Eletricidade Básica

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CAPÍTULO 2 – Eletricidade Básica
PROBLEMATIZAÇÃO
Ao observarmos as especificações das cercas elétricas verificamos informações
como a energia máxima que está associada a cada pulso gerado, a tensão máxima
pulsante com que elas funcionam, a corrente elétrica que elas disponibilizam, a
freqüência dos pulsos, a duração de cada pulso, entre outras. Mas o que significam
estas informações?
O que significa corrente elétrica e tensão elétrica? Corrente elétrica e tensão
elétrica são grandezas idênticas que possuem as mesmas unidades de medida? Energia
e potência são grandezas idênticas, que podem ser utilizadas indistintamente em nosso
dia-a-dia?
Que tipo de circuito elétrico temos na instalação elétrica de nossas residências?
Quais as características de um circuito série? Quais as características de um circuito
paralelo?
A Figura 3 mostra uma das placas da cerca elétrica didática, em destaque. Qual
é a função dos resistores 1 até 6? R1 até R5 estão em série ou paralelo? e R7 e R8? e R9 e
R10? Qual é a função das listas coloridas existentes no invólucro destes componentes?
FIGURA 3
UMA DAS PLACAS DA CERCA ELÉTRICA DIDÁTICA
Há cercas elétricas que permanecem ligadas diuturnamente. O consumo de
energia elétrica destes dispositivos é alto em comparação com uma lâmpada
incandescente de 60 W, por exemplo?
Quais os possíveis efeitos da corrente elétrica ao circular pelo corpo humano?
2.1 Corrente elétrica
O desenvolvimento da eletricidade, da Física de forma geral depende
necessariamente do desenvolvimento de modelos. Estes, por sua vez, são elaborados
dentro de teorias. O modelo que será apresentado neste capítulo, que tem por base a
Mecânica Clássica, foi proposto em 1900 pelo físico alemão Paul Drudde, e nove anos
depois recebeu contribuição importante de um físico de nacionalidade austríaca
chamado Anton Lorentz.
Considere o circuito mostrado na Figura 4, que é explorado em Guia de
experimentos número 1. Ele é formado por uma bateria, fios de cobre, um resistor, um
buzzer1 e uma chave. Agora leve em conta uma pequena extensão dos fios de cobre que
compõem este circuito. Na forma isolada, os átomos deste material, assim como de
qualquer outro metal são eletricamente neutros. Cada átomo do material possui 29
elétrons ao redor de um núcleo com 29 prótons.
FIGURA 4
CIRCUITO PROPOSTO NO GUIA DE EXPERIMENTOS 1
Conforme a situação da Figura 4 em que o circuito está aberto (chave desligada),
de acordo com o modelo mencionado, cada átomo no interior dos fios metálicos do
circuito é capaz de perder até dois elétrons e há, portanto, a formação de íons positivos
estruturados tridimensionalmente ao longo do fio. Em virtude desses elétrons terem
liberdade para se movimentar aleatoriamente entre os íons, podemos chamá-los de
elétrons livres, que são a minoria, em comparação com a grande quantidade de elétrons
que se mantêm “presos” ao redor dos núcleos. Atente para o fato de que se o circuito
estiver aberto o fio de cobre é neutro eletricamente.
Podemos classificar o movimento dos íons e elétrons na temperatura ambiente
de térmico. É possível fazermos uma estimativa por cálculo da velocidade dos elétrons
que movimentam-se aleatoriamente ao longo do fio: ela vale aproximadamente 100000
m/s, e é bem maior que a dos íons que oscilam ao redor de uma posição de equilíbrio.
1
Dispositivo eletrônico que emite um som contínuo ou intermitente quando percorrido por corrente
elétrica. É um componente muito utilizado em equipamentos eletrônicos de segurança.
Ao fechar o circuito por meio da chave estaremos associando às extremidades do
circuito uma fonte de energia externa, que neste caso é a bateria e estabelecendo um
campo elétrico que atua no interior do fio, fazendo com que tanto os íons positivos
quanto os elétrons livres fiquem submetidos a uma força de natureza elétrica.
Em virtude de haver interação entre os íons e a inércia deles ser muito grande,
seu movimento é praticamente inalterado com a aplicação desta força. Entretanto o
movimento dos elétrons livres é causado pela superposição de dois movimentos, aquele
que surge pela existência do campo elétrico e aquele aleatório de origem térmica. A
corrente elétrica neste caso está relacionada apenas ao movimento resultante dos
elétrons livres em virtude da ação do campo elétrico, com uma velocidade que é muito
menor do que a do movimento aleatório.
É importante salientarmos que mesmo que o fio esteja sendo percorrido por
corrente elétrica, o número de elétrons no interior dele é igual ao número de prótons.
Assim sendo, o fio estando ou não sendo percorrido por corrente elétrica o saldo da
carga elétrica em cada momento é igual a zero, ou seja, ele não se encontra carregado
eletricamente. Os elétrons livres que estão no interior do fio são chamados também de
elétrons de condução.
2.2 Fontes de energia elétrica
Quem promove no circuito o fornecimento de energia elétrica são as chamadas
fontes de voltagem. Constituem exemplos de fontes de voltagem os geradores elétricos,
as pilhas e as baterias. A tensão elétrica, que é uma das grandezas que caracterizam
estas fontes voltagem, possui como unidade de medida no Sistema Internacional de
Unidades o volt (V). A energia elétrica que provém das tomadas origina-se dos
geradores elétricos de usinas como hidrelétricas, termoelétricas, parques eólicos, etc..
As tomadas são especificadas por 110 V ou 220 V, as baterias de automóvel por 12 V e
as pilhas por 1,5 V e 1,2 V, por exemplo.
As fontes de voltagem realizam trabalho para separar as cargas positivas das
negativas. O que difere nos exemplos citados (geradores elétricos, pilhas e baterias) é a
maneira pelo qual ocorre a separação. Enquanto nos geradores elétricos o processo que
separa as cargas é denominado de indução eletromagnética, nas pilhas e baterias há um
processo químico envolvido. Em virtude das cargas elétricas serem separadas, em cada
terminal das fontes haverá valores diferenciados de energia potencial elétrica por
unidade de carga, e teremos uma diferença de potencial elétrico, denominada de
voltagem ou ddp entre estes terminais.
A quantidade de energia elétrica que uma fonte pode fornecer a um circuito está
intimamente relacionada à tensão elétrica ou diferença de potencial elétrico existente
entre seus terminais. Se o circuito da Figura 4 estiver fechado e a bateria estiver
fornecendo 9 V para o mesmo, cada coulomb que é impelido a percorrer o circuito
recebe 9 joules de energia ao passar pela bateria. Um coulomb é a unidade de medida da
carga elétrica no Sistema Internacional de Unidades e representa a carga elétrica de
6,25.1018 elétrons, isto é, 6,25 bilhões de bilhões de elétrons.
2.3 Intensidade de corrente elétrica
Considere um fio metálico de cobre do circuito da Figura 4, que funciona com
uma bateria. Enfoquemos neste momento uma área imaginária de secção transversal ao
fio. Se o circuito está aberto, o saldo do número de elétrons livres que passam pela área
imaginária é igual a zero.
Ao fecharmos o circuito o saldo do número de elétrons livres que atravessam a
área de secção transversal torna-se diferente de zero. Isto ocorre devido aos elétrons
livres serem acelerados na direção do campo elétrico, que é causado pela diferença de
potencial aplicada nas extremidades do circuito. Apesar do movimento inicialmente
aleatório dos elétrons livres, a ação do campo gera um deslocamento resultante que
constitui a corrente elétrica.
Define-se corrente elétrica como a quantidade de carga que passa pela área de
secção transversal ao fio dividida pelo tempo necessário para que isto ocorra.
A unidade de medida da corrente elétrica no Sistema Internacional de Unidades
é o ampere (A). Isto se deve em homenagem ao importante físico francês chamado
André-Marie Ampère.
2.4 Resistência elétrica
As fontes de voltagem como as baterias, pilhas e geradores fornecem a energia
elétrica para os circuitos funcionarem. Suponha dois condutores com diferentes
características submetidos à mesma voltagem entre suas extremidades. Aquele que
possuir maior resistência elétrica será percorrido por intensidade de corrente elétrica
menor. Já aquele que possuir menor resistência elétrica será percorrido por maior
intensidade de corrente elétrica.
Considerando o Sistema Internacional de Unidades a unidade de medida da
resistência elétrica é ohm, que é simbolizado pela letra ômega (Ω) do alfabeto grego.
Isto se deve em homenagem a um cientista alemão chamado Georg Simon Ohm. Este
importante físico elaborou uma Lei que afirma o seguinte: A resistência elétrica
associada a vários condutores mantém-se praticamente constante em um determinado
intervalo de temperatura, independente da tensão elétrica entre suas extremidades e da
corrente elétrica que o atravessa.
A intensidade de corrente elétrica que percorre um condutor não depende apenas
da voltagem aplicada entre suas extremidades, mas também da resistência elétrica do
mesmo. É importante salientarmos que esta por sua vez está associada tanto ao número
de portadores de carga que existem no condutor como também à dificuldade que estes
portadores possuem para se deslocarem.
Os fatores que influenciam na resistência elétrica de um condutor são: o
comprimento do mesmo, a área de sua seção reta, e o material que o constitui, que está
associado à sua resistividade. Esta última grandeza, que também pode ser chamada de
resistência específica, é representada pela letra rô (ρ) do alfabeto grego, e depende da
temperatura em questão.
Considerando dois fios condutores de mesmas dimensões, aquele que possuir
maior resistividade, possuirá maior resistência elétrica. A resistividade é uma grandeza
inversamente proporcional à condutividade. Quanto maior for o comprimento de um
fio, maior será sua resistência elétrica. Supondo dois fios condutores de mesmo
comprimento e resistividade, o mais grosso terá menor resistência elétrica.
A resistividade de grande parte dos materiais, como o alumínio, cobre e
mercúrio, aumenta quando são submetidos a um aquecimento. Mas há exceções, por
exemplo, o germânio, silício, carbono e constantan (40% de níquel e 60% de cobre) têm
sua resistividade reduzida com o aumento de temperatura.
Observe na Tabela 1 do primeiro Capítulo que o fabricante 1 não informa a
corrente elétrica que poderá circular por uma pessoa que porventura toque na fiação.
Este valor depende não só da tensão com que a cerca elétrica trabalha, mas da
resistência elétrica que o corpo da pessoa oferece à passagem da corrente. O fabricante
2 menciona a corrente elétrica, mas qual será o componente resistivo que ele utilizou no
experimento? Este valor deveria ter sido mostrado. Já o fabricante 3 indica a corrente
elétrica que circula mencionando o valor da carga. Esta carga é o tal componente
resistivo que se utiliza no ensaio, por isto seu valor é expresso em ohms (Ω).
2.5 Efeito térmico da corrente elétrica
Existem dispositivos que são fabricados tendo como base o efeito térmico da
corrente elétrica. Eles podem ser denominados de equipamentos resistivos e
proporcionam aumento na temperatura em suas imediações. Podemos citar como
exemplos as estufas, chuveiros, torneiras elétricas, etc.
Ao conectarmos os terminais de um equipamento resistivo a uma fonte de
energia externa haverá o fornecimento de energia elétrica ao mesmo, e passará a existir
um campo elétrico na direção dos fios do dispositivo, que provoca uma força de
natureza elétrica agindo sobre os elétrons livres.
Em virtude de os elétrons livres receberem energia da fonte externa ocorre um
crescimento em sua energia cinética. Por meio de choques eles transferem energia para
os íons da rede dispostos ao longo do fio que passam a oscilar agora mais intensamente.
O crescimento na energia cinética dos íons da rede é acompanhado do
crescimento na energia interna associada à rede em que eles se encontram. Com isto há
um aumento na temperatura do fio e conseqüentemente a liberação de energia para o
ambiente que circunda estes dispositivos na forma de calor ou luz.
Embora outros equipamentos não sejam projetados para funcionar usando este
efeito (batedeira e ventilador, por exemplo), os fios de cobre que os compõem sofrem
este efeito em virtude da passagem da corrente elétrica, e, em relação aos equipamentos
resistivos, possuem um menor consumo de energia elétrica.
2.6 Resistores
Qualquer componente em um circuito apresenta certa resistência elétrica. Os
resistores são componentes fabricados com o objetivo de apresentar resistência elétrica
específica, que pode ser fixa ou variável. Em geral a função dos resistores é de limitar o
valor da corrente elétrica de um circuito, que passa por um trecho deste, ou até por um
determinado componente.
Os LEDs, por exemplo, são componentes que possuem um limite máximo no
valor da corrente elétrica que podem conduzir sem serem danificados. Por isso é
aconselhável sempre associarmos em série com os LEDs nos circuitos um resistor com
resistência previamente calculada de modo a não danificar este componente quando em
funcionamento.
2.6.1 Resistores fixos
Sabemos que um dos efeitos da corrente elétrica é o térmico. Os resistores fixos
possuem um papel importante no circuito que é de proporcionar uma redução controlada
da intensidade de corrente elétrica que percorre um circuito de um ponto a outro,
provocando uma queda de tensão entre esses pontos. Eles possuem um valor nominal
para a resistência que pode variar desde 0,1 ohm até mais de 20 milhões de ohms.
Há vários tipos de resistores fixos: os de filme de carbono, de filme cerâmico, de
filme sedimentado, de fio enrolado e de plástico condutivo.
Os resistores de carvão ou filme de carbono são os mais simples. A Figura 5
mostra resistores deste tipo de diferentes potências.
FIGURA 5
RESISTORES DE DIFERENTES POTÊNCIAS
Na Figura 6 podemos observar sua estrutura interna:
FIGURA 6
ESTRUTURA INTERNA DE UM RESISTOR DE FILME DE CARBONO
FIGURA 7
SIMBOLOGIA USUAL DOS RESISTORES
Enquanto o primeiro símbolo da Figura 7 representa os resistores no continente
americano e no Japão, o segundo representa este componente na Europa.
Em virtude de estes componentes em geral serem pequenos, suas especificações
não são marcadas no invólucro com números e letras, por isso são utilizadas faixas
coloridas com o intuito de facilitar a leitura de suas características. Observe abaixo a
tabela de código de cores para os resistores:
TABELA 2 - TABELA DE CÓDIGO DE CORES PARA RESISTORES
COR
1ª FAIXA
Dígito 1
2ª FAIXA
Dígito 2
3ª FAIXA
Fator de
Multiplicação
4ª FAIXA
Tolerância
PRETO
--------
0
1
---------
MARROM
1
1
10
1%
VERMELHO
2
2
102
2%
LARANJA
3
3
103
3%
AMARELO
4
4
104
4%
VERDE
5
5
105
--------
AZUL
6
6
106
--------
VIOLETA
7
7
107
--------
CINZA
8
8
108
--------
BRANCO
9
9
109
--------
DOURADO
-------
-------
10-1
5%
PRATEADO
-------
-------
10-2
10%
SEM COR
-------
-------
---------
20%
A pessoa que deseja verificar a resistência do resistor por meio de suas faixas
deve posicionar o componente à sua frente e fazer a leitura da faixa mais próxima da
extremidade para o centro. Considere que tenhamos um resistor com a seguinte
seqüência de cores lida da extremidade para o centro: marrom, verde, vermelha, e
dourada. A primeira e segunda faixa estão relacionadas a dois dígitos da resistência.
Nesse caso: Marrom → 1 e Verde → 5 , assim forma-se 15.
A terceira faixa (vermelha) nos indica que devemos multiplicar 15 por 102, ou
seja, por 100. Assim teremos: Resistência = 1500 Ω. Podemos ainda expressar a
resistência do resistor por 1,5 k Ω. A quarta faixa (dourada) indica que o fabricante
garante uma tolerância de 5%, ou seja, de acordo com o fabricante a resistência deste
resistor encontra-se entre 1425 Ω e 1575 Ω.
Existem no mercado resistores com três faixas. Nestes casos eles possuem
resistência menor do que 10 Ω e os fabricantes destinam a última faixa dourada ou
prateada. Se a terceira e última faixa for dourada divide-se o valor indicado pelas duas
primeiras faixas por 10. Caso a terceira faixa seja prateada divide-se o valor indicado
nas duas primeiras faixas por 100.
Assim, se as cores das faixas de um resistor forem vermelha, vermelha e dourada
a resistência deste resistor vale 2,2 Ω e se o resistor possuísse as faixas com cores
marrom, verde e prateada teríamos um resistor com 0,15 Ω de resistência. Fique atento
para a terceira e última faixa que neste caso significa um divisor e não um dígito ou
tolerância.
Existem no mercado também resistores que possuem um total de cinco faixas,
quatro faixas coloridas que indicam dígitos e uma faixa indicando a tolerância. Estes
resistores são confeccionados com 1% ou 2% de tolerância e são chamados de
resistores de filme de metal. Neste caso um resistor de 47 kΩ, 2% de tolerância possuirá
as seguintes faixas:
amarela
4
violeta
7
preta
0
vermelha
2 zeros
vermelha
2%
Há resistores “de fio” que são em geral maiores do que os de filme ou película
de carbono. Assim em virtude de possuírem espaço no invólucro para tal as
especificações são informadas por meio de números e letras.
FIGURA 8
DOIS RESISTORES DE FIO DE RESPECTIVAMENTE 15 W E 20 W E UM
DE PELÍCULA DE CARBONO DE 3 W
2.6.2 Resistores variáveis: potenciômetros e trim-pots
Os potenciômetros e trim-pots são resistores variáveis. Por meio deles podemos
alterar a resistência elétrica associada ao circuito todo e/ou a certo trecho deste. Observe
abaixo a simbologia utilizada para representar os potenciômetros e trim-pots, além do
aspecto físico destes componentes.
R
R
R
R
FIGURA 9
SIMBOLOGIA
DOS POTENCIÔMETROS
SIMBOLOGIA
DOS TRIM-POTS
P
De modo geral os resistores variáveis neste trabalho são representados pelo
símbolo abaixo:
R1
FIGURA 10
SIMBOLOGIA DOS RESISTORES VARIÁVEIS
C
+
-
T1
T2
R2
POTENCIÔMETROS
TRIM-POTS
FIGURA 11
POTENCIÔMETROS E TRIM-POTS
Tanto um quanto outro resistor variável possui estruturas físicas semelhantes.
Eles possuem em seu interior um elemento que pode ser de fio de nicromo ou carbono
que apresenta certa resistência. Quando giramos o eixo deles estamos deslocando um
cursor sobre este elemento. A resistência elétrica do componente dependerá da posição
em que este cursor estiver localizado.
Observe a figura abaixo que mostra a imagem de um potenciômetro visto de
cima. Ao girarmos o eixo do componente no sentido horário, de A para B, estaremos
fazendo com que diminua a resistência entre A e C e aumentando a resistência entre C e
B. O valor máximo de resistência que ele pode apresentar corresponde à sua resistência
nominal, que é a resistência entre A e B.
FIGURA 12
IMAGEM DE UM POTENCIÔMETRO VISTO DE CIMA
Os potenciômetros permitem a qualquer instante que giremos seu eixo de modo
a alterar suas características no circuito. Eles são utilizados para controlar a intensidade
(volume) do som, e nos monitores de computador para ajuste de contraste, brilho e
posicionamento da imagem na tela, por exemplo.
Os trim-pots são utilizados em situações na qual não precisamos a todo
momento estar mudando as características do componente. Assim ao ajustarmos o trimpot estaremos definindo o comportamento do circuito por um longo tempo e, se for
preciso, para ajustar este componente novamente temos, na maioria das vezes, de abrir o
equipamento.
Certos modelos de cercas elétricas fabricadas para uso comercial utilizam um
trim-pot para que sejam permitidos ajustes na sensibilidade de disparo do dispositivo,
evitando que o equipamento tenha disparos falsos.
Alguns potenciômetros além de permitirem um controle no aumento e
diminuição de volume em amplificadores e rádios, também exercem a função de
interruptor. Assim, com estes potenciômetros podemos ligar e desligar um aparelho,
além de poder controlar a intensidade do som emitida pelo mesmo.
Os controles de volume de alguns fones de ouvido (head-phones) permitem que
alteremos a resistência de um trecho do circuito, alterando com isto a amplitude do sinal
de áudio. Desta maneira é que podemos alterar a intensidade do som que é emitida pelos
pequenos alto-falantes que compõem estes dispositivos. Existem fones de ouvido com
estes controles de volume que podem se conectados ao microcomputador. A Figura 13
mostra esta situação.
FIGURA 13
CONTROLE DE VOLUME DE UM HEAD-PHONE INSTALADO
EM UM MICROCOMPUTADOR
ATIVIDADES
Capítulo II: Exercícios de 1 até 8.
2.6.3 Circuitos elétricos -Associação de resistores
Quando necessitarmos inserir em um circuito um resistor com determinada
resistência, e não existir um valor comercial associado a este componente é possível
construirmos uma associação de resistores com a finalidade de conseguir o valor de
resistência desejado. Esta associação pode ser em série, em paralelo, ou mista.
LINK
Sugere-se que você realize as tarefas propostas em Guias de Experimentos 2:
Circuitos série, paralelo e misto.
2.6.3.1 Associação de resistores em série
A Figura 14 mostra um circuito simples de resistores dispostos em série com a
bateria:
V
-
+
R1
R2
R3
FIGURA 14
DIAGRAMA DE UM CIRCUITO SÉRIE
FIGURA 15
FOTO DO CIRCUITO SÉRIE ASSOCIADO À FIGURA 14
As principais características de um circuito série são:
a) todos os componentes de um circuito série são percorridos pela mesma
corrente elétrica.
b) a voltagem total mantida pela fonte externa ao circuito divide-se sobre os
componentes dispostos em série.
c) a queda de voltagem sobre cada componente é diretamente proporcional à
resistência elétrica associada a ele, conforme a expressão V= R.i.
d) a resistência total de um circuito com N resistores dispostos em série pode
ser encontrada somando-se a resistência associada a cada componente.
e) a corrente elétrica total do circuito pode ser obtida dividindo-se a tensão
aplicada pela fonte externa pela resistência elétrica total associada ao
circuito.
2.6.3.2. Associação de resistores em paralelo
A Figura 16 mostra um circuito simples com três resistores associados em
paralelo:
R1
R2
R3
+
-
V
FIGURA 16
DIAGRAMA DE UM CIRCUITO PARALELO
FIGURA 17
FOTO DO CIRCUITO PARALELO ASSOCIADO À FIGURA 16
As principais características de um circuito paralelo são:
a) todos componentes ficam submetidos à mesma voltagem.
b) há uma divisão da corrente elétrica total do circuito e cada ramo do mesmo
será percorrido por uma certa corrente elétrica. A soma das correntes que
percorrem cada ramo é igual a corrente elétrica total do circuito.
c) como cada ramo está submetido à mesma voltagem, a corrente elétrica que
percorre cada ramo é inversamente proporcional ao valor da resistência
associada ao mesmo.
d) quanto mais ramos houver no circuito, menor será a resistência elétrica total
do mesmo.
e) a resistência elétrica total do circuito é menor do que a resistência de menor
valor associada com um dos ramos do circuito.
Se desejarmos calcular a resistência equivalente de um conjunto de N resistores
disposto em paralelo podemos usar:
2.6.3.3. Divisor de tensão
A cerca elétrica didática possui um divisor de tensão, também chamado de
divisor resistivo. O divisor deste dispositivo é de aproximadamente 1:10000, de maneira
a facilitar a leitura do pulso de alta tensão com um osciloscópio. Dessa maneira um
pulso de 10000 V no secundário do transformador será lido por meio de um
osciloscópio como um pulso de 1 V. Isto é feito com uma associação em série de
resistores tomando o cuidado de obter a tensão de saída (Vsaída) entre dois pontos
adequados do circuito .
5
RA= ∑ Ri
i=1
RB=R6= 470 Ω
FIGURA 18
FIGURA 19
Em nosso caso RB= R6= 470 Ω = 0 47 k Ω e RA=R1 +R2+R3+R4+R5
Como todos os resistores de R1 até R5 possuem a mesma resistência, RA pode ser
calculado por meio da seguinte expressão: RA = 5 x 820 k Ω.
Então:
A função dos resistores 1 até 6 é então servirem como um divisor de tensão. R1
até R5 estão em série. A função das listas coloridas no invólucro dos resistores é de
indicar qual é a resistência associada a cada componente.
2.6.3.4. Comentários
Podemos avançar na discussão das associações mencionando que elas poderiam
ser pensadas para outros dispositivos elétricos como lâmpadas incandescentes, por
exemplo.
Se várias lâmpadas estiverem dispostas em série e uma delas queimar as outras
apagarão, pois o circuito fica aberto, interrompido, fazendo com que a corrente elétrica
que percorre o circuito se anule. Isto ocorre com alguns circuitos construídos com
lâmpadas para árvores de natal, onde há uma grande quantidade delas em série. No caso
de uma delas queimar, várias apagam e torna-se muito trabalhoso descobrirmos qual
queimou para trocá-la.
Se as lâmpadas mencionadas acima estivessem dispostas em paralelo e uma
delas queimasse, as outras continuariam funcionando. Neste caso a corrente elétrica
total associada ao circuito diminui. A instalação elétrica dos nossos lares é constituída
por uma associação em paralelo.
Não devemos utilizar em nossas residências vários equipamentos ligados na
mesma tomada por meio de tês ou benjamins. Todos os equipamentos em nossa
residência estão ligados em paralelo e cada um corresponde a um ramo do circuito
paralelo. Se sobrecarregarmos uma tomada de equipamentos estaremos diminuindo a
resistência elétrica total do circuito e daquela região em específico, e isto causa um
aumento na corrente elétrica total e na corrente do fio que interliga a rede principal e a
tomada. Como este fio geralmente é mais fino, ele poderá superaquecer e poderá ter
inicio um incêndio na residência.
Quanto mais equipamentos vamos ligando: lâmpadas, microondas, chuveiro,
estufa, etc. mais vai diminuindo a resistência elétrica total do circuito e aumentando a
intensidade de corrente elétrica associada ao mesmo. Para que não ocorram problemas
de incêndio é associado, em série ao longo da linha da rede, um dispositivo de
segurança chamado disjuntor para evitar o superaquecimento dos fios.
FIGURA 20
EXEMPLAR DE DISJUNTOR (15 A)
O disjuntor da Figura 20 é de 15 A. Isto significa que se a corrente que passar
por ele superar 15 A o circuito ficará aberto. Depois de sanado o problema que causou o
aumento de corrente elétrica mexemos manualmente no dispositivo a fim de fechar seus
contatos novamente.
Em equipamentos como televisores, microcomputadores e centrais de cercas
elétricas são instalados fusíveis com o intuito de proteger o circuito.
FIGURA 21
EXEMPLARES DE FUSÍVEIS
ATIVIDADES
Capítulo II: Exercícios 9 e 10.
2.7 Potência elétrica
A potência elétrica é uma grandeza que está associada a uma transferência de
energia ou transformação de energia de uma forma em outra em um certo intervalo de
tempo. É possível encontrarmos a potência fazendo:
No Sistema Internacional de Unidades a unidade de medida da potência elétrica
é 1 J/s, que é igual a 1 watt (W). Esta unidade foi escolhida em homenagem a um
importante engenheiro chamado James Watt que inventou a máquina a vapor do século
XIX.
Podemos encontrar a potência elétrica por meio da seguinte expressão:
Foi estudado anteriormente que a tensão elétrica fornecida a um equipamento
está relacionada à capacidade para fornecer energia elétrica ao mesmo. Se a
especificação de um chuveiro elétrico na posição inverno for 5400 W / 220V e ligarmos
o mesmo a uma tensão menor, de 110 V, o campo elétrico que atua na direção do fio
será menor. Menor também será a força de origem elétrica que atua sobre os elétrons
livres que possui a função de aumentar a energia cinética dos mesmos. Nos choques
entre os elétrons livres e os íons da rede, menos energia será transferida a esta, menor
será a energia cinética de oscilação dos íons da rede e menor o aumento de temperatura
do fio. O resistor do chuveiro não aquece tanto quanto deveria, e há menos transferência
de energia para a água.
Na Tabela 3 é possível observar a potência elétrica de alguns dispositivos
utilizados em nosso dia-a-dia.
TABELA 3
POTÊNCIA MÉDIA DE APARELHOS ELETRODOMÉSTICOS
ADAPTADO DO RIC (REGULAMENTO DE INSTALAÇÕES
CONSUMIDORAS), CEEE, setembro de 2006, p. 34,
APARELHO
Aparelho de som
Aquecedor de ambiente
Aspirador de pó
Aquecedor central de água
Balcão frigorífico
Batedeira
Boiler 40 litros
Boiler 80 litros
Cafeteira
Computador
Condicionador de ar
Chuveiro elétrico
Enceradeira
Exaustor
Ferro elétrico comum
Ferro elétrico regulável
Forno elétrico
Forno de microondas
Freezer acima de 200 litros
Freezer até 200 litros
Freezer balcão
Fritadeira
Grill
Impressora jato de tinta
Impressora laser
Liquidificador
Máquina de lavar louça
Máquina de lavar roupa
Refrigerador comum
Refrigerador duplex ou freezer
Secador de cabelo
Secador de roupa
Televisor
Torneira elétrica
Ventilador
POTÊNCIA (watt)
200
1500
1000
5000
900
450
900
1200
300
350
1600
5000
350
300
750
1500
5000
1300
150
120
140
1200
1200
50
400
400
2700
1500
200
350
1300
3500
200
3500
100
2.8 Energia elétrica consumida
Se desejarmos saber a energia elétrica consumida por um equipamento elétrico é
possível obter a partir da expressão anteriormente descrita: Potência elétrica = ΔE / Δt.
Consideremos uma lâmpada incandescente 60 W/ 220 V, que fica submetida a 220 V,
acesa durante aproximadamente 4 horas por dia. Qual é o consumo de energia elétrica
da mesma depois de um mês (30 dias) em kWh e qual o custo sabendo que 1 kWh vale
R$ 0, 4010606?
60 W = ΔE / 120 h
ΔE= 60 W x 120 h
ΔE = 0,06 kW x 120 h
ΔE= 7,2 kWh
Considerando 1 kWh valendo R$ 0,4010606, o custo em reais é de
aproximadamente R$ 2,89.
Agora você já sabe como calcular a energia elétrica consumida pelos
dispositivos em casa e o custo que isto representa em reais. Procure saber a potência
elétrica das cercas elétricas e o custo que sairia se elas ficassem ligadas
ininterruptamente durante 30 dias, 24 horas por dia. Compare com o custo em reais
calculado anteriormente.
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Sugere-se que você realize as tarefas propostas em Guias de Experimentos 3:
Experimento com medidor de energia elétrica.
ATIVIDADES
Capítulo II: Exercícios de 11 até 17.
2.9 Esclarecendo alguns pontos importantes
Lembrando, no Sistema Internacional de Unidades a corrente elétrica possui
como unidade de medida o ampere (A) e a tensão elétrica (ou diferença de potencial)
tem como unidade de medida o volt (V). Para que um circuito funcione, submete-se as
extremidades do mesmo a uma diferença de potencial e o mesmo é então percorrido por
uma corrente elétrica. A diferença de potencial gera a corrente elétrica, se o circuito
estiver fechado. Não é a tensão elétrica que percorre a extensão do fio e volta à fonte
externa, são as cargas elétricas que se deslocam.
No caso das cercas elétricas a cada intervalo de tempo pré-determinado (que
geralmente é de aproximadamente 1 segundo) um pulso de alta tensão percorre o fio.
O pulso está associado a um movimento de cargas elétricas e à propagação do campo
elétrico. Como foi discutido anteriormente, não é a voltagem que se desloca através do
fio, pois a voltagem não possui qualquer movimento, quem se movimentam são as
cargas.
A fonte de energia externa acoplada entre os terminais de um circuito fechado
proporcionará um campo elétrico ao longo do fio. Agirá então sobre os elétrons uma
força de origem elétrica, será fornecida energia aos elétrons capaz de acelerá-los. Esta
fonte de energia, que é uma fonte de voltagem, pode ser CC (Corrente Contínua) ou CA
(Corrente Alternada). Temos como fonte de voltagem CC as pilhas e baterias, por
exemplo. Como exemplo de fonte de voltagem CA temos a rede de energia elétrica que
alimentam nossos lares por meio das tomadas.
No caso do campo elétrico produzido pela fonte de energia externa permanecer
sempre com a mesma direção e sentido, a força que age sobre os elétrons também se
manterá com a mesma direção e sentido (oposto ao do campo). Neste caso os elétrons
de condução progredirão no fio num só sentido e com uma velocidade de deriva
considerada em média constante e extremamente baixa. Embora os elétrons sejam
acelerados pela força de origem elétrica, eles chocam-se com íons da rede cristalina e o
movimento líquido dos mesmos ocorre com muito pouca rapidez.
Em um circuito elétrico existente em uma moto, por exemplo, a velocidade de
deriva dos elétrons pode alcançar o valor aproximado em média de 0,01 m/s, ou 0,036
km/h. A quantidade de elétrons livres que um fio real metálico tem é de
aproximadamente 1022 elétrons por cm3. Em virtude disso, por mais que tenhamos
corrente elétrica relativamente alta, de 1 A, por exemplo, a velocidade de deriva dos
elétrons é de aproximadamente 0,001 m/s. Converta esta velocidade para km/h para
entender o quão baixa ela é.
Uma fonte de tensão contínua aplicada nas extremidades de um circuito simples
gera uma corrente elétrica contínua circulando por ele.
FIGURA 22
GRÁFICO
TENSÃO CONTÍNUA EM FUNÇÃO DO TEMPO
A bateria de 9 V utilizada em alguns Guias de Experimentos é constituída por
um conjunto de pilhas. Observe a Figura 23.
FIGURA 23
BATERIAS DE 9 V
Se por acaso o campo elétrico gerado pela fonte de energia externa mudar
periodicamente de sentido, a força sobre os elétrons também mudará periodicamente de
sentido. Os elétrons de condução se deslocarão ora num sentido, ora num sentido oposto
na mesma direção do fio sem que haja progressão alguma dos mesmos pelo fio. Neste
caso a fonte de energia externa constitui-se em uma fonte de voltagem CA ou fonte de
voltagem alternada. Uma fonte de voltagem alternada aplicada nas extremidades de um
circuito simples gera nele uma corrente elétrica alternada.
FIGURA 24
GRÁFICO
TENSÃO ALTERNADA EM FUNÇÃO DO TEMPO
Em circuitos dessa natureza a polaridade da fonte de tensão ou da tensão elétrica
do gerador está alternando. Em nossos lares no Brasil a freqüência com que a corrente e
a tensão elétrica se alternam é de 60 ciclos por segundo (60 Hz). Assim o período é
extremamente baixo para um ciclo, vale 1/60 s, e não somos capazes de perceber uma
lâmpada incandescente apagando e acendendo um número muito grande de vezes
enquanto está ligada.
Muitas pessoas acreditam que as tomadas fornecem elétrons, sendo que estes
viriam das usinas geradoras de energia e percorreriam os fios até chegar em nossas
casas. Mas esta explicação não se sustenta, pois lembremos que as tomadas são
exemplos de fonte CA e não há progressão dos elétrons livres em um circuito CA.
Quem fornece os elétrons é o próprio meio por onde circula a corrente elétrica.
Ao pagarmos a conta de energia elétrica não estamos obviamente comprando
elétrons, mas sim pagando pela energia elétrica que é transformada ao utilizarmos
equipamentos elétricos em nossa residência.
2.10. Efeito fisiológico da corrente elétrica: o choque elétrico e as cercas elétricas
O choque elétrico sofrido por um ser humano está associado à sensação
produzida pela corrente elétrica no seu corpo.
A cada ano que passa muitas pessoas das mais variadas idades são vítimas de
choque elétrico. As situações em que ocorrem estas fatalidades são as mais variadas,
dentre elas podemos citar a falta de segurança para as crianças pequenas em casa,
instalações elétricas mal executadas, imprudência ao utilizar equipamentos elétricos ou
até mesmo por cercas elétricas mal projetadas e/ou instaladas.
Muitas pessoas afirmam que nos choques as cargas elétricas vêm da fiação,
deslocam-se pelo corpo da vítima até atingir o solo. Novamente, a tomada é CA e não
há progressão alguma dos elétrons livres neste tipo de circuito. São os próprios elétrons
do corpo da pessoa que compõem a corrente elétrica.
Quem machuca, pode queimar e até matar com o advento do choque é a corrente
elétrica, mas não devemos esquecer que a corrente elétrica em um circuito é gerada por
uma tensão elétrica. É a diferença de potencial nas extremidades de um circuito fechado
que propicia o aparecimento do campo elétrico, produzindo uma força de origem
elétrica sobre os elétrons, gerando com este processo a corrente elétrica.
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Para esclarecer ainda mais o assunto sugere-se investigar a Animação Interativa
número 1. Ela começa com o assunto mencionado acima por meio da seguinte
problematização:
O que é que origina o choque elétrico, o que é capaz de machucar, queimar e até
matar, a tensão elétrica ou a corrente elétrica?
O gráfico a seguir está presente na NBR 6533 de março de 1981, elaborado pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas e nele são especificadas zonas dos efeitos da
corrente alternada, 50/60Hz em adultos. As zonas com os efeitos gerados são as
seguintes:
Zona 1: Habitualmente nenhuma reação.
Zona 2: Habitualmente nenhum efeito patofisiológico perigoso.
Zona 3: Habitualmente nenhum risco de fibrilação.
Zona 4: Fibrilação possível (probabilidade de até 50%.
Zona 5: Risco de fibrilação (probabilidade superior a 50%).
FIGURA 25
GRÁFICO NBR6533
Outra forma de estudarmos os efeitos da corrente elétrica no corpo humano é
analisar uma tabela presente no livro GREF (1993, p.348) mostrada na Tabela 4:
TABELA 4
GREF VOLUME 3
Corrente elétrica*
Duração
Efeitos mais graves**
(60 Hz)
0 a 0,5 mA
qualquer
0,5 a 2 mA
Qualquer
2 a 10 mA
Qualquer
10 a 25 mA
Minutos
25 a 50 mA
Segundos
50 a 200 mA
mais de um ciclo cardíaco
acima de 200mA
menos de um ciclo cardíaco
acima de 200 mA
mais de um ciclo cardíaco
nenhum
limiar de percepção
dor
contração muscular
descontrole muscular
contração muscular
dificuldade respiratória
aumento da pressão arterial
paralisia respiratória
fibrilação ventricular
inconsciência
fibrilação ventricular
inconsciência
paralisia respiratória
marcas visíveis
fibrilação ventricular
inconsciência
marcas visíveis
parada cardíaca reversível
inconsciência
queimaduras
* As faixas de valores para a corrente elétrica são muito aproximadas e devem
praticamente serem consideradas como ordens de grandeza.
** Grande probabilidade de ocorrência.
Pequenas correntes elétricas percorrendo o interior do nosso organismo regulam
o bom funcionamento de nossos batimentos cardíacos e de nossa respiração, além de
outras atividades musculares. Se por acaso nosso organismo for submetido a correntes
elétricas geradas no seu exterior, há probabilidade de que o bom funcionamento dessas
atividades seja abalado podendo levar as vítimas aos efeitos mais graves mostrados na
Tabela 4.
A fibrilação ventricular é uma das mais graves complicações, é uma sucessão de
contrações descordenadas dos ventrículos que pode fazer com que o sangue deixe de ser
bombeado para as demais partes do corpo. Ela é um efeito que pode provocar a morte se
não for providenciado um tratamento com urgência. O tratamento pode ser realizado
com uma massagem cardíaca externa até o momento da desfibrilação, que é realizada
por meio de choque elétrico externo.
Muitas pessoas comparam a tensão elétrica de 110 V ou 220 V com tensões bem
maiores como as das cercas elétricas, que são de 8000 V a 10000 V ou tensões de
500000 V presentes em linhas de transmissão de alta tensão, e não se dão conta dos
riscos que mesmo aquelas tensões relativamente baixas podem trazer a elas.
Analisemos a situação de uma pessoa que resida em Porto Alegre, que recebe
em suas tomadas uma tensão elétrica de 110 V e fica submetida a um choque elétrico ao
tocar acidentalmente simultaneamente no fase e no neutro da rede. Consideremos que a
pele da pessoa esteja extremamente seca e que o caminho do corpo por onde a corrente
passa tenha uma resistência elétrica de 80000 Ω. Para este caso específico,
i= 110 / 80000, assim sendo a corrente elétrica é de aproximadamente 0,001375 A ou
1,375 mA.
Considere que agora a pessoa estivesse com a pele muito suada, muito úmida, e
que a resistência da pele por onde a corrente passa seja de 2200 Ω. Neste caso, i= V/ R,
então i= 110 / 2200, ou seja, a corrente elétrica vale aproximadamente 0,05 A ou 50
mA. Observe na Tabela 4 o que é capaz de ocorrer com uma pessoa quando passa pelo
seu corpo uma corrente elétrica com este valor.
Se por acaso a pessoa tocar no fio e os pontos de contato estiverem molhados o
choque elétrico pode ser fatal. A resistência associada ao corpo da pessoa por onde
passa a corrente elétrica neste caso pode chegar a 1000 Ω. Assim a corrente elétrica
através dela é de 0,11 A ou 110 mA. Por este motivo é que não aconselha-se que as
pessoas mexam na chave para trocar a posição VERÃO/INVERNO do chuveiro durante
o banho. Esta atitude poderá causar desastrosas conseqüências.
Observamos então que se a corrente tiver um trajeto peculiar, passar por uma das
mãos da pessoa, atingir o coração e depois chegar na outra mão os efeitos podem ser
fatais. Isto porque não adiantarão cuidados com isolamento da pessoa em relação à
terra. Por isto as pessoas que consertam e testam equipamentos de alta tensão (como
televisores e cercas elétricas) devem tomar muito cuidado ao lidar com eles. Há técnicos
que utilizam multímetro para fazer medidas de alta tensão que aconselham que as
medidas devem ser realizadas com cuidado, sempre com uma das mãos de cada vez
apenas.
Algumas pessoas de maneira irresponsável instalam cercas elétricas em cima de
muros ou no campo utilizando simplesmente o arame e a rede elétrica a fim de gerar
corrente elétrica no circuito. Analisemos a corrente elétrica que pode passar pelo corpo
de uma pessoa nestas condições. Consideremos que ela esteja em Pelotas, a tensão
elétrica seja de 220 V e a resistência associada à parte do corpo por onde a corrente
circula seja de 2800 Ω.
i = 220 / 2800
i= 0,08 A
i= 80 mA
A corrente é do tipo alternada e a freqüência com que ela se alterna é de 60 Hz.
Observe na Tabela 4 que uma corrente elétrica deste valor passando por uma pessoa
pode ser fatal. Grande parte das vezes que pessoas tocam em cercas ou alambrados com
estas características, não conseguem soltar a fiação e morrem. Os riscos aumentariam
ainda considerando que a pessoa estivesse descalça, sem isolação alguma, ou se
estivesse com a pele muito úmida, muito suada. Neste último caso diminuiria o valor da
resistência elétrica, aumentando o valor da corrente elétrica, que é do tipo alternada e
não pára de percorrer o corpo da vítima, até que ela consiga soltar a fiação.
Em virtude de problemas desta natureza é que normas internacionais e as mais
variadas leis municipais e estaduais que estão associadas a este assunto obrigam que a
corrente que circula pelo fio seja do tipo pulsante. Lembre que quanto menor o tempo
que a pessoa fica submetida à corrente elétrica, menores serão os riscos (Figura 21).
Assim elas determinam que o choque elétrico deve apenas ser capaz de assustar o
indivíduo. Além disto elas obrigam que os fios sejam instalados a uma certa distância
do solo, e trazem muitos outros critérios de segurança para o projeto e instalação destes
dispositivos.
No município de Pelotas a Lei que regulamenta a instalação de cercas elétricas
destinadas à proteção de perímetros é a Lei nº 4591 que está vigente desde outubro de
2000. Vários municípios brasileiros, assim como estados, aprovaram Leis que
regulamentam a instalação de cercas elétricas a partir do ano 2000, mas existe uma
norma que regulamenta o assunto que foi elaborada por uma organização internacional
denominada IEC (International Eletrotechnical Commission). Essa norma é a 60335-276 que especifica vários parâmetros para o projeto, construção e instalação de cercas
elétricas. Mais detalhes sobre ela e as Leis municipais, principalmente a Lei nº 4591,
serão especificados no capítulo 9.
Com o auxílio da eletrônica é possível a construção de circuitos para cercas que
atendam as características mencionadas nas normas internacionais e leis municipais.
Mesmo assim devemos ficar sempre atentos a qualquer tipo de cerca elétrica,
principalmente àquelas instaladas com ligação direta da rede, que já causaram e ainda
podem causar inúmeras vítimas a pessoas menos esclarecidas e/ou menos cuidadosas.
Dependendo do projeto da cerca elétrica e de como ela for instalada ela pode deixar de
ser um dispositivo de segurança para se tornar uma fonte de perigo em nossa sociedade.
ENTREVISTA
Entreviste um médico e aprofunde o tema perguntando:
1) O que é um efeito patofisiológico?
2) O que é a chamada fibrilação? E desfibrilação? Como consegui-la?
3) O que é o marca-passo? Qual sua função? Qual é seu princípio de funcionamento?
4) Você é contra ou a favor à utilização das cercas elétricas? Justifique.
5) Você já atendeu alguém vítima de choque elétrico? Como estava? Quais as seqüelas
neste caso?
OBS: Opcional: Faça outras perguntas que você julgar interessantes com o intuito de
aprofundar ainda mais o tema.
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