Física – 7ª Classe O UNIVERSO Sistema Solar; O Céu Diurno – O Sol; O Céu Nocturno – As Estrelas e a Lua; A Lua e seus Movimentos e Processos de Orientação. José Cambinda Dala 2012 Universo UNIDADE II: O Universo Existe um enorme conjunto de corpos que não pertecem ao nosso planeta e que também têm grande influência sobre nós. Estes corpos são os astros, e tornam o Universo infinito. A palavra Universo, ou Cosmos, vem do latim e significa «todo inteiro». Chamamos Universo, ou Cosmos, ao conjunto de tudo o que existe, desde as partículas mais pequenas que formam todos os corpos, até aos astros situados a distâncias maiores. Os seres vivos, os astros, as moléculas, as células, os objectos, os fenómenos que ocorrem na Natureza, constituem uma parte do Universo. Para além dela, temos a Lua, o Sol, os planetas e as estrelas (as galáxias). A ciência que estuda os astros, bem como o Universo, chama-se Astronomia e faz parte das ciências físicas. 2.1. O Sistema Solar O Sistema Solar é constituído pelo Sol e pelo conjunto dos corpos celestes que se encontram no seu campo gravítico, e que compreende os planetas, e uma miríade de outros objectos de menor dimensão entre os quais se contam os planetas anões e os corpos menores do Sistema Solar (asteróides, transneptunianos e cometas). 2.1.1. Os planetas Os principais elementos celestes que orbitam em torno do Sol são os oito planetas principais conhecidos actualmente cujas dimensões vão do gigante de gás Júpiter até ao pequeno e rochoso Mercúrio, que possui menos da metade do tamanho da Terra. Até Agosto de 2006, quando a União Astronómica Internacional alterou a definição oficial do termo planeta, Plutão era considerado o nono planeta do Sistema Solar. Hoje é considerado um planeta anão, ou um planetóide, por ser muito pequeno. Os planetas do sistema solar são os oito astros que tradicionalmente são conhecidos como tal: Mercúrio (☿), Vénus (♀), Terra (♁), Marte (♂), Júpiter (♃), Saturno (♄), Úrano (♅) e Neptuno (♆). Todos os planetas receberam nomes de deuses e deusas da mitologia grecoromana. São identificados a olho nu, com facilidade, os planetas Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. - Vénus Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 2 Universo É um planeta parecido com a Terra, mas por estar mais próximo do Sol e Conter gases, tais como o dioxido de carbono e o ácido sulfúrico, em grandes quantidades, a sua temperatura (300°C) e pressão atmosférica são muito elevadas. É sólido como a Terra e tem uma poderosa atmosfera permanente cheia de nuvens. Devido a estas condições, é muito pouco provável que exista alguma forma de vida em Vénus. O planeta Vénus é o mais brilhante de todos. Às vezes, vê-se na parte oeste (W) do céu, logo ao pôr do Sol (com uma separação máxima do Sol de 60%). Chama-se, então, «estrela do entardecer». Outras vezes, é visível nas partes este (E) do céu, antes do nascer do Sol, com a mesma separação máxima deste. Chama-se então, «estrela d’alva». Visto pelo telescópio, Vénus mostra a sua face iluminada pelo Sol, com um aspecto igual ao das fases da Lua. - Júpiter É o segundo planeta mais brilhante e o maior de dos planetas do sistema solar. Caracteriza-se pelo facto de que, com um telescópio ou binóculos pouco potentes, é possível verem-se as quatro maiores luas que o cercam (possuindo mais de uma dezena de satélites). Assim como certas bandas coloridas na sua superfície «nublosa». É um corpo gasoso e muito frio (-150°C) devido a estar muito distante do Sol. - Marte É o terceiro planeta mais brilhante. Possui uma cor vermelha e tem pouca água. A extensão da sua atmosfera e a sua temperatura são menores do que as nossas. Até agora, tudo nos leva a crer que não existe vida (animais e plantas), mas são possíveis os microorganismos e outras formas simples de vida. Marte é mais pequeno do que a Terra, mas tem dois satélites também muito pequenos (Fobos e Demos). - Saturno Brilha menos que os anteriores. É o segundo planeta em massa e tamanho, e é similar a Júpiter na sua composição, mas é mais frio, por estar mais longe do Sol. É cercado por um belo sistema de anéis, formados por pó, pequenas pedras de gelo. Mais de uma dezena de satélites se movem ao seu redor. Os outros planetas do sistema solar não se diferenciam significativamente dos já mencionados. Em geral, todos, menos Mercúrio e Vénus, têm ao seu redor vários satélites. Em Suma, Os planetas, incluindo a Lua, que gira ao redor da Terra e os outros corpos menores que giram ao redor do Sol (cometas e Asteróides), juntos constituem o sistema solar. 2.1.2. Asteróides e Cometas 2.1.2.1. Asteróides Os asteróides são astros menores do que os planetas, normalmente em forma de batata, encontrando-se na maioria na órbita entre Marte e Júpiter e são compostos por partes significativas de minerais não-voláteis. Estes são subdivididos em grupos e famílias de asteróides baseados em características orbitais específicas. Nota-se que existem luas de asteróides, que são asteróides que orbitam asteróides maiores, que, por vezes, são quase do mesmo tamanho do asteróide que orbitam. Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 3 Universo 2.1.2.2. Cometas A maioria dos cometas tem três partes: 1. um núcleo sólido ou centro; 2. uma cabeleira, ou cabeça redonda que envolve o núcleo e consiste em partículas de poeira misturadas com água, metano e amoníaco congelados; e 3. uma longa cauda de poeira e gases que escapam da cabeleira. Os cometas são compostos largamente por gelos voláteis e com órbitas bastante excêntricas, geralmente com um periélio dentro das órbitas dos planetas interior e com afélio para além de Plutão. Cometas com pequenos períodos também existem; contudo, os cometas mais velhos que perderam todo o seu material volátil são categorizados como asteróides. Alguns cometas com órbitas hiperbólicas podem ter sido originados de fora do sistema solar. Contudo, os cometas são corpos de vários quilómetros de diâmetro, com uma estrutura similar ao algodão de açúcar, «impregnados» de gelo e de substâncias que se evaporam quando o cometa se aproxima do Sol. Actividades: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. A que chamamos Universo? Donde provém esta palavra? Define Astronomia. O que é um planeta? Que planetas podemos observar sem instrumentos? Qual é o maior planeta do sistema solar? Que planeta é mais parecido com a Terra? 2.1.3. Anexo: Tabela dos Principais corpos do Sistema Solar.docx 2.2. O Céu Diurno – O Sol Durante o dia vemos sobre nós o céu azul, o Sol e as nuvens. O céu diurno mostra-se azul porque esta é a cor da luz que melhor se reflecte ao lado das moléculas do ar, quando o Sol as ilumina. 2.2.1. Características do Sol O Sol é uma esfera de gases incandescentes em virtude das reacções termonucleares que ocorrem em seu interior. Supõe-se que a temperatura aproximada de seu centro seja de 14 000 000º C, enquanto a da superfície - chamada fotosfera - seria de 6.000º C. O Sol gira em torno de si mesmo, em sentido direito, em torno de um eixo inclinado de 82º45' sobre a eclíptica, com um período de 25,38 dias no equador. Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 4 Universo 2.2.2. Elementos naturais do Sol 80% dos átomos do Sol são de hidrogénio e 18% de hélio. Os elementos naturais restantes (58 dos 92 conhecidos na Terra), foram encontrados na proporção de 2%. 2.2.3. Medidas do Sol O Sol está situado a cerca de 150 milhões de quilómetros da Terra e tem uma idade de aproximadamente 5 bilhões de anos. Seu raio é de 696.000 km aproximadamente e sua massa é avaliada em 2.1030 kg, ou seja, aproximadamente 333.000 vezes a da Terra. Seu peso específico médio é cerca de 1.400 kg/m3. 2.2.4. Influências do Sol sobre a Terra Todos nós reconhecemos o Sol como uma fonte de luz e calor, mas não é só por isso que ele é chamado o «astro rei». O nosso planeta mantém-se na sua órbita devido à atracção gravítica que sobre ele exerce o Sol. Sem esta força, a Terra andaria pelo cosmos, fria, ou, concretamente, nunca se teria formado como planeta e sobre ela não haveria vida. Deste modo, a atracção do Sol é tão importante como a sua luz. A alternância dos dias, das noites e das estações é a primeira das relações entre o Sol, a Terra e seu clima. Dependemos do Sol para viver, assim como toda a natureza. A energia luminosa proveniente do Sol entra no mundo vivo através da fotossíntese. As algas e plantas captam a energia da luz e a convertem em energia química, que fica armazenada nas moléculas orgânicas. Toda essa energia armazenada nessas algas e plantas serão transportadas para outros animais que a consumirem, formando assim, uma cadeia alimentar. Entre o Sol e a Terra há um vazio quase absoluto, então, o calor do Sol chega até nós através da progação do calor por radiação. Mas a forma de radiação que recebemos do Sol é, definitivamente, a luz. O aproveitamento da energia solar tem a vantagem de ser inesgotável e não contaminar em absoluto o meio ambiente. 2.2.5. Radiação solar e fotossíntese Mais da metade da radiação solar que atinge a Terra não chega até o solo. Aproximadamente 35% é reflectida pelas nuvens e poeira, quase 20% é absorvida pelo vapor d'água e outras moléculas da atmosfera. Da energia solar que chega efectivamente à superfície, apenas 1 a 2% é aproveitada para a fotossíntese. Em sintese, o sol é um astro fundamental que vemos durante o dia, e a sua influência sobre nós supera a de qualquer outro astro. A grande quantidade de luz e calor que recebemos do Sol, assim como a sua cor amarelada brilhante, indica-nos que a temperatura da capa exterior solar que vemos é muito alta. Para compreender de que forma os cientistas medem a temperatura dos astros, basta observar como muda a cor que os objectos emitem. 2.2.6. O Movomento Aparente do Sol no Céu Podes comprovar, em cada dia, que o Sol sai detrás de um ponto, da parte este do horizonte, que se eleva pela manhã e que ao meio-dia se encontra no seu ponto mais alto. Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 5 Universo Durante a tarde, o Sol desce para a parte oeste do horizonte até se pôr. Este movimento do Sol no céu é só aparente e resulta como consequência da rotação da Terra sobre o seu eixo que demora aproximadamente 24h. Deste modo, o sol é visível no céu 12h em cada dia. Ao longo do ano, o trajecto diário do Sol no céu altera-se. No Verão, este «movimento» dá-se em direcção ao Norte, de maneira que o Sol sai pelo Este-Nordeste. Nesta época do ano, ao meio-dia, o Sol passa quase pelo zénite, que é um ponto situado verticalmente sobre nós no céu. No verão, o dia é mais longo que a noite e os raios solares aquecem mais. No Inverno, o movimento do Sol dirige-se para Sul, sai pelo Este-Sudeste e pôe-se a Oeste-Sudoeste, passando ao meio-dia a uns 40° a sul do zénite. Por isso, o dia é mais curto do que a noite, e os raios solares aquecem menos. Na primavera e no Outono vemos o Sol numa posição intermédia: sai pelo Leste e põese a Oeste e ao meio-dia passa a uns 20° a sul do zénite. Nesta época, os dias e as noites têm igual duração. Isto é, em relação a um determinado país. Noutros lugares da Terra, com latitudes geográficas diferentes, o comportamento das estações e o aquecimento solar são diferentes. Actividades: 1. Por que é que o céu diurno é azul? 2. Resume com as tuas próprias palavras quais são as propriedades do Sol que se podem medir ou conhecer de acordo com o que estudaste neste tema. 3. Se o ângulo de paralexe de um objecto A é maior que o de outro B, qual está mais distante do observador? 2.2.7. ANEXO: Cor e temperatura de cor Há uma certa relação entre temperatura de um objecto e a cor que este objecto emite. Assim, para efeitos práticos, pode-se ter uma ideia da temperatura de um objeto através do exame da cor emanada pelo corpo aquecido. Veremos através de uma tabela, a que temperaturas os corpos emitem luz de diferentes cores. Cor Preto (não visível) Vermelho opaco Vermelho brilhante Alaranjado Amarelo Branco Branco-azul Azul Temperatura (°C) Menos de 500 De 500 a 2.000 De 2.000 a 3.500 De 3.500 a 5.000 De 5.000 a 7.000 De 7.000 a 10.000 De 10.000 a 20.000 Mais de 20.000 2.3. O Céu Nocturno – As Estrelas e a Lua Ao observarmos o céu, durante a noite, vemos as estrelas, os planetas, a Lua (salvo em fase da Lua nova) e as «estrelas cadentes» ou meteoros. As estrelas aparecem como pontos, a sua luz cintila e as posições são praticamente fixas. Os planetas mudam de posição em relação às estrelas e a sua luz não cintila. Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 6 Universo As estrelas distinguem-se pela sua posição, cor e brilho. A cor indica-nos a sua temperatura, que chega a ser de dezenas de milhares de graus tal como vimos na página anterior em tabela. O brilho das estrelas é tanto maior quanto mais intensa for a luz e o calor que emitem. OBS.: As «estrelas cadentes» não são estrelas, mas sim pedras ou partículas que penetram a grandes velocidades na atmosfera, e a fricção aquece-as até à combustão. 2.3.1. Movimento Diário das Estrelas De modo semelhante ao do movimento diário do Sol no céu diurno, a rotação do céu estrelado, de Este a Oeste, deve-se à rotação diária da Terra de Oeste a Este. Como toda a esfera que gira, o céu tem dois dos seus pontos que não se movem, e que se denominam pólos celestes. 2.3.2. A Lua e seus Movimentos A Lua é o astro mais brilhante do céu nocturno. O seu aspecto ou fase muda com uma certa regularidade. Quando toda a sua superfície brilha, chama-se Lua cheia. Quando só brilha a parte oeste denomina-se quarto crescente. Quando brilha a parte este, é quarto minguante. E quando não a vemos, durante toda a noite, é Lua nova. Em noites secessiva podes comprovar que a Lua se desloca para Este, de maneira que ao fim de 27 dias e um terço ocupa de novo a mesma posição no céu. Nesse tempo a Lua descreve uma órbita ao redor da Terra. Mas as fases da Lua repetem-se cada 29,5 dias. No seu movimento em redor da Terra, a Lua passa duas vezes por mês próximo da linha do Sol-Terra. Entre três e sete vezes por ano, a Lua interpõe-se diante do Sol. Este acontecimento denomina-se Eclipse do Sol. Então, o que é eclipse? Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 7 Universo 2.3.2.1. A Lua como corpo físico A olho nu, observa-se a face iluminada da Lua, zonas ou áreas escuras denominadas marés e outras brilhantes que se denominam terras ou continentes. Apesar destes nomes, na Lua não existe água e muito menos mares. Toda a superfície é sólida, similar a um deserto. As diferentes tonalidades da superfície lunar devem-se às características do solo e das rochas de cada região. O diâmetro da Lua é um terço do da Terra. A massa dela é 81 vezes menor que a massa da Terra. Isso faz com que a aceleração da gravidade da Lua seja débil e não possa atrair com força suficiente os gases que se escapam do espaço. Por isso, a Lua não tem atmosfera. A ausência da atmosfera faz com que a temperatura da superfície da Lua não permite vida humana sem recurso à tecnologia, o que uma camada de ar como a que tem a Terra propiciaria. Por isso. A temperatura ali existente, varia de 100°C a -150°C. Actividades: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Como se mede a temperatura dos astros? Por que faz mais calor no verão? Enumera as vantagens e desvantagens do uso de energia solar. Por que é que podemos afirmar que é a luz que nos traz o calor do Sol? Resume por palavras tuas os diferentes aspectos da influência do Sol sobre a Terra. Que face da Lua vemos iluminada no quarto crescente? E no quarto minguante? Explica a diferença entre o período de tempo em que se repetem as fases da Lua e o seu período de rotação em redor da Terra. 2.4. Processos de Orientação Os marinheiros, antigamente e ainda hoje, utilizam a bússola para se orientarem, isto é, para saberem onde está o Norte. Claro que também se podem orientar pelo Sol, de dia, e pelas estrelas, de noite. Pelo Sol, porque nasce a Este e se põe a Oeste. Pelas estrelas, porque a Polar, por cima do pólo Norte indica a direcção do Norte (no hemisfério Sul há uma constelação que indica o Sul, o Cruzeiro do Sul). Um outro problema prático, além do de saber para onde ir, é saber onde se está. Para indicar a posição de um lugar à superfície da Terra usam-se dois valores ou coordenadas: latitude, longitude. Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 8 Universo A latitude é o ângulo medido para cima ou para baixo do equador. Varia de 0º a 90º Norte (N) e de 0º a 90º Sul (S). Um paralelo é uma linha circular paralela ao equador acima ou abaixo dele cujos pontos estão todos à mesma latitude. A latitude num certo sítio é a altura da estrela Polar: por exemplo, em Luanda, a latitude é 9º S. Dizemos que o paralelo que passa por Luanda é o de 9º S. A longitude é o ângulo para a direita ou para a esquerda do meridiano de Greenwich, um lugar nos arredores de Londres, Inglaterra. Varia de 0º a 180º, podendo ser este (E) ou oeste (O). Por exemplo, a longitude de Luanda é 13º E. Um meridiano é uma linha circular perpendicular a um paralelo, que passa pelos dois pólos geográficos. Hoje em dia, com a ajuda de satélites artificiais e de um pequeno aparelho portátil (GPS, iniciais de “Global Positioning System”) que capta sinais desse satélites é possível saber, com grande precisão, em que lugar do planeta se está, isto é, a latitude e a longitude. Em suma, podemos nos orientar através da bússola, do Sol, das Estrelas, da Lua, do relógio, da sombra, etc. Prof. Cabinda, pelo ensino e qualidade Página 9