Fossas nasais

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Capítulo 17
Aparelho Respiratório
São os pulmões e tubos que comunicam o parênquima pulmonar com o meio
exterior. Há a porção condutora (fossas nasais, nasofaringe, laringe, traquéia, brônquios e
bronquíolos) e a porção respiratória (porções terminais da árvore brônquica  alvéolos 
onde ocorrem as trocas gasosas). Entre elas há uma porção curta, de transição.
Funções da condutora são limpar, umedecer e aquecer o ar inspirado para proteger o
revestimento dos alvéolos pulmonares. Sua mucosa é revestida por epitélio respiratório
(epitélio colunar pseudo-estratificado ciliado com células caliciformes) com glândulas
mucosas e serosas e rede vascular sanguínea na parte superficial da lâmina própria. Essa
mucosa é importante para o sistema imunitário, já que é rica em linfócitos isolados, nódulos
linfáticos, plasmócitos e macrófagos, protegendo o organismo contra as impurezas do ar. As
áreas da lâmina própria que contêm nódulos linfáticos são recobertas por células M (captam
antígenos, transferindo-os para linfócitos em cavidades amplas de seu citoplasma).
Fossas nasais
Formada por três regiões:
 Vestíbulo: porção mais anterior e dilatada, cuja mucosa é formada por epitélio plano
estratificado não queratinizado e por uma lâmina própria de conjuntivo denso. Os pêlos e
glândulas presentes são barreiras contra o pó;
 Área respiratória: maior parte das fossas nasais. Mucosa de epitélio respiratório que
repousa sobre uma lâmina basal, à qual se segue uma lâmina própria fibrosa com glândulas
mistas, cuja secreção ajuda a manter úmidas as paredes das cavidades nasais. Possui seis
tipos celulares:
 Célula colunar ciliada: mais abundante; possui numerosas mitocôndrias (ATP é
essencial para batimentos ciliares) sob os corpúsculos basais. Quando cílios e flagelos são
imóveis, por deficiência de dineína, que move os microtúbulos, ocorre a síndrome dos
cílios imóveis (infecção das vias respiratórias e esterilidade masculina);
 Células caliciformes: secretam muco, que prende microrganismos e partículas
inertes, sendo então deslocado em direção à faringe por batimento ciliar sincrônico;
 Células em escova: possui numerosos microvilos nas superfícies apicais. Há um tipo
que possui características de célula imatura e provavelmente é uma reserva para substituir
células ciliadas e caliciformes e outro tipo que apresenta expansões dendríticas (receptor
sensorial) em sua base;
 Células basais: pequenas e arredondadas, apoiadas na lâmina basal mas não se
estendem na até a superfície livre do epitélio. Multiplicam-se continuamente, por mitose, e
originam os demais tipos celulares do epitélio respiratório;
 Célula granular: células endócrinas que atuam como efetoras na integração das
secreções mucosa e serosa. Todas as células do epitélio respiratório apóiam-se na lâmina
basal.
 Área olfatória: parte superior das fossas nasais; sensibilidade olfativa.
Seios paranasais
Cavidades nos ossos frontal, maxilar, etmóide e esfenóide revestidas por epitélio
respiratório só que mais baixo e com poucas células caliciformes. O muco aí produzido é
drenado para as fossas nasais.
Nasofaringe
Primeira porção da faringe. Revestida por epitélio respiratório, substituído por plano
estratificado na região em que a faringe entra em contato com o palato mole.
Laringe
Tubo de forma irregular que une a faringe à traquéia. Suas paredes contêm peças
cartilaginosas irregulares, unidas entre si por conjuntivo fibroelástico. As peças maiores
(tireóide, cricóide e a maior parte das aritenóides) são do tipo hialino; as demais são do tipo
elástico.
A mucosa forma dois pares de pregas na luz da faringe. O primeiro par, superior, são
as falsas cordas vocais (ou pregas vestibulares). A lâmina própria dessa região é frouxa e
contém numerosas glândulas. O segundo par são as cordas vocais verdadeiras, com
conjuntivo elástico, e às quais se seguem os músculos intrínsecos da laringe (modificam a
abertura das cordas vocais, produzindo sons de diferente tonalidades).
Na face ventral e em parte da face dorsal da epiglote e nas cordas vocais verdadeiras,
o epitélio está sujeito a atritos. Assim, é do tipo estratificado plano não queratinizado. A
lâmina própria é rica em fibras elásticas e pequenas glândulas mistas  essas glândulas não
estão presentes nas cordas vocais verdadeiras. Nas outras regiões é do tipo respiratório.
Traquéia
Tubo revestido internamente por epitélio respiratório. A lâmina própria é de
conjuntivo frouxo, rico em fibras elásticas. Contém glândulas mucosas (barreira às partículas
de pó). Além disso, há linfócitos e acúmulos linfocitários ricos em plasmócitos (nódulos e
linfonodos) ao longo da porção condutora do aparelho respiratório. Há uma camada
submucosa.
A traquéia apresenta de 16 a 20 peças cartilaginosas do ripo hialino, em forma de C,
cujas extremidades livres estão voltadas para a região dorsal. São revestidas por pericôndrio,
que continua com um conjuntivo fibroso, unindo as cartilagens.
A região dorsal apresenta feixes musculares lisos.
É revestida externamente por conjuntivo frouxo (camada adventícia), que liga o
órgão aos tecidos vizinhos.
A traquéia se ramifica originando a árvore brônquica
A traquéia se ramifica em dois brônquios primários, que entram no pulmão através
do hilo. Dirigem-se para baixo e para fora, dando origem a três brônquios no pulmão direito
e dois no pulmão esquerdo (cada brônquio supre um lobo pulmonar). Dividem-se repetidas
vezes em brônquios cada vez menores, sendo os últimos ramos chamados de bronquíolos,
que penetra num lóbulo pulmonar (delimitados de forma incompleta por delgados septos
conjuntivos no adulto), onde se ramifica, formando de cinco a sete bronquíolos terminais.
Esses originam bronquíolos respiratórios. A ramificação da árvore é feita
dicotomicamente.
Brônquios
Nos ramos maiores a mucosa é idêntica à da traquéia; nos ramos menores o epitélio
pode ser cilíndrico simples ciliado. A lâmina própria é rica em fibras elásticas. Segue-se à
mucosa uma camada muscular lisa de feixes musculares em espiral. Externamente a essa
camada existem glândulas mucosas ou mistas, cujos ductos se abrem na luz brônquica.
As peças cartilaginosas são envolvidas por conjuntivo rico em fibras elásticas
(camada adventícia). Tanto na adventícia como na mucosa são freqüentes os acúmulos de
linfócitos.
A musculatura lisa dos bronquíolos é muito desenvolvida
Os bronquíolos não apresentam cartilagem, glândulas ou nódulos linfáticos. O
epitélio, nas porções iniciais, é cilíndrico simples ciliado, passando a cúbico simples, ciliado
ou não, na porção final. Células caliciformes diminuem muito. O epitélio apresenta corpos
neuroepiteliais que contêm células com grânulos de secreção e recebem terminações
nervosas colinérgicas (quimiorreceptores que reagem às alterações nas composição dos
gases). A lâmina própria é delgada e rica em fibras elásticas. Há uma camada muscular lisa
que se entrelaça com fibras elásticas, sendo contínua com o parênquima pulmonar.
A musculatura bronquiolar é relativamente mais desenvolvida que a brônquica (crises
asmáticas são causadas principalmente pela contração da musculatura bronquiolar).
Os brônquios terminais são revestidos por epitélio simples, colunar baixo ou cúbico, com
células ciliadas e não ciliadas
Têm estrutura semelhante à dos bronquíolos, mas com parede mais delgada, revestida
por epitélio colunar baixo ou cúbico, ciliado ou não. Possuem as células de Clara (grânulos
secretores de função mal conhecida).
Nos bronquíolos respiratórios aparecem os primeiros alvéolos e se iniciam as trocas de
gases
O bronquíolo respiratório é revestido por epitélio simples colunar baixo ou
cubóide. Músculo liso e fibras elásticas bem desenvolvidos. Paredes apresentam alvéolos.
Ductos alveolares
São ramificações dos bronquíolos respiratórios. Presença de inúmeros sacos
alveolares e alvéolos em suas paredes  parede muito descontínua. Há fibras colágenas e
elásticas e células musculares lisas. O revestimento epitelial é cúbico simples. Os feixes
musculares se dispõem em volta da abertura de um alvéolo, mas não se estendem pela parede
deste. Mas as fibras colágenas e elásticas continuam com a parede alveolar, sendo o único
sistema de sustentação presente. Os ductos alveolares são os últimos segmentos a
apresentarem musculatura lisa.
Saco alveolar e alvéolos
O ducto alveolar termina em um alvéolo simples ou em sacos alveolares constituídos
por diversos alvéolos.
Alvéolos são estruturas em forma de saco, sendo as últimas porções da árvore
brônquica, responsáveis pela estrutura esponjosa do parênquima pulmonar.
Suas paredes são constituídas por uma camada epitelial fina, associada a capilares
sanguíneos. É comum a dois alvéolos vizinhos (septo interalveolar, que contém a rede
capilar mais rica do organismo).
O transporte dos gases e as camadas pelas quais eles passam são observadas no
esquema:
AR ALVEOLAR
CO2
CITOPLASMA DO PNEUMÓCITO TIPO I
LÂMINA BASAL DO PNEUMÓCITO TIPO I
LÂMINA BASAL DO CAPILAR
CITOPLASMA DA CÉLULA ENDOTELIAL
SANGUE
O2
Pulmões possuem cerca de 300 milhões de alvéolos; superfície interna de cerca de 70
a 80 m2.
A parede interalveolar é formada por três tipos celulares principais:
 Células endoteliais: mais numerosas; núcleo menor e mais alongado. Endotélio é
contínuo (não fenestrado);
 Pneumócito tipo I: núcleo achatado fazendo um ligeira saliência para o interior do
alvéolo. Citoplasma muito delgado e apresenta desmossomos ligando células vizinhas. A
principal barreira à passagem de moléculas do sangue dos capilares para os alvéolos são as
junções entre os pneumócitos tipo I: as zônulas de oclusão são mais largas e elaboradas;
 Pneumócito tipo II: menos freqüentes, estão sempre sobre a membrana basal do epitélio
alveolar. Núcleo é maior e mais vesiculoso; citoplasma aparece vacuolizado. Apresentam
RER desenvolvido e microvilos na sua superfície livre. Presença de corpos multilamelares
(contêm fosfolipídios, proteínas e glicosaminoglicanas) responsáveis pelo aspecto
vesiculoso.
A parede alveolar possui uma fina película surfatante (lipoprotéica), que abaixa a
tensão superficial da parede, permitindo que os alvéolos sejam inflados com mais facilidade.
Há macrófagos alveolares no interior dos alvéolos.
O septo interalveolar pode conter um ou mais poros, comunicando dois alvéolos
vizinhos. Isso iguala a pressão nos alvéolos e pode fazer o ar circular caso ocorra a obstrução
de um bronquíolo.
A artéria pulmonar traz sangue venoso e a veia pulmonar transporta sangue oxigenado
para o coração; os vasos nutridores dos pulmões são as artérias e veias brônquicas
A circulação funcional são as artérias e veias pulmonares. A artéria pulmonar é do
tipo elástico e contém sangue venoso. Dentro do pulmão, ela se ramifica, acompanhando a
árvore brônquica; são envolvidos pela adventícia de brônquios e bronquíolos. No ducto
alveolar formam uma rede capilar em íntimo contato com o epitélio alveolar.
Originam-se, então, vênulas que correm pelos septos interlobulares. Após saírem dos
lóbulos, contendo sangue oxigenado, elas acompanham a árvore brônquica, indo para o hilo.
Os vasos nutridores são as artérias e veias brônquicas, menores do que as veias
pulmonares. A artéria brônquica também acompanha a árvore brônquica, mas vai só até os
bronquíolos respiratórios.
Os vasos linfáticos formam a rede profunda e a rede superficial, esta situada na pleura
visceral
Na rede profunda, os vasos linfáticos acompanham os brônquios e os vasos
pulmonares. São encontrados nos septos interlobulares, dirigindo-se todos eles para a região
do hilo.
A superficial compreende vasos linfáticos presentes na pleura visceral que também
vão para o hilo.
Nas porções terminais da árvore brônquica não existem vasos linfáticos.
O folheto parietal e o visceral da pleura são revestidos por mesotélio que apresenta grande
permeabilidade
Pleura é a serosa que envolve o pulmão, sendo formada por dois folhetos, o parietal e
o visceral, este último em contato com o órgão. Ambos são formados por mesotélio e uma
fina camada de conjuntivo, que contém fibras colágenas e elásticas. As fibras elásticas do
folheto visceral continuam com as do parênquima pulmonar.
Os dois folhetos delimitam uma cavidade revestida pelo mesotélio. Em condições
normais, é apenas um película de líquido que age como lubrificante para o movimento da
respiração.
A pleura possui grande permeabilidade, observando-se acúmulo de líquido entre os
dois folhetos devido à transudação de plasma provocada por processos inflamatórios.
Traquéia
Brônquio primário
Brônquio secundário
PORÇÃO
CONDUTORA
Bronquíolo
Bronquíolo terminal
Bronquíolo respiratório
PORÇÃO DE
TRANSIÇÃO
Ductos alveolares
PORÇÃO
RESPIRATÓRIA
Sacos alveolares
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