Avaliação neuropsicológica em AVC

AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA
EM AVC
Maria Gabriela Ramos Ferreira
CRP12/01510
Especialista em Neuropsicologia
Mestre em Saúde e Meio Ambiente
Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE
Definição de AVC
• A oclusão ou a ruptura dos vasos arteriais do sistema nervoso
central causando uma interrupção na circulação sanguínea de
parte do cérebro é definida como acidente cerebrovascular
(AVC).
LOTUFO, 2005; CHANDRA, 2006
• Isquemia = 70%
• Hemorragia
CHANDRA, 2006
Epidemiologia
- AVC é a principal causa de incapacidade em todo o mundo
BONITA, 2004; WOLFE, 2000
- Maior causa de morte e incapacidade nos países em
desenvolvimento
WHO, 2007
- América Latina
Brasil com as maiores taxas de mortalidade
LOTUFO, 2007
- Brasil
AVC é a primeira causa de morte
Disponível em www.datasus.org.br
- Joinville
Taxa de incidência = 105,4/100.000 hab.
CABRAL, 2009
Impacto do AVC
• Seqüelas físicas, emocionais e cognitivas afetando o cotidiano
após a volta para casa e para a comunidade
MUNSAT, 1997
• Impacto financeiro aos pacientes, seus familiares, ao sistema
de saúde e à sociedade
BARKER-COLLO, 2006
• Aposentadoria precoce
• Demência
BONITA, 2004
Cognição e AVC
• O AVC pode causar síndromes cognitivas que refletem a
neuroanatomia funcional da cognição e a anatomia vascular
do cérebro
NYS, 2005; FERRO, 2001
– disfunções lateralizadas dos hemisférios cerebrais
– lesões difusas
MUNSAT, 1997
Desordens cognitivas após AVC
• síndromes neuropsicológicas:
−
−
−
−
−
−
−
−
−
afasia,
apraxia,
anosognosia,
agnosia de objetos,
disfunção executiva
heminegligência unilateral,
alterações de atenção
prejuízo de memória
alterações visuo-espaciais.
LEZAK, 2004; MUNSAT, 1997
Desordens cognitivas após AVC
• No Brasil a realidade dos pacientes que sofreram acidente vascular
cerebral é muito similar àquela descrita por NYS (2005, p. 15), na Holanda:
• “... quando depois do período de internação hospitalar a
grande maioria dos sobreviventes recebe alta e retorna
para suas casas, eles estão muitas vezes ignorantes da
existência e das possíveis consequências das desordens
cognitivas, considerando que identificação precoce e o
fornecimento de informações poderiam facilitar a
compreensão dos pacientes e de seus cuidadores”.
Desordens Cognitivas Após AVC
• Envelhecimento e sexo feminino
prejuízo cognitivo.
fatores de risco para
• Lesões frontais, parietais e occipitais relacionadas a uma
pior recuperação em domínios cognitivos específicos.
• Maior volume da lesão associado com desfecho cognitivo
adverso em seis meses após o AVC.
• Trombólise
cognitivo.
não foi associada a benefício no desfecho
NYS, 2005
Desordens Cognitivas Após AVC
• Reitz, 2006:
− estudo que comportou várias avaliações neuropsicológicas
em um período de 5 anos
− AVC pregresso está relacionado com declínio progressivo
da memória e do desempenho abstrato/visuo-espacial
− principalmente entre homens
− naqueles que não apresentaram alelo APOEε4.
Desordens Cognitivas Após AVC
• Prejuízo cognitivo precoce após AVC lesões pré-existentes
fatores de risco vasculares hiperglicemia + febre (admissão)
• Portanto, febre e hiperglicemia aguda podem resultar em AVC
mais graves e são fatores de risco “não independentes” para
piores desfechos funcionais, podendo acarretar benefícios se
for possível a sua modificação precoce.
NYS, 2007
Desordens Cognitivas Após AVC
• Plasticidade neuronal do cérebro → recuperação natural
• Déficits cogniXvos mais severos → fase aguda
• Depende da gravidade do AVC
• Algumas síndromes cognitivas hiperagudas são indicadores
úteis de posteriores incapacidades.
•
−
−
−
Transtornos cognitivos mais comuns:
funcionamento executivo
percepção visual
construção visuo-espacial.
NYS, 2005
Desordens Cognitivas Após AVC
• Bom nível de funcionamento intelectual pré-mórbido:
− excelente preditor de boa recuperação em quase todos os domínios
cognitivos,
− maior capacidade de criar estratégias compensatórias adequadas
− maior reserva cognitiva (densa conectividade neuronal existente)
• Pacientes mais jovens melhor recuperação no
funcionamento executivo, linguagem e memória visual e
verbal
• Pacientes mais idosos recuperação cognitiva pior após
lesão cerebral envelhecimento reduz a conectividade
neuronal
NYS, 2007 e 2005
Desordens Cognitivas Após AVC
• Sexo → não influenciou a recuperação cognitiva
• Volume da lesão → prediXvo apenas para a memória visual
• Localização da lesão → maior poder de predição
(lesão pequena, mas estratégica pode causar maior dano cognitivo)
• A gravidade do AVC, (NIH-SS) + presença ou a ausência de
sintomas depressivos na primeira avaliação → não associados
com a recuperação cognitiva.
• Estudos longitudinais → a cognição permanece estável ou até
melhora a longo-prazo → reorganização adaptativa das
funções cerebrais após AVC.
NYS, 2007 e 2006
Avaliação neuropsicológica
• Mini Exame do Estado Mental (MEEM)
• Pouca sensibilidade e especificidade como método
de rastreio cognitivo em pacientes com AVC
BLAKE, 2002 apud NYS, 2005
• Não discrimina entre pacientes cognitivamente intactos e
com prejuízo cognitivo (ponto de corte <24)
• Não demonstra prejuízos de raciocínio abstrato,
funcionamento executivo, percepção visual e construção.
NYS, 2005
Avaliação neuropsicológica
• Ajudar a programar a reabilitação,
• Auxiliar na instalação de estratégias compensatórias e
intervenções precoces de restauração de função em
reabilitação cognitiva.
NYS, 2005; RIEPE, 2004
•
•
•
•
Fins jurídicos: aposentadoria
Depressão X Demência
Retorno e/ou adaptação à atividade laboral
Capacidade de voltar a dirigir
LEZAK, 2004
Avaliação neuropsicológica
• Avaliação em processo orientado e flexível
• COMPREENSIVA
• Seleção dos testes que irão avaliar habilidades e
preocupações cognitivas relevantes
• Analise mais complexa de funções cognitivas particulares
SOHLBERG & MATEER, 2009
Avaliação neuropsicológica
• Seleção dos testes a partir dos problemas do paciente
(queixas)
• Pode-se incorporar novos testes com base no desempenho do
paciente
• Testes mais relacionados às variáveis individuais do paciente:
−
−
−
−
−
condição física
funções motora e sensorial
habilidade de comunicação
grau de deficiência cognitiva
grau de capacidade atencional
SOHLBERG & MATEER, 2009
Avaliação neuropsicológica
• Controvérsia → avaliação neuropsicológica detalhada na fase
aguda (inicial) do AVC
– pouca confiabilidade
– questionamento do valor preditivo
• O examinador poderá deparar-se com complicadores para a
realização da avaliação como fadiga, nível de consciência
flutuante e estresse emocional.
LEZAK, 2004
Avaliação neuropsicológica
• NYS, 2005:
– avaliação neuropsicológica precoce, do tipo compreensivo, é possível e
pode predizer o desempenho cognitivo do paciente a longo-prazo em
pacientes que sofreram o primeiro AVC.
• Riepe, 2004:
– avaliação neuropsicológica precoce com testes de fácil aplicação para
acessar prejuízo cognitivo na fase aguda e que não requeiram
capacidades motoras.
Conclusão
• Avaliação neuropsicológica
− Detalhada
− Precoce (se possível)
− Desfechos
− Modelos prognósticos