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Princípios da internacionalização de software
Dan Moore
Para fazer certo, comece do princípio… E antes de qualquer outra coisa!
A internacionalização de software cria, em um aplicativo, suporte a várias localidades, onde
localidade (locale) significa “[um] subconjunto de ambiente de usuários que define convenções para
uma cultura específica”, geralmente incluindo o idioma (conceito extraído de
http://publib16.boulder.ibm.com/doc_link/en_US/a_doc_lib/aixins/insgdrf/glossary.htm). O suporte
a várias localidades permite que o usuário escolha a que lhe parecer mais adequada, facilitando o
uso do aplicativo em questão. É melhor fazer o processo de internacionalização durante a criação
do aplicativo, já que acrescentar depois esse tipo de suporte pode ser caro e complicado.
No artigo a seguir, examinaremos os principais componentes internacionalizados de um
aplicativo Web e detalharemos alguns princípios comuns a todos os esforços de
internacionalização de software. Esse aplicativo, criado em Java com um back-end Oracle, foi
desenvolvido inicialmente pela Zia Consulting (http://www.ziaconsulting.com) e fornece
cotações de equipamentos para indivíduos em 27 países. As bibliotecas de software citadas
neste artigo são do padrão Java; outras linguagens podem ter ou não o mesmo nível de suporte.
Os três aspectos principais envolvidos na internacionalização de um aplicativo são:



encontrar a localidade preferencial do usuário dentro do conjunto de localidades
disponíveis
exibir informações adequadas à localidade escolhida
questões operacionais
Observe que a internacionalização é apenas metade do processo — quando o aplicativo é
capaz de lidar com localidades diferentes, deve-se fornecer a ele as informações e os dados
específicos a cada uma delas. Esse processo se chama “localização”, e este artigo não
abordará esse assunto.
Encontrando a localidade apropriada
Em primeiro lugar, um usuário deve ser associado a uma localidade. Trata-se de uma
configuração como outra qualquer. É essencial permitir que o usuário escolha explicitamente
a localidade adequada. Há algumas dicas que o computador do usuário pode fornecer: no
Microsoft Windows, existe uma chave “Country” no Registro1, e os navegadores podem
fornecer as preferências de uma localidade específica e comunicá-las ao servidor, em um
processo chamado “negociação de idioma” (http://www.w3.org/International/questions/qawhen-lang-neg, em inglês).
1
Para obter mais informações, verifique o tópico “How to read, add or modify Windows registry entries
with REGEDIT” (Como ler, acrescentar ou modificar entradas do Registro do Windows com o REGEDIT),
no site de Rob van der Woude (http://www.robvanderwoude.com/index.html). O artigo pode ser
encontrado se você clicar no link “Batch files” da seção “Scripting” da home page.
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No entanto, embora isso possa servir como ponto de partida para um item de software,
certamente não é a resposta completa. O sistema operacional pode estar configurado
incorretamente, ou o usuário pode estar no cibercafé de um país estrangeiro, com as
configurações adaptadas para o usuário típico do lugar, mas não para ele.
Quando a localidade de um aplicativo não está definida corretamente, o usuário típico culpa
o aplicativo e não o sistema operacional ou o navegador. E, ao contrário de outras opções de
configuração, é comum inutilizar um aplicativo pela escolha incorreta da localidade. Existem
também requisitos comerciais que exigem que o usuário escolha sua localidade,
independentemente da configuração da máquina.
Por exemplo, no sistema de cotações ao qual se refere este artigo, os usuários talvez
precisem receber a cotação em dólares norte-americanos. Isso ocorre com freqüência
quando empresas multinacionais têm uma entidade de compras que lida apenas com
cotações em dólar.
Caixa de diálogo de instalação de localidade no GFTPKlient
Em resumo, o melhor método para descobrir a localidade mais adequada a um usuário é
perguntar. Em aplicativos de desktop, isso geralmente ocorre no momento da instalação,
como indicado na ilustração acima. Em um aplicativo Web, é um pouco mais complexo, mas
geralmente ele não deve solicitar a localidade de preferência caso reconheça que a
solicitação veio de um usuário cuja localidade preferencial já é conhecida. Ao perguntar
claramente ao usuário, o aplicativo demonstra estar preparado para lidar com várias
localidades e permite que o usuário escolha uma localidade adequada, independentemente
das configurações existentes.
Naturalmente, temos aqui um problema de inicialização: em que idioma deve ser colocada a
consulta inicial sobre localidade? Existem duas opções: use um “mínimo denominador comum”
- um idioma que seja amplamente conhecido pelo público-alvo - ou use uma imagem com
instruções simples em vários idiomas. O motivo de usar uma imagem em vez de texto é que
os usuários talvez não tenham fontes instaladas para todos os idiomas aceitos. Além disso, a
aparência de uma imagem é melhor do que uma série de pontos de interrogação, que é como
alguns sistemas operacionais exibem os caracteres que não reconhecem.
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No entanto, o uso de imagens tem um custo. Quando você tiver de atualizar e recolocar a
mensagem, sairá mais barato fazer com que alguém modifique um trecho isolado do texto.
Trabalhar com imagens é mais caro e mais complicado; alguém precisa fornecer o novo
texto, e a imagem existente precisa ser modificada, geralmente por um especialista em artes
gráficas. Se a imagem for modificada no tamanho ou na forma, o departamento de controle
de qualidade (também conhecido como “QA”, do inglês Quality Assurance), deve se
assegurar de que os caracteres inalterados não tenham sofrido modificações.
Além das considerações de custo, a opção pela “inicialização de localidade” para um
aplicativo depende muito do público-alvo. Para um aplicativo científico na Web, pode até ser
seguro usar o inglês nas instruções iniciais; entretanto, um aplicativo de prateleira talvez
precise de um texto simples de inicialização, traduzido para vários idiomas. O aplicativo de
cotações, como indicado abaixo, usa as duas opções – para usuários desconhecidos, usa um
padrão de localidade em inglês norte-americano (como demonstrado pelo texto “If your
country...”) e, ao mesmo tempo, transporta esses usuários para uma página com mensagens
em vários idiomas que pedem que ele “Selecione seu país”. (O motivo de usar “país” em vez
de “localidade” nessa mensagem é que os usuários típicos não têm idéia do significado exato
de localidade.)
O selecionador de localidades do aplicativo de cotações.
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Para obter a maior compatibilidade possível, seja qual for a escolha do usuário, a localidade
deve ser armazenada usando os códigos de país e de idioma ISO (International Organization
for Standardization). Java usa o código de idioma com duas letras minúsculas seguidas de
um espaço sublinhado e do código do país, também com duas letras, em maiúsculas2. Por
exemplo, en_US significa inglês norte-americano, enquanto pt_BR quer dizer português
brasileiro. O aplicativo Web de cotações usou vários códigos de localidade, principalmente
visando à compatibilidade com produtos mais antigos. Essa decisão causou alguns problemas
quando novos produtos de software internacionalizados foram integrados ao site – foi preciso
escrever uma camada de tradução. Se for possível, opte por armazenar as informações de
localidade no formato padrão.
Depois que o usuário já tiver escolhido a localidade, o aplicativo não deverá mais solicitá-la.
Em um software de desktop, isso não é problema, uma vez que o desenvolvedor deve
armazenar o valor escolhido no Registro ou em um arquivo de configuração. No entanto, em
um software para a Web, é inevitável perguntar novamente. Se o usuário apagar seus
cookies ou visualizar o aplicativo em outro computador, o servidor não poderá identificá-lo.
Isso significa que a escolha da localidade deve ser a mais fácil possível em um aplicativo
Web, pois é provável que ocorra com mais freqüência do que em um aplicativo de desktop.
Mas o usuário deve ser capaz de reconfigurar o aplicativo e escolher uma nova localidade.
Apesar de o Windows permitir que os usuários adotem uma nova localidade sem necessidade
de reinstalação, na prática, é comum os aplicativos de desktop típicos não oferecerem essa
opção. Por outro lado – e por serem criados para lidar com usuários transitórios – os
aplicativos Web devem ter maneiras fáceis de alterar a localidade de preferência. No
aplicativo de cotações, por exemplo, cada página tem uma caixa suspensa em que o usuário
pode selecionar outra localidade.
Apresentando informações específicas à localidade
Depois que o usuário tiver feito sua escolha, o aplicativo deve responder mostrando
informações pertinentes à localidade. O tipo de informação mais importante é o idioma do
texto exibido. Outras informações específicas à localidade são: regras comerciais – se será
mostrado ou não um produto que pode ser ilegal ou que não esteja disponível em
determinado país –, classificação alfanumérica e formatação de datas e números.
Examinaremos cada uma dessas opções no contexto do aplicativo de cotações.
A maneira comum de colocar na interface do aplicativo o texto adequado a uma localidade é
garantir que todo o texto da interface foi substituído por tokens. Cada token é uma string de
chave usada quando o desenvolvedor está criando a interface do usuário. O aplicativo de
cotações a que nos referimos como exemplo usou JSPs (Java Server Pages) e bibliotecas de
tags, mas esses conceitos aplicam-se a quase todas as tecnologias de exibição. Em arquivos
separados, pelo menos um para cada localidade, a chave recebe um valor localizado.
2
Os códigos de idiomas podem ser encontrados em http://www.loc.gov/standards/iso6392/php/English_list.php, e os códigos de países em http://www.iso.org/iso/en/prodsservices/iso3166ma/02iso-3166-code-lists/list-en1.html. As bibliotecas Java usam os códigos ISO nas
classes de localidade: http://java.sun.com/j2se/1.5.0/docs/api/java/util/Locale.html
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O valor deve ser armazenado com uma representação UTF (Unicode Transformation Format),
que pode usar vários bytes para representar um único caractere. Cada linguagem de
programação lida com essa representação de um modo bem específico. No caso de Java, os
caracteres UTF são geralmente tratados como caracteres de escape e armazenados no
conjunto ISO-8859-1 (para obter mais informações a respeito, visite
http://java.sun.com/j2se/1.5.0/docs/api/java/util/Properties.html).
Uma seqüência UTF de escape tem o seguinte aspecto: \u65e5. Depois que o usuário
identifica a localidade preferencial, o aplicativo (representado pela caixa “Estrutura” na
ilustração abaixo) gera a interface correta substituindo todas as chaves pelos valores
correspondentes, que são extraídos de um arquivo ou banco de dados (a “Área de
armazenamento de dados”, abaixo). Presume-se que o sistema do usuário esteja
configurado corretamente (com as fontes etc.) para a localidade escolhida.
Muitas linguagens modernas de programação têm suporte a bibliotecas para essa separação
entre valores e chaves, inclusive Java e XUL (XML User Interface Language, parte da estrutura
dos aplicativos Mozilla). Se você estiver criando um aplicativo internacionalizado e puder
escolher uma linguagem de desenvolvimento, é altamente recomendado que você examine os
recursos de internacionalização de cada uma das linguagens de programação consideradas,
pois algumas contam com melhor suporte do que outras.
Um exemplo de um par valor/chave para localidade inglês norte-americano é:
HELLO_KEY=Hello there!
Extrair todo o texto presente na interface do usuário é um trabalho tedioso, embora seja
possível usar alguma automação. Esse é um motivo importante para internacionalizar o
aplicativo desde o início, pois é mais fácil garantir que houve extração de todo o texto quando se
faz isso já no começo: o aplicativo tem menos complicadores, e os recursos ou componentes
adicionais podem ser internacionalizados um a um.
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Nesse ponto, o desenvolvedor deve começar a analisar também o processo de localização:
como traduzir, testar e implantar com eficácia todo o texto? No caso de textos armazenados
em arquivos, o aplicativo de cotações usou uma combinação de planilhas Excel para entrada
de dados, um banco de dados Access para armazenar todas as strings localizadas e vários
scripts para extrair e gerar arquivos a serem usados pelo aplicativo Web.
Além da mera substituição do valor da chave, talvez convenha colocar conteúdo dinâmico em
uma string que será localizada. Geralmente, isso é feito com outro tipo de token para
representar o conteúdo dinâmico. Segue-se um exemplo em Java:
HELLO_KEY=Olá {0}!
Na interface de usuário do aplicativo, não só “HELLO_KEY” será substituído por “Olá {0}!”,
mas o token “{0}” poderá ser substituído dinamicamente por qualquer valor que o aplicativo
forneça. Essa substituição de token é extremamente útil quando se lida com idiomas que têm
outra ordem de sujeito-verbo-objeto. Em Java, existe suporte a bibliotecas para essa
funcionalidade. Você pode obter mais informações em
http://java.sun.com/j2se/1.5.0/docs/api/java/text/MessageFormat.html.
Arquivos específicos a localidades funcionam bem quando o texto é raramente alterado. No
entanto, no aplicativo de cotações, havia uma quantidade significativa de texto dinâmico —
principalmente dados de produto. Embora a maioria dos bancos de dados modernos aceite
armazenar dados UTF, os desenvolvedores precisam ter certeza de que o banco está
configurado corretamente e de que todas as outras ferramentas usadas para manipular esses
dados também estejam equipadas para isso. O aplicativo de cotações foi criado em Oracle, que
aceita o conjunto de caracteres UTF — os desenvolvedores só precisavam se assegurar de que
a variável de ambiente NLS_LANG estava definida como “american_america.AL32UTF8”.
Também foi preciso que outros aplicativos, como o SQL*Loader, estivessem configurados
corretamente para lidar com caracteres de byte múltiplo.
Tenha cuidado ao usar strings UTF como chaves em tabelas hash ou em bibliotecas de
terceiros. Itens que parecem iguais na tela talvez não sejam a mesma string de caracteres
UTF. Por exemplo, a combinação de caracteres de acento pode ou não ser usada para
representar acentos. (Para saber mais a respeito, consulte as perguntas freqüentes sobre
Unicode em http://unicode.org/faq/char_combmark.html#2)
Em geral, a formatação de números e datas é executada pelas bibliotecas de idiomas
(http://java.sun.com/j2se/1.5.0/docs/api/java/text/DateFormat.html). No aplicativo de
cotações, em vez de usar formatadores de data e número, foram aproveitados os arquivos
específicos à localidade. Foram acrescentadas duas chaves, uma para formatação de
números e outra para formatação de datas. Cada uma delas seria extraída e transmitida
para a classe adequada de formatação sempre que se exibisse para o usuário uma data ou
um número. Isso significa que todas as informações específicas à localidade estavam
armazenadas em um arquivo. Além disso, as bibliotecas Java não poderiam processar os
códigos do aplicativo para localidades fora do padrão, o que, como mencionado acima, seria
necessário para fins de compatibilidade.
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As regras comerciais são extremamente específicas aos aplicativos e são a segunda parte
mais importante da internacionalização de um aplicativo — a primeira é a exibição da
interface no idioma preferencial do usuário. Os desenvolvedores devem estar atentos às
regras comerciais relativas às localidades e criar suporte a elas desde o início. Por exemplo,
no aplicativo de cotações, usuários em países diferentes teriam conjuntos diferentes de
produtos disponíveis. Poucas linguagens ou estruturas fornecerão algum suporte, pois essas
regras dependem muito do aplicativo. Dessa forma, os desenvolvedores devem planejar a
inclusão de conjuntos de regras personalizadas conforme a localidade escolhida.
Observe que isso permite alguns tipos de ataques à segurança — se os usuários franceses
forem impedidos de comprar determinados itens permitidos aos japoneses, um francês que
fale japonês poderá escolher a localidade japonesa e ver os itens proibidos. Como em geral é
solicitado que o usuário escolha uma localidade, eles podem driblar algumas regras comerciais
que se baseiem nessa escolha. Assim, às vezes é necessário implementar processos
comerciais para lidar com questões específicas à localidade. No caso mencionado acima, as
centrais de atendimento que perceberem uma cotação indevida poderão escolher ignorá-la ou
responder diretamente ao usuário, informando que sua localidade não é permitida.
A classificação correta de texto de determinada localidade é uma questão complicada. Mais uma
vez, parece haver algum suporte a bibliotecas
(http://java.sun.com/j2se/1.5.0/docs/api/java/text/Collator.html), mas inicialmente o aplicativo
de cotações não aceitava classificações específicas a localidade. No entanto, versões posteriores
exigiram que o aplicativo classificasse texto localizado. Em vez de usar o suporte a bibliotecas,
foi criada uma interface personalizada para permitir que os usuários comerciais tivessem a opção
de definir a ordem de classificação para qualquer coluna em uma tabela. Isso permitiu que os
administradores aplicassem à coluna uma classificação alfanumérica padrão, e que os usuários,
depois, pudessem alterá-la.
Uma vez que todo o texto da interface do usuário tenha sido substituído por tokens, inclusive
— se for preciso — a formatação de datas e números, pode-se executar o aplicativo e testar a
interface. A geração de fato da interface de usuário do aplicativo é feita quando este sabe a
localidade do usuário, de forma que o idioma, a formatação de números e outros recursos
específicos à localidade sejam adequados e exibidos corretamente. Em aplicativos de desktop,
isso pode ser feito na instalação; em aplicativos Web, a substituição geralmente é feita em
tempo de execução.
Questões operacionais
A internacionalização é mais do que simplesmente extrair strings de arquivos e descobrir a
localidade da preferência de um usuário. Em aplicativos Web, a disponibilidade pode ser um
desafio. Implantar novas versões do aplicativo de cotações foi um problema, devido aos variados
fusos horários dos países incluídos. A implantação do aplicativo afetou severamente sua
disponibilidade durante um curto período pois, quase sempre, em algum lugar ainda era de tarde
no horário comercial. Embora os desenvolvedores pudessem visualizar os logs de uso e encontrar
um horário nos dias úteis em que um mínimo de pessoas estivesse usando o aplicativo, esse
período só servia para implantações rápidas ou alterações de configuração. Em qualquer situação
que exigisse mais do que alguns minutos de paralisação, a solução era implantar na noite de
sexta-feira ou no sábado, que já é fim de semana em todos os fusos horários. Mas isso não era
muito aceito pelos desenvolvedores que davam suporte ao aplicativo.
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Além disso, do ponto de vista da modelagem de dados, os aplicativos internacionalizados
podem dar um pouco de dor de cabeça. Em todas as tabelas que contenham texto a ser
exibido para um usuário, existirá uma chave para a tabela de localidades. O aplicativo de
cotações ficou com aproximadamente trinta tabelas com chaves externas para a tabela de
localidades. Uma alternativa é inserir redundâncias de dados (de-normalize) nas informações
de localidade e colocar o código real, em vez de uma chave externa, em todas as tabelas que
contiverem texto exibido para o usuário. Quando essa alternativa é escolhida, pode-se usar
disparadores para validação e para forçar a exatidão da localidade. Ambas as soluções são
perfeitamente razoáveis para atender aos requisitos comerciais e dar suporte ao aplicativo,
mas são difíceis de administrar e, o que não é tão importante, um pouco desagradáveis do
ponto de vista dos dados.
Lições aprendidas
O aplicativo de cotações não tinha, de imediato, suporte a todos os 27 países — as
localidades foram acrescentadas aos poucos. Essa abordagem gradual permitiu resolver
questões específicas aos processos, especialmente o de localização. Ela permitiu também
que a manutenção e administração do site amadurecessem.
O uso de códigos de localidade padrão sempre que possível maximiza a compatibilidade e
pode evitar muita dor de cabeça. No entanto, talvez existam fortes razões comerciais
proibitivas, e a incompatibilidade poderá ser contornada.
A internacionalização deve ser considerada desde o primeiro momento. Além do tédio de extrair
todas as strings presentes na interface do usuário, a complexidade do suporte às regras
comerciais recomenda a criação de algum suporte em todos os aplicativos, desde o início.
Em resumo, a internacionalização de software, seja ele de desktop ou de Web, não é tão difícil
assim. Há um número definido de questões a serem tratadas, sendo que a mais longa e
tediosa é a extração, para arquivos separados, de todas as strings exibidas. Quase todas as
tarefas de internacionalização ficam mais fáceis se forem levadas em conta desde o começo do
projeto, em vez de serem deixadas para o final — e, do ponto de vista da internacionalização,
passar de uma localidade para duas geralmente é mais difícil do que passar de duas para N
localidades. A maioria das linguagens modernas de programação tem um amplo suporte a
bibliotecas para internacionalização, que deve ser aproveitado sempre que possível.
Dan Moore é um consultor independente que
tem trabalhado com tecnologias de Web desde
1997. Ele colaborou com a Zia Consulting na
expansão do aplicativo Web de cotações descrito
acima e familiarizou-se com as “pegadinhas” da
localização e internacionalização de software.
Dan tem escrito artigos e feito apresentações
para grupos técnicos locais sobre temas que vão
da internacionalização ao uso de Java no celular
e à tecnologia de autenticação Java. Formado
em Física pelo Whitman College, ele mantém um blog que abrange vários tópicos técnicos (e
umas elucubrações ocasionais) em http://www.mooreds.com/weblog.
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