Mecanismo de Resistência do Hospedeiro

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Mecanismo de Resistência do Hospedeiro
1 – Introdução – uma distinção relativamente precisa pode ser feita entre o que se denomina
defesa imune inata e defesa imune adaptativa. Quando um agente infecta o organismo, o
sistema de defesa local pode ser suficiente para impedir a replicação e a disseminação do agente
infeccioso, impedido, portanto, o desenvolvimento da doença. Este mecanismo estabelecido é
referido como constituído do sistema imune inato.
Entretanto, o sistema imune inato poderá ser insuficiente para defender–se da invasão pelo
agente infeccioso, e o sistema imune adaptativo, então, entra em ação, embora o máximo de
eficiência possa levar algum tempo para ser atingido. Uma vez atingido o ideal da eficiência, o
organismo infectante é eliminado com conseqüente recuperação da doença.
O destaque principal entre os mecanismos de resposta imune inata e adaptativa é que a
memória específica da infecção é impressa no sistema imune adaptativo, de modo que
havendo uma subseqüente infecção pelo mesmo agente, entre em ação uma resposta
particularmente efetiva com considerável rapidez. É digno de se enfatizar que há uma
aproximação sinérgica ente os dois sistemas, com o mecanismo adaptativo melhorando
grandemente a eficiência da resposta inata.
Antes que um agente infeccioso penetre num organismo, ele precisa vencer uma variedade de
barreiras físicas e bioquímicas que operam na superfície do corpo. Uma das mais importantes,
com certeza, é a pele, que é normalmente impermeável à maioria dos agentes infecciosos. Muitas
bactérias não sobrevivem por longo tempo na pele devido ao efeito inibitório direto do ácido
láctico e dos ácidos graxos presentes no suor e nas secreções sebáceas, e no baixo pH que eles
promovem. Entretanto, ocorrendo à perda da pele, como em queimaduras, por exemplo, a
infecção vem a ser um problema importante.
2 – Suscetibilidade – é a tendência que possui um organismo vivo para contrair uma
determinada enfermidade. Quando um agente infeccioso encontra todos os meios necessários
para se desenvolver no organismo de um certo hospedeiro, afirma–se que este é suscetível ao
agente infeccioso.
3 – Resistência:
3.1 – Introdução – é natural que o organismo do hospedeiro oponha–se freqüentemente a
presença de um agente infeccioso, da mesma forma que pode se opor à presença de qualquer
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elemento estranho ou anormal por ele mesmo produzido (elementos celulares mortos ou
degenerados, restos celulares ou catabólitos, por exemplo). Esta resistência ou mecanismo de
defesa é imprescindível para a sobrevivência de uma das espécies envolvidas na associação
parasito/hospedeiro, isto é, o hospedeiro, especialmente o homem.
3.2 – Definição – resistência ou imunidade, é um conjunto de mecanismos corporais que servem
de defesa contra a invasão ou multiplicação de agentes infecciosos ou contra os efeitos nocivos
de seus produtos finais.
3.3 – Tipos de Resistência ou Imunidade:
3.3.1 – Imunidade Inespecífica ou Imunidade Natural – é o conjunto de mecanismos de
resistência presentes ao nascer ou que se desenvolvem naturalmente devido à maturação do
hospedeiro. Os mecanismos de resistência inespecífica são:
3.3.2 – Fatores – como a idade, raça, espécie, nutrição, hormônios, e outros.
3.3.2 – Barreiras Físicas – a integridade do tegumento cutâneo (pele) seco e descamativo, e das
mucosas; os movimentos ciliares que operam uma drenagem contínua de extensas superfícies do
trato respiratório, a temperatura corporal (pode ser inadequada para certas espécies de
protozoário e helmintos), tensão de O2 e outros.
3.3.3 – Barreiras Bioquímicas – as secreções bacteriostáticas cutâneas (secreção cutânea das
glândulas sudoríparas e sebáceas com seu conteúdo de ácidos graxos e láctico, que possuem ação
bactericida e bacteriostática contra alguns tipos de bactérias); a secreção mucosa de órgãos
internos (secreção salivar, gástrica, intestinal, vaginal e lacrimal – além de substâncias
bactericida e bacteriostática, o pH e o potencial de óxido–redução delas que pode não
corresponder as necessidades do agente infeccioso); o fluxo lacrimal, salivar, biliar e urinário; a
alcalinidade do suco pancreático, a ação mucolítica e bactericida da bile; a ação virucida e
bactericida da lisozima presente na lágrima, saliva e secreções nasais; fatores séricos e teciduais
constituídos pela betalisina, complemento, interferon, fibronectina, tuftisina, espermina da
próstata e protamina do esperma, entre outras.
3.3.4 – Barreiras Biológicas – a microbiota normal, da orofaringe, da pele, do intestino, a
vagina, entre outras, competindo e eliminando substâncias antagônicas a microbiota invasiva; a
incapacidade do organismo hospedeiro para fornecer ao seu hóspede certos fatores de
crescimento ou de substratos indispensáveis ao seu metabolismo; a falta mecanismo estimulantes
ou desencadeantes do desencistamento, da eclosão ovular ou do desenvolvimento larvário, que
deve atuar no momento e no local oportuno, quando as formas do parasito penetrarem no
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hospedeiro potencial; a falta de receptores especiais na superfície celular, capazes de permitir a
aderência e, em seguida a endocitose do agente infectante nas células do hospedeiro. Exs: a
ausência do antígeno de Duffy (receptores específicos para o Plasmodium vivax) em populações
negras africanas, por isso são refratárias a este Plasmodium; presença de hemoglobinopatias
(anemia falciforme, talassemias, hemoglobina C e ausência de glicose–6–fosfato desidrogenase)
são fatores que inibem a presença do plasmódio da malária.
3.3.5 – Mecanismo da Fagocitose – esta, é executada pelos leucócitos (neutrófilos e monócitos),
pelos macrófagos (histiócitos e células do sistema mononuclear fagocitário–SMF). Estas células
se ligam aos microorganismos, englobam estes agentes e os destroem e, uma vez que se utilizam
sistemas de reconhecimento primitivos e inespecíficos que permitem sua ligação e uma
variedade de produtos microbianos. Elas são também responsáveis (uma vez que outros
mecanismos também são) pelas respostas imunes inatas. Por isso, elas agem como nossa
primeira linha de defesa contra as infecções.
3.3.6 – Resistência Específica ou Imunidade Específica:
3.3.6.1 – Definição – é uma resposta fisiológica específica desenvolvida pelo organismo
hospedeiro, em função de um contato anterior com o parasito e são comuns a todos os
organismos da mesma espécie. O objetivo primordial desse tipo de imunidade é dificultar a
penetração, reprodução ou mesmo a permanência do agente etiológico no organismo parasitado.
A principal diferença entre a resposta inata ou não adaptativa e a resposta imune adaptativa é que
esta última é altamente específica para um determinado patógeno; além disto, este tipo de
resposta torna–se mais eficiente após cada encontro subseqüente com o mesmo agente
patogênico, uma vez que o sistema imune "memoriza" o agente infeccioso e evita, desta forma,
que o mesmo invasor venha posteriormente causar enfermidade. Doenças como o sarampo e
difteria, induzem respostas imunes adaptativas que geram uma imunidade prolongada após uma
infecção. Assim, as duas principais características de uma resposta imune adaptativa são a
memória e a especificidade.
3.3.6.2 – Tipos de Imunidade Específica:
A – Imunidade Ativa – quando o hospedeiro responde a um agente infeccioso através de
anticorpos que ele mesmo produziu. A imunidade ativa divide–se em:
I – Imunidade Ativa Naturalmente Adquirida – é quando o hospedeiro adquire a imunidade
através de uma infecção subclínica ou mesmo de uma doença. Algumas doenças como a
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poliomielite, parecem produzir um tipo de imunidade muito mais duradoura do que as outras,
com a influenza (resfriado).
II – Imunidade Ativa Artificialmente Adquirida – é o tipo de imunidade adquirida através do
uso de vacinas. Uma cepa atenuada de um microorganismo é aquela que anda encontra–se viva,
entretanto, sua virulência encontra–se diminuída. Para que um organismo vivo possa ser
utilizado numa vacina, ele deve ser atenuado a ponto de não ser mais capaz de causar doença,
mas deve ser antigenicamente inalterado. Uma vacina composta de microorganismos atenuados é
preferível a uma vacina morta, pois se trata de um agente imunizante mais eficaz, ou seja, a
imunidade induzida por este tipo de vacina dura um tempo maior.
B – Imunidade Passiva – é aquela em que os anticorpos produzidos por um determinado
organismo, são transferidos para outro indivíduo. Nesse caso, a imunidade confere ao indivíduo
uma proteção de forma imediata. A transferência de anticorpos maternos através da placenta para
o feto representa este tipo de imunidade. Pode ser dividida em:
I – Imunidade Passiva Naturalmente Adquirida – existe quando a transferência passiva de
anticorpos ocorre de forma natural, como é o caso do feto que recebe anticorpos maternos (IgG)
por via placentária ou através do colostro (primeiro leite após o parto) e a criança já nasce com
esses anticorpos transferidos da mãe que persistem por 2 a 4 meses. As principais
imunoglobulinas contidas no colostro são: IgA, IgG e IgM.
II – Imunidade Passiva Artificialmente Adquirida – é aquela em que a transferência de
anticorpos ocorre através da inoculação de soro de um indivíduo anteriormente parasitado, em
um outro organismo. A administração de antitoxina diftérica em crianças com difteria,
objetivando neutralizar a exotoxina diftérica e a inoculação de antitoxina tetânica em indivíduos
expostos ao tétano e que não tenha sido imunizado ativamente no passado, previne a infecção
tetânica; são exemplos deste tipo de imunização.
C – Antígeno – é uma porção ou produto de um agente biológico capaz de estimular a formação
de anticorpos específicos.
D – Anticorpo – é uma globulina (proteína) encontrada em fluidos tecidos e no soro, produzida
em resposta ao estímulo de antígenos específicos, sendo capaz de se combinar com eles,
neutralizando–os ou destruindo–os.
3.3.7 – Vacinas:
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3.3.7.1 – Definição – é uma suspensão de antígenos (microorganismos vivos atenuados, inativos
ou frações destes), administrada para produzir imunidade. Na realidade, um indivíduo vacinado
encontra–se com a doença de forma branda, conferindo–lhe uma imunidade ativa específica, que
começa a se manifestar, de forma gradativa, após sua inoculação.
3.3.7.2 – Características – as principais são:
A – Inocuidade – a vacina não deve provocar reações indesejáveis ou adversas além de um
determinado nível considerável para o indivíduo, ou seja, as reações a ela relacionadas (quando
existir) geralmente deve ser branda, especialmente em indivíduos alérgicos ou em
imunodeficientes.
B – Pureza – deve ser pura, ou seja, livre de resíduos, dos meios de cultura (mais comumente
embrião de ovo) e sem quaisquer outras substâncias além do antígeno vacinal e dos componentes
inertes – fluidos suspensores, preservativos, estabilizadores, antibióticos a adjuvantes – indicados
e próprios de cada preparação.
C – Esterilidade – a vacina deve ser estéril, ou seja, não deve possuir quaisquer
microorganismos que provocam sua contaminação, no caso de indicação, a preparação deve
conter substância preservativas ou antibióticos, em geral timerosal ou neomicina.
D – Potência – deve ser suficientemente potente para estimular o sistema imune a produzir
resposta satisfatória capaz de proteger de forma adequada e por tempo prolongado.
3.3.7.3 – Classificação:
A – Quanto a Procedência do Antígeno:
I – Vacina Autógena ou Autovacina – é aquela cuja preparação é feita a partir de amostra do
próprio receptor e usualmente destina–se à terapia ou prevenção de situações recidivantes de
doença infecciosa, tais como faringites, furunculoses e outras estafilococcias.
II – Vacina de Estoque – é aquela preparada a partir de uma amostra padronizada de
microorganismo, por processos industriais de produção em larga escala e que usualmente
destina–se à prevenção, tais como as vacinas BCG, tríplice, de hemófilos, entre outras.
B – Quanto a Natureza do Antígeno:
I – Microorganismo Inativado – quando o antígeno é um microorganismo (vírus ou bactérias)
inativado por processos físicos (calor ou irradiação ultravioleta) ou químicos (fenol, b–
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propiolactona, etc.). O vírus da gripe, o da raiva, a Bordetella pertusis (coqueluche) e a
Salmonella tiphy (febre tifóide), são exemplos disto.
II – Toxóide ou Anatoxina – são vacinas cujo antígeno são exotoxinas bacterianas inativada
pelo formol, tais como a vacina antitetânica e antidiftérica.
III – Subunidade de Microorganismo – ocorre quando o antígeno vacinal é uma fração de
região externa de microorganismo (vírus, bactérias ou protozoários), tais como vacina da febre
amarela (vírus), da meningite meningocócica (bactéria), da malária (protozoário).
C – Quanto ao Número de Antígenos:
I – Vacina Simples – constituída por um único antígeno, como a BCG, tétano, sarampo, hepatite
B, febre amarela, entre outras.
II – Vacina Mista – quando formada por dois ou mais antígenos, tais como as vacina dupla =
DT/dT (tétano + difteria), tríplice = DPT (tétano difteria + coqueluche) e tríplice (sarampo +
rubéola + caxumba).
III – Vacina Polivalente – constituída por dois ou mais antígenos diferentes de cepas da mesma
espécie de microorganismos, como a meningocócica A/C, meningocócica A/C/Y/W–35,
pneumocócica 23 (constituída por 23 diferentes cepas sorológicas do pneumococo), gripe ou
influenza A/B, entre outras.
IV – Vacina Conjugada – ocorre quando o antígeno vacinal encontra–se conjugado a uma
proteína, capaz de torná–lo mais imunogênico, tal como a vacina para hemófilos B.
D – Quanto ao Estado Físico:
I – Vacinas Líquidas – neste caso pode conter substâncias adjuvantes, tais como a vacina
tríplice (DPT), duplas (DT/dT), tétano (TT), pólio oral e injetável, febre tifóide e pneumocócicas.
Exs: tríplice (DPT), dupla (DT/dT), tétano (TT), pólio oral e injetável, febre tifóide
e
pneumocócicas.
II – Vacinas Liofilizadas – são vacinas dessecadas por liofilização e não podem conter
substâncias adjuvantes, porque o mecanismo de liofilização envolve congelamento, o que
compromete a potência das vacinas que os contém. Este processo dá maior estabilidade às
vacinas, que devem ser liquefeitos no momento de seu uso, através de diluentes apropriados.
Exs: BCG, sarampo, rubéola, caxumba, febre amarela, meningocócicas: A, C, Y e Wl35.
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E – Quanto a Administração – por vias: oral, intradérmica, percutânea, subcutânea e
intramuscular.
Nota – este texto é, na realidade, uma breve introdução, por isso queremos esclarecer aos
interessados no assunto, que para obter o texto na íntegra (total), basta solicitá-lo, que
atenderemos todos os pedidos e enviaremos os mesmos pelos Correios e Telégrafos; portanto,
entre em contato conosco através dos nossos telefones ou e-mail.
À Direção.
Maceió, Janeiro de 2.012
Autor: Mário Jorge Martins.
Prof. Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
(UNCISAL).
Mestre em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Médico da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).
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