III.2 Educação Ambiental e Geografia no Campo 46

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II SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS INTEGRADAS DA
UNAERP CAMPUS GUARUJÁ
A educação ambiental no ensino de geografia.
Leonardo Rezende Faria
Especialista em Educação Ambiental
UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora
[email protected]
Resumo:
A presente monografia tem como objetivo inserir no ensino de
Geografia, princípios da Educação Ambiental Transformadora, com intuito
de contribuir para a construção de uma sociedade calcada no
Desenvolvimento Sustentável. São enfatizadas discussões sobre a inserção
da Educação Ambiental no ensino de Geografia em diferentes níveis, tanto
em sala de aula, como também, através de trabalhos de campos e outros
eventos que possam contribuir para conscientização ambiental dos alunos.
Palavras-chave: Educação, meio ambiente e geografia.
Seção 4 - Curso de Especialização em Educação Ambiental
Apresentação: Oral
1. Introdução.
Existe uma nítida preocupação quanto à seriedade dos problemas
ambientais que ameaçam a qualidade de vida no planeta Terra. A
população humana e as demais espécies existentes no planeta já sentem
os efeitos da degradação ambiental mundial provocada pela atividade
humana. Florestas estão sendo destruídas, os recursos oceânicos e
costeiros exauridos, rios e lagos contaminados, os solos estão sendo
erodidos, desertos crescem a cada ano, espécies são extintas, a fome e a
pobreza assolam uma parte significativa da humanidade. Conflitos e
problemas sociais agravam-se intensamente. Diante deste quadro, fica
evidente a necessidade de se considerar a crise ambiental no ensino da
Geografia em seus diversos níveis e conteúdos programáticos.
2 A CRISE AMBIENTAL E O ENSINO DA GEOGRAFIA
A relação da sociedade com o seu entorno é algo que preocupa à
análise geográfica. Como os impactos negativos causados pela ação
antrópica vem aumentando significativamente, promovendo um declínio
na qualidade de vida em todo o planeta, fica evidente a necessidade de se
considerar a crise ambiental no ensino de Geografia. Aqui se propõe
apresentar efeitos da crise ambiental que se manifesta nos subsistemas
naturais estudados pela Geografia, considerando a relação destes com a
atividade humana.
2.1 - A contaminação da hidrosfera.
No ensino da Geografia, que fique evidente a necessidade de se
debater o problema da escassez de água de boa qualidade, apontando
problemas e alternativas para soluções futuras, considerando a questão a
nível mundial e refletindo sobre a situação local, afinal toda cidade,
depende da água para a sua manutenção.
A contaminação da água é uma ameaça à permanência da vida e, a
Geografia, não pode se omitir diante desta realidade. O que está em jogo
na preservação e devida utilização dos recursos hídricos, é exatamente a
jornada da humanidade no Cosmos.
2.2 - A poluição da atmosfera
Diante da degradação ambiental que afeta a todos os subsistemas,
mais uma preocupação expressiva para a humanidade é a poluição
atmosférica. O uso indevido dos recursos energéticos vem causando sérios
problemas relacionados com a atmosfera. Chuva ácida e fumaça,
lançamento de substâncias tóxicas no ar.
Apresentando todo este panorama, o professor de Geografia deve
promover a discussão sobre a utilização de energia pelas diversas nações
do mundo, propondo não somente alternativas, como fontes não poluentes
de energia, bem como, permitindo uma análise crítica da política mundial
de energia. Vale a pena ressaltar que o controle e a utilização de reservas
energéticas, como por exemplo, o petróleo, além de causarem prejuízos
ambientais pelo seu uso inadequado, também, geram conflitos pela sua
posse.
2.3 - A litosfera: contaminação dos solos.
No tocante à litosfera, cabe uma consideração inicial para a discussão
sobre a crise ambiental e o ensino da Geografia. De acordo com Demétrio
Magnoli (2001, p.10) “a noção de grandiosidade do tempo geológico
começou a se firmar nas últimas décadas do século XVIII”. Também a
partir do século XVIII, a humanidade passou a causar maiores impactos
ao meio ambiente através do desenvolvimento da indústria. Em curto
espaço de tempo, a sociedade industrial degradou o ecossistema terrestre e
colocou a sua existência em estado de constante ameaça. Uma situação
paradoxal se coloca: sabendo da longa história da morfologia do planeta
Terra e da formação dos ecossistemas, uma conduta de preservação
deveria ser afirmada; afinal, o ecossistema terrestre em toda a sua
exuberância, é resultado de um tempo geológico grandioso e a vida é um
acontecimento formidável na história do Universo.
Conhecer a dinâmica do solo e a relação das atividades humanas com
a sua devida conservação é um aspecto significativo para a Geografia. O
solo é um recurso vital para a agricultura e seu uso devido é imperioso
para a produção de alimentos.
2.4 - Biosfera: a extinção da biodiversidade
O estudo da biosfera é condição básica para a implementação de
medidas de preservação e conservação da biosfera. A economia é um
argumento que pode ser utilizado em defesa da biodiversidade. Inúmeras
drogas são produzidas utilizando-se substâncias extraídas de plantas.
Além da medicina, a biodiversidade possui grande valor nutricional. A vida
humana é extremamente dependente da sobrevivência de outras espécies
de animais e plantas. A qualidade de vida humana depende da
biodiversidade. “A diversidade biológica das espécies é a fonte mais
importante da Terra. Os humanos dependem de uma vasta variedade de
espécies vivendo em ecossistemas saudáveis, para o ar que respira, a água
que
bebe,
e
para
manter
a
produtividade
do
solo
nas
plantações“(Corson,1996, p.103).
2.5 - A sociosfera: expressão da crise civilizacional.
Estando ciente da profunda crise presente na sociosfera o professor
de Geografia deve se posicionar diante das novas tendências de
organização da sociedade, ampliando o debate com seus alunos e
possibilitando o desenvolvimento de uma postura crítica diante do modelo
de sociedade que se impõe. A Geografia é uma ciência e enquanto tal deve
servir à humanidade, não apenas a pequenos grupos que são detentores
dos meios de produção que se beneficiam com o consumismo acelerado e
exacerbado. A crise da civilização mostra que há urgência da prática da
Educação Ambiental. A sociedade humana possui incivos impactos na
biosfera e suas ações repercutem sobre a sua própria qualidade de vida.
Toda a humanidade está exposta ao risco ambiental, mas dentro desse
processo são poucos aqueles que estão sendo beneficiados pelo processo
de produção vigente. Discutir Educação Ambiental na escola é, também,
falar em princípios de ética e justiça. A Geografia, por ser uma matéria que
versa sobre o meio ambiente natural e sua relação com o social, tem uma
função primordial dentro desse processo.
3.PRESSUPOSTOS TEÓRICOS PARA A INSERÇÃO DA EDUCAÇÃO
AMBIENTAL NO ENSINO DE GEOGRAFIA
Com a intenção de relacionar a Educação Ambiental Transformadora
no ensino de Geografia, propõe-se a análise de categorias que são comuns
nas reflexões de geógrafos e educadores ambientais, permitindo uma
interpretação acerca da questão ambiental e das possibilidades de
mudança.
3.1 - Trabalho
O professor de Geografia tem que se imbuir da ética profissional
oferecendo informações aos seus alunos sobre a exploração do trabalho e
desigualdade na distribuição dos benefícios. É importante que se
questione a utilização de normas e leis que o próprio Estado persiste em
não cumprir. A Educação Ambiental para a transformação deve ser
trabalhada nas diversas classes sociais. O grande passo para o futuro é
reconhecer o valor de todos os grupos sociais. Os negros, índios, as
mulheres, possuem um valor insofismável. Preservação da vida humana
perpassa pela valorização do trabalho e do direito de acesso a todas as
pessoas aos processos de produção e consumo. O futuro será testemunho
da nossa ação no presente, espaço vivido em geral por crianças que
precisam ser educadas para refletir o valor da vida humana. A informação
a serviço da transformação. A realização da humanidade pela dignidade do
trabalho.
3.2 - A Territorialização Contemporânea e o Papel da Educação
Ambiental
A Geografia, ciente das transformações mundiais e sabendo da
distribuição dos recursos e conhecendo os padrões de produção e
consumo em todo mundo, deve oferecer condições para estabelecer críticas
à territorialização do globo. Conscientizar que a sociedade civil deve se
organizar e oferecer resistência ao atual processo desigual de globalização
da economia que invade os territórios, instala indústrias e meios de
produção nos diversos países, explora mão-de-obra, matéria-prima e uma
série de vantagens oferecidas por países em desenvolvimento e, além de
tudo, concentra os benefícios desse processo mundial de produção sobre o
poder de oligopólios sediados em países centrais, é uma conduta efetiva de
Educação Ambiental.
A sustentabilidade é uma preocupação concernente a diversos países,
pois envolve a própria proteção da vida na Terra. Os problemas ambientais
refletem peremptoriamente os desníveis de desenvolvimento. A falta de
condições básicas de sobrevivência das populações dos países mais pobres
em contraste com o esbanjamento e desperdício de países industrializados
desenvolvidos põe em risco a vida na Terra. A pobreza, fruto de políticas
sociais inadequadas nos países periféricos, induz à necessidade de
redistribuição equitativa dos recursos disponíveis.
3.3 - Espaço, paisagem e lugar: a ação humana e o meio geográfico.
A sustentabilidade passa pelo respeito à sensibilidade e todos os elos
afetivos presentes entre os diversos povos e seus lugares. Viver de maneira
sustentável no planeta Terra significa valorizar o outro. A alteridade tem
que estar presente e ser bem trabalhada no ensino, é preciso saber
conviver com as diferentes etnias e culturas, respeitando o direito dos
grupos sociais de defenderem os lugares que amam. Educação Ambiental é
falar também em afetividade e amor. A Geografia não é uma ciência fria,
neutra, calculista, ela considera também a emoção. Somos humanos e não
máquinas, “o que nos torna seres humanos e não máquinas é a emoção”
(WILSON, 1994, p.374). O lugar da humanidade no universo é o planeta
Terra. A esperança no futuro é cultivar a semente do amor e afeição pelo
planeta Terra. Como afirma o cientista Carl Sagan (1985, p.103) “a Terra é
um mundo pequeno e frágil. Necessita ser tratada com carinho”.
4 PROPOSTAS PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO DE
GEOGRAFIA
Apresenta-se aqui propostas práticas para se trabalhar a Educação
Ambiental no ensino da Geografia. Atividades que podem ser desenvolvidas
em sala de aula e no campo, visando a conscientização ambiental.
O professor de Geografia pode trabalhar com a Educação Ambiental
nos diversos conteúdos da Geografia. Escolas com concepções de ensino
mais avançadas podem até garantir a Educação Ambiental como uma das
disciplinas, embora ainda não esteja totalmente viabilizada sua inclusão.
Meio Ambiente é um dos temas transversais proposto pelos Parâmetros
Curriculares Nacionais. É uma exigência do ensino atual que seja
ensinado para os estudantes noções sobre meio ambiente com a inclusão
de práticas de Educação Ambiental.
A realização de trabalhos de campo representa um excelente recurso
para a Educação Ambiental e o ensino da Geografia. Em campo o aluno
pode visualizar aspectos da paisagem e da apropriação do meio pela
sociedade, que nem sempre são possíveis em sala de aula.
Em sua escola o professor de Geografia pode realizar palestras,
seminários e outros eventos com o objetivo de divulgar informações sobre a
questão ambiental e a apresentação de propostas de educadores
ambientais para os principais problemas que afetam a humanidade. A
oportunidade do aluno de estabelecer vínculos com profissionais de outras
escolas e instituições de ensino e pesquisa é profícua, no sentido de
despertar a sua atenção para as questões ambientais, sensibilizá-lo sobre
os problemas e apresentar propostas práticas que podem ser utilizadas em
sua vida pessoal e profissional.
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