UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
SEMANA DE PEDAGOGIA 2013
“GESTÃO DA EDUCAÇÃO EM ALAGOAS: AMEAÇAS E DESAFIOS”
EXPERIÊNCIA NO ENSINO DE FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: A REGÊNCIA
DE AULAS
Jefferson Rodrigo Santos da Silva
Curso de Filosofia/UFAL/8º período
e-mail: [email protected]
Orientação: Profª Elizabete Amorim de Almeida Melo
Centro de Educação/UFAL)
e-mail: [email protected]
RESUMO: Neste trabalho pretendo expor o relato de experiência de regência de dez (10)
aulas de Filosofia no ensino médio, em uma escola da rede pública estadual. Tais aulas foram
planejadas e executadas para alunos de duas turmas do segundo ano (2º ano). A regência de
aula visou atender os parâmetros exigidos no Componente Curricular Estágio Supervisionado
em Filosofia 4, da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, durante o segundo semestre de
2012. A experiência mencionada teve por objetivo aproximar o estagiário do curso de
licenciatura à realidade concreta da sala de aula, a qual ele possivelmente deve atuar. O
estágio segue uma concepção que procura superar a separação entre teoria e prática docente.
No decorrer deste relato, para uma melhor reflexão acerca da experiência da regência de
aulas, alguns autores foram tomados como referencial teórico, tais como: Pimenta e Lima
(2004), Pimenta e Gonçalves (1990), Cortella (2009), Saviani (2000) e Vasconcelos (2006).
PALAVRAS CHAVES: Relato de experiência. Estágio supervisionado. Ensino de filosofia.
Regência de aulas.
Introdução
Cumprindo com os parâmetros exigidos na disciplina Estágio Supervisionado em
Filosofia IV, seguindo critérios de orientação e após a experiência adquirida nos outros
estágios (1 e 2), seja com a observação e coleta de dados sobre uma escola da rede pública de
ensino, seja entrevistando um docente de filosofia e observando-o no exercício da função, tive
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a oportunidade, nesta etapa da minha formação como docente, de realizar o estágio de
regência de aulas em duas turmas do 2º ano do ensino médio no turno noturno em uma escola
da periferia de Maceió, buscando, com isso, estabelecer uma correlação entre teoria e prática.
Desta forma, neste artigo, relato a experiência vivenciada na regência de aulas na
disciplina filosofia em duas turmas do ensino médio. Neste relato, procuro destacar os
diferentes aspectos que envolvem a docência, como o planejamento, a execução e a avaliação
do processo de ensino-aprendizagem. Além disso, pretendo fazer uma reflexão sobre a sua
escola e sua função social.
Buscando uma relação intrínseca entre teoria e prática, percebi que é de suma
importância que tais elementos que envolvem o trabalho docente sejam problematizados: a
importância de se elaborar um bom plano de aula para o processo de ensino-aprendizagem;
organizar os conteúdos; planejar; usar recursos filosóficos e não filosóficos, textos didáticos,
complementares.
Neste processo da experiência vivenciada, indaguei: como facilitar a transmissão e
assimilação do saber filosófico? O que fazer para dosar e seqüenciar o conteúdo filosófico
para os alunos? Frente às dificuldades vivenciadas cotidianamente na sala de aula, como é
possível que a aprendizagem filosófica se torne significativa para os alunos?
É sabido que o Estágio Supervisionado deve aproximar o estagiário da realidade
mediante a atividade teórica-prática, ou seja, tem por finalidade propiciar ao aluno uma
aproximação à realidade na qual atuará (PIMENTA; GONÇALVES, 1990), despertando
conhecimento,
fundamentação,
diálogo
e
intervenção
na
realidade
(PIMENTA;
GONÇALVES, 2004). Sendo assim, o estagiário adquire a possibilidade de compreender e
problematizar o contexto que o cerca, investigando as práticas pedagógicas e valorizando-as
ao mesmo tempo.
Quando se inicia uma análise e problematização das práticas e das ações, surge uma
atividade de pesquisa. Eis o estágio tomado como possibilidade de pesquisa, a ideia da
formação de um profissional reflexivo, crítico, pesquisador de sua prática. Neste contexto, a
disciplina Estágio Supervisionado em Filosofia IV cumpriu seu papel.
A escola e os sujeitos educacionais
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A escola da rede pública estadual que serviu para nosso campo de estágio está
situada em um bairro da periferia da cidade de Maceió. As informações aqui apresentadas a
cerca desta escola foram adquiridas sem muitas dificuldades, pois, as recebi, de forma
prestativa, da coordenação e da diretoria, principalmente os dados relacionados à estrutura
física e administrativa da escola, os equipamentos e os recursos humanos.
A escola mencionada configura uma situação privilegiada no que se refere ao
espaço físico. É portadora de uma boa estrutura, com um espaço bem amplo. Construída no
ano de 2004, pretendia atender aos alunos do Ensino Médio. Porém, devido à carência de
escolas voltadas para o Ensino Fundamental neste bairro no referido ano, esta escola passou a
atender alunos tanto do Ensino Fundamental como do Ensino Médio. Nos dias atuais, a escola
apresenta boas condições de funcionamento. Desde a inauguração, não passou por nenhuma
reforma; apenas alguns acabamentos de pintura, piso, dentre outros aspectos, mantendo sua
estrutura original de dois (2) pisos.
Observando a referida escola, pude notar que a mesma possui várias salas de aulas
com ventiladores, distribuídas em dois (2) pisos que comportam aproximadamente cinqüenta
(50) alunos por sala. Também possui laboratório de informática, biblioteca, banheiros
destinados aos alunos, professores e funcionários, salas de secretaria, coordenação e diretoria,
auditório e palco para eventos, além de um ótimo espaço no centro, simulando uma praça para
maior comodidade dos alunos.
Quanto aos equipamentos eletro-eletrônicos, a escola desfruta de alguns aparelhos
que se encontram em boas condições de uso, tais como: TV, DVD, Data show, Retroprojetor,
Aparelho de som e computadores na sala de laboratório de informática e na direção. Alguns
destes aparelhos ficam localizados no auditório da escola e são utilizados para eventos,
palestras, reuniões, gincanas e também como sala de vídeo.
Os computadores existentes no laboratório de informática são utilizados para pesquisa
e aulas de informática com acesso à internet; sendo que o acesso dos alunos a esta sala
depende do professor, ou seja, os alunos para entrar na sala de informática devem ser
autorizados pelos professores.
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No que se refere à composição da escola, esta instituição funciona nos três turnos.
Pela manhã e à tarde têm-se o Ensino Fundamental II; ainda à tarde e à noite funciona o
Ensino Médio. O maior número de alunos concentra-se no Ensino Médio
No Ensino Fundamental II, tem-se uma faixa etária de alunos com idade entre dez
(10) e dezesseis (16) anos, distribuídos nos turnos Matutino e Vespertino. No Ensino Médio, a
faixa etária de idade é diversificada, abrangendo também adultos na modalidade EJA, com
turmas apenas no turno da noite. Neste segmento, os alunos circulam livremente pela escola,
ou seja, havendo ou não aula, os alunos se comportam de maneira livre nos corredores,
conversando. Ao questionar esta atitude, a escola comunicou que quando isso acontece, os
referidos alunos são conscientizados. Da mesma forma, neste processo de conscientização, se
dá com relação ao fardamento. A escola exige que todos os alunos estejam devidamente
fardados e o uso de aparelhos como celulares e a utilização de bonés não são permitidos.
Quanto ao corpo docente desta escola, o número de monitores é maior que o de
professores efetivos. Esta é uma realidade não apenas desta escola, mas de muitas que
compõem nosso Estado, pois, a falta de concursos públicos para a educação em Alagoas
resulta nesta precarização do trabalho docente, pois muitos dos monitores ainda se encontram
em processo de formação na universidade e recebem um salário menor (que só recebem com
atrasos) do que o professor concursado, gerando assim o processo historicamente já detectado
por vários estudiosos como mão-de-obra barata e pouco qualificada.
Vale ressaltar que a referida escola dispõe apenas de três (3) professores de Filosofia.
No entanto, com graduação em filosofia, só dois (2): um no turno vespertino e um no noturno.
É importante salientar que todos os professores de Filosofia desta escola são monitores.
Em relação aos funcionários, todos são efetivos, distribuídos nos três turnos. O
número de funcionários existente é suficiente para que a escola seja conduzida normalmente,
segundo a coordenadora pedagógica. Nela, todos trabalham em parceria e, alguns eis-alunos,
segundo a informação coletada, se prontificam a trabalhar como voluntários, ajudando na
segurança da escola, na limpeza e etc.
Mas, devido à grande quantidade de alunos, pude notar que a realidade é outra.
Embora a coordenadora pedagógica tenha informado que o número de funcionários é
suficiente, pela demanda de alunos, esta informação não procede. A escola teria bem mais
zelo no que se refere à limpeza e à organização se a quantidade de funcionários fosse
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compatível com a quantidade de alunos. Outro aspecto que merece ser ressaltado é o fato de
ter alunos e ex-alunos exercendo funções que deveriam ser de funcionários. Não tem
cabimento, pessoas da comunidade, trabalhar na escola como voluntários. Esta situação é pior
do que a situação dos monitores.
Mas, aqui, gostaria de ressaltar outro aspecto interessante das disciplinas de Estágio
que contribuem para a formação do licenciando.
A partir da leitura de textos e da vivência nas atividades práticas proporcionadas pelas
disciplinas de Estágio (1 e 2), que contribuíram para a minha formação filosófica e
pedagógica, pude refletir acerca da especificidade da educação como trabalho não-material e
sobre a finalidade da escola.
Observando a escola, notei o desinteresse dos alunos, a baixa qualidade de
aprendizagem, o desgaste do professor, enfim, uma triste realidade. A partir desse contexto
caótico e precário, fiz as seguintes indagações: qual a especificidade da educação? Em que
categoria de trabalho ela está inclusa? Para que existe a escola?
Na minha visão, a escola tem o papel de formar atitudes e cabe ao professor
identificar os elementos culturais que precisam ser assimilados pelos homens, tendo por base
o conhecimento científico (distinguir o essencial/acidental, o primário/secundário, o
fundamental/acessório). O docente precisa descobrir/criar formas mais adequadas para a
socialização
do
conhecimento,
organizando
os
meios
(conteúdos,
espaço/tempo,
procedimentos, materiais...). Neste sentido, afirma Saviane (2000, p. 22) em “Pedagogia
Histórico-Crítica”:
Em conclusão: a compreensão da natureza da educação enquanto um trabalho nãomaterial, cujo produto não se separa do ato de produção, permite-nos situar a
especificidade da educação como referida aos conhecimentos, idéias, conceitos,
valores, atitudes, hábitos, símbolos sob o aspecto de elementos necessários à
formação da humanidade em cada indivíduo singular, na forma de uma segunda
natureza, que se produz deliberada e intencionalmente, através de relações
pedagógicas historicamente determinadas que se travam entre os homens.
E para um melhor entendimento acerca do papel social da escola, conclui
Vasconcelos (2006, p. 14):
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Nosso desejo é que a escola cumpra um papel social de humanização e
emancipação, onde o aluno possa desabrochar, crescer como pessoa e como cidadão,
e onde o professor tenha um trabalho menos alienado e alienante, que possa repensar
sua prática, refletir sobre ela, re-significá-la e buscar novas alternativas.
Nesse nível de vivência do Estágio, pude sentir na prática a tarefa difícil que é o
exercício da docência numa realidade da qual a escola precisa cumprir seu papel de
socialização. Talvez, falte nas escolas, de um modo geral, um espaço de reflexão sobre a
prática da docência e certa perspectiva de mudança.
O ensino de filosofia no contexto da Regência
A Filosofia, embora esteja como disciplina obrigatória no currículo dos cursos de
ensino médio, encontra-se desvalorizada no cotidiano das escolas.
Na escola que se tornou o nosso campo de estágio, no turno (noturno) que observamos
as aulas de filosofia, o professor era graduado em Licenciatura em Filosofia. Porém, é
monitor, como são também os dois outros professores que lecionam esta disciplina.
É de conhecimento geral que muitas escolas do ensino médio do estado de Alagoas
possuem professores graduados em outras disciplinas, mas que lecionam Filosofia. Para
comprovar isso, basta consultar o último edital (2012) para monitoria no site do governo do
Estado.
O estágio de regência de aulas me fez refletir sobre esta desvalorização. Por que isso
ocorre? Qual a especificidade da Filosofia?
Acredito que a Filosofia passa por este problema por ter um diferencial: um pensar
questionador, crítico, uma busca pelo sentido, pela compreensão das coisas, uma compreensão
da realidade, especulação, investigação, um exercício cognitivo, um questionamento dos
princípios. Daí, a Filosofia torna-se necessária e perigosa, problematizando a juventude e não
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fazendo dos jovens futuras “máquinas”, “técnicos”, úteis ao mercado de trabalho tão
valorizado nos dias atuais. A Filosofia por isso não é valorizada.
Segundo Cortella (2009, p. 21), vale salientar sobre a necessidade da Filosofia: “A
sua necessidade manifesta-se na contínua e processual colocação da pergunta pelo sentido das
coisas do mundo, do humano, do conhecimento”.
Na escola em questão, esta realidade do ensino de filosofia não é diferente. Os alunos,
na grande maioria, não gostam de Filosofia e a biblioteca da escola dispõe de pouquíssimos
livros filosóficos. Ao questionar um deles sobre a importância da Filosofia, a resposta foi de
que ela é inútil. Para muitos estudantes, esta disciplina é colocada sob segundo plano e muitos
professores não a tratam com o devido valor merecido.
Os alunos e professores precisam compreender que a Filosofia tem um grande papel
a desempenhar, pois se, por um lado, a realidade, a educação e a Filosofia são determinadas,
por outro lado, também são determinantes sociais. A Filosofia deve instigar a todos à
transformação da sociedade pelo contínuo questionamento da realidade existente. Nesta
perspectiva, faz-se necessário uma carga horária adequada, levando a Filosofia a cumprir este
papel, pois uma (1) hora/aula semanal é muito pouco para o processo de ensino e
aprendizagem.
Na referida escola, pude constatar que não há livros didáticos no horário noturno,
apenas no vespertino. Como esta experiência de regência de aulas foi realizada à noite, senti
de perto esta dificuldade, ou seja, o aluno se torna dependente do professor para dispor de
conteúdos de filosofia através de xérox e anotações no quadro. Muitas vezes, deixei de
realizar um maior debate acerca de temas filosóficos em sala de aula, por conta destas
anotações, pouco espaço de tempo e baixa motivação dos alunos.
A Regência: o planejamento, a execução e a avaliação
São diversos os aspectos que dificultam o ensino de filosofia no contexto da
regência e pude perceber como estagiário que na “prática”, dosar, seqüenciar, organizar e
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refletir criticamente os conteúdos de filosofia em sala de aula é o melhor caminho a seguir,
buscando contornar as dificuldades atuais.
Assim, visando um bom desenvolvimento da regência de aulas, fez-se necessário
previamente, um Plano de Estágio contendo duas unidades temáticas com cinco aulas cada,
organizado por datas, horário correto das aulas, conteúdos e atividades a serem transmitidos
aos alunos. Tal plano foi elaborado sem dificuldades, em parceria com o docente de filosofia
da escola que possui formação em Licenciatura em Filosofia e é monitor contratado do
Estado, como já afirmamos anteriormente.
Desta forma, o Estágio Supervisionado, mediante um prévio planejamento, além da
atividade de pesquisa, pode possibilitar uma perspectiva de mudança na realidade educativa.
Neste contexto, afirma Vasconcelos (2006, p. 38) que “Este pressuposto – a percepção da
necessidade de mudança – é a da maior importância, pois quem está ‘morto’, quem não está
querendo nada com nada, quem não quer mudar, obviamente não sente necessidade de
planejar”.
Tratando-se de uma formação para um trabalho docente, este componente curricular,
nesta etapa de regência, me fez perceber que o exercício da docência é um trabalho coletivo e
não apenas individual do professor. É necessário haver uma integração constante entre o
aluno e o professor, avaliando os diferentes contextos locais (social, histórico e cultural).
Procurei no decorrer da regência realizar da melhor maneira possível este processo de
integração em parceria com o professor de Filosofia da escola mencionada, que, por sinal,
mostrou-se bastante receptivo, bom ouvinte, dinâmico e atencioso.
A regência de aulas deveria ser realizada em duas (2) turmas diferentes do ensino
médio. Previamente, foi elaborado um plano de estágio para melhor desenvolvimento destas
aulas, contendo duas (2) Unidades Temáticas com cinco (5) aulas cada. No entanto, como
todo planejamento tem como característica principal a flexibilidade, não foi possível reavaliar
o plano de estágio como foi concebido, devido ao horário disponível e pelo fato do professor
lecionar no dia escolhido para a regência em apenas turmas do 2º ano do ensino médio.
Assim, abordando os conteúdos planejados, realizei o estágio de regência de aulas em
uma (1) turma do 2º ano regular e em outra do 2º ano EJA, utilizando uma única Unidade
Temática, cujo tema foi Mito e Filosofia, com o objetivo de favorecer a construção de uma
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correlação entre a forma mitológica de entender o mundo (Mito) e a maneira de explicar como
e porque, no passado, presente e futuro as coisas são como são (Filosofia).
Todavia, como ficou estabelecido na disciplina de Estágio Supervisionado em
Filosofia 4 que cada estagiário planejaria duas Unidades Temáticas para ser executadas em
duas turmas de séries diferentes, elaborei uma segunda Unidade Temática que não chegou a
ser utilizada pelo motivo já explanado anteriormente (no dia da regência, o professor de
filosofia só tinha aulas nas turmas do 2º ano). Esta Unidade foi entregue tanto a professora de
Estágio na UFAL como ao professor da escola, para que este possa utilizá-las em futuras
aulas, caso queira, com o tema Introdução à História da Filosofia, abordando os fundamentos
principais para o surgimento da Filosofia.
As aulas que o professor da disciplina elaborava eram baseadas no livro didático
Filosofia: investigando o pensar, de Raimundo Nonato Nogueira Oliveira e Paulo José de
Paula Gadelha (sem acesso aos alunos do período noturno). Sua metodologia era da seguinte
forma: aulas expositivas utilizando o quadro, pesquisas e esclarecimentos de dúvidas sobre os
conteúdos empregados, análise destes conteúdos e aplicações de exercícios.
Partindo deste método e com a aprovação do professor da disciplina, utilizei recursos
não-filosóficos, textos didáticos, trecho de textos filosóficos e exercícios, seguindo a
orientação recebida no Estágio na UFAL.
Vale ressaltar que a pouca carga horária da disciplina me impediu, por algumas
vezes, de seguir à risca o plano de Unidade Temática que visava dinamizar as aulas e levar os
alunos a mergulhar intensamente nas reflexões filosóficas.
O professor de Filosofia da escola, no decorrer das aulas de regência, ao término de
cada aula, costumava me conceder o “feedback” acerca do processo de ensino-aprendizagem,
dando dicas sobre a postura diante dos alunos, tom de voz, situações de improviso,
desmotivação e rebeldia de alunos. Tal professor demonstra domínio, determinação e respeito
em sala de aula, características fundamentais para o exercício da docência. As dicas e
orientações que recebi do professor foram fundamentais para o meu desempenho em sala de
aula. Com ele, aprendi muito sobre a atividade docente.
Mas, é necessário ressaltar as minhas dificuldades, principalmente, porque elas me
ajudaram a refletir sobre as aulas que lecionei, me fazendo refletir sobre a teoria e a prática da
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ação educativa. Assim, destaco que a turma do 2º ano regular foi a mais difícil de trabalhar. A
escola localiza-se numa região onde assaltos acontecem e o uso de drogas são freqüentes,
principalmente à noite. Sendo assim, alguns alunos desta turma trazem características desta
realidade e demonstram falta de interesse pela disciplina de Filosofia, chegando, por diversas
vezes, a atrapalhar as aulas, sendo até mesmo conduzidos para fora da sala de aula pelo
professor.
Porém, alguns pontos positivos da turma mencionada devem ser salientados: os
recursos não-filosóficos prenderam a atenção de alguns alunos, ou seja, o Plano de Unidade
Temática foi de grande valia, embora nem sempre tenha sido cumprido, por motivos já
citados.
Cito um exemplo: em uma de minhas aulas, utilizei nas turmas um poema muito
interessante de Fernando Pessoa, “O Girassol”, que garantiu uma boa participação dos alunos,
levando-os a refletir sobre o mundo e despertando em mim certa motivação neste processo de
formação para a prática da docência.
A turma do 2º ano EJA foi a que mais me motivou como estagiário de Filosofia.
Uma turma de alunos adultos, com mais maturidade, pessoas que trabalham e estudam, que
possuem filhos e responsabilidades; são alunos com faixa etária de idade avançada que não
desistem de adquirir conhecimento e concluir seus estudos; bons ouvintes e pessoas que
respeitam os professores. Nesta escola, a maioria dos professores sente, por meio desta turma,
o quanto que a profissão docente tem seu valor, segundo o relato de alguns professores que
conversei. Comigo não seria diferente neste processo de formação. Não posso negar que há
uma carência de domínio dos conteúdos de filosofia destes alunos, de um modo geral, e esta é
mais uma dificuldade encontrada no âmbito da docência.
A experiência de reger aulas no 2º ano EJA foi bastante interessante e consegui
estabelecer com a turma uma boa interação. Esta turma, para encerrar o ano letivo, fez
questão de contar com minha presença num “banquete de despedida” com diversas comidas e
refrigerantes, comemorando também os aniversariantes do mês, prestando homenagens e
agradecimentos. Na festa, teve a presença de professores de outras disciplinas e da diretora
adjunta. Tiramos várias fotos, mas por questões éticas no campo acadêmico não podemos
expô-las aqui.
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Considerações finais
As etapas que visaram atender os parâmetros exigidos dos componentes curriculares
Estágio Supervisionado em Filosofia 1, 2, 3 e 4, tais como: a coleta de dados de uma escola
da rede pública de ensino; a entrevista com um professor de filosofia; a etapa de observações
feitas em sala de aula; e a regência de aulas, despertou-me um olhar crítico-reflexivo acerca
do processo de ensino-aprendizagem, cumprindo seu papel na formação de um futuro docente
da disciplina em questão.
Sendo assim, o estágio, no seu último nível (Estágio 4) serviu para fazer uma
correlação entre “teoria e prática”. Esta experiência me trouxe um despertar na luta pela
transformação da educação, talvez ajudando a escola a desempenhar sua função social com
mais qualidade pela forma como minhas aulas foram regidas e pelas críticas construtivas
dadas e recebidas do professor.
O contato direto com a sala de aula foi uma experiência super-positiva, independente
de ser esta ou não a profissão que eu queira seguir.
A regência de aulas, principalmente numa turma com boa interação, me instigou a
reconhecer que a disciplina de Filosofia pode alcançar sua aprendizagem básica esperada,
fazendo os alunos desenvolverem um pensamento questionador, uma capacidade de analisar,
compreender e criticar textos filosóficos, contribuindo para um enriquecimento intelectual,
numa contínua tentativa em dar respostas a diversas questões existentes na sociedade, ou seja,
a Filosofia como contínuo questionamento da realidade.
Ademais, não posso deixar de agradecer a escola que serviu de base para o processo
da regência nesta etapa do estágio; ao diretor geral e à diretora adjunta por ter colaborado para
a coleta de informações de maneira prestativa e atenciosa e por ter facilitado, sem
dificuldades, o meu acesso às salas de aula; também pela cordialidade desde o início da
regência até o término das aulas, com sua participação na comemoração de despedida do ano
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letivo e do estagiário na escola. Quanto ao corpo docente e funcionários, não cheguei a
conhecer a todos, mas agradeço aos poucos que pude ter algum tipo de contato.
De maneira especial, quero agradecer ao professor de filosofia da escola em questão
por sua atenção e destreza, dinamismo e boa comunicação, apoio e “feedbacks”, dentre outros
aspectos que contribuíram para um bom desenvolvimento da regência de aulas. Seu exemplo
de boa postura e respeito em sala de aula é um modelo a ser seguido no exercício da docência
para quem pretende desenvolver tal profissão.
Aproveitando a oportunidade, agradeço também à orientadora da disciplina Estágio
Supervisionado em Filosofia IV por sua preocupação em formar futuros docentes através da
sua didática positiva, paciência e apoio em todo o trabalho de campo. Não posso negar que
sua vasta experiência no âmbito da docência também deve ser tomada como um referencial,
pois, sua maneira de ensinar me fez entender que os professores devem estar preparados para
conduzir projetos, devem aprender a planejar, se envolver com a profissão para melhorias no
campo da educação e pela arte de ensinar e conhecer.
Por fim, reconheço que o Estágio Supervisionado cumpriu sua finalidade de ser um
período de valorização da relação entre teoria e prática do futuro professor, agregando ao
estagiário um momento oportuno de construção do conhecimento, habilitando-o para o
exercício do magistério na mencionada disciplina. Desta forma, a experiência do estágio de
regência me fez admirar ainda mais a “educação”, mesmo diante da triste realidade em que
ela se encontra e, conseqüentemente, abrirá caminhos para futuras pesquisas que eu venha a
realizar a partir do estágio.
Referências
CORTELLA, Mario Sergio. Filosofia e ensino médio: certos porquês, alguns senões, uma
proposta. RJ: Vozes, 2009. p. 17-26.
PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência. São Paulo:
Cortez, 2004. p. 33-57. (Coleção docência em formação; Série Saberes Pedagógicos).
PIMENTA, Selma Garrido; GONÇALVES, C. L. Revendo o ensino de 2º grau, propondo a
formação do professor. São Paulo: Cortez, 1990.
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SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 7 ed.
Campinas/SP: Autores associados, 2000. p. 11-22. (Coleção polêmicas do nosso tempo; v.
40).
VASCONCELOS, Celso dos Santos. Planejamento: projeto de ensino aprendizagem e
projeto político pedagógico. 15 ed. São Paulo: Libertad Editora, 2006. p. 14-64. (Cadernos
pedagógicos do Libertad; v. 1).
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