discurso político, ethos e cena enunciativa em - Uni

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DISCURSO POLÍTICO, ETHOS E CENA ENUNCIATIVA EM
CAMPANHA ELEITORAL DO TSE 2008
Josie Ubiali - Universidade de Franca
INTRODUÇÃO
Na perspectiva da Análise do Discurso e integrando o projeto de pesquisa
“Processos enunciativos e constituição de identidades políticas nas mídias”, sob a
responsabilidade da Profª.Dra. Maria Silvia Olivi Louzada, reflete-se neste trabalho
sobre as relações entre discurso político e mídias contemporâneas em que
diferentes posições enunciativas são sustentadas tanto pelo linguístico como pelas
imagens que se colam aos discursos.
Compreendendo-se que a noção de ethos está relacionada à cena
enunciativa e à constituição da identidade, analisa-se uma propaganda integrante de
uma campanha do Tribunal Superior Eleitoral veiculada pela rede de TV brasileira no
primeiro semestre de 2008 que se destina a persuadir os eleitores a votarem nas
próximas eleições. Com base nas teorias de Dominique Maingueneau, buscou-se
analisar, principalmente, o modo como a cenografia e o ethos, estabelecem uma
identidade ao enunciador. Entendendo-se que, além dos textos verbais, as imagens
também participam da constituição discursiva das identidades, indagaram-se o
discurso e sua produção de sentidos no vídeo “Heróis”, integrante da campanha
eleitoral do TSE.
O acontecimento midiático, no caso, é objeto de uma dupla construção: a
de uma encenação levada a efeito pelo TSE com transmissão pela TV, a qual revela
o olhar da instância política e a leitura realizada pela instância cidadã - o leitorouvinte-telespectador - que a recebe e a interpreta. Entende-se que o estudo de
diferentes práticas políticas midiatizadas pode revelar interessantes modos de
construir os sujeitos, seus traços e sua filiação ideológica, sua relação com a
memória social e discursiva, os discursos repetíveis, os deslizamentos e as
subversões de sentido, os “pontos de deriva possíveis” (PÊCHEUX, 1983).
272
Esta pesquisa buscou investigar como os discursos políticos produzidos
pelas mídias também espelham, de certo modo, a mentalidade e a cultura vigentes,
como esses discursos, plenos de historicidade, integram o processo de seleção dos
acontecimentos que se deseja recordar no futuro, como fixam sentidos, ao veicular
as diversas vozes que constituem o imaginário de uma dada época. Entendendo,
pois, os discursos políticos midiatizados como práticas sociais produtoras de
sentidos, pretende-se estudar como fomentam a formação da opinião pública,
interferindo nos destinos do povo e contribuindo em larga medida para a
transformação do poder. É nisso também que reside a relevância científica e social
do presente trabalho de pesquisa. A perspectiva teórica da Análise do Discurso de
linha francesa – AD se presta singularmente à realização desse trabalho de
investigação, pois estende a possibilidade analítica do pesquisador para as
condições sócio-históricas de produção discursiva.
Enfim, acredita-se que a proposição desta pesquisa encontra amplo
respaldo quando se sabe o quanto e como em um mundo globalizado os discursos
propagados pelas mídias podem interferir significativamente na vida dos povos e das
nações, em virtude tanto da rapidez com que propagam ideologias, como do quanto
podem concorrer para a transformação das instâncias do poder.
1. CENA ENUNCIATIVA E ETHOS
A etimologia de ethos é grega e significa “costumes, modo de ser, caráter” e
permite que o co-enunciador crie uma “imagem”, uma “figura” que represente esse
possível “caráter” enunciativo, fundamentado, pela sociedade, em estereótipos
culturais. A essência do ethos está relacionada diretamente com a enunciação, e é
por meio dessa relação que o co-enunciador se submeterá a uma avaliação dos
efeitos de sentido do discurso. Não se trata aqui de um pré-juízo sobre o enunciador,
um ethos falado, dito, mas de um “ethos mostrado”. Para entender melhor essa
distinção entre o “mostrado” e o “dito”, distinguiremos o ethos pré-discursivo do
ethos discursivo, tendo como base os estudos de Maingueneau sob a perspectiva de
ser o ethos um “fiador”.
De acordo com Maingueneau (2005b, p.69-72), o co-enunciador já detém ou
constrói representações do ethos do enunciador antes mesmo que ele fale – o ethos
pré-discursivo, noção intimamente relacionada à de identidade de posicionamento.
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No que se refere ao discurso político, em especial, a cada nova cena enunciativa, o
co-enunciador retoma esse ethos prévio e usa-o como um parâmetro, um norteador
para realizar a interpretação do novo discurso proferido. Por outro lado, o ethos
discursivo refere-se a uma ’vocalidade específica” um “tom” que permite relacionálo com uma fonte enunciativa. Sobre a corporalidade do enunciador, Maingueneau
explica que se trata de “um conjunto difuso de representações sociais valorizadas
ou desvalorizadas, de estereótipos sobre os quais a enunciação se apóia e que, por
sua vez, contribui para reforçar ou transformar”. (LOUZADA, 2008)
Para a distinção entre ethos prévio e ethos discursivo, definiremos o primeiro
como sendo uma imagem preexistente ou predefinida que “condiciona a construção
do ethos discursivo e demanda a reelaboração dos estereótipos desfavoráveis que
podem diminuir a eficácia do argumento.” (AMOSSY, 2005, p.148). No campo
político, principalmente devido à forte influência midiática, o ethos discursivo pode
“afirmar-se ou infirmar-se”, segundo Maingueneau (Apud Amossy, 2005, p.71), e
induzir expectativas até mesmo por meio do gênero do discurso, pois o coenunciador pode suscitar uma imagem prévia do enunciador só pelo fato de saber
que se trata de um gênero político.
Segundo a concepção de Maingueneau (2005b, p. 72) pode-se atribuir ao
enunciador a função de “fiador” do discurso e é através desse fiador que o
enunciatário irá posicionar-se em relação à veracidade do discurso. Em relação ao
ethos discursivo -, “cuja figura o leitor deve construir com base em indícios textuais
de diversas ordens, vê-se, assim, investido de um caráter e de uma corporalidade,
cujo grau de precisão varia conforme os textos” - pode-se dizer que é o fiador de um
discurso. No entanto, a produção de sentido de um discurso não existe por si só,
pois se insere em um meio, um momento histórico, em uma ideologia; o discurso se
produz em uma dada cena de enunciação e é em relação a ela que os enunciados
serão pertinentes ou não. O sujeito que enuncia encontra-se num lugar discursivo
que o legitima e que lhe atribui uma autoridade vinculada à uma dada posição: uma
instância enunciativa.
1
enunciador
Para interpretar um discurso é necessário que o co-
identifique o tipo do discurso, ou seja, a que cena englobante
(MAINGUENEAU, 2005a, p.86) ele corresponde: política, religiosa, publicitária,
jurídica, etc., permitindo coligar a finalidade contratual entre o “EU”, enunciador, e o
“OUTRO”, co-enunciatário. No entanto, caracterizar apenas um discurso como
político, literário, publicitário ou outros, não é suficiente, pois o co-enunciador é
aquele que irá definir os papéis dos parceiros do discurso, o lugar e o tempo em que
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se enuncia, a finalidade discursiva entre outros, definindo dessa maneira as cenas
específicas dos gêneros do discurso.
A cenografia, fator imprescindível na formação discursiva, é estabelecida no
próprio corpo do texto como, por exemplo, no caso de um político: ele não precisa
necessariamente se dirigir aos seus eleitores sempre por meio da mesma
cenografia, ele pode apresentar-se como um jovem, amigo, experiente, executivo,
operário dentre outros, que fala de política à sociedade. Como afirma Maingueneau
(2005b, p.76): “o discurso político mobiliza cenografias variadas uma vez que, para
persuadir seu co-enunciador, devem captar seu imaginário, atribuir-lhe uma
identidade invocando uma cena de fala valorizada”.
A cenografia, como o ethos que dela participa, implica um processo de enlaçamento
paradoxal: desde sua emergência, a fala supõe uma certa cena de enunciação que,
de fato, se valida progressivamente por essa mesma enunciação. A cenografia é,
assim, ao mesmo tempo, aquela de onde o discurso vem e aquela que ele engendra;
ela legitima um enunciado que, por sua vez, deve legitimá-la, deve estabelecer que
essa cena de onde a fala emerge é precisamente a cena requerida para enunciar,
como convém à política, à filosofia, à ciência. (MAINGUENEAU, 2005b, p. 77)
Segundo Charaudeau (2006, p. 115-117), ethos, no interior do discurso
político, está relacionado à constituição das imagens de si e de como se processa
essa construção, ou seja, “o ethos é como um espelho no qual se refletem os
desejos uns dos outros”, uma identidade discursiva que pode se manifestar com
inúmeras “máscaras”, de distintos caracteres do enunciador visto globalmente, já
que a sociedade constituirá um dos olhares sobre o ethos do enunciador. Nesse
aspecto, a imagem construída pelo enunciador, permite que o co-enunciador
delegue sobre ele (enunciador) a legitimidade de seu discurso, permitindo que a
segunda instância construa, possivelmente, um mesmo juízo discursivo. Vê-se então
que o papel desempenhado pelo ethos no discurso é se fazer de “fiador do que é
dito”, e remeter a uma identidade própria, um caráter e corporalidade compatíveis
com a cena enunciativa que é imprescindível na legitimação de um enunciado, ou
seja, o co-enunciador precisa incorporar todos os aspectos que definem o ethos do
enunciador e aderir ou não ao seu discurso.
No discurso político, o ethos se constrói e de acordo com sua posição social,
tem o poder de persuadir, porém, com facetas frágeis, “adoradas um dia, podem ser
queimadas no dia seguinte.” (CHARAUDEAU, 2006, p.89). O conceito sobre
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discurso político está relacionado com os lugares de fabricação e a situação de
comunicação, melhor dizendo, “Não é o conteúdo do discurso que assim o faz, mas
é a situação que o politiza.” (CHARAUDEAU, 2006, p.40). Distinguiram-se três
lugares de fabricação: a instância política, a instância cidadã e a instância midiática;
no entanto, o discurso político não se restringe somente aos fatores expostos, pois
também é resultado de uma combinação de elementos externos como os fatos
políticos, sociais, jurídicos, morais e psíquicos, logos2, pathos3 e ethos4.
2. DISCURSO,
TEXTO
E
MÍDIA:
DISTINTOS
DISPOSITIVOS
COMUNICACIONAIS
Utiliza-se o termo “texto” para definir e abranger qualquer tipo de produção
verbal, oral ou escrita, que persiste mesmo quando inserida em outros contextos.
Maingueneau (2005a, p.85) define texto como um “rastro deixado por um discurso
em que a fala é encenada”, com características heterogêneas e polifônicas, trata-se
da inserção de palavras de um locutor no texto de outro locutor, permitindo certa
variedade discursiva e muito mais que um aglomerado de signos lingüísticos. As
considerações sobre “texto” vêm constantemente se modificando, visto que,
músicas, imagens, filmes, gravações de áudio (unidades verbais) são textos, e que
estão relacionados com os gêneros do discurso. O dispositivo comunicacional mais
utilizado recentemente, que engloba diversos níveis sociais e contextos, é a mídia.
Esta permite uma cenografia veiculada à espetacularização, que segundo Carlos
Piovezani Filho (GREGOLIN, 2003, p. 13) é um fenômeno pós-moderno capaz de
preparar um ethos discursivo que utilizará os seguintes meios espetacularizantes: a
política, a língua e a história.
A politização da mídia ou midiatização da política impõe determinações que
permitem que o discurso transpareça com performances pré-atribuídas, e alterações
sutis na eloqüência política. Diferente das chamadas “línguas de madeira”5 que
induziram a falta de credibilidade nos discursos políticos, a midiatização política,
atualmente, utiliza recursos como técnicas de comunicação, jogo de palavras,
memórias discursivas, gestos corporais, para que o ethos discursivo mantenha a
“aparência” que o sujeito pré-determinou. Trata-se da “teatralização do político”,
assim chamado por Gregolin (2003, p.13) a toda linguagem não-verbal, a toda
expressão corporal do sujeito discursivo. O veículo comunicacional midiático permite
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que o enunciador se pronuncie com uma “fala breve, política cambiável, fluida,
imediata, que se prende ao instante antes de se inscrever na memória, privilegiando
antes a astúcia verbal do que a estratégia verbal.” (GREGOLIN, 2003, p.22).
Para Courtine (apud GREGOLIN, 2003, p. 29):
O que é verdadeiro para o corpo talvez o seja mais ainda para o rosto, uma
aposta crucial dos políticos de aparência. A proximidade do olhar que o
examina bane a teatralidade da máscara que amplificaria a expressão
facial, transformando-a numa caricatura, ou numa careta. Mas essa
proximidade impede igualmente a imobilidade de uma “cara de madeira”:
ela obriga cada um de se exprimir; de exibir à flor da pele índices de uma
emoção, fingida ou sentida. Ela promove, na troca verbal, modos de
sociabilidade corporal aos quais é preciso se submeter: a televisão é o país
do sorriso. O orador político teve que aceitar, quisesse ou não, agregá-lo
ao seu rosto.”
O que na verdade faz da mídia um lugar de espetáculo é sua infinda
variedade interpretativa para enunciados já-ditos. A AD procura, ao interpretar um
discurso, recuperar sua originalidade por meio da memória discursiva, embora,
mesmo que se busque essa fiel interpretação, ainda eclodam muitas outras
possibilidades. Em se tratando de discurso político, a posição adquirida pelo coenunciatário na interpretação dos discursos é a de um analista, dotado de um olhar
examinador e de uma percepção sonora, em que o tom e amplitude do som tentam
compensar a distância entre o enunciador e o co-enunciatário, visto que a
comunicação não se dá pessoalmente: é o que Gregolin (2003, p.30) chama de
“proximidade longínqua”, conjuntos com a cenografia instalada na enunciação
veiculada à mídia. Sabendo-se que a via televisiva é hoje largamente utilizada como
meio de circulação de informações e que se apropria de imagens, Gregolin (2003,
p.29) comenta ainda que “a racionalidade dos comportamentos linguageiros e
corporais do orador tradicional associam-se ao olhar afastado da massa que assiste
à performance. A amplidão do tom e do discurso, a amplitude dos movimentos do
corpo os torna audíveis e visíveis.”
Pensada desta maneira, a mídia torna-se parte do processo discursivo e
exerce poder sobre os sujeitos enunciadores e também no “OUTRO”. Ainda segundo
Gregolin (2003, p. 99-100), os mecanismos utilizados pela mídia para ditar certa
subordinação da instância cidadã perante a instância política se dão por meio da
“microfísica do poder”6 ou da chamada “disciplina”, que pode ser resumida em
quatro tópicos:
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a)
Primeiro, ela está no contexto disciplinar dos regulamentos
minuciosos, do olhar das inspeções e do controle sobre o corpo que toma
forma nas escolas, prisões, quartéis etc. Nessa microfísica do poder, a
disposição dos corpos nos permite o olhar, isto é, a vigilância. A introjeção,
nos corpos, dessa disciplina dos espaços ganha prolongamento social,
expresso nas ações dos corpos em sua vida cotidiana, o que produz as
“arrumações” de todos os espaços. (o poder pela visibilidade). Assim, a
subordinação à vigilância contínua é reproduzida pela coerção interna do
indivíduo, por meio da qual o próprio “eu” coloca-se no espaço possível de
vigilância – lugar da submissão e da reprodução “voluntária”;
b)
Em segundo lugar, a disciplina organiza o tempo, com o conseqüente
controle e regulamentação sobre os ciclos da repetição. O ritmo da
atividade é mais importante que os horários, pois estes são impostos de
fora sobre os corpos. Organiza-se o império da regularidade, do ritmo, pois
“é proibido perder tempo” já que “tempo é dinheiro”. Assim como na
distribuição dos espaços, o controle sobre o tempo permanece introjetado
na realização social da vida cotidiana e em todos os setores, inclusive na
vida “pessoal e íntima”. O tempo, que não é controlado pelo indivíduo, mas
pelo poder, será sempre algo inexorável, que lhe determina a ação. O
tempo, assim, não é próprio, individual, mas coletivizado pelo sistema de
controle e a ele subordinam-se os corpos;
c)
Em terceiro lugar, a vigilância aparece como algo que deve ser
contínua, ininterrupta e que, acima de tudo, precisa ser vista pelos
indivíduos que a ela estão expostos como perpétua, permanente; do
mesmo modo, é preciso que ela não tenha limites, que esteja presente em
toda a extensão do espaço. A vigilância é, pois, um olhar invisível, que
deve impregnar quem é vigiado de tal modo que este adquira de si mesmo
a visão de quem o olha. O poder sobre os corpos, desta forma, atinge o
ápice da submissão, pois o corpo não distingue entre si mesmo e o olho do
poder;
d)
Finalmente, a disciplina produz saber. É o registro contínuo do
conhecimento que gera poder. Em nossas sociedades a busca do
anonimato cresce em função da libertação dos corpos do domínio do
saber. O caderno de anotação, a ficha secreta, a prova, a correção etc. são
materiais que mostram o acúmulo do saber produzindo poder.
3. POLÍTICA MIDIATIZADA E/OU MIDIATIZAÇÃO DA POLÍTICA
[...] a televisão é o lugar e o meio de uma
modificação profunda da eloqüência política.
(J.-J. Courtine)
O casamento da política com as mídias está,
hoje, consumado.(Gilles Achache)
A eficácia da influência midiática sobre os telespectadores traz em si uma
dicotomia de ideologias: a ideologia de que a mídia influencia e domina a opinião
pública e a que se opõe a esta. Acredita-se que a mídia modifica a retórica política e
apresenta-se como uma instância detentora de um poder e saber público, no qual se
pretende proporcionar aos telespectadores uma esfera de “ser/verdade X
parecer/mentira-segredo” (PIOVEZANI, 2003, p.58) da política. No entanto, a
postura crítica da mídia, através de seus discursos e cenografias, predetermina uma
legitimidade ou não, inscrevendo-se como porta-voz da verdade ou mentira, isto é,
278
ser e parecer, respectivamente, e, com efeito, a TV tem maximizado o impacto das
mensagens favoráveis e minimizado o das desfavoráveis a ela.
Porta-voz, do latim portare (portar, carregar) mais voce (voz), trata-se de um
sujeito que fala em nome de um “outro”, não necessariamente constituído como
parte ou todo deste, mas apenas um simulacro, não sendo, portanto, uma
reprodução de um discurso de um sujeito. A porta-voz mídia passa a ser a detentora
de um saber e apresenta-se como reveladora do implícito, da verdade do que
inacessível ao povo, que não pela TV. Dessa maneira, a mídia se posiciona como
um enunciador de uma verdade coletiva, visto que “há um certo encontro entre a
fome midiática de produzir ‘verdades’ e a vontade espectadora de comer ‘verdades’.”
(PIOVEZANI, 2003, p.63).
A TV, portanto, deixa de ser um poder político auxiliar, ao contrário, constituise uma instância própria de poder, chamada atualmente até de quarto poder,
funcionando em sua própria esfera política e uniformizando opiniões. Para
exemplificar, podemos recorrer a Louzada (2007) que analisa uma propaganda
político partidária em que o deputado federal/SP Paulo Maluf, remete à memória de
acontecimentos do passado para propor-se como um ethos empreendedor:
“para conquistar os imaginários sociais, faz aparecerem dois sujeitos
superpostos: um sujeito do passado recuperado por meio de uma foto de
um Maluf mais jovem, o governador de São Paulo dos anos 1980, sobre a
qual se sobrepõe uma imagem de um Outro-Mesmo sujeito, o atual
deputado federal Paulo Maluf conhecido de todos os brasileiros, que
profere um discurso evocativo sobre um acontecimento do passado – a
7
criação da Paulipetro”. (LOUZADA,2007).
4. ANÁLISE DO VÍDEO “HERÓIS”
Na perspectiva da Análise do Discurso e tomando como principais referenciais
teóricos os textos de Michel Pêcheux e, mais recentemente, os de Dominique
Maingueneau e Patrick Charaudeau, reflete-se sobre as relações entre discurso
político e mídias contemporâneas em que diferentes posições enunciativas são
sustentadas tanto pelo lingüístico como pelas imagens que se colam aos discursos.
Compreendendo-se que a noção de ethos está relacionada à cena enunciativa e
à construção da identidade, analisa-se a propaganda “Heróis” do Tribunal Superior
Eleitoral - TSE veiculada pela rede de TV brasileira no primeiro semestre de 2008
que se destina a persuadir os eleitores a votarem nas próximas eleições.
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A cenografia instala como protagonistas alguns dos responsáveis pela luta em
favor da democracia nos anos 1960 a 1980: sucedem-se as imagens do deputado
Ulisses Guimarães, do sociólogo Betinho, de uma passeata de estudantes nos anos
1960, do enterro de um estudante morto durante a ditadura, do jornalista Vladimir
Herzog, do poeta Vinícius de Moraes, da passeata e campanha pelas “Diretas Já”
(1984), do radialista Osmar Santos, do cartunista Henfil e de uma cena de
estudantes pichando em um muro a frase “Abaixo a ditadura”.
Ouve-se um solo de violão que entoa o Hino Nacional Brasileiro enquanto uma
voz masculina em off diz solenemente o seguinte texto:
Heróis existem e eles não são grandes, nem são fortes, nem indestrutíveis.
Nem têm superpoderes. Eles não matam, mas morrem. Não são de outro
mundo, embora muitas vezes pareçam não ser deste aqui. Heróis existem.
E são de carne e osso, geralmente mais carne do que osso, porque são
sangue. Heróis existem. E nunca fogem da luta. Existem. E têm sempre
uma personalidade só. Porque não costumam ter o que esconder. Heróis
existem e aparecem sempre que temos certeza de que a raça humana está
perdida. E surgem, justamente nesses momentos, como a nossa salvação.
Porque os heróis são, antes de tudo, humanos. Heróis existem. Não
desperdice o direito que eles tanto lutaram para conquistar para você. Vote.
Ao analisar esse discurso e retomar as imagens da cenografia instalada –
personagens e fatos de grande importância para a história do Brasil - percebe-se a
presença da heterogeneidade e interdiscursividade. Figuras como a de Betinho que
lutou e atuou na resistência à ditadura militar, brigou pela reforma agrária, integrou a
liderança do Movimento Pela Ética na Política dentre outras atuações, assim como
as “Diretas Já”, retomam a memória de um povo: o brasileiro.
Porque remontar um cenário de luta democrática com personagens
considerados heróicos na história recente do Brasil? Sob a figura de uma instância
política, de poder eleitoral, o TSE se autodenomina, por analogia, também heróico e
lutador, mas será que todos os eleitores brasileiros reconheceriam essa imagem
patriótica e democrática que o TSE tomou para si? Por que utilizar a TV para
conscientizar a população a votar nas eleições e por ela retomar todo o processo
histórico democrático? Essas questões intrigantes estão relacionadas ao processo
de construção do ethos do TSE que emerge dessa cenografia.
Visto que a mídia constrói para si um discurso heterogêneo, mesmo que sob
a máscara da uniformidade, pode-se afirmar que o TSE, ao escolher a TV como
veículo de sua campanha, pretende também uniformizar a luta pela democracia a fim
280
de dar de si a imagem de detentor da democracia, de um ethos que reconhece e
propicia a liberdade democrática.
Sabe-se que esse ethos não faz parte especificamente do TSE, no entanto, é
exatamente essa “máscara”, esse “parecer” que essa instância enunciativa de maior
autoridade sobre o processo eleitoral pretende veicular. No vídeo “Heróis”, o TSE se
dá a “ver” (corporalidade) e a “ouvir” (uma voz cujo tom é solene, grave, pausado, exigido pela própria cenografia). A cenografia se instala com a sucessão de imagens
que retomam a memória da condição brasileira ao buscar a democracia.
Seguem-se imagens de homens importantes, tais como Ulisses Guimarães,
Betinho, Vladimir Herzog, Vinícius de Moraes, Osmar Santos e Henfil, fundamentais
no processo de transição da ditadura para a democracia. O discurso começa
concomitante com a imagem projetada de Ulisses Guimarães e a frase “Heróis
existem”; em seguida aparece a imagem de Betinho e a voz em off continua a
discursar o seguinte “e eles não são grandes, nem são fortes, nem indestrutíveis”.
Observe-se como é retomada a memória da imagem de Betinho ao constatar que
ele era hemofílico, frágil, sensível e não “forte” nem “indestrutível”. Mesmo assim ele
se mostrou como símbolo de determinação e de luta incansável pelos direitos
sociais, cidadãos e éticos, o que o enquadra também como um “herói”.
Logo após, a cena chocante de uma passeata de manifestação de estudantes
e o enterro de um estudante que havia sido morto, mostrando que realmente eles
não possuem “superpoderes”, apenas manifestam seus direitos; não são instituições
de poder, mas revidam as que têm “superpoderes” no sentido literal da palavra,
como é o caso do governo ditador. Durante a cena projetada do estudante morto, a
voz pausada e terna enfatiza duas palavras: “não matam, mas morrem”, o que
retoma o grande conflito, a luta e a morte durante a manifestação popular mais
importante da resistência contra a ditadura militar, realizada em 19688.
Percebe-se que com o decorrer das imagens o telespectador, a partir desse
momento, é persuadido emocionalmente por meio dos horrores que outros cidadãos
tiveram que passar para adquirirem o direito que todos têm hoje, o de votar. Passa a
instância de poder eleitoral, o TSE, a adquirir uma imagem humanitária, social que
pretende comover o telespectador. Segue-se a cenografia com a imagem de
Vladimir Herzog, que exerceu a direção do departamento de jornalismo da TV
Cultura, em 1975, e Vinícius de Moraes, poeta acompanhado do seguinte discurso:
“porque não costumam ter o que esconder”, caracterizando, simultaneamente, esses
281
dois personagens. As imagens vão despontando em sucessões de “heróis”
conhecidos (personagens históricos) e de “heróis” coletivos (o povo brasileiro),
ressurgindo para o telespectador o orgulho brasileiro de garra e determinação.
Sucedem-se imagens de pessoas pichando em um muro a frase “Abaixo a
Ditadura” e cenas da campanha “Diretas já” com o seguinte trecho do texto falado
em off: “Heróis existem e aparecem sempre que temos certeza de que a raça
humana está perdida. E surgem justamente nesses momentos, como a nossa
salvação. Porque os heróis são, antes de tudo, humanos”, fazendo uma
retrospectiva que com certeza comove o cidadão, e o faz acreditar que quem lutou
por essa conquista democrática foi um ethos humano, reflexivo, lutador e heróico, o
mesmo ethos de maior autoridade eleitoral do Brasil: o TSE, “o locutor retoma um
acontecimento do passado para propor um novo discurso, situado no momento
presente” (LOUZADA, 2007).
Portanto, vê-se que a mídia detinha uma posição social e política, apresentando
de forma implícita um descontentamento de um “votar errado”, pois acarreta em um
mau governo tanto quanto foi a ditadura, por isso essa instituição enunciativa, sendo
parte de um poder, veiculou-se à TV, o que tornou o seu discurso brando e legítimo.
O ethos pré-discursivo do TSE configura-o como a instância enunciativa que tem
autoridade para regular as eleições no país, conforme seu regulamento específico
que pode ser encontrado no site http://www.brasil.gov.br/pais/estrutura. Em outra
sessão do mesmo site http://www.tse.gov.br/internet/institucional/index.htm há
descrição de sua missão e visão de futuro:
MISSÃO E VISÃO DE FUTURO
:: Missão do TSE
Assegurar os meios efetivos que garantam à sociedade a
plena manifestação de sua vontade, pelo exercício do direito
de votar e ser votado.
:: Visão de Futuro do TSE
Ser referência mundial na gestão de processos eleitorais que
possibilitem a expressão da vontade popular e contribuam
para o fortalecimento da democracia.
Note como o TSE pretende aproximar-se discursivamente de seus eleitores.
Ao
visitar
as
páginas
da
internet
dos
três
poderes
(http://www.brasil.gov.br/pais/estrutura): o Poder Executivo, constituído geralmente
pelo presidente da república e seus ministros, executa as ações, administra a nação,
282
cumpre as leis e age para que a elas sejam cumpridas, o Poder Legislativo
constituído pelo Congresso Nacional, que no caso do Brasil, é dividido em duas
partes: o Senado e a Câmara dos Deputados que analisam as propostas e elabora
as leis que irão reger a nação, e o poder Judiciário, que tem o poder de julgar e
aplicar as leis elaboradas pelo Legislativo e exercidas pelo Executivo, no qual está
inserido o TSE (http://www.tse.gov.br/), o TST (http://www.tst.gov.br/) e os tribunais
Regionais Federais9. Ministros, desembargadores e Juízes formam a classe dos
responsáveis por essa função.
Observa-se que o TSE procura desempenhar uma função contratual entre o
“eu” TSE e o “outro” cidadãos, porém um contrato com estilo empresarial onde a
“empresa” TSE quer promover o bem estar do cidadão e continuar lutando pelos
seus direitos, no que corresponda ao papel do Poder Executivo. Esse papel visando
a um futuro e a uma missão permite pré-construir um ethos amigo, próximo,
confiável. Não se pode esquecer que, em 2008, essa instância enunciativa integrava
um governo de esquerda (PT) que, no passado, participara dos movimentos sociais
e políticos que lutavam pela redemocratização do país, tais como a campanha pelas
“Diretas Já”, a Constituinte de 1988, as lutas contra a ditadura, entre outros.
No vídeo “Heróis”, as cenas enunciativas juntamente com o discurso verbal
contido nele, permite que o co-enunciador faça validar a cena apresentada, ou seja,
o sujeito enunciador utilizou de uma memória instalada coletivamente para persuadir
a opinião dos telespectadores em relação ao ethos TSE. O TSE tentou promover um
número maior de eleitores para 2008, no entanto em pesquisa realizada no site
http://veja.abril.com.br/politica/blogs/eleicoes-2008/101171_comentarios.shtml,
(Anexo C), apresenta uma oposição ao resultado esperado pela campanha.
Em se tratando do ethos discursivo do TSE, nesse vídeo vemos um ethos que
retoma cenograficamente imagens e personagens do passado para propor, no
presente, que os brasileiros participem das eleições de 2008, assumindo como seu,
o traço de lutador, batalhador pelos ideais democráticos. De certa forma, esse ethos
discursivo também se aproxima não do ethos pré-discursivo da instituição TSE
(reguladora), mas de um ethos pré-discursivo do atual governo (PT), cujos
integrantes participaram dessas lutas pró-democracia. Essa aproximação se deve ao
fato de que o TSE possui uma identidade e um posicionamento social que o legitima
e também ao seu co-enunciador, os telespectadores, sendo este ethos não apenas
283
um meio de persuasão, mas constituinte da própria enunciação, como afirma
Maingueneau (2005b, p.75).
No vídeo “Heróis”, o TSE, fiador desse discurso, se valida perante os
telespectadores por meio da cenografia instalada, tendo, portanto, autoridade, o que
o legitimou ao aproximar o ethos pré-discursivo do ethos discursivo. O TSE se
permite instalar em uma posição enunciativa admitindo uma “vocalidade”, um “tom”,
um vocabulário, que o divide em dois sujeitos enunciadores em que um se sobrepõe
ao outro: o ethos de autoridade federal, e um ethos lutador e heróico em que o
primeiro estabelece uma relação contratual entre o “eu”, o TSE, no comando, e, o
“outro”, telespectador, como cumpridor de ordens. Já no segundo momento, o ethos
heróico do TSE aproxima-se do co-enunciador como um amigo, um lutador, e essa
persuasão ideológica permite que o co-enunciador legitime o discurso proferido pelo
vídeo.
5. CONCLUSÃO
De acordo com a teoria de Maingueneau, o ethos está diretamente
relacionado com a cena enunciativa, pois por meio dela o enunciador se legitima ou
não. O ethos relaciona-se também com a identidade do sujeito discursivo que ocupa
certa posição discursiva, visto que ele, em geral, constitui-se de diversos elementos
discursivos como corporalidade, cenografia, estereótipos sociais, vocalidade e tom
que influenciam na criação da imagem do enunciador.
Para Maingueneau, “se o ethos está crucialmente ligado ao ato de
enunciação, não se pode ignorar, entretanto, que o público constrói representações
do ethos do enunciador antes mesmo que ele fale”, referindo-se ao ethos prévio, e
que pode confirmar-se pelo ethos discursivo ou refutar-se. Englobado no ethos
discursivo estão o ethos mostrado e o dito. Configura-se o TSE como ethos prédiscursivo quando instância enunciativa que tem autoridade para regular as eleições
no país, conforme seu regulamento específico e ethos discursivo quando inserido à
luta pela democracia como um sujeito lutador e heróico.
Desta maneira o TSE se assimila a um “Outro”, pois para persuadir os
eleitores a votarem nas eleições de 2008, essa instância de poder permitiu uma
284
relação de simbiose entre o ethos pré-discursivo e o ethos discursivo por meio de
uma construção cenográfica baseada na memória coletiva, legitimando seu discurso.
Esta pesquisa teve como finalidade contribuir para os estudos a respeito
das relações entre cenografia e a construção do ethos, principalmente, os modos
de construção de identidades políticas nas mídias, buscando compreender seus
efeitos de sentido.
6. REFERÊNCIAS
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285
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(Coleção Mestrado em Lingüística 2)
LOUZADA, M. S. O.; OLIVEIRA, M. R. M. Identidade e Posicionamento Político nas
mídias: “Veja, indispensável para o país que queremos ser”. Resumo expandido.
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286
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Disponível
em
http://veja.abril.com.br/politica/blogs/eleicoes-
2008/101171_comentarios.shtml. Acesso em 14/12/2008 às 19h.
1
Destinatário, enunciatário.
Logos – O discurso propriamente dito.
3
Pathos – Paixões despertadas no ouvinte.
4
Ethos – O caráter do orador.
5
Para aprofundamento sobre “as línguas de madeira” ver GREGOLIN, Maria do Rosário. (Org.) Discurso e
mídia: a cultura do espetáculo. São Carlos: Claraluz, 2003.
6
Controle de corpos (sujeitos) através da “maquinaria do poder”, técnica da disciplina, instituída pela instância
política para submeter a instância cidadã ao seu poder. (GREGOLIN, 2003, p.99)
7
Para maiores detalhes da pesquisa ver: LOUZADA, M.S.O. Ethos, Cena midiática e Discurso Político.
Universidade de Franca, 2007.
8
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u397254.shtml
9
TRF da 1ª Região - Norte, Centro-Oeste, DF, MG, BA e PI (http://www.trf1.gov.br/), TRF da 2ª Região - RJ e
ES (http://www.trf2.gov.br/), TRF da 3ª Região – SP (http://www.trf3.gov.br/), TRF da 4ª Região – Sul
(http://www.trf4.gov.br/), TRF da 5ª Região - AL, CE, PB, PE, RN e SE (http://www.trf5.jus.br/).
2
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