») e xiitas (encabeçados por Ali, primo (ou genro?) de
Distribuição de Muçulmanos Sunitas e Xiitas
Maomé, daí «partido de Ali»).
Divisões do
islamismo:
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Os sunitas têm por fundamento, além do Alcorão, a
Suna; os sunitas, apesar de respeitarem Ali, não o
consideram como o único verdadeiro continuador da
tradição de Maomé, ao passo que os xiitas, sim; os
sunitas dão grande importância a peregrinação a
Meca, enquanto os xiitas valorizam outras
peregrinações também; os xiitas acreditam nos imãs
descendentes de Maomé e Ali, que são vistos como
seres com algo de divino; os sunitas, por seu lado,
acreditam em tradições baseadas em escolas
teológicas e jurídicas que envolviam analogias do
Corão; os sunitas representam, segundo crêem, a
interpretação correcta do Islão. ao passo, que
outras (segundo crêem) se desviam desta.
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% Xiita
% Sunita
76 a 99
51a 75
26 a 50
1 a 25
Menos de 1
Produção: Global Mapping International (719) 531-3599
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76 a 87
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51 a 75
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26 a 50
1 a 25
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4.1 – Generalidades sobre o Islamismo
Os cinco
pilares do
Islão:
Torre de mesquita
Exige-se de cada muçulmano o cumprimento de cinco prescrições
fundamentais de culto, que sustentam e estruturam a vida islâmica: 1º
pilar: a Shahada, ou seja a profissão de fé que consiste na recitação da
fórmula: «Não há Deus além de Deus e Maomé é o seu profeta»; 2º pilar:
a Salat, ou seja, as orações estipuladas que os islâmicos devem dizer na
direcção da Caaba (o santuário sagrado no centro da mesquita, em Meca),
cinco vezes por dia (perto da alvorada, ao meio-dia, à tarde, ao sol poente
e à noite); só é feito depois de se purificarem; o anúncio da oração é
feito a partir dos minaretes (torres das mesquitas); 3º pilar: o sawn, que
é o jejum quotidiano que se faz no mês do Ramadão e deve ser cumprido
desde a aurora até ao pôr-do-sol; não comem nem bebem durante o dia,
nem há intimidade sexual nessas horas; o Ramadão termina com o Id alFirt, a Festa da Quebra do Jejum, em que se fazem orações e se trocam
prendas. 4º pilar: a zakat, ou seja, a esmola, geralmente constituída por
um quadragésimo dos rendimentos anuais, destinados aos pobres e causas
de beneficiência; 5º pilar: a hégira, ou peregrinação a Meca, que todos os
muçulmanos devem tentar ao menos uma vez na vida; esse peregrinação
dá-se no 12º mês islâmico. A estes costuma-se acrescentar a guerra santa
(jihad); contudo, o Alcorão não santifica a guerra; desenvolve a noção de uma guerra
justa de auto-defesa para proteger valores decentes, mas condena o homicídio e a
agressão.
A Kaaba, construção na
mesquita de Meca, onde se
encontra a Pedra Negra
As acusações de extremismo ao mundo islâmico não têm
sentido, pois os ataques terroristas são condenados pelo
Alcorão e são fruto de alguns grupos radicais!
4.1 – Generalidades sobre o Islamismo
Crenças do
Islão:
O Islão ensina as seguintes crenças principais: a crença em Alá,
único Deus existente (como veremos no ponto 4.2); crença no
paraíso e no inferno, nos anjos e demónios, na imortalidade das
almas, no juízo final e na ressurreição da carne e na fé dos
profetas (de Adão a Maomé, passando por Jesus, sendo Maomé
o maior de todos). Muitos destes aspectos são comuns com o
cristianismo, a que se pode juntar a veneração pela Virgem
Maria. Uma diferença essencial: para eles, Jesus é apenas um
grande profeta, suplantado por Maomé.
Outros
aspectos:
O Islão, que nas suas origens se liga tanto ao judaísmo como ao
cristianismo, considera-se o descendente e herdeiro de Ismael
e, portanto, de Abraão (cf. Gn 16, 21).
Para os muçulmanos, o dia festivo é a sexta-feira, dia em que
os muçulmanos se dirigem às mesquitas para escutar um sermão
e para orar.
Quando vão na rua, os muçulmanos levam consigo os rosários,
que têm habitualmente 99 contas, cada uma com um dos Mais
belos Nomes de Deus; enquanto desfiam o rosário, murmuram
um nome por conta; se se esquecem de algum, dizem: Alá.
4.2 – Conceito sobre Deus no Islamismo
• Desde o primeiro momento no Monte Hira, Maomé recebeu a compreensão
fundamental de que, se Deus é Deus, não pode haver relatos competitivos acerca de
«quem é Deus», nem relatos sobre deuses rivais. Só pode haver Deus, e por essa
razão se Lhe chama Alá, «o que é Deus»;
•Assim sendo, não pode haver religiões que rivalizem, nem pessoas divididas e em posições
que se contradigam – todos vêm de Deus e para Ele regressam, após a morte, passando por
um julgamento exacto das suas acções; assim, toda a gente deveria formar uma só ummah,
ou comunidade e cada acção ou aspecto da vida devia testemunhar que «não há outro Deus
senão Deus, e Maomé é o seu mensageiro»; os muçulmanos não adoram Maomé, ele é o maior
profeta, mas só a Deus se pode adorar; por isso, recusam de ser chamados de maometanos;
•Os Muçulmanos também não acreditam na Trindade, isto é, três pessoas na divindade:
Pai, Filho e Espírito Santo; para eles, Jesus nasceu de Maria, que era humano e não
Deus e nem filho de Deus, ele era um dos grandes mensageiros de Deus; seguem um
monoteísmo estrito.
• Deus é considerado único e sem igual. Cada capítulo do Alcorão (com a excepção de um)
começa com a frase "Em nome de Deus, o beneficente, o misericordioso". Uma das
passagens do Alcorão frequentemente usadas para ilustrar os atributos de Deus é a que se
encontra no capítulo 59: "Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, Que conhece o invisível
e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso! Ele é Deus e não há outro deus senão ele.
Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que
Deus seja louvado acima dos que os homens Lhe associam! Ele é Deus, o Criador, o Inovador,
o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-24).
5. O Judaísmo
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
O termo
«Judaísmo» :
O termo deriva do latim eclesiástico judaismus (do grego
iudaismós), de Judá, uma das tribos de Israel. Hoje o povo é
chamado judeu, a sua língua é o hebraico e sua terra,
Israel. Os judeus não são raça, religião ou nação, embora
tenham essas características. Eles são um povo. O judaísmo
é mais do que religião. É um modo de vida.
Distribuição
geográfica:
Em todo o mundo temos à volta de 15,1 milhões de judeus,
podendo ser considerada a menor das religiões mundiais. Os
judeus estão espalhados por todo o mundo, ao que se dá o
nome de Diáspora (dispersão).
Quem é
«judeu»?
Judeu é todo aquele que segue os princípios do Judaísmo e é reconhecido
como tal pela comunidade judaica. A lei judaica considera judeu todo
aquele que nasceu de mãe judia ou se converteu ao Judaísmo de acordo
com essa mesma lei. Para se converter ao Judaísmo é necessário aderir
aos princípios e às tradições judaicas e passar por diversos rituais,
nomeadamente a circuncisão. Continua a ser considerado judeu aquele
que deixe de praticar o Judaísmo se transforme num não praticante num
judeu que não aceite os princípios da fé e se torne agnóstico ou ateu; mas
deixa de ser judeu aquele que se converter a outra religião, como o
Budismo ou o Cristianismo, perde o lugar como membro da comunidade
judaica.
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
Os livros
sagrados do
Judaísmo:
A Torá ou Pentateuco, é considerado o livro mais sagrado que
foi revelado directamente por Deus. Fazem parte da Torá :
Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronómio.
- O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é
dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e
Comentários.
TANAK – BÍBLIA HEBRAICA
Torah (Lei)
Neviim (Profetas)
Ketuvim (Escritos)
Génesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronómio
Josué
Juízes
Samuel
Reis
Isaías
Jeremias
Ezequiel
Oseias
Joel
Salmos
Job
Provérbios
Rute
Cântico dos
Cânticos
Eclesiastes
Amós
Abdias
Jonas
Miqueias
Naum
Habacuc
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias
Lamentações
Ester
Daniel
Esdras
Neemias
Crónicas
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
Tendências
actuais do
judaísmo:
Está marcado por quatro grandes tendências: Judaísmo ortodoxo: observa toda a
Torá conforme foi dada a Moisés; Judaísmo conservador: a Torá deve ser adaptada
conforme os tempos e situações; Judaísmo reformador: a Torá é apenas fonte de
ética e não revelação divina e a era messiânica começou com a criação do Estado de
Israel; Judaísmo liberal: o Reino de Deus na Terra deve realizar-se pelo exemplo de
vida do povo de Israel. Os asquenazim e os sefarditas são divisões no judaísmo.
Alguns
Símbolos
sagrados:
mezuzza
Menorah
Chanukiá
É um dos mais
antigos símbolos da
fé judaica. É um
candelabro
com
sete braços, que
simboliza
o
Judaísmo
e
o
estado de Israel e
da sua missão, que
é a de ser a luz
entre as nações.
é um candelabro de
nove braços, usado
durante os oito
dias do feriado
judaico de Chanuká,
também chamado de
Festa das
Luzes.
Contém um rolo de
pergaminho com o
shema É fixado no
umbral
de
todas
casas.
Segundo
a
tradição
judaica,
sempre que se entra
numa casa com um
mezuzza à porta, é
necessário beijar os
dedos e tocar no
mezuzza, de forma a
mostrar
amor
e
respeito a Deus e aos
seus Mandamentos..
Estrela de
David
De seis pontas feita
com dois triângulos
equiláteros é símbolo
do Judaísmo desde o
século XVII d.C. Era
o emblema do escudo
do grande rei David.
É o símbolo da
bandeira de Israel.
Sugere a essência
dos ideais judaicos:
a fé judaica e a
sua história.
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
As festas
judaicas (ver EFC
nº 3):
PURIM, espécie de
carnaval judeu
-PURIM ou SORTES (21/3): festa que lembra a vitória da Rainha
Ester e o tio Mordecai contra Haman.
- PESSACH (Páscoa), 20 a 27 de Abril: celebra a passagem dos 400
anos de escravidão no Egipto para a liberdade; não se ingerem
alimentos fermentados;
- SHAVUOT (festa da colheita, 9 e 10 de Junho): celebram-se os
primeiros frutos da terra; comemora-se também o dom da Lei do
Sinai;
- ROSH HASHANA (Ano Novo, 30/9 e 1/10): ano novo judaico;
-YOM KIPPUR (Festa do perdão, 9/10): dez dias após o Ano Novo,
os judeus fazem orações e jejuam por 25 horas, para purificar o
espírito;
-SUCOT (Tabernáculos, 14 a 20/10): lembra os 40 anos de
peregrinação dos judeus ao deixar o Egipto;
- HANNOUKAH ou das LUZES (21 a 29/12): recorda a purificação
do Templo levada a cabo por Judas Macabeu, em 164a.C.
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
O Dia Santo:
Sábado: Dia de repouso; comemora-se o descanso de Javé, após
os seis dias da Criação; começa na 6ª feira à tarde e acaba no
sábado, quando for noite cerrada.
LÍNGUA: O hebraico, é o principal idioma do
Costumes,
hábitos e
rituais
judaicos:
O Kippá (espécie
de chapéu) é o
símbolo distintivo
usado
pelos
judeus
para
manifestar
respeito a Deus.
Judaísmo, utilizado como língua litúrgica. É
actualmente a língua oficial do Estado de Israel. No
entanto, diversas comunidades judaicas utilizam
outros idiomas, como o aramaico - língua que Jesus
falava.
tzitzit, que se prende ao tallit
(espécie de xaile) e é a sua parte
mais importante, serve para lembrar
os judeus do cumprimento dos
Mandamentos;
só pode ser usado por homens
adultos durante as orações da
manhã.
O Tefilin (em hebraico ‫תפילין‬, com raiz na palavra tefilá, significando
"prece") é o nome dado a duas caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira
de couro de animal, dentro das quais está contido um pergaminho com os
quatro trechos da Torah.
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
De acordo com a lei mosaica (lei de Moisés) do Livro de Deuteronómio, os judeus dispõem de
um código alimentício que lhes permite comer apenas determinados alimentos. Ao conjunto
de leis dietéticas do judaísmo dá-se o nome de kashrut. Aos alimentos permitidos pela religião
judaica chama-se kosher.
Entre os alimentos treif (impróprios, proibidos) podemos nomear: a carne de porco; o
camarão; a lagosta; todos os frutos do mar; os peixes que não possuam escamas; a carne
com sangue; e qualquer alimento que misture carne e leite.
Há vários rituais de purificação de vasilhas; A circuncisão dos recém-nascidos; Os templos
são chamados sinagogas e os líderes espirituais de cada comunidade, de rabinos; - Actualmente
tem se popularizado a cabala, a tradição mística judaica.
Calendário
judaico:

O início da contagem do calendário judaico
se refere à criação do mundo. O primeiro
mês é o de Nissan, quando temos a
comemoração de Pessach. Entretanto, o
ano novo judaico ocorre em Tishrei (quando
é acrescentado um número ao ano
anterior).
Nissan 30 dias
Iyar 29 dias
Sivan 30 dias
Tammuz 29 dias
Av 30 dias
Elul 29 dias
Tishrei 30 dias
Heshvan 29/30 dias
Kislev 30/29 dias
Tevet 29 dias
Shevat 30 dias
Adar 29/30 dias
Adar II 29 dias
5.1 – Generalidades sobre o Judaísmo
MAPA DA
CHAMAMENTO DE
ABRAÃO
MAPA DO ÊXODO
CRIAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL
- A partir da segunda metade do século XIX - Sionismo -Voltam para a
Palestina;
- 1ª Guerra Mundial – Palestina ocupada pelo Reino Unido;
- 2ª Guerra Mundial - Perseguição aos judeus – Holocausto
- 1947 – ONU divide Palestina entre Judeus e árabes;
- 1948 – ONU – criação do Estado de Israel;
5.2 – Conceito de Deus no Judaísmo
Os pilares
do Judaísmo:
DEUS:
São: Deus e a Aliança com Israel (povo eleito), a Torá, os
profetas, o Sábado…
DEUS É UNO: existe um só Deus, por isso deve ser o único a
ser adorado; unicidade absoluta de Deus; O monoteísmo
exprime-se na expressão de fé judaica, Shema Israel: Escuta
Israel, o Senhor e só ele é o nosso Deus. Dt 6, 4
-DEUS É CRIADOR;
-DEUS
É
TODO-PODEROSO,
OMNIPOTENTE,
TRANSCENDENTAL, está acima de qualquer coisa;
-DEUS É O SENHOR DA HISTÓRIA: Reconhece a presença
e revelação de Deus nos acontecimentos da história; baseia-se
na Aliança entre Deus e o Seu povo eleito, Israel;
- DEUS NÃO TEM CORPO; Ele não pode ser representado,
não é masculino nem feminino;
- DEUS É ETERNO, ATEMPORAL; existiu e existirá sempre;
- DEUS É OMNISCIENTE E OMNIPRESENTE: conhece
todas as acções e pensamentos dos homens;
- DEUS É JUSTO: premeia todas as acções e todos os
pensamentos e pune os que os transgridem;
- DEUS fará vir o Messias e fará reviver os mortos;
5.2 – Conceito de Deus no Judaísmo
Os nomes de
Deus:
No Judaísmo, o nome mais importante de Deus é o que
conhecemos como tetragrama sagrado: as quatro letras que
formam a palavra Yhwh ‫ יהוה‬Yhwh — Aquele que está
presente — foi o nome com que Deus se apresentou a Moisés
(Ex, 3-14).
Devido à proibição de pronunciar o nome de Deus, por respeito sagrado os
judeus substituíam Yhwh por: Adonai (meu Senhor) HaShem (O Nome) El
(Elevado) Elohim (Altíssimo)…
Por causa disso e ainda porque em hebraico não se escreviam as vogais, a sua
dicção correcta foi esquecida. Quando se passaram a escrever as vogais, os
copistas acrescentaram as vogais de Adonai às consoantes Yhwh, originando a
palavra Jeová. Hoje pensa-se que a pronúncia correcta é Yahwéh.
No judaísmo temos já um
Deus muito próximo do
Deus que adoramos; há
uma diferença substancial:
não reconhecem ainda
Deus como Trino.
6. O conceito de Deus
nas outras religiões
6.1 – O conceito de Deus nas outras religiões
Estátua de
Tirtankara
O JAINISMO tem cerca de
4,2 milhões de crentes,
sobretudo no Norte da Índia.
Ensina que o Universo é
eterno não possui um criador.
Embora existam deuses num
sistema de céus acima do
mundo humano, esses deuses
não se imiscuem nos assuntos
dos mortais e eles próprios
podem deixar de ser deuses,
para voltar a renascer.
Os
Sikhs
estão
espalhados
sobretudo na Índia (Punjabe), onde
constituem 2% da população, cerca
de 17 milhões; fora da Índia, a
maior comunidade é a inglesa com
250000 adeptos.
O SIKHISMO, deriva do sânscrito
sisya, “discípulo”. Nasceu no início
do séc. XVI, da pregação do guru
Nanak (1269-1539). Os eixos do
sikhismo são a crença num Deus
único, sem forma e ao mesmo
tempo transcendente e imanente a
tudo, a abolição das castas e a
procura da unidade religiosa.
O Faravahar, representação da
alma humana antes do
nascimento e depois da morte.
O ZOROASTRISMO é uma
religião pré-islâmica que a
tradição a Zoroastro ou a
Zaratustra;
actualmente
chama-se parsismo (parses),
de “persa”. Professa-se um
predomínio do Senhor Sábio
(Ahura Masda) sobre o
espírito mau Ahriman. Há
uma divisão clara entre o
reino do bem e o reino do
mal (duas divindades, uma do
bem e outra do mal) e cabe
ao homem escolher. As suas
escrituras são o Avesta.
6.1. – O conceito de Deus nas outras religiões
O
O CONFUCIONISMO é um
conjunto de doutrinas religiosas,
éticas e políticas atribuídas a
Confúcio
(Kong
Fuzi)
(551479a.C.). A moral baseia-se na
natureza
humana
e
na
sua
abertura ao divino. Embora não
fale sobre Deus e sobre a vida
futura, o seu silêncio não pode
interpretar-se como falta de fé.
A sua filosofia fundava-se na
religião, e na religião tradicional
do “Senhor da altura” ou “do céu”,
da divindade pessoal suprema.
Ensinou que o céu o protegia ou o
enviava. Religião fundamento do
Estado chinês até 1912, à
república.
TAOÍSMO,
significa
caminho, via, etc. Começou
a ser elaborado a partir de
1112. a.C., mas segundo a
tradição o seu fundador foi
Lao-Tzé (séc. VI a.C.).
Propriamente, não é uma
religião.
Mas
sim
a
explicação
filosófica
do
princípio
fundamental
do
mundo, o Tao (= vida, lei da
natureza,
razão
fundamental….) e do seu
agir no mundo. Deste último
se deduz a conduta moral
que os homens devem ter,
acredita na imortalidade,
inclusive física. A doutrina
moral de Lao-Tse é nobre e
elevada,
mas
pouco
actuante.
O
XINTOÍSMO
deriva
do chinês, que significa
“Via” dos seres espirituais;
é o complexo de concepções
ético-religiosas e costumes
do povo japonês desde a sua
origem; compreende o culto
dos antepassados e da
natureza, das divindades
celestes e o feiticismo.
Esses seres superiores são
os
kami,
que
não
se
concebem
como
préexistentes, omnipotentes e
absolutos, mas apenas como
«forças
espirituais
reconhecidas
como
intervenientes no processo
de nascimento de todas as
coisas do universo».
6.1. – O conceito de Deus nas outras religiões
O BAHAÍSMO tem mais de 6 milhões de
adeptos em todo o mundo. É uma nova
religião,
com
características
universalistas, nascida na Pérsia. O
fundador é Mirza Husáin Ali, que em
1866 se proclamou portador de uma nova
revelação de Deus; por isso, chamou-se
Baha’ulla, “esplendor de Deus”. Os
Bahá'ís acreditam num único Deus, o
criador de todas as coisas, criaturas e
forças do universo. Deus é eterno, sendo
inacessível, compreende tudo e por isso
não pode ser conhecido: é o Todopoderoso, “Suprema Sabedoria”, etc.
Deus expressa Sua vontade de várias
maneiras, incluindo por mensageiros
divinos (Manifestantes ou educadores
divinos).
Essas
manifestações
que
estabelecem religiões no mundo, são uma
forma de Deus educar a humanidade.
NOVA ERA: Toda a
Humanidade,
na
verdade toda a vida,
tudo no Universo. - é
espiritual e está ligado
entre
si.
Tudo
participa da mesma
Energia. Deus é o nome
para esta ENERGIA.
O ANIMISMO deriva
do latim anima, “sopro
vital”.
Entende-se
como a tendência de
certos
povos
primitivos
para
atribuir uma alma não
somente ao homem,
mas
também
às
coisas.
Há
culto
especial aos mortos e
às almas.
Na MAÇONARIA (“pedreirolivre”), o objectivo é criar uma
religião
universal.
No
Iluminismo entra na Maçonaria
as ideias deístas, depois do
esoterismo (Rosacruz, p. ex.).
Deus é o Mestre construtor do
mundo. Há várias correntes: os
anglo-saxões, ligados à casa
real, não rejeitaram a fé cristã,
os mações franceses, italianos
e latino-americanos mostraramse sempre mais anti-cristãos.
7. Critérios de valoração das
religiões: breve abordagem
7 – Critérios de valoração das religiões: breve
abordagem
Excertos de Revelação e Fé, Padre António Vaz Pinto, Vol. II, págs. 239 a 244:
«Dois critérios objectivos e complementares: 1 - a sua doutrina, conteúdo ou mensagem,
donde deriva a sua capacidade de resposta à problemática do Homem e, por isso, donde
deriva também, indirectamente, a sua menor ou maior universalidade; 2 – A personalidade do
seu fundador».
«1. DOUTRINA. No seu núcleo fundamental trata-se da imagem de Deus e do Homem
(com todas as suas implicações) que cada Religião transmite».
a) politeísmo: «…Deus, como ser perfeito só pode ser um só!»
b) Hinduísmo: «…o Hinduísmo reconhece à vaca um carácter sagrado: p.ex., para elas
tem de haver sempre pasto, isto num país onde o problema da miséria e da fome é
grave…»
c) Islamismo: «…o Islão admite a poligamia, tal como o Antigo testamento a admitia…
é uma concepção objectivamente atrasada em relação com o Cristianismo…»
d) Budismo: .«…a absorção no Todo cósmico universal, com o desaparecimento da
individualidade e da personalidade, como ideal de vida, não podem ser a verdade
última sobre o Homem».
«…o motivo da universalidade do Cristianismo, ao nível do conteúdo ou doutrina: a sua
diferente e melhor imagem de Deus e do Homem».
7 – Critérios de valoração das religiões: breve
abordagem
«2. Fundador. Entre os fundadores das várias religiões…e Jesus Cristo há duas
diferenças radicais: A inocência de Jesus: Todos os outros fundadores de
Religiões, sem excepção, se colocam perante Deus explicitamente e
confessadamente como pecadores… Jesus é, exclusivamente, o único que Se coloca
perante Deus em total proximidade, intimidade, transparência e inocência, até
poder atrever-Se a perguntar: «qual de vós Me acusará de pecado»?, pergunta que
todo o seu comportamento confirma; A divindade de Jesus. Entre todos os
fundadores de Religiões, Jesus é também o único que se reinvindica para Si, por
palavras, atitudes e gestos, uma condição e dignidade divina, o único que
expressamente Se iguala a Deus…».
Jesus é simultaneamente o Revelador e o revelado e a religião que d’Ele brota é
insuperável!
Mas devemos sempre respeitar os crentes das outras religiões: «A Igreja
reconhece nas outras religiões a busca, «ainda nas sombras e sob imagens»,
do Deus desconhecido mas próximo, pois é Ele quem a todos dá vida,
respiração e todas as coisas e quer que todos os homens se salvem. Assim, a
Igreja considera tudo quanto nas outras religiões pode encontrar-se
de bom e verdadeiro, «como uma preparação evangélica e um dom d’Aquele
que ilumina todo o homem, para que, finalmente, tenha a vida». CIC, nº 843
8. Bibliografia recomendada
(E.F.C. 15)
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