PAPEL DO ENFERMEIRO NO TRATAMENTO A USUÁRIOS DE

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ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO TRATAMENTO DO
DEPENDENTE QUIMICO DE COCAÍNA E CRACK
Manoel Freitas GOUVEA¹, Gustavo Henrique Gomes Arcanjo SILVA²,
Cláudio Vieira de LIMA³
¹Estudante de Enfermagem – Enfermagem / UninCor – e-mail: [email protected]
²Estudante de Enfermagem – Enfermagem / UninCor – e-mail:
³Orientador e professor no Curso de Enfermagem – Enfermagem / UninCor – e-mail:
[email protected]
Palavras-Chave: Enfermagem, Usuários de drogas, Complicações da
droga
RESUMO
No Brasil o consumo e o conhecimento da Cocaína e Crack iniciaram-se nos anos 80,
os maiores consumidores da droga são jovens, com escolaridade baixa, de classe baixa, média
e alta, homens que possuem ou não estrutura familiar. A partir dos anos 90, 77% dos usuários
foram internados por uso de substâncias psicoativas (drogas), sendo considerado pela
Organização Mundial da Saúde como problema de saúde publica. O uso da droga injetável
apresenta risco quanto ao método, sendo assim um fator importante para a transmissão de HIV
e Hepatite C. A forma de conseguir a droga muitas vezes favorece a expansão das doenças e
aumenta a dependência dos usuários que trocam o sexo sem proteção pela droga. O aumento
de usuários no Brasil demonstra a necessidade de informação e conhecimento sobre efeitos
causados pelas drogas, por isso o objetivo deste trabalho foi identificar a importância do papel
do enfermeiro junto a familiares e usuários durante o tratamento, visto que dentre as
atribuições do enfermeiro encontra-se a promoção, proteção e educação. A metodologia
utilizada neste estudo foi a revisão de literatura e o desenvolvimento do texto a partir da leitura
e analise de informações tiradas de artigos publicados. Durante o tratamento o enfermeiro deve
ouvir queixas dos pacientes e encorajá-los a continuar o tratamento, observar se os
medicamentos prescritos estão sendo administrado corretamente, estimular a socialização,
proporcionar atividades e promover o auto cuidado.
SUMMARY
In Brazil the use and knowledge of the cocaine and crack began in the '80s, the biggest consumers of drugs are
young people with low education, low-class, medium and high, or men who have no family structure. From 90 years,
77% of users were hospitalized for psychoactive substance use (drugs), and considered by the World Health
Organization as a public health problem. The injectable drug use presents a risk to the method, so an important factor
for the transmission of HIV and Hepatitis C. The way to get the drugs often favors the expansion of disease and
increases the dependence of users who exchange sex without protection by the drug. The increase of users in Brazil
demonstrates the need for information and knowledge on the effects caused by drugs, so the objective of this study
was to identify the important role of the nurse along with family members and users during the treatment, considering
that among the duties of the nurse is the promotion, protection and education. The methodology used in this study
was the literature review and development of the text from the reading and analysis of information taken from
published articles. During treatment the nurse should listen to patient complaints and encourage them to continue
treatment, see if prescription drugs are being administered correctly, encourage socialization, provide activities and
promote self care.
Keyword: nursing, drug users, drug complications.
1 INTRODUÇÃO
O abuso de cocaína/crack está associado
Nos últimos anos, uma nova forma da
a inúmeros problemas de ordem física,
cocaína tem-se tornado disponível em
psiquiátrica e social. No mundo, estima-
nosso meio. Esse produto, denominado
se que 14 milhões de pessoas façam uso
crack, é uma forma potente de cocaína
abusivo de cocaína. No Brasil, de
que resulta em rápido e notável efeito
acordo
Levantamento
estimulante quando fumado. A euforia
Domiciliar sobre o uso de Drogas,
ocorre dez segundos após a inalação,
realizado pelo Centro Brasileiro de
com o pico de concentração plasmática
Informações sobre Drogas Psicotrópicas
da cocaína atingido entre 5 e 10 minutos
(CEBRID), constatou-se que 7,2% dos
após
indivíduos do sexo masculino, entre 25
semelhantes só são atingidas após uma
e 34 anos de idade, já usaram a droga, e
hora da administração intranasal de uma
dados
recentes
dose equivalente3. O crack é resultado
mostram que o uso de cocaína/crack
da adição de bicarbonato de sódio e
vem crescendo nos últimos anos entre
adulterantes ao
os estudantes do ensino médio e
(“pó”). Após o aquecimento dessa
fundamental,
os
mistura, obtém-se um resíduo seco que
pacientes que procuram atendimento
é vendido na forma de pequenas
nas clínicas especializadas. (CUNHA)
“pedras” que podem ser fumadas em
com
o
I
epidemiológicos
bem
como
entre
a
inalação.
Concentrações
cloridrato de cocaína
cachimbos, cigarros e outros objetos
improvisados. O nome crack provém do
drogas e Usuários de cocaína e crack. O
barulho que é produzido pela quebra
levantamento
dessas “pedras”. Quando fumado, o
indexadores
crack produz pequenas partículas que
Internacional em Ciências da Saúde),
são
PubMed,
absorvidas
rapidamente
pelos
foi
realizado
MEDLINE
LILACS
em
nos
(Literatura
(Literatura
pulmões, conduzindo imediatamente ao
Latinoamericana
Ciências
aparecimento dos efeitos. A velocidade
Saúde),
desse processo parece ser um dos
(Scientific Electronic Library Online),
fatores responsáveis pelo seu alto poder
BIREME e revisão bibliográfica.
COCHRANE,
da
SCIELO
de adição. (FERRI).
O tratamento aos usuários de drogas é
3 REFERENCIAL TEÓRICO
um processo longo e doloroso tanto ao
usuário
quanto
a
família
que
Em revisão publicada recentemente,
acompanha. A enfermagem tem um
observa-se que, no Brasil, a cocaína tem
papel importante e fundamental e pode
despertado interesse cada vez maior da
encorajar o paciente nos momentos de
mídia e dos pesquisadores, nos últimos
maior angustia e solidão. E ele
tem
anos. Em relação ao crack, apesar de
como papel, trabalhar o psícologico do
indícios do seu consumo crescente,
paciente e dos familiares, com as
poucos
orientações sobre a doença em si e seu
desenvolvidos no sentido de entender
tratamento, com a retomada de suas
esse
atividades sociais.
comprometedor.
trabalhos
uso,
têm
sido
potencialmente,
No
mais
tão
recente
levantamento realizado pelo Centro
Brasileiro de Informações sobre Drogas
2 METODOLOGIA
(CEBRID), setor do Departamento de
Psicobiologia da EPM, entre estudantes
Foi realizado trabalho bibliográfico do
e meninos de rua, parece nítido o
ano de 1997 a 2010 sobre o tema Papel
aumento do uso de cocaína, em todo o
do enfermeiro no tratamento a usuários
Brasil, com destaque para São Paulo e
de cocaína e crack, destacando a
Rio de Janeiro. O crescimento do uso de
importância da enfermagem durante a
crack é muito mais evidente em São
reabilitação de usuários de drogas
Paulo do que nas outras cidades,
ilícitas.
havendo
Utilizando-se
chave: Enfermagem
as
palavras-
em tratamento
prevalência
diferença
importante
do
dessa
uso
na
droga
(cocaína)
e
das
suas
formas
de
comportamentos
de
risco
para
a
administração nas diversas regiões do
transmissão do vírus HIV em nosso
país. Na Região Nordeste, por exemplo,
meio,
o uso de cocaína é muito pequeno entre
investigar os hábitos de usuários de
os estudantes. ( CUNHA)
drogas
As relações que envolvem o uso/abuso
consideração
de drogas se apresentam como um
(DUNN e LARANJEIRA)
fenômeno multifacetado e multicausal,
O aumento da procura de tratamento por
que extrapola limites impostos aspectos
usuários
antropológicos, de classe social, credo e
relacionado com a aparente tendência de
raça,
e
diminuição da procura de tratamento
abrangendo todas as esferas das relações
por usuários da via injetável. No
humanas e dos segmentos sociais em
entanto, seriam necessários estudos
suas dimensões individual e coletiva.
específicos para avaliar essa questão.
( MOUTINHO )
Por outro lado, estudos realizados nos
Diversas são as barreiras para um
EUA detectaram indícios de uma forte
dependente de substâncias psicoativas
associação entre uso do crack e
chegarem a um tratamento. Em países
transações de sexo por drogas ou
em desenvolvimento, a principal delas
dinheiro17.
deve ser a não-universalização, de fato,
considerando a via de administração, o
dos atendimentos pelo sistema público
usuário de crack pudesse ter menor
de
que
risco de contaminação pelo HIV, esse
algumas barreiras sejam externas aos
risco poderia estar aumentado pelo
indivíduos (decorrentes, por exemplo,
comportamento
da precariedade no sistema de saúde ou
Considerando que no Brasil, até maio
das características dos programas de
de 1994, haviam sido notificados
tratamento
oferecidos),
11.485 casos de homens infectados em
inicialmente,
abordá-las
não respeitando
saúde.
Entretanto,
fronteiras
mesmo
interessa,
ser
brasileiros
a
de
utilizada
e
levando
cultura
crack
Desta
para
em
brasileira.
poderia
forma,
sexual
estar
embora,
de
risco.
são
razão do uso de drogas e 13.905
pelos
infectados por relações homossexuais,
próprios sujeitos que procurarão – ou
torna-se urgente avaliar o potencial
não – o atendimento. ( FONTANELLA)
disseminador
Há a necessidade de criação de uma
comportamento sexual de risco dos
entrevista estruturada para avaliar a
usuários de drogas. (FERRI)
história de uso de drogas e os
3.1 HISTORIA
subjetivamente
como
podendo
percebidas
do
vírus
HIV
pelo
forma cíclica durante aquela década,
Os relatos de uso da cocaína datam de
tendo atingido o pico de consumo por
mais de 1200 anos, quando os nativos
volta de 1998. Nesse período, inúmeros
sul-americanos dos Andes usavam a
trabalhos foram publicados na literatura
folha da Erythroxylon coca, por suas
internacional a respeito do crescimento
propriedades estimulantes. A cocaína é
dessa via de administração da cocaína,
um alcalóide extraído da folha da
dos seus
Erythroxylon coca; pode ser encontrada
efeitos no organismo, assim como das
em duas formas: sal de hidrocloreto e
características particulares dos seus
“base livre”. A primeira pode ser usada
usuários,
por via oral, venosa ou intranasal; a
criminalidade, comportamento sexual e
“base livre” é a mistura da cocaína com
influência no risco de transmissão da
a amônia e o bicarbonato de sódio,
AIDS. (FERRI)
sua
relação
com
usada para fumar e mais conhecida
como crack, considerada a forma mais
3.2 COMPLICAÇÕES E RISCOS
potente da droga. (GAZONI)
A
cocaína
foi
usada
Um dos aspectos muito importantes no
séculos;
uso do crack é a dimensão dos
acredita-se que originalmente utilizada
problemas físicos associados. No trato
por
que
respiratório, têm sido observados vários
mastigavam as folhas. Os incas, por
problemas como: tosse, expectoração
exemplo, acreditavam que a folha da
enegrecida, dor peitoral, redução da
coca fosse um presente do deus Sol e a
função pulmonar, com capacidade de
usavam durante suas cerimônias. O
expiração comprometida e, em casos
primeiro uso medicinal da cocaína na
mais graves, pneumotórax espontâneo e
Europa é datado de 1884, como um
enfisema no mediastino. No aparelho
anestésico local para cirurgia ocular.
cardiovascular, o aumento da freqüência
Atualmente seu uso farmacológico é
cardíaca e da PA e o notável efeito
aprovado como anestésico local tópico
vasoconstritor podem levar a uma
na mucosa nasal, oral ou cavidade
parada
laríngea. (GAZONI)
associados ao uso de crack são necrose
Nos Estados Unidos, o uso do crack
muscular, problemas neurológicos como
tornou-se popular em meados dos anos
convulsões e hemorragias cerebrais, e
80. Seu desenvolvimento deu-se de
problemas psiquiátricos
farmacologicamente
indígenas
por
sul-americanos
cardíaca.
Outros
efeitos
como paranóia, depressão severa e
cardiovascular.
ataques de pânico. Alguns estudos
cocaína
detectaram
atendimento de emergência. Já as suas
importantes
alterações
Os efeitos agudos da
freqüentemente
neurológicas nos filhos de usuárias de
manifestações
crack, como retardo no crescimento
doenças
intra-uterino, menor perímetro cefálico,
produzir alterações de difícil correlação
tremores,
rigidez
futura ao seu consumo prévio. O uso
transitórias.
prolongado da cocaína está relacionado
muscular
irritabilidade,
e convulsões
crônicas,
motivam
como
cardiovasculares,
à
A cocaína e o crack são drogas que
ventricular esquerda por hipertrofia ou
lesionam uma grande área do trato
dilatação
miocárdica,
aerodigestivo superior, abrangendo a
disritmias
cardíacas,
mucosa
cardiomiócitos
o
septo
nasal,
os
cornetos, a faringe, a mucosa oral, a
da
podem
(FERRI).
nasal,
alteração
as
função
e
sistólica
aterosclerose,
apoptose
lesão
de
simpática.
(GAZONI).
laringe e, até mesmo, a região superior
do esôfago. Isso ocorre devido não
apenas aos seus efeitos
3.3 ENFERMAGEM DURANTE O
TRATAMENTO
irritativo e vasoconstritor, mas também
Estudos têm demonstrado que a cocaína
porque a inalação de gases quentes em
atua e promove alterações em regiões
uma mucosa anestesiada pode levar a
hipocampais, modificando o mecanismo
uma queimadura. Além disso, diversas
de
substâncias que fazem parte dos frascos
envolvido no processo de formação de
usados para aquecer o crack – como
novas memórias. A diminuição na
tinta,
disponibilidade
material
plástico,
restos
no
Long-Term
Potentiation
de
(LTP),
dopamina
e
recipiente e outros – são inaladas,
serotonina nestas áreas, durante a
podendo ocasionar lesões às mucosas
abstinência, tem sido associada com
oronasais. (NASSIF).
déficits de aprendizado e memória.
A cocaína é encontrada em duas formas
Resultados semelhantes quanto aos
distintas: alcalóide purificado, base
déficits de memória e aprendizagem já
livre, e o sal de hidrocloreto; seu uso
foram
tem sido associado a efeitos decorrentes
internacional, e estas alterações podem
da toxicidade aguda e crônica em
prejudicar
praticamente
capacidade
particularmente
todos
os
no
órgãos,
sistema
descritos
na
literatura
significativamente
do
paciente
a
incorporar
estratégias necessárias para a prevenção
por usuários da via injetável. No
de recaídas. (CUNHA)
entanto, seriam necessários estudos
São
encontrados
prejuízos
específicos para avaliar essa questão.
neurocognitivos em dependentes de
Por outro lado, estudos realizados nos
cocaína/crack quando comparados a
EUA detectaram indícios de uma forte
indivíduos normais, alterações em testes
associação entre uso do crack e
de atenção, fluência verbal, memória
transações de sexo por drogas ou
visual, memória verbal, capacidade de
dinheiro.
aprendizagem e funções executivas.
considerando a via de administração, o
Dados mostram evidências de que o
usuário de crack pudesse ter menor
abuso de cocaína está associado a
risco de contaminação pelo HIV, esse
déficits
risco poderia estar aumentado pelo
neuropsicológicos
Desta
forma,
significativos, semelhantes aos que
comportamento
ocorrem em transtornos cognitivos,
Considerando que no Brasil, até maio
possivelmente relacionados a problemas
de 1994, haviam sido notificados
em regiões cerebrais pré-frontais e
11.485 casos de homens infectados em
temporais. O conhecimento de danos
razão do uso de drogas e 13.905
neuropsicológicos específicos pode ser
infectados por relações homossexuais,
útil no planejamento de programas de
torna-se urgente avaliar o potencial
prevenção e tratamento mais efetivos
disseminador
para
comportamento sexual de risco dos
abuso
de
cocaína/crack..
sexual
embora,
do
de
vírus
HIV
risco.
pelo
(CUNHA).
usuários de drogas. (FERRI)
O estudo do padrão de consumo de
O dependente químico tem ficado entre
drogas
em
é
de
o loucura e o crime, ocupando o lugar
para
a
do doente mental e do transgressor da
compreensão da natureza dos distúrbios
lei, ambos excluídos pela sociedade e
decorrentes desse uso, bem como para a
rotulados ora como doentes e ora como
determinação das políticas de saúde
delinquentes(18).
(prevenção e tratamento) dirigidas a
propostas de tratamento da dependência
esse problema. (FERRI).
química propõe a institucionalização do
O aumento da procura de tratamento por
sujeito, sendo as principais abordagens:
usuários
médico-farmacológicas,
fundamental
de
dependentes
importância
crack
poderia
estar
relacionado com a aparente tendência de
socioculturais
diminuição da procura de tratamento
(ROSENSTOCK)
A
e
maioria
das
psicossociais,
religiosas.
A internação em si não é o tratamento,
cuidados e incentiva o paciente a não
mas
apenas
enfrentamento
situações
uma
da
especiais,
estratégia
de
desistir do tratamento.
dependência
em
Estudos
objetivando
a
mais
detalhados
comportamento da
sobre
o
população usuária
promoção inicial de abstinência do uso
são necessários, considerando que cada
ou a terapia de complicações advindas
subgrupo
do consumo abusivo. No restante dos
apresenta especificidades que podem ser
casos, a opção pelo acompanhamento
fundamentais
ambulatorial se impõe como a melhor,
políticas de tratamento e prevenção.
não excluindo o paciente de seu
(FERRI,)
ambiente
A enfermagem deve estar ciente de que
e
investindo
responsabilidade
pelo
na
co-
tratamento.
os
de
usuários
no
indivíduos
de
planejamento
que
apresentam
problemas
A ajuda psicológica que a enfermagem
substancias também tende a desenvolver
pode e deve fornecer aos pacientes um
múltiplos
apoio moral, pessoal, familiar e social.
emagrecimento
Durante o tratamento o enfermeiro deve
cartilaginosa
ouvir queixas dos pacientes e encorajar-
principalmente
los a continuar o tratamento, observar se
abusivo. O plano completo de cuidados
os medicamentos prescritos estão sendo
de enfermagem incluiria o diagnostico
administrado corretamente, estimular a
de todas as necessidades de cuidados de
socialização, proporcionar atividades e
enfermagem do usuário. (STUAT)
promover o auto cuidado. Após o
O enfermeiro tem um importante papel
tratamento a enfermagem deve orientar
de educador em saúde, e para que sua
a família e o paciente sobre o controle
função
ambulatorial doando informações e
corretamente é necessário que estes
apoio para que adote condutas práticas
enquanto
educadores
dispam-se
que promovam a saúde mental e reduza
qualquer
preconceito
para
a
assistência prestada a esses pacientes
da
abstinencia
da
uso
das
(ROSENSTOCK)
ansiedade
de
cocaína
abusivo
problemas
físicos
precoce,
nasal,
como
tal
como,
destruição
etc...
quando
de
o
seja
isto
uso
é,
for
exercida
que
de
a
dependencia quimica. (LIMA)
seja eficaz, adequada e irrefutavelmente
O cuidado e o conhecimento sobre o
humana. Pois, reconhecer o outro como
efeito e a falta da droga causada aos
sujeito é uma imposição àqueles que
pacientes em reabilitação facilitam os
desejam
exercer
sua
profissão
na
assistência
ao
usuário
de
drogas.
(LOPES)
Alguns estudos de literatura alertam
para as limitações nos estudos de
populações específicas, como é o caso
dos
4 DISCURSSÃO
usuários
encontram
de
em
drogas
que
tratamento.
se
Estes
indivíduos parecem apresentar uma
As
instituições
de
os
diferença significativa quanto ao padrão
profissionais ali imersos como atores do
de uso e outras características, quando
processo são importantes mecanismos
comparados
a
de preservação da qualidade de vida do
dependentes
que
indivíduo e da sociedade em geral.
tratamento. No entanto, esses dados são
Assim, a enfermeira é a profissional
úteis como indicadores indiretos, sendo,
com maior campo de ação neste âmbito,
freqüentemente, utilizados para avaliar a
e tem, portanto, de se capacitar para
prevalência
entender o fenômeno das drogas no
abusivo.
contexto social, político, econômico e
especificamente, o padrão de uso e
humano,
que
outras características parecem diferir,
do
quando comparados não apenas com
com
contribuam
para
saúde
e
estratégias
a
superação
problema. (ABARCA)
Houve
aumento
da
procura
de
de
populações
de
não
em
estão
usuários
Em
relação
populações
que
tratamento,
mas,
com
ao
não
uso
crack
estão
também,
em
com
tratamento por usuários de crack nos
populações que fazem uso abusivo de
últimos quatro anos, em
outras drogas. (FERRI)
serviços
públicos. Esse aumento ressalta a
A pratica profissional perpassa pelo
necessidade de um conhecimento mais
campo
amplo das características desse tipo de
subjetividade
usuário que permita uma abordagem
experiências,
valores.
terapêutica mais eficiente. Alguns dados
sentimentos
sobre
de literatura indicam que a aderência
vivenciados.
No
desses
fenômeno
usuários
a
programas
de
do
conhecimento
refletindo
das
a
e
crenças,
Ideologias
os
que
da
e
fenômenos
diz
drogas,
respeito
torna-se
tratamento é ainda menor que a de
fundamental
identificação
dos
abusadores de outras drogas ou de
princípios que norteiam as concepções
cocaína por outra via de administração.
dos enfermeiros, permitindo a análise e
(FERRI)
compreensão de sua atuação diante do
problema. Nesse sentido, cabe notar que
enfermeiros
são
com
e a confiança do paciente. Confiando e
amplas possibilidades de acesso aos
se sentindo seguro e protegido o
indivíduos envolvidos com o fenômeno
paciente dificilmente terá pudor em
das drogas em todas as fases do
falar sobre seu uso de drogas e
problema,
a
consequentemente não faltará com a
importância de inclusão destes nas
verdade para com o profissional de sua
estratégias
confiança. (LOPES)
o
profissionais
que
de
caracteriza
enfrentamento
do
uso/abuso de drogas. (MOUTINHO)
Ao atuar com usuários de drogas o
5 CONCLUSÃO
enfermeiro deve pesquisar, provar e
testar modos de cuidar que sejam
O uso abusivo de Cocaina e Crak bem
resolutivos, sem perder a característica
como outras drogas( maconha, alcool,
humana
Terapia
etc...) é considerado pela organização
Comunitária, por exemplo, é um espaço
mundial da saúde( OMS ) como um
onde se procura partilhar experiências
grave problema de saúde publica.
de vida e sabedorias de forma horizontal
A cocaina e o crak podem causar danos
e circular, cada um torna-se terapeuta de
irreversíveis que vão desdeproblemas
si mesmo, a partir da escuta das
orgânicos ate na vida social/ familhar do
histórias de vida que ali são relatadas.
individuo usúario.
Neste espaço o enfermeiro é capaz de
Hoje sabe-se que o uso de cocaina e
reconhecer os problemas relacionados
crak, ultrapassou as fronteiras da classe
ao uso de drogas, bem como realizar o
social
acolhimento e breve sensibilização, pelo
assustador do consumo destas drogas.
confronto dos problemas relatados pelo
O conhecimento dos profissionais da
usuário e sua associação com o uso de
enfermagem sobre o asssunto, podem
drogas. (ROSENSTOCK)
facilitar o enfrentamento dos pacientes
O
no
vínculo
processo.
terapêutico
A
favorece
econômica,
daí
o
aumento
a
durante o tratamento, uma vez que
assistência à medida que o paciente se
pacientes em recuperação, passam por
sente mais a vontade para falar do seu
um duro periodo de abstinência onde a
problema ou até mesmo silenciar se for
falta da droga, pode causar alterações de
mais conveniente para ele. Desse modo,
humor, o que pode levar o paciente a
o vínculo terapêutico também é um
desistir do tratamento. A enfermagem
balizador das atitudes dos profissionais
deverá perceber estes sinais e oferecer o
que geram em contrapartida a segurança
conhecimento adquirido para fortalecer
a reabilitação. É importante ressaltar a
importância
da
CUNHA,
Paulo
J
et
al
.
do
Alterações neuropsicológicas em
tratamento no pós alta. Como a busca
dependentes de cocaína/crack
por
internados:
dados
religiosa dentre outras, para que não
preliminares. Rev.
Bras.
ocorram recaidas.
Psiquiatr., São Paulo, v. 26, n.
Outro desafio que não cabe somente aos
2, June 2004;
grupos
de
continuidade
•
apoio,
orientação
profissionais da enfermagem, mas de
•
DUNN, John; LARANJEIRA,
toda a sociedade, é de levar informação
Ronaldo R. Desenvolvimento de
para as pessoas com relação ao real
entrevista
risco das drogas, diminuir o preconceito
avaliar consumo de cocaína e
e a questão da reintegração dos ex-
comportamentos de risco. Rev.
usuarios a sociedade.
Bras. Psiquiatr., São Paulo, v.
O tratamento só terá sucesso se p
22, n. 1, Mar. 2000;
paciente
confiar
dificuldades
que
os
limites
serão
e
as
•
incontradas
estruturada
para
FERRI, C.P. et al . Aumento da
procura
de
tratamento
por
durante o tratamento.
usuários de crack em dois
“Doar conhecimentos, encorajar, entre
ambulatórios na cidade de São
outros
Paulo: nos anos de 1990 a
fazem
parte
do
papel
do
enfermeiro.”
1993. Rev. Assoc. Med. Bras.,
São Paulo, v. 43, n. 1, mar.
1997;
•
FONTANELLA,
Bruno
José
Barcellos; TURATO, Egberto
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Repercussões
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Enfermagem Psiquiatrica. 4 ed
Rio de Janeiro 2002;
Download