Artigo, ética profissional e mundo dos negócios

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FACULDADE CEARENSE – FAC
BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS
Ética profissional no mundo dos negócios.
Carlos Eduardo Lopes Ferreira
Orientação Prof. Ms. Nilo César Batista da Silva
Artigo apresentado ao Curso de Ciências Contábeis da
Faculdade Cearense – FAC, como pré-requisito para
obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis,
sob orientação do Prof. Ms. Nilo César Batista da Silva.
Fortaleza - Ce
Junho/2013
3
Ética profissional no mundo dos negócios.
Carlos Eduardo Lopes Ferreira
Orientação Prof. Ms. Nilo César Batista da Silva
RESUMO:
O presente trabalho pretende apresentar uma reflexão sobre a Ética na perspectiva do mundo
dos negócios. A pergunta que envolve esta reflexão é a seguinte: Podemos viver uma vida
moralmente correta e ética no mundo dos negócios? Considerando que a ética perpassa toda
a vida comportamental do ser humano, nas empresas e no mundo do trabalho, mais do que
em qualquer outra situação da vida humana, esta pergunta se faz pertinente. As organizações
são ciclos humanos e para atingir suas finalidades necessitam sempre fazer a reflexão no
campo da ética. O percurso desta pesquisa bibliográfica se inicia pela reflexão das primeiras
organizações humanas no ocidente, os gregos, os quais iniciaram sua reflexão sobre o
comportamento moral do homem na pólis. Em seguida, se faz uma breve reflexão sobre o
mundo do trabalho, considerando as empresas como lugar de negócio e também de
realização humana e projeção social.
Palavras Chaves: Ética, trabalho, mundo dos negócios.
Abstract
This paper aims to present a reflection on the ethics from the perspective of the business
world. The question surrounding this reflection is the following: Can we live a moral life
and ethical in business? Whereas ethics permeates the whole life of the human behavior,
business and the world of work, more than in any other situation of human life, this question
becomes relevant. Organizations are human and cycles to achieve its purposes require
always make the reflection in the field of ethics. The route of this literature begins with the
reflection of the first human organizations in the West, the Greeks, who began their
reflection on the moral behavior of man in the polis. Then, with a brief reflection on the
world of work, considering the company as a place of business and also of human
achievement and social projection.
Key Words: Ethics, work, business.
4
1.
Introdução
O presente trabalho tem como objetivo geral delimitar a importância da ética para o
mundo dos negócios. Em se tratando que vivemos no mundo capitalista aonde o lucro tornase relevante em detrimento da condição humana, esta pesquisa se faz necessária no sentido
de ilustrar a importância de inserir no mundo trabalho, na esfera dos negócios o mínimo de
princípios e valores humanos.
A pesquisa foi de cunho bibliográfico, onde procuramos compreender através do
pensamento grego, aristotélico o embasamento teórico da ética e sua importância para o
mundo profissional. O percurso desta pesquisa bibliográfica se inicia pela reflexão das
primeiras organizações humanas no ocidente, os gregos, os quais iniciaram sua reflexão
sobre o comportamento moral do homem na pólis. Em seguida, se faz uma breve reflexão
sobre o mundo do trabalho, considerando as empresas como lugar de negócio e também de
realização humana e projeção social.
2.
Definição de Ética e moral na filosofia.
O que se entende por ética? Ética é o mesmo que moral? Há
quem
não
faça
distinção entre ética e moral. Mas, a comunidade filosófica pretende distinguir o objeto da
ética do objeto da moral. A própria etimologia dos termos entre si se distinguem, pois a
palavra ética vem do grego, ethos, grosso modo quer dizer morada do ser; enquanto que
moral vem da língua latina que se traduz por mores, isso quer dizer costumes.
Decerto que o homem por natureza é o animal que se guia pelo crivo da razão. Mas,
como se tal característica não fosse bastante para que ele almejasse a sua plenitude, ou seja,
a sua causa final como individuo, cria-se a sociedade como necessidade humana. Ao que
parece, um instinto gregário, torna-se vital e inerente ao seu Ser, justamente na comunidade
que ele atinge a realização de sua natureza integral. Aristóteles afirma que “ninguém é
virtuoso para si; ninguém é feliz sozinho; o homem solitário é inexplicável: “ou é um deus
5
ou uma besta”1. Nessa perspectiva o homem se constitui por natureza o animal social e
político e a sua realização humana se dá em sociedade. Afirma o próprio Aristóteles: “agora
é evidente que o homem muito mais que a abelha ou outro animal gregário é um animal
social.
Os homens não se associam somente em vista da existência material, mas, sobretudo
em vista da vida feliz. A comunidade política existe para a realização do bem e não apenas
para viver em agrupamento. Assim como todo ser humano tende para o seu fim,
considerando que tal fim é a “Eudeimonia”, ou seja, a felicidade, também, a cidade na sua
dimensão comunitária busca o seu fim último, a saber, o bem2. O que seria o Bem para
Aristóteles?
Viver bem na comunidade significa viver virtuosamente, o exercício da virtude seria
o caminho que se faz para alcançar o bem. Nesse sentido, da ética emanam todos os
princípios norteadores de nossas ações. De fato, toda e qualquer ação do homem na pólis
deverá ser prescrita por normas de condutas naturais, não apenas normas de condutas legais,
porque nem sempre o que consiste legal numa moral social será ético. Para o filósofo grego,
nem toda ação ou paixão admite meio-termo, algumas situações já trazem em si mesma a
implicação de maldade, por exemplo: o adultério, o furto e o assassino, nessas ações não é o
excesso ou a sua deficiência que o diferencia, nessas jamais poderá haver retidão, ou virtude,
somente unicamente o erro.
E qual a natureza das virtudes? Como adquirimos as virtudes? PAristóteles esclarece
que nunca há virtude quando há falta ou excesso. No entanto, a virtude implica a justa
proporção que é a via de meio entre dois excessos3. E que as virtudes são aprendidas pelo
hábito, ou seja, pelo exercício.
“Com relação ao temor, ao ardor, ao desejo, a ira, à piedade
e, em geral, ao gozo e á dor há um excesso e uma falta, e
ambos não são bons; mas se experimentamos aquelas
paixões quando se deve, no que se deve, contra quem se
deve, com a finalidade e do modo como se deve, contra
quem se deve, com a finalidade e do modo como se deve,
então estaremos no meio e na excelência, que são próprios
da virtude...”4
As virtudes éticas são numerosas, bem como são numerosos os impulsos e o
sentimento que a razão deve moderar. “Por isso segundo a sua essência e segundo a razão
1
ARISTÓTELES, Política, I, 1255
ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, I, 15 -16
3
Ibidem, pág. 9
4
Ibidem, pág. 33
2
6
que estabelece a sua natureza, a virtude é uma mediania, mas com relação ao bem e à
perfeição ela consiste no ponto mais elevado da alma humana.”5 Somente através da razão o
homem é capaz de chegar ao seu fim último, ou seja a felicidade – o bem. Sem o controle da
razão o homem tenderia sempre para o excesso. Como as virtudes nascem em nós do hábito,
pela natureza somos potencialmente capazes de formá-las perante o exercício. Através delas
atingiremos o bem maior, justamente pelos atos que praticamos em nossas relações com os
homens. Todavia, na maneira como nos relacionamos com os outros é que nos tornamos
justos ou injustos.
A investigação sobre a ética inicia-se desde os primeiros filósofos gregos, no
momento em que o olhar dos filósofos sobre as tradições de seu tempo na vida da pólis
gregas, se dirigia para as práticas cotidianas de conduta e das crenças de caráter social,
político e religioso. Isto implica em dizer que a reflexão ética surge no horizonte de ruptura
com a vivência do mito (destino) e o nascimento da percepção da liberdade humana. É
também importante, ressaltar que nos poemas de Homero no que se refere à ética, encontrase o desenvolvimento de um modelo de agir humano que tem por finalidade a procura do
ideal heroico de afirmação de si, ou seja, de exaltação da própria cultura hedonista em que
vivia. Já nos filósofos pré-socráticos, encontramos algumas reflexões com o intuito de
descobrir as razões pelas quais os homens devem se comportar de determinada maneira,
porém, pode-se se constatar que os trabalhos dos pré-socráticos são muito mais uma
referência de preceitos de moralidade do que propriamente reflexões éticas, uma vez que o
foco central da reflexão destes filósofos era a natureza. Assim escreve Lima Vaz sobre o
assunto:
“Mas a experiência da liberdade aparece profundamente integrada à
formação da cultura grega, presente de modo determinante no
desenvolvimento do saber ético e nas origens da Ética, crescendo,
sobretudo no terreno onde se dá o temeroso confronto entre o agir
humano e o Destino e no campo político onde a liberdade do cidadão
se exprime, sobretudo na liberdade de expressão e no direito de
participação nas assembleias, essenciais à política democrática”
(VAZ, 1999, p. 99)
Assim, a Ética se constitui como uma reflexão sobre o comportamento moral dos
indivíduos em sociedade. A reflexão que se fazia sobre a moral, ou seja, os ‘costumes do
homem na Pólis, Segundo Adolfo Vazquez, pode ser definida como um conjunto de normas,
aceitas livre e conscientemente, que regulam o comportamento individual e social dos
homens. Portanto, no plano da moral encontramos duas faces: a primeira, o normativo,
5
ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, pág. 6-8
7
constituído pelas normas ou regras de ação e pelos imperativos que enunciam algo que deve
ser; e segundo, o fatual que é o plano dos fatos morais, constituído por certos atos humanos
que se realizam efetivamente.6 O normativo não existe independentemente do fatual, mas
aponta para um comportamento efetivo, pois, toda norma postula um tipo de comportamento
que considera devido, exigindo que esse comportamento passe a fazer parte do mundo dos
fatos morais, isto é, do comportamento efetivo real dos homens. Assim de Acordo com
Vazquez:
Os atos adquirem um significado moral: são positivos ou moralmente valiosos
quando estão de acordo com a norma e negativos quando violam ou não cumprem as
normas. Portanto, certos atos são incluídos na esfera moral por cumprirem ou não
uma determinada norma.7
De acordo com os estudos sobre ética, de Edouard Delruelle, “o termo ética permite
delimitar uma dimensão do comportamento que escapa à moral. é a dimensão subjetiva e
ponderada dos valores e das normas; a forma como cada um se conduz, como cada um se
define enquanto sujeito moral”8. Nesse caso podemos utilizar os termos, «ética e moral»
para definir os comportamentos humanos e nada impede de se utilizar essas duas palavras
dando-lhes sentidos diferentes. “A ética, tal como a entendemos, é o estudo lógico da
linguagem da moral”9.
Numa visão pragmática, há quem sustente que a moral é ampla e abrangente. Quando
suas normas são positivadas, está-se a falar de ética. Por isso é que existem “Códigos de
Ética” e não “Códigos de Moral”. Mas para melhor adentrar ao universo ético, é necessário
conhecer o que outros pensadores dizem sobre ética.
Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade.10 É uma
ciência, pois tem objeto próprio, leis próprias e método próprio, na singela identificação do
caráter científico de um determinado ramo do conhecimento. O objeto da Ética é a moral. A
moral é um dos aspectos do comportamento humano.
Com exatidão maior, o objeto da ética é a moralidade positiva, ou seja, “o conjunto
de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o
6
VAZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Tradução João Dell’ Anna. 20ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira,
2000, p. 63
7
Ibidem, p. 64
8
DELRUELLE, Édouard. Metamorfose do Sujeito – A ética filosófica de Sócrates a Focault, Lisboa, Instituto
Piaget, 2004p. 16.
9
HARE, R. M. A linguagem da Moral, São Paulo, Martins Fontes, 1996 p. 7.
10
Adolfo Sánchez Vázquez, Ética, p. 12.
8
valor do bem”11. A distinção conceitual não elimina o uso corrente das duas expressões
como sinônimas. Se a ética é a doutrina do valor do bem e da conduta humana que tem por
objetivo realizar esse valor, a nossa ciência “não é senão uma das formas de atualização ou
de experiência de valores ou, por outras palavras, um dos aspectos da Axiologia ou Teoria
dos Valores”12. Assim, o complexo de normas éticas se alicerça em valores, normalmente
designados valores do bom. Há conexão indissolúvel entre o dever e o valioso. Pois à
pergunta “o que devemos fazer?” só se poderá responder depois de saber a resposta à
indagação “o que é valioso na vida?”
Toda norma pressupõe uma valoração e, ao apreciá-la, surge o conceito do bom –
correspondente ao valioso – e do mau – no sentido de desvalioso. E norma é regra de
conduta que postula dever13. Todo juízo normativo é regra de conduta, mas nem toda regra
de conduta é uma norma, pois algumas das regras de conduta têm caráter obrigatório,
enquanto outras são facultativas. As regras a serem observadas para acessar a internet ou
para viabilizar um programa de software, por exemplo, são de ordem prática e exprimem
uma necessidade condicionada.
2. Ética para as empresas.
Assim como se discute a necessidade e a conveniência de um Código de Ética para
outras profissões, questiona-se a oportunidade de elaboração de um rol de deveres para as
empresas. Elencar condutas antiéticas envolve um risco: tudo aquilo que não estiver
exatamente tipificado escapa ao rótulo e passa a ser eticamente permitido.
Por esse motivo é que muitas empresas deixam de adotar a estratégia da codificação
moral. Simplesmente adotam “a regra dourada ‘aja com os outros como você gostaria que
agissem com você’”14. Ou continuam a agir como sempre atuaram, com vistas
exclusivamente na obtenção de retorno do capital investido.
A tendência é a generalização dos Códigos de Ética Empresariais. “Os valores
inerentes à cultura de uma empresa podem ser formalizados e expressos no chamado código
de ética empresarial. Em alguns casos exemplares, a publicação e a distribuição de um
11
MÁYNEZ, Eduardo García, Ética – Ética empírica. Ética de bens. Ética formal. Ética valorativa, p. 12.
Ibidem, p.12
13
Ibidem, p. 19.
14
ASHLEY, Patrícia Almeida, (coord.) Racionalidades para a ética empresarial e a gestão da empresa
cidadã. Ética e responsabilidade social nos negócios, 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 21.
12
9
código é uma forma de assumir explicitamente um conjunto de valores que já vêm
governando a empresa e seus funcionários, há um tempo considerável. Em outros casos, a
publicação e a distribuição de um código não passa de uma tentativa desesperada de
persuadir ou ameaçar os funcionários a aceitarem um conjunto de princípios em seu dia a
dia. E, algumas vezes, esse código não passa de uma tentativa hipócrita de estabelecer
relações públicas.”15
Para as empresas que preferem a adoção de um Código de Ética, a crença é a de que
tal opção propicia “que todos dentro e fora da organização conheçam o comprometimento da
alta gerência com a sua definição de padrão de comportamento ético e, mais importante, que
todos saibam que os dirigentes esperam que os funcionários ajam de acordo com esse
padrão. O código define o comportamento considerado ético pelos executivos da empresa e
fornece, por escrito, um conjunto de diretrizes que todos os funcionários devem seguir”.16
É essencial que a mais alta hierarquia da empresa não só explicite apoio a esse
código, como demonstre, de forma nítida, atuar de acordo com o seu conteúdo. Nada mais
nefasto do que distanciar a prática do discurso. Na linha do “faça o que eu digo, não faça o
que eu faço”. Também é fundamental que o código derive de uma participação ativa de
representantes de todos os setores da empresa. A experiência de comitês integrados por
atores representativos de todas as áreas afetadas pelo código é a mais exitosa. Esse comitê
deve se encarregar da discussão prévia, da colheita de opiniões, da consulta aos demais
exemplares já provados em outras empresas, e com esse processo se legitimará o resultado
do trabalho coletivo.
3. Ética nos negócios, a profissão como vocação.
O comércio e a economia de mercado de trocas são atividades profundamente
humanas que levam à prosperidade geral. Nessa conformidade, já insistimos que os negócios
precisam ser reposicionados dentro da estrutura da existência humana. Assim como
estudamos arte e literatura, estudos sociais e política para entender o que significa sermos
humanos, também precisamos estudar economia e negócios a fim de alcançar um
entendimento mais adequado e abrangente da pessoa humana. Achamos normal que, embora
só algumas pessoas se especializem em literatura e dela se tornem profissionais, todos
15
16
R. SOLOMON, A melhor maneira de fazer negócios, São Paulo, Negócio, 2000. p. 88.
ASHLEY, Patrícia Almeida, op. cit., p. 21.
10
precisamos de um entendimento geral de nosso papel para ajudar a definirmo-nos e à nossa
sociedade. Da mesma maneira, algumas pessoas especializam-se em negócios e tornam-se
seus principais defensores, mas todos precisam entender seu papel construtivo para aumentar
a prosperidade geral da sociedade.
Os líderes de negócios quase sempre veem sua vida em termos maiores do que
ganhar dinheiro. Não que ganhar dinheiro seja sem importância. É antes mais uma medida
de sucesso do que objeto de cobiça. Muitos líderes de negócios reconhecem que foram
dotados de talento e desejo profundos de criar, de sobressair-se e, a longo prazo ( e talvez
com frequência só a longo prazo), ser, de alguma forma, útil para suas comunidades ou seus
semelhantes. Há um sentimento de satisfação em um trabalho bem feito, seja a curto prazo,
como conseguir uma nova conta, seja a longo prazo, como tornar-se excelente vendedor.
Assim como as empresas têm um conjunto de valores básicos que guiam seu sucesso,
também o indivíduo é guiado pela combinação singular de valores que forma quem ele é.
Entretanto, há uma grande diferença entre os valores básicos claramente definíveis,
deliberadamente escolhidos, que identificam uma empresa e a busca durante a vida toda pelo
indivíduo para responder à pergunta: o que me realiza como profissional? O que me motiva
a despender tremenda energia mental e física numa empresa?
A crescente percepção de quem somos é um desenvolvimento da vida toda. As
empresas nem sempre se preocupam em desenvolver nos seus colaboradores a consciência
desta dimensão vocacional. “o ponto de gravidade para a qual tendem todas as coisas,”17 isto
é, o fluxo de realização de um ser humano no exercício de sua atividade profissional. É
complicado ainda mais pelo fato de ser impossível experimentar tudo da vida em um
momento, embora haja momentos mais definidores do que outros. Descobrimos a nós
mesmos não apenas pela reflexão e introspecção, mas também pela maneira como agimos e
reagimos ao mundo em que vivemos. Como resultado, há muitas maneiras de obter maior
autoconhecimento. O que é indubitável é que o progresso no autoconhecimento é vital para
identidade moral e a liderança.
Esse processo começa pela ligação com os sonhos que soltam a paixão, a energia e o
arrebatamento da pessoa a respeito da vida. Envolve ultrapassar os “zeros” de nossa vida. É
trabalho árduo porque os hábitos de nossos pensamentos e sentimentos construíram no
cérebro um conjunto de circuitos neurais muito movimentados, altamente reforçados.
Exercícios para libertar nossos sonhos e nossas aspirações para o futuro ajudam. Focalizar
17
AHNER, Gene. Ética nos negócios, construir uma vida, não apenas ganhar dinheiro. São Paulo, Paulinas,
2009, p. 141-142
11
uma visão de nós mesmos no futuro leva-nos a transpor alguns dos inevitáveis obstáculos do
presente. Em grande parte, a “jaula de ferro” na qual estamos todos presos não é examinada.
No decorrer de uma vida atarefada, adotamos as expectativas dos outros ou somos seduzidos
por ideias aceitas de poder, fama ou sucesso. Você sabe que começou a passar disso para o
centro de si mesmo, quando, de repente, se sente arrebatado pelas possibilidades que sua
vida oferece.
Depois de chegar ao fim de cada período, examine o que anotou. Há algum tema
constante? Há algum fio que entrelaça e liga os incidentes? Quais são os momentos
definidores de sua vida quando você olha para trás? Você vê alguma ligação entre o que é
importante para você agora e os incidentes vitais de sua vida conforme você os definiu?
Faça a si mesmo um controle da realidade conversando sobre suas descobertas com um
grupo ou um amigo e obtendo algum retorno.
De algumas maneiras, um exercício como o proposto nunca se completa. Oferece um
programa para a vida toda. Exige reflexão constante, da qual foge quem vive à deriva. Por
outro lado, tal reflexão é realizada de várias maneiras. O que é indispensável é a necessidade
de penetrar em nosso próprio íntimo, nossos sonhos, esperanças e paixões, para a vida ser
vivida com integridade e autenticidade.
4. Ética do profissional de Contábeis.
O bom exercício da atividade do profissional de contabilidade se caracteriza
basicamente pela qualidade da prestação de serviços, o fornecimento de informações que
visa de sobremaneira, a proteção do patrimônio das empresas e também de pessoas físicas,
auxiliando-as em tomada de decisões presentes e futuras dessas entidades.
O profissional contábil deve ter um comportamento ético inquestionável, saber
manter sigilo, ter conduta pessoal, dignidade, honra, competência e serenidade para
proporcionar ao usuário informações com segurança e confiabilidade.
No capítulo II, artigo 2º do código de ética, em que trata dos deveres e proibições dos
profissionais de contábeis se destaca a seguinte formulação, é dever do contabilista:
I - exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, observada a
legislação vigente e resguardados os interesses de seus clientes e/ou
empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais;
12
II - guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional
lícito, inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados os casos previstos
em lei ou quando solicitado por autoridades competentes, entre estas os
Conselhos Regionais de Contabilidade.18
Por outro lado, percebemos que as organizações estão inseridas no ambiente
competitivo, onde nem sempre as pessoas agem de forma ética, tal que não medem esforços
e nem escrúpulos para ganhar dinheiro e alcançar sucesso. Do ponto de vista ético, o
profissional de contábeis precisaria assumir uma posição em que não estivesse totalmente
subornado as organizações ao ponto de não conseguir autonomia em suas tomadas de
decisões, a partir de uma conduta ética firme, tanto profissional quanto individual.
5. Conclusão
18
Código de ética do Contabilista. Resolução CFC Nº 803/1996, Redação alterada pela Resolução CFC nº
1.307/10, de 09/12/2010)
13
Percebemos ao longo desta pesquisa bibliográfica que as questões éticas estão sendo
discutidas hoje no campo profissional, organizacional e governamental. Justamente devido
aos problemas envolvendo áreas contábeis apresentados em rede nacional para a sociedade.
Segundo o filósofo grego, Aristóteles, toda a atividade humana, em qualquer campo,
tende a um fim que é, por sua vez, um bem: o Bem Supremo ou Sumo Bem, que seria
resultado do exercício perfeito da razão, função própria do homem. Assim sendo, o homem
virtuoso é aquele capaz de deliberar e escolher o que é mais adequado para si e para os
outros, movido por uma sabedoria prática em busca do equilíbrio entre o excesso e a
deficiência.
A virtude não é, portanto, natureza; e não haveria um aprendizado suficientemente
eficaz para garantir a ação virtuosa. A virtude, contudo, seria a forma mais plena da
excelência moral; e, por tal razão, não poderia existir em seres incompletos ainda em
formação, como as crianças. A excelência moral, revelada pela prática da virtude, seria,
antes de tudo, uma disposição de caráter. Para o exercício da virtude seria, pois, necessário
conhecer, julgar, ponderar, discernir, calcular e deliberar. A virtude, como excelência moral,
corresponderia à ideia de uma razão reta relativa às questões da conduta.
Diante disto, o profissional de contábil deverá manter-se sempre atualizado das
legislações vigente e possuir bastante conhecimento do Código de Ética que regulamenta a
sua profissão para exercer uma conduta ética profissional capaz de se auto realizar
pessoalmente e responder as necessidades da Sociedade, através dos serviços prestados.
Se a base de nossas ações morais não está apenas fora de nós mesmos, mas na
relação com o outro que nem sempre escolhemos para conviver basicamente uma vida
inteira, por isso, talvez precisemos voltarmo-nos para dentro de nós mesmos, para
encontrarmos um padrão de pensamento moral baseado em virtude ou no cuidado. E a regra
de ouro para a boa convivência diz que: “ não faça aos outros o que não quer que lhe façam.
6. Referências bibliográficas.
14
AHNER, Gene. Ética nos negócios, construir uma vida, não apenas ganhar dinheiro. São
Paulo, Paulinas, 2009
ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. Tradução e notas de Edson Beni, 2ª ed. Bauru SP,
EDIPRO, 2007
ARISTÓTELES, Política. Tradução Mário da Gama Kury. 3ª ed. Brasília, Universidade de
Brasília – UnB, 1997.
ASHLEY, Patrícia Almeida (coord.) Racionalidades para a ética empresarial e a gestão da
empresa cidadã. Ética e responsabilidade social nos negócios, 2ª ed. São Paulo: Saraiva,
2005.
DELRUELLE, Édouard. Metamorfose do Sujeito – A ética filosófica de Sócrates a Focault,
Lisboa, Instituto Piaget, 2004p. 16.
HARE, R. M. A linguagem da Moral, São Paulo, Martins Fontes, 1996 p. 7.
MÁYNEZ, Eduardo García. Ética – Ética empírica. Ética de bens. Ética formal. Ética
valorativa, 18ª, México, Porrúa, 1970.
SOLOMON R., A melhor maneira de fazer negócios, São Paulo, Negócio, 2000.
VAZ, Henrique C. de Lima. Escritos de Filosofia IV: Introdução à Ética Filosófica. São
Paulo: Edições Loyola, 1999.
VAZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Tradução João Dell’ Anna. 20ª ed. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira, 2000, p. 63
15
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