UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
TRABALHO REALIZADO POR:
AFONSO DAVID
Nº 19061 LEA
29 de Maio de 2006
ÍNDICE :
INTRODUÇÃO…………………………………………………………………….3
Zona Costeira…………………………………………………..3
Estuários…………………………………………………………3
Sapal………………………………………………………………4
Dunas……………………………………………………...........4
MACROALGAS…………………………………………………………………….5
Chlorophytas…………………………………………………….5
Rodophytas………………………………………………………6
Phaeophytas……………………………………………………..9
LIQUENES………………………………………………………………………….10
PORIFERA………………………………………………………………………….10
CNIDÁRIOS………………………………………………………………………..10
Hydrozoa………………………………………………………….10
Scyphozoa………………………………………………………..11
Anthozoa………………………………………………………….11
ANELÍDEOS………………………………………………………………………..12
ARTRÓPODES……………………………………………………………………..14
Cirripedia………………………………………………………….14
Malacostraca……………………………………………………..15
MOLUSCOS………………………………………………………………………..18
Polyplacophora…………………………………………………..18
Gastropoda……………………………………………………….19
Bivalvia…………………………………………………………….20
EQUINODERMES…………………………………………………………………..21
Equinodea…………………………………………………………21
Asteroidia…………………………………………………………22
Ophiuroidea………………………………………………………23
CORDADOS………………………………………………………………………..23
Urochordata………………………………………………………23
Vertebrata…………………………………………………………24
ZOOPLÂNCTON…………………………………………………………………..24
PEIXES E AVES ESTUARINAS…………………………………………………….25
Peixes……………………………………………………………….26
Aves…………………………………………………………………31
DUNAS……………………………………………………………………………..33
CONCLUSÃO……………………………………………………………………….36
BIBLIOGRAFIA………………………………………………………………………36
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INTRODUÇÃO:
O estuário do Sado, é uma reserva natural que engloba um conjunto significativo de
ecossistemas litorais, fundamentais para a economia local e de enorme importância
para o património biológico do país. Esta diversidade de ecossistemas reflecte-se na
existência quer de zonas costeiras ligadas e protegidas por vastas dunas, quer de
zonas estuarinas e respectivos sapais, todos donos de uma rica e muito característica
fauna e flora.
Zona Costeira:
A zona costeira ou litoral é o ecossistema que engloba todas as zonas em que o mar e
a terra se encontram. É o habitat de muitas espécies transitórias, características deste
ecossistema e que dependem directamente das marés para sobreviverem.
A sua constituição apresenta-se tripartida e directamente relacionada com a preia-mar
e baixa-mar. Assim, a zona interdital é constituída por três andares: O supralitoal,
entre o domínio terrestre e o nível médio da preia-mar, alberga um grande número de
crustáceos e de moluscos de concha dura, capazes de reter água. Alberga também
praticamente todos os organismos terrestres que habitam o litoral. O médiolitoral,
encontra-se integralmente compreendido na zona entre marés e alberga muitos
organismos transitórios. Quando rochosa, esta é a zona em que melhor se adaptam
muitas macroalgas como a Caulacanthus ustulatus, surgindo também com alguma
frequência, os géneros Halopteris e Enteromorpha. Por último o infralitoral que vai
desde o limite da zona mediolitoral até uma profundidade de 24m aproximadamente.
É quando avistamos algas fotófilas que nos apercebemos das fronteiras do infralitoral.
Assim, a zona costeira encontra-se claramente colonizada por andares, com relações
directas entre os conceitos de hidrodinamismo, humidade e tipo de substrato, e o
biota respectivo.
Estuários:
Um estuário é geomorfológicamente o ponto de contacto entre o mar e a foz de um
rio.
É um ecossistema vital, que alberga das mais importantes comunidades bióticas do
mundo e é simultaneamente habitat e local de procriação para muitas espécies, bem
como paragem obrigatória de diversas aves migratórias. A elevada concentração de
nutrientes arrastada pelo rio acaba, por acção das marés, por se homogeneizar pelo
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estuário, contribuindo para o surgimento de colónias de microorganismos, bem como
para a formação de lamas e de areias, muito importantes para a fixação da fauna
estuarina.
A sua constituição tripartida, com uma zona marinha, uma intermédia e outra fluvial, é
consequência de uma diferença de salinidade acentuada, responsável por uma
biodiversidade ímpar. Encontramos num estuário espécies marinhas (zona marinha),
espécies dulçaquícolas (zona fluvial) e por último espécies estuarinas (zona
intermédia), osmotolerantes, características deste ecossistema e principal património
biológico de um estuário, uma vez que em mais nenhum outro ecossistema estas
estão presentes.
Um dos dados mais importantes referentes aos estuários prende-se com o campo
ambiental. Este é um ecossistema fortemente sujeito ás pressões dos lobbies da pesca
e da apanha do marisco, sendo simultaneamente um ecossistema frágil, muito sensível
à poluição, e que mais uma vez, importa preservar.
Sapal:
O Sapal é um ecossistema englobado na diversidade biótica que são os estuários.
A sua constituição, feita de vastos canais e labirintos, faz com que os sapais
funcionem como verdadeiros filtros de matéria orgânica e de poluentes, que ficam
retidos e acumulados nestes. Ora a importância de um sapal reside precisamente aqui,
para além de ser uma barreira natural quando o mar sobe, impedindo inundações, o
sapal assegura a qualidade e a menor poluição das águas dos estuários, ao mesmo
tempo que alimenta e abriga muitas espécies de anelídeos, moluscos, crustáceos entre
outros.
Na formação de um sapal a vegetação que primeiro se desenvolve e se instala com
maior facilidade, isto é, a vegetação pioneira, nomeadamente a gramínea Spartina
marítima, tem uma enorme importância quer na sustentabilidade, quer na fixação de
novas espécies num sapal.
Dunas:
As dunas são formadas pela acumulação das areias transportadas pelo vento oceânico.
A areia seca, que por arrasto parte do supralitoral, vai formar na zona interdital, um
aglomerado de areias secas, as dunas embrionárias. A disposição destas varia com o
vento e a sua direcção, bem como com as dimensões e a forma da praia. Assim
podemos encontrar dunas móveis e dunas embrionárias nas praias com areiais mais
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extensos e expostos, dunas brancas e dunas secundárias, estas últimas já mais
afastadas da praia e com outro tipo de dinâmica que será referido no corpo do
trabalho. Posteriormente a estas dunas encontra-se todo um conjunto de flora
mediterrânica, da qual fazem parte entre outros, referenciados no corpo do relatório, o
pinheiro (Pinus pinaster) ou os Carvalhos (Quercus sp.).
Apesar de este ser um cenário bastante desfavorável para qualquer planta,
encontramos nas dunas, plantas altamente especializadas, capazes de sobreviver
nestas condições adversas e ecologicamente fulcrais para este ecossistema. É o caso
da Ammophila arenaria, altamente especializada numa colonização primária. A
resistência desta gramínea e o trabalho que realiza na fixação de areias, abre a
possibilidade a outras plantas de se fixarem nas dunas.
As dunas e a sua dinâmica serão melhor explicadas no corpo do trabalho, bem como
os factos ecológicos que lhe estão inerentes, nomeadamente a importância que a sua
preservação comporta.
MACROALGAS: As macroalgas são organismos de importância extrema para os
ecossistemas bentónicos. São produtores fotossintéticos primários, que servem
igualmente de refúgio para muitos outros organismos, apresentando ainda utilidade
ao nível da depuração de águas. Podem viver fixas ao substrato, em suspensão ou até
mesmo na dependência de outras algas. A sua classificação é feita tendo em conta o
pigmento presente na sua composição, assim:
As Chlorophytas ou Algas verdes possuem Clorofilas (a e b) associadas a carotenóides
que lhes conferem a sua principal característica observável, a cor verde. São portanto
algas fotossintéticas e produtoras primárias, que por norma colinizam ambientes
soalheiros, como zonas pouco profundas ou interditais. As espécies observadas no
estuário do Sado foram três.
A Codium bursa tem como primeira característica observável a cor verde, típica das
chlorophytas. O seu género, Codium, caracteriza-se por dimensões grandes (as
maiores do Filo Clorophyta) e pela forma esponjosa e circular, presa por um talo ao
substrato.
São
razoavelmente
tolerantes
à
poluição,
desenvolvendo-se
preferencialmente em águas paradas.
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Outra espécie observada na saída foi a Ulva lactuca, também ela verde, logo
chlorophyta. Esta espécie é característica por sobreviver em zonas poluídas, com
bastante matéria orgânica. Vive fixa ao substrato e consegue com relações simbióticas
viver no supralitoral, apesar de se dar preferencialmente no mediolitoral e no
infralitoral superior. A sua presença é interpretada como indicador biológico.
Por
último
observamos
um
conjunto
de
algas,
as
espécies
Entheromorfas,
nomeadamente a Entheromorpha linza, também elas verdes e por arrasto, também
elas chlorophytas. Ecologicamente são espécies muito semelhantes à Ulva lactuca. São
algas que quando as condições ideais se reúnem, se reproduzem a grande velocidade
e proliferam nas praias.
As Rodophytas ou Algas vermelhas possuem a sua coloração devido a
clorofilas (a e d) e à ficoeritrina. São de vida fixa e muito variada, ocupando o
infralitoral e em alguns casos chegando a viver a grandes profundidades. Na saída de
campo fizemos a recolha de 8 espécies: a Asparagopsis armata aparenta cor
avermelhada o que a identifica como sendo uma rodophyta. Precisa de uma boa
intensidade luminosa para sobreviver e vive muitas vezes fixada a outras algas através
de estruturas em forma de arpão que apresenta nos filamentos do talo.
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A Corallina elongata também alga vermelha rodophyta, é a primeira descrita que
apresenta uma importante adaptação destas algas, um conjunto de conceptáculos que
permite a retenção de água na baixa-mar. Faz também parte de um conjunto de algas
Rodophytas calcárias.
A Gelidium sesquipedale é outra Rodophyta, de cor vermelha e filamentosa, que
apresenta a capacidade de reter água e por arrasto, a capacidade de colonizar meios
infralitorais.
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A Gigartina acicularis é uma alga vermelha Rodophyta, do infralitoral rochoso, que
apresenta a mesma capacidade de retenção de água das anteriores. É constituída por
talos finos e resistentes, encontrando-se muitas vezes em áreas rasteiras e
acompanhadas por uma elevada quantidade de fauna.
A Chondrus crispus, vulgarmente chamada de musga da Irlanda é uma alga vermelha,
Rodophyta, de tacto cartilaginoso e talo espesso e duro com uma estrutura ramificada
através de bifurcações. Ecologicamente coloniza o infralitoral rochoso e o mediolitoral.
A Plocamium cartilagineum é também uma alga vermelha, Rodophyta, com uma
tonalidade mais rosada. O talo nesta alga está fixo ao substrato, devido ao elevado
hidrodinamismo do seu habitat, e sustenta uma grande quantidade de finas
ramificações todas alinhadas e bem organizadas no mesmo plano, característica rara
ou mesmo única nas Rodophytas.
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As duas últimas algas vermelhas partilham muitas características. A Lithophyllum
incrustans e a Lithophyllum lichenoides são duas algas calcárias encrostantes do
mesmo género.
A primeira, Lithophyllum incrustans, Rodophyta, de cor rosada e forma ondulada,
habita o infralitoral e o mediolitoral ocasionalmente. É em muitos casos um invasor
primário que ocupa os locais disponíveis, estando associada igualmente à presença de
ouriços do mar, que ao consumirem as algas não calcárias, libertam espaço para as
Lithophyllum.
A segunda, a Lithophyllum lichenoides, também ela Rodophyta, calcária encrostante,
apresenta uma tonalidade mais clara e uma forma muito característica como se pode
observar na imagem. Acumula grande quantidade de fauna nas suas imediações,
colonizando o infralitoral até ao limite do mediolitoral.
As Phaeophytas ou Algas Castanhas aparentam a sua cor devido à presença de
clorofilas (a e c) com excesso de carotenóides na sua constituição e de fucoxantina.
Vivem em grande dependência de água, habitando em litorais preferencialmente
rochosos. No caso do estuário do Sado estas algas não foram observadas. No entanto
fazem parte do ecossistema mediterrânico marinho, nomeadamente as espécies:
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Saccorhiza polyschydes, Fucus vesiculosus, Halopteris scoparia, Laminaria digitata,
Padina pavonia, entre outras. São algas muito oleosas e de grande importância
económica, ecológica e alimentar.
LIQUENS: Resultantes de uma simbiose entre um fungo e uma alga, os líquenes vivem
aderentes as árvores, rochas e outros substratos apresentando a forma de remendos
coloridos ou massas esponjosas. Têm como característica ecológica serem muito
sensíveis à poluição atmosférica. Uma das espécies com que tivemos contacto foi a
Lichina Pygmaea.
FILO PORÍFERA: Os organismos pertencentes a este filo não apresentam simetria, são
por isso assimétricos. Alimentam-se por filtração, apresentando para esse fim
estruturas tubulares características.
A
espécie
observada
foi
a
Hymeniacidon
sanguínea,
pertencente
à
classe
Demospongiae. A Hymeniacidon sanguínea pertence ao filo Porífera pois não
apresenta simetria nem órgãos diferenciados e vive fixa ao substrato. É constituída por
estruturas tubulares, com espículas siliciosas, características da classe Demospongiae.
Alimenta-se por filtração, atingindo corpos de grandes proporções e habitando em
águas com grandes variantes de profundidade.
FILO CNIDÁRIOS: São radiados que não têm cabeça definida. Possuem uma cavidade
interna, que comunica com o exterior por uma única abertura, têm um esqueleto
rígido, córneo ou ausente. Podem aparentar duas formas morfológicas, pólipo, fixo ao
substrato, ou medusa, de vida livre. Podem ser simples ou coloniais dependendo
também da forma do corpo. A captação de alimento faz-se através da existência de
tentáculos rodeando a boca. Estes tentáculos possuem cnidócitos ou células
urticantes, chamados nematocistos, de grande capacidade predatória. Subdividem-se
em três classes: Hydrozoa, Scyphozoa e Anthozoa.
Na Classe Hydrozoa e família campanularidae pudemos observar no estuário do Sado
exemplares de Obelia geniculata. Seres radiados, sem cabeça definida, logo
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pertencentes ao Filo Cnidaria. Apresentam as duas fases, pólipo e medusa, no seu
ciclo de vida, sendo a medusa normalmente pequena, o que identifica a espécie como
pertencente à classe Hydrozoa. Pertencem à família campanularidae porque são
estruturalmente muito pequenas em forma de pena e constituídas por hidrotecas
(espessas na parte inferior, de bordo liso e pedúnculo anelado, com tentáculos) e
gonotecas que não têm tentáculos. Estes organismos são seres com uma tendência
para relações simbióticas, alimentando-se de plâncton, pequenos crustéceos ou
anelídeos.
Quanto à classe Scyphozoa, não nos foi possível observar no terreno nenhum
exemplar, contudo estes são seres que importa descrever. Têm, como qualquer
cnidário, um só oríficio rodeado de tentáculos na sua fase de medula, que de resto é a
fase dominante no seu ciclo, sendo a fase de pólipo muito reduzida ou inexistente,
dado que é característico e que as classifica como Scyphozoa. São seres de vida livre,
pelágicas, que se deslocam com auxílio dos tentáculos.
Por último temos a classe Anthozoa. Nesta classe observámos a espécie Actinia
equinea, que devido à sua simetria radial, bem como à forma de pólipo, de vida fixa,
se encontra no Filo Cnidaria. Tal como todos os Cnidaria a boca e o ânus são um só e
o mesmo orifício. A Actinia equinea enquadra-se na classe Anthozoa porque não
apresenta a forma de medusa no seu ciclo de vida e é caracterizada pela capacidade
em retrair os tentáculos de maneira a poupar água e a proteger-se de agentes
estranhos. Habita a zona superior do mediolitoral, alimentando-se de pequenos
organismos, nomeadamente plâncton.
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A Anémona-do-mar, Cnidario radial, com presença de pólipo e de vida fixa, pertence à
Ordem Actiniaria. Ao contrário da Actinia equinea, as anémonas não conseguem
recolher os seus tentáculos, habitando portanto apenas o infralitoral.
Por último, a “Cenoura do mar”, Veretillum cynomorium, observada na saída de campo
é um Antozoário muito característico. É um cnidário devido à sua estrutura radial e à
presença de tentáculos para fins alimentares. As cenouras do mar são seres coloniais,
com a forma de pólipo.
FILO ANELIDEA: Os Anelídeos são organismos segmentados, com simetria Bilateral e
corpo despido de qualquer protecção rígida. Aparentam um par de apêndices laterais
por cada segmento, com função diferenciada (locomoção, fixação ou excreção) e
constituídos por sedas quitinosas.
A única Classe observada foi a classe Polychaeta (segmentos numerosos com
parápodes de sedas quitinosas e região cefálica com apêndices). Assim, a primeira
espécie observada foi a Spirographis spallanzanii. Pertence ao filo Anelídea devido ao
seu corpo segmentado, sem concha rígida mas revestido de sedas quitinosas e à
classe Polychaeta por apresentar parábodes laterais. Podem-se distinguir das restantes
espécies por apresentarem uma espiral descrita pelos lobos branquiais. Vivas fixas ao
substrato dentro de tubos, sendo por isso espécies sedentárias.
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A Serpula vermicularis é outro organismo segmentado, sem concha rígida e revestido
de sedas quitinosas, logo anelídeo. É da classe Polychaeta porque tem numerosos
apêndices na zona cefálica. Tal como a Spirographis spallanzanii é sedentária.
Por último, a Nereis succinea distingue-se das anteriores por ser de vida livre. Apesar
disso continuam a ser organismos segmentados, revestidos de sedas quitinosas, com
numerosos apêndices encefálicos, logo organismos anelídeos da classe Polychaeta. São
seres bentónicos, habitam o médio e infralitoral, alimentando-se por predação.
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FILO ARTHROPODA: A grande evolução que este filo comporta é um corpo
segmentado, por norma em cabeça, tórax e abdómen, com apêndices articulados. A
existência de apêndices especializados revela-se uma adaptação positiva para a
sobrevivência no meio, quer em termos de alimentação, locomoção, ou até mesmo ao
nível do sistema sensorial. É visível nestes organismos um esqueleto rígido e quitinoso
com mudas regulares. Dentro dos Arthropodes observámos organismos pertencentes
à Superclasse Crustácea, Classe Maxillopoda, Subclasse Cirripedia e Subclasse
Malacostraca.
Da subclasse Cirripedia observámos mais especificamente as espécies Chthamalus
Stellatus
e Balanus perforatus, duas cracas. A Chthamalus Stellatus apresenta um
esqueleto rígido, entre outras características que a identificam como sendo um
Arthropode. Apesar de ser um ser bastante modificado face à sua filogenia, pode ser
classificado como pertencente à classe Maxillopoda e subclasse Cirripida uma vez que
apresenta uma concha calcária achatada ao invés de uma carapaça e vive fixa ao
substrato rochoso. Habita o mediolitoral com abundância.
Outro organismo Arthropode observado foi a Balanus perforatus, outra craca, com
esqueleto rígido, concha externa calcária e vida fixa, características que a inserem na
subclasse dos cirripedes. Tal como a família chthamaliae, a família balanidae apresenta
uma concha cónica fechada por um opérculo e coloniza zonas mais inferiores do
mediolitoral. A razão para tal está na maior capacidade dos chthamaliae em sobreviver
mais tempo fora de água. As cracas são organismos filtradores que capturam o seu
alimento através de apêndices birramosos localizados na cavidade opercular. São
invasores primários, fixando-se não só a rochas mas também a outras conchas,
carapaças e até mesmo ao casco de um barco.
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Quanto à Subclasse Malacostraca, observámos um vasto número de organismos,
pertencentes a diferentes ordens.
A primeira ordem é a Amphipoda, da qual fazem parte as pulgas-do-mar. Estes
organismos têm o corpo segmentado em cabeça, tórax e abdómen, característico dos
Arthropodes. A presença de vários apêndices e a segmentação característica colocam
as pulgas-do-mar como pertencente à subclasse Malacostraca e a falta de carapaça é
característica da ordem Amphipoda, que apresenta uma cabeça separada, tórax com
7segmentos e um par de apêndices e um abdómen com 7 segmentos. Ecologicamente
são herbívoros que habitam o mediolitoral e que servem de alimento para muitos
outros seres.
Outra importante ordem de crustáceos é a Isophoda.
Os animais desta ordem
apresentam um corpo achatado dorsoventralmente, sem carapaça com um abdómen
curto com os segmentos fundidos total ou parcialmente. São seres detríticos porque
comem pequenas partículas agarradas às rochas e vivem em relações de parasitismo
para com peixes. Observámos três espécies, sendo a primeira a Sphaeroma serratum.
Esta por possuir um corpo segmentado em cabeça, tórax e abdómen, ainda que
parcialmente juntos, é um Arthropode. Pertence à subclasse Malacostraca por ter
vários
apêndices
e
é
isophodas
porque
apresenta
um
corpo
achatado
dorsoventralmente e sem carapaça. Ecologicamente vivem no médio e infralitoral,
debaixo de terra e são como grande parte dos Isophoda detrítivoros.
A segunda espécie observada, Cymodoce truncata, pertence à Subord. Anthuridea e
mais especificamente à fam.Sphaeromatidae, tal como a espécie anterior, com quem
partilham quase todos as características observáveis, com excepção de serem peludos,
de cor castanha e de dimorfismo sexual acentuado. Ecologicamente, vivem e
desempenham as mesmas funções do Sphaeroma serratum.
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A última espécie Isophoda
que observámos foi a Lígia oceânica, também ela
segmentada, logo Arthropode e achatada dorsoventralmente, sem carapaça, logo
Isophoda. Os caracteres observáveis deste espécie são essencialmente as antenas,
muito robustas e os apêndices que se apresentam mais desenvolvidos que nas outras
espécies. Ecologicamente ocupam o supralitoral rochoso, preferencialmente locais
húmidos.
A terceira e última ordem a destacar é a ordem Decapoda. A principal característica
dos Decépodes é a presença de 5 pares de patas locomotoras, bem como um corpo
segmentado em céfalotorax (com carapaça) e abdómen. É no abdómen que se podem
distinguir com maior facilidade as espécies observadas. As
duas primeiras são
camarões, a Palaemon serratus e a Crangon crangon. A Palaemon serratus é um
Artrópode, segmentado em cefalotórax e abdómen. As suas dez patas locomotoras e a
carapaça no cefalotórax caracterizam-no como pertencente à ordem Decapoda, bem
como o seu longo rostro. Ecologicamente habitam o infralitoral, exclusivamente na
água, ou em enclaves e poças do mediolitoral e são seres errantes e serriados.
A outra espécie de camarões observada foi a Crangon crangon, que se distingue da
anterior pelos três espinhos que aparenta na carapaça. É igualmente um Decapoda
porque apresenta os cinco pares de patas locomotoras e o corpo segmentado em
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cefalotórax e abdómen. Ecologicamente habita o infralitoral e são facilmente
encontrados num estuário, devido ao facto de aguentarem facilmente grandes
variações de salinidade. São seres errantes.
Outro organismo encontrado é um paguro, pertencente à família Diogenidae, a
Diógenes pugilator, é uma espécie cuja segmentação sofreu um atrofio ao nível do
abdómen, apresentando apenas apêndices articulados nos outros segmentos. É então
um Artrópode, pertencente à ordem Decapoda por apresentar dez patas locomotoras.
Aparenta ainda dois apêndices característicos, os quelípedos, em que o esquerdo é
maior que o direito. Ecologicamente habita o infralitoral em grande dependência dos
moluscos.
Quanto aos restantes são três espécies de caranguejos, distinguíveis pela forma da
carapaça. A primeira espécie, Carcinus moenas, tem o corpo segmentado em cabeça,
tórax e abdómen, com apêndices articulados o que o classifica como Artrópode. É um
Decapoda por aparentar cinco pares de patas, bem como uma carapaça no cefalotórax.
Tem uma cor verde, bem como cinto dentes na carapaça dirigidos para diante.
Ecologicamente habita o infra e mediolotoral e é um ser que lida bem com a poluição,
vivendo escondido em rochas e em lugares de grande humidade, alimentando-se de
tudo um pouco.
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Outro caranguejo omnívero é o Xantho incisus. É pelos mesmos motivos um
Artrópode, Decapode, mas distingue-se principalmente do anterior por ter pinças
pretas. Ecologicamente habita e desempenha as mesmas zonas e as mesmas funções
que a Carcinus moenas.
Por último temos a Pachygrapsus marmoratus. Esta espécie é um Artrópode e um
Decapoda pelas mesmas razão apontadas para as outras. Distingue-se pela carapaça
quadrada e pela cor escura.
FILO MOLLUSCA: Os organismos pertencentes a este Filo são não segmentados, com
simetria bilateral. De uma forma genérica o corpo encontra-se dividido em cabeça,
massa visceral e pé (orgão de locomoção). A maioria das espécies apresenta um manto
a cobrir a massa visceral e uma região cefálica distinta. Neste filo observámos três
classes. Na classe Polyplacophora a única espécie observada foi a Chiton olivaceus.
Esta espécie é um quítone, que são moluscos por terem o corpo dividido em três
regiões distintas: cabeça, massa visceral e pé ventral, possuem uma concha segregada
pelo manto. Têm um corpo elíptico formado por oito placas e com pé achatado o que
os coloca na classe Polyplacophora.
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Outra classe é a Gastropoda, onde observámos duas subclasses, a Prosobranchia e a
Pulmonata.
A subclasse Prosobranchia pertence ao Filo Mollusca porque têm o corpo diferenciado
em cabeça, massa visceral e pé ventral, bem como concha segregada pelo manto.
Pertencem aos Gastrópodes porque têm uma concha univalve, pé achatado, uma
capacidade de torção da massa visceral, a cabeça tem dois tentáculos e a cavidade
paleal é anterior. Ecologicamente são herbívoros e planctotróficos, muito sensíveis às
variações do meio e importante fonte alimentar do ecossistema. De uma forma geral
as três espécies observadas cumprem estas regras.
A primeira Patella sb, distingue-se por ter uma concha univalve achatada, de bordo
irregular. Pertence ao grupo das lapas.
A Giobulla sb é um búzio com concha em forma de espiral, de superfície lisa, regular e
relativamente espessa.
Por último a Nassarius
reticulatus, um búzio de cor cinzenta que apresenta uma
concha reticulada.
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Por outro lado na Subclasse Pulmonata apenas observámos uma espécie, a Siphonaria
pectinata ou algesirae que é um Mollusco porque o corpo está diferenciado em cabeça,
massa visceral e pé. São gastrópodes por apresentares uma concha univalve e um pé
achatado. Podem distinguir-se das Patella sb por apresentarem uma diferente
tonalidade na concha, bem como estrias mais finas e acastanhadas. Habitam
igualmente o mediolitoral rochoso.
Por último a classe Bivalvia. Para todas as espécies observadas vale a classificação de
Moluscos por apresentarem o corpo dividido em cabeça, massa visceral e pé, bem
como um corpo não segmentado. Pertencem a esta classe as espécies de Moluscos que
não apresentam uma região cefálica distinta, e que apresentam duas conchas,
característica única e responsável pelo modo de vida destes organismos. Assim os
Bivalves alimentam-se por filtração, vivendo em muitos casos enterrados em zonas do
mediolitoral. São espécies relativamente sensíveis, sobretudo à influência do homem.
Observámos duas espécies.
A primeira, Mytilus galloprovincialis, bivalves de duas conchas, aparentam uma concha
de cor preta no exterior, pontiaguda e lisa. Habitam maioritariamente no médio e infra
litoral rochoso, formando frequentemente colónias.
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A
segunda
espécie,
Pecten maximus,
diferencia-se
das
demais
pela
concha
característica, direita, com 17 caneluras radiais. As duas conchas diferem uma da
outra, sendo uma encurvada e a outra direita. Habitam preferencialmente o infralitoral.
FILO EQUINODERMIA: Este Filo caracteriza-se por uma simetria pentarradiada, em torno
de um eixo que suporta a boca e o ânus. São organismos sem segmentação, que
apresenta por norma um esqueleto rígido interno e calcário. Aparentam ainda pés
ambulacrários com ventosas e espéculas. Habitam enclaves rochosos no mediolitoral e
o infralitoral.
Nota: Uma das praias onde melhor se podem ver estes seres em Portugal é a praia do
cavalinho na Ericeira, altamente rochosa e sem bons acessos pedonais, que a
transformam num dos poucos lugares onde a mão do homem felizmente tarda em
chegar. Nos rochedos desta praia é fácil observar verdadeiros viveiros de ouriços do
mar, bem como estrelas-do-mar, etc.
Observámos quatro espécies, pertencentes a três classes distintas.
A primeira classe é a classe Equinodea, da qual fazem parte os ouriços-do-mar. A
espécie observada foi a Arbacia Lixula. Este organismo pentarradiado em torno de um
eixo interno, apresenta uma pele espinhosa e um esqueleto interno rígido. Não tem
segmentação nem cabeça. Na parte inferior, isto é, na face oral, podemos ver uma
boca ventral rodeada por uma membrana, o peristoma, e com cinco dentes, que
constitui uma estrutura com capacidade trituradora (Lanterna de Aristóteles). Na face
oposta e superior, podemos ver o início do tubo digestivo e do ânus, lado a lado, bem
como uma placa escura – a placa madrepórica que tem função fundamental no sistema
hidrovascular, e também pedicelários – filamento pequenos com três dentes córneos, e
assim fazem parte da classe equinodea.
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Ecologicamente estes são organismos Herbívoros e dentríticos, que habitam o
infralitoral e em alguns casos em enclaves do mediolitoral, como na praia do
Cavalinho, Ericeira.
Outra Classe observada foi a Classe Asteroidia, estrelas-do-mar, caracterizada pela
forma pentarradiada achatada com braços em estrela, por um esqueleto muito flexível
e pela presença igualmente de pés ambulacrários. Nesta classe observámos duas
espécies.
A primeira, Asterina gibbosa, pertence aos equinodermes pela forma pentarradiada,
presença de boca e ânus e pela falta de segmentação, pertencem à classe Asteroidia
por serem achatados e aparentarem um conjunto de braços dinâmicos. A boca é
central, o corpo espesso coberto de pequenos espinhos. São seres carnívoros, que
habitam o interlitoral, nas zonas das marés.
A outra espécie observada foi a Amphipholis squamata, que pertence ao Filo dos
Equinodermes e à classe Asteroidia pelas mesmas razões apontadas para a espécie
anterior. No entanto distinguem-se por terem os braços quatro vezes maiores que o
corpo e um disco redondo central com três espinhos. São dentritívoros e localizam-se
no infralitoral.
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Por última a classe Ophiuroidea, cujos organismos pertencentes a esta classe são
seres cujos braços não se encontram ramificados. Têm pés ambulacrários dispostos
em duas fiadas e um disco central rígido. Tanto a boca e o ânus encontram-se na face
oral. A espécie que observamos é a Ophiocomina nigra, espécie com exemplares de
grandes dimensões, de cor preta e que se distinguem dos outros Equinodermes por
utilizarem os braços para fins de locomoção.
FILO
CORDHATA:
Este
filo
têm
simetria
bilateral,
cefalização
acentuada,
metamerização, mas o que os distingue é a existência de uma corda dorsal, com
funções de suporte que termina numa cauda. A presença de uma corda dorsal permite
a estes organismos atingirem um tamanho superior ao da maioria dos outros
organismos.
Do Subfilo Urochordata e da Classe Ascideas observámos uma espécie, a Distomus
variolosus. Estes organismos apresentam simetria bilateral e são urocordados porque
são animais fixos, de túnica espessa (tunicina) e rigorosa, adulta e escura. Possuem
duas aberturas (uma onde entra e outra onde sai água). Podem estruturalmente ser
ovóides ou cilíndricos.
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Do Subfilo Vertebrata, observámos na classe Ostheichthyes, dos peixes ósseos, a
espécie Parablennius gattorugine, que são organismos de vida livre. Têm barbatanas:
possuem uma dorsal, duas peitorais largas, uma anal e uma caudal, e são também
peixes ósseos por terem um esqueleto ósseo total ou parcial e boca terminal.
Ecologicamente pudemos observar estes organismos em pequenos enclaves do
mediolitoral, mas habitam preferencialmente o infralitoral. Alimentam-se de outros
peixes.
ZOOPLÂNCTON: O zooplâncton é constituído por pequenos animais cujas deslocações
são asseguradas pelas correntes, ainda que a maioria destes organismos efectue
migrações verticais e/ou sazonais. Desempenham um papel fundamental nos
ecossistemas estuarinos. São constituídos entre outros seres, pelas formas larvares de
moluscos e crustáceos. Podem ser Meroplanctónicos, ou seja, animais cuja fase adulta
é bentónica (vivem nos fundos, na interface sedimento/água, ou inseridos no próprio
sedimento ou substrato) enquanto que as suas formas larvares e ovo são planctónicas
(vogam livre e passivamente sob acção das correntes oceânicas), ou então podem ser
Holoplanctónicos. Estes são organismos em que o ciclo de vida decorre inteiramente
no seio do plâncton, ou particularmente no seio do Neuston, e como os principais
representantes temos os copépodes e alguns crustáceos e ostracodes.
O zooplâncton é ecologicamente a fonte principal de alimento de muitos animais,
desempenhando assim um papel fundamental num ecossistema estuarino.
O zooplâncton acarreta categorias distintas de animais consoante a sua localização
estuarina: o Pleuston (animais e vegetais cujas deslocações são fundamentalmente
asseguradas pelo vento), o Neuston (animais que vivem nas camadas superficiais), o
Neustonm que compreende o Epineuston (animais que se encontram na interface
ar/agua) e o Hiponeuston (animais que se encontram nos primeiros 10cm das colunas
de agua) como por exemplo Arthropodes Crustáceos, os copépodes. Observámos 4
espécies
de
zooplancton,
duas
Meroplanctónicas,
uma
Copepode
e
outra
Holoplanctónicos, de ordem Ostracod:
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A Larva do Caranguejo e a Larva do Mexilhão são Meroplanctónicos. A primeira
larva, Filo dos Artrópodes, classe Malacostraca, ordem Decapoda pode ser observada
nos três estádios do seu desenvolvimento, respectivamente Nauplius, Zoea e
Megalops.
A segunda larva, a de Mexilhão, é do Filo Mullusca, classe Bivalvia, espécie Mussel
glochidia.
Pertencente à subclasse Copepoda temos a maioria dos elementos do zooplancton.
Englobados na ordem Cyclops, estes organismos apresentam um vasto leque de
comportamentos alimentares, formas estruturais e papeis ecológicos.
Por último temos a Subclasse Ostracod, que é um conjunto de organismos
holoplanctónicos
PEIXES E AVES ESTUARINAS:
Podemos dividir o nosso ecossistema marinho em duas divisões: a divisão pelágica
(província nerítica e província oceânica) e a divisão bêntica. Esta divide-se na zona
Subnerítica ( Zona supralitoral, litoral e sublitoral) e na zona de mar fundo (zona
batibêntica, abissobêntica, e zona hadal). Em Correspondência com estas divisões
podemos considerar dois tipos de organismos: os pelágicos que flutuam ou nadam na
coluna de água, e compreendem o plâncton e os bênticos que vivem sobre ou no
fundo do mar. Os ecossistemas marinhos dependem de vários parâmetros como a
temperatura, salinidade, densidade, pressão, iluminação e circulação da água, sendo
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as espécies que neles habitam é consideravelmente sensíveis às suas variações. Neste
capítulo procuramos compreender a fauna estuarina e particularmente a ictiofauna.
Por todos os factos que já se referiu na introdução, a ictiofauna estuarina apresenta
uma diversidade de organismos específicos que têm uma elevada capacidade de
tolerância
a
determinadas
variações
físicas
e químicas
do
meio envolvente,
nomeadamente às diferenças de salinidade da água.
Os peixes fazem parte do subfilo Vertebrata e Filo Cordhata pois o seu corpo é
suportado pela coluna vertebral formada por vértebras, e a maior parte destes seres
tem órgãos sensoriais e sistema nervoso altamente desenvolvidos de forma a reagirem
ao meio envolvente, estão perfeitamente adaptados ao meio aquático, muito devido à
existência de órgãos especializados como a bexiga natatória.
Assim, os peixes são os vertebrados que vivem na água e que constituem dois grupos
principais: os peixes cartilagíneos e os peixes ósseos, todos heterotérmicos, com
guelras, através das quais se faz a difusão do oxigénio dissolvido na água. Servem–se
da barbatana caudal para se deslocarem e apresentam-se geralmente revestidos por
escamas rígidas. Os peixes cartilagíneos são também chamados de peixes Seláceos
como o tubarão e as raias. Um esqueleto cartilagíneo e as escamas placóides, bem
como cinco a sete pares de brânquias em câmaras separadas, são algumas das
características próprias desde grupo de peixes. Por sua vez os peixes ósseos são
chamados Teleoteos como o robalo, o caboz, etc. Estes apresentam três tipos de
escamas (ciclóides - lisas, ctenoides – rugosas, gancides), e as brânquias possuem
filamentos de estrutura cartilaginosa ou óssea – as branquioténias – com função de
captura de alimento, mais desenvolvidas nos peixes que se alimentam de plâncton.
São constituídos pelo opérculo e por uma diversidade de barbatanas com diferentes
funções.
As comunidades ictiologicas do Estuário do Sado podem ser classificadas consuante o
seu papel no ecossistema em quatro categorias, espécies residentes, espécies que
utilizam o estuário como viveiro, espécies diadrones (migradoras): anádromas ou
catádonas e espécies ocasionais. Conforme foi dado nas aulas, as espécies residentes
habitam o estuário durante toda a vida, por sua vez as espécies que utilizam o estuário
como viveiro são normalmente encontradas no seu estado juvenil, uma vez que adultas
se deslocam para o alto oceano. As espécies migradoras, as anádronas, vivem no mar
e sobem às bacias hidrográficas, reproduzindo-se nos estuários, enquanto que as
catádronas vivem em águas doces e reproduzem-se no mar. Das espécies que importa
referenciar encontramos as seguintes:
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Espécies residentes: Estas espécies tomam posturas bentónicas em conchas ou
lamelas, ou mesmo no meio de algas e rochas. Apresentam um aparelho reprodutor
característico. Deste grupo fazem parte:
Engraulis encrasicolus (enchova ou biqueirão)
Espécie pelágica que se alimenta de plâncton
Gobius niger (caboz preto)
Espécie bentónica costeira que vive em estuários em fundos vasosos e arenosos e que
possui uma alimentação carnívora à base de invertebrados.
Pomatoschistus minutus (Caboz)
Igualmente bentónica costeira de zonas pouco profundas e fundos vasosos e arenosos.
É carnívora alimentando-se também de invertebrados bentónicos. Extremamente
resistente a condições agrestes, dando-se extremamente bem num estuário.
Coryphoblennius galerita
Espécie bentónica costeira, de pouca profundidades nas zonas das marés e em
povoamentos de algas. É omnívoro com uma alimentação à base de moluscos, algas,
crustáceos e alguns peixes.
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Parablennius gttorugine
Espécie bentónica costeira, em fendas e cavidades de fundos rochosos pouco
profundos.
É carnívora e tem capacidade de muda de cor.
Lipophrys pavo
É também bentónica costeira de fendas e cavidades de fundos rochosos e pouco
profundos mas ao contrário da ultima, são resistentes a diferenças de salinidade,
temperaturas, e correntes alteradas.
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Hippocampus hippocampus (cavalo marinho)
Vive em fundos arenosos em relação com coberturas vegetais densas. São carnívoros
de crustáceos.
Syngnathus abaster
Vive em fundos arenosos ou lodosos entre os detritos ou entre a vegetação como na
zona das gramíneas. São também carnívoras de crustáceos.
Espécies que utilizam o estuário como viveiro
Falámos essencialmente destas espécies:
Dicentrarchus labrax (robalo)
Habitam águas costeiras pouco profundas e acarretam um alto valor comercial.
Platichthys flesus (solha)
São espécies demersais, que ocupam águas litorais pouco profundas mas podem subir
nos estuários, e podem ainda usar meios vasosos e arenosos.
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Solea senegalensis (linguado)
É também uma espécie demersal de águas pouco profundas e de fundos vasosos e
arenosos,
que é igualmente um indicador da poluição, quanto mais escuros são
significa que mais poluído é o meio envolvente.
Liza aurata (tainha)
Também espécies eurihalinas que formam cardumes em águas costeiras e penetram
nos estuários nas águas salgadas e doces, ricas em matéria orgânica como esgotos e
embarcações. São omnívoras, detritivoras e filtradoras.
Espécie migratória anádrona
Alosa fallax (savelha)
É a única espécie protegida desta divisória, pelágica e presente nas bacias
hidrográficas dos grandes rios. São carnívoras.
4. Espécie migratória catádrona
Anguilla anguilla
É a única espécie anádrona estuarina. Reproduzem-se no Mar dos Margaços nas
grandes profundidades. É uma espécie ameaçada, responsável por uma das mais
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incríveis migrações de peixes. As larvas são ceptocefálicas e pelágicas das costas
europeias onde sofrem metamorfoses, e posteriormente entram nos cursos de água
migrando com outros grupos e onde permanecem entre seis a vinte anos, encolhendo
ou
mesmo regredindo o estômago aquando da
migração.
Alimentam-se
de
zooplâncton a quanto larvas, e de peixes, crustáceos e larvas aquando adultos.
As aves são animais vertebrados que, ao contrário dos peixes, são homeotérmicos. A
pele nas aves é revestida por penas, os
membros anteriores encontram-se
transformados em asas e, à excepção dos morcegos, são os únicos animais
vertebrados capazes de verdadeiro voo. Não possuem dentes mas sim bico. São seres
ovíparos, vivendo em quase todos os ecossistemas terrestres. As aves são, no meio de
toda a diversidade ecológica estuarina, dos seres mais importante. As suas migrações
sazonais em massa funcionam como controle populacional num ecossistema
estuarino. Subdividem-se as aves estuarinas em aves migratórias e em aves
nidificantes.
Aves nidificantes:
Estas espécies são certamente as mais ameaçadas no ecossistema estuarino.
Ardea purpúrea (graça-vermelha)
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Himantopus himantopus (Pemilongo, perna-longa)
Estas aves de pernas rosadas e compridas têm um bico fino e longo. Prefere habitar as
salinas e os arrozais, Nidifica em colónias pequenas, o que constitui , dado a
fragilidade ecológica que aparenta, uma vantagem.
Circus aeruginosus (tartarão-ruivo-dos-pauis)
Sterna albifrons (andorinha-anã)
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Aves de passagem ou invernadas
Recurvirostra avosetta (alfaiate)
Phoenicopterus ruber (flamingo)
Vivem em zonas vasosas, sapais e salinas. É uma das aves mais características e únicas
do Reino animal. Alimentam-se de pequenos microrganismos que se encontram
suspensos na água e de crustáceos através um bico altamente especializado, perfeito
para
filtração.
A
sua
coloração
rosada
deve-se
à
sua
alimentação.
De referir novamente a importância das aves num estuário. A constante exploração
humana do estuário, que provoca arrastos e levantamentos de terras provoca sérias
consequências para estes organismos e sérios desequilíbrios no ecossistema.
DUNAS: Na introdução foi explicada a variedade de dunas existentes, bem como a sua
localização em relação à zona litoral. Vamos agora considerar as dunas como um
sistema tripartido. Temos então uma zona ante-dunal, em contacto directo com a
praia.
É já uma zona seca, fora do alcance do mar, pré-dunal. Aqui encontramos
algumas espécies vegetais pioneiras, aglomeradas em dunas embrionárias, das quais
se destacam a Salsola kali – soda espinhosa; Cakile maritima – eruca marítima;
Eryngium maritimum – cardo marítimo; Elymus farctus – feno das praias. Esta zona
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apesar de ser a mais salina das dunas é também a de maior humidade, albergando
uma vegetação essencialmente graminóide e halonitrófila. Nesta zona temos ainda as
Dunas
Primárias,
colonizadas
por
herbáceas
e
gramíneas,
nomeadamente
e
fundamentalmente a Ammophila arenaria e o Otanthus maritimus – cordeirinho-dapraia. Na zona que se segue, a Zona interdunar, encontramos as dunas secundárias e
na última zona, a Zona Posterior às dunas, toda uma flora mediterrânica variada.
As espécies que observamos encontravam-se nas dunas brancas, primárias e nas
dunas secundárias.
Dunas brancas: Nestas dunas observámos a Ammophila arenaria. Nesta gramínea, já
referida na introdução, presencia-se uma folha enrolada com sulcos, isto é, uma série
de cristas de válvulas e células com estruturas especiais e de enorme importância
funcional. Assim, adaptam-se à presença ou à falta de água, abrindo ou fechando
cavidades, regulando a temperatura interna da planta. A Ammophila arenaria e a sua
forma fazem com que grande parte da areia que o vento transporta fique retida na
duna primária. De salientar ainda a incrivél capacidade desta planta em sobreviver,
mesmo enterrada, e em criar rizóides especializados.
Dunas Secundárias: Como espécies estabilizadoras destas dunas podemos encontrar a
Silena dióica da família Caryopphyollaceae que é uma planta herbácea perene com
ramos com flores ou sem flores, cobertos por tricomas finos e pegajosos (sensação
perceptível ao tacto), devido aos pelos que servem de protecção aos herbívoros e estão
associados a glândulas com composição desagradável (ou mesmo tóxica), bem como
protecção a factores bióticos e abióticos.
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Para a sua identificação, temos o facto de que as flor masculina é diferente da flor
feminina, facto que se verifica inclusive num mesmo indivíduo.
Outra espécie estabilizadora é a Taraxacum officinale que é uma estrutura existente
na zona de pinhal e de elevada utilidade como planta medicinal e diurética. Pertence à
família Compositae ou Asteraceae e é caracterizada por ser uma planta herbácea com
forma de roseta na base e com folhas dentadas onde emerge um caule oco com um
capítulo solitário e influorescente
e flores liguladas e bissexuadas. Nesta foto é
observável a estrutura interna da planta.
A ultima espécie dunar observável é a Euphorba parallisis da família Euphorhioceae,
vulgar em zonas costeiras, que está geralmente distribuída em locais arenosos e solos
pobres com boa drenagem. Esta planta possui cianto, uma estrutura idêntica à flor,
que nasce nos ramos das axilas das folhas. Possui flores unissexuadas, sendo uma
planta dióica. Novamente uma imagem da sua estrutura interna.
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A fixação das dunas é então essencial num primeiro plano, aquando da sua formação.
A consolidação e enriquecimento do solo permitem a invasão de outras espécies, como o
pinheiro (Pinus pinaster) ou os Carvalhos (Quercus sp.), numa zona mais posterior. Estas
árvores são características da flora mediterrânica, bem como as referenciadas na aula, sedum
sp, corema album, geranium molle, silene colorata, aster sp e silene colorata.
Apesar de tudo o que se referiu em relação à fixação, é importante ter em conta a
preservação das dunas. O pedonal excessivo, o MotoCross, a construção humana, são apenas
alguns factores que contribuem para a destruição das dunas, tão importantes na qualidade e
na conservação dos ecossistemas adjacentes.
PLANTAS DE SAPAL:
A Spartina Marítima, é uma Gramínea com altura entre os 15 e 70 cm, desenvolve-se
em solos lodosos, muito húmidos e de salinidade elevada. O seu sistema radicular
fasciculado torna mais coesas as partículas do solo, e os seus caules ao diminuírem a
velocidade da água favorecem a sedimentação. Estas são plantas pioneiras,
responsáveis pela fixação dos solos dos sapais.
Por sua vez a Arthrocnemum Glaucum que é uma Planta arbustiva, com ramas direitas
e tombadas e comprimento que pode ir de 0,3 a 1m, aparenta uma cor verde,
apresentando uma tonalidade branco-azulado. As flores são espigadas e Florescem no
Verão e no Outono. É uma planta perene e cresce em zonas húmidas e inundadas ao
longo do ano. Tem grande capacidade de retenção de água.
Por último a Halimione Portucaloides, caracteriza-se por apresentar pelos prateados. A
estrurura folear, de grande retenção de água, é carnuda e as Flores muito pequenas,
em grupos muito densos. O comprimento varia entre 20 e 80 cm. Crescem em zonas
de grande salinidade e áreas de sapal.
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HERBÁRIO:
Um herbário é um arquivo útil para qualquer botânico. A prensa e a secagem do material são
as duas etapas mais importantes na construção de um herbário, assim, é de valor termos uma
noção ligeira, de como o conseguir. A prensa é fundamental para retirarmos a água das
plantas, só assim estas se mantêm intactas com o tempo, não sofrendo um processos de
decomposição tão acelerado. A prensa faz-se num aparelho próprio e comum de prensagem,
envolvendo a planta em papel de jornal ou papel absorvente. Este papel substituído várias
vezes, deixa de ser necessário quando a água já saiu na sua maioria. De realçar ainda a
importância de catalogar correctamente, com todas as informações úteis, o nosso herbário.
CONCLUSÃO:
O ecossistema estuarino é um ecossistema único devido a todo um conjunto de
condicionantes que não se encontram em mais nenhum ecossistema terrestre. Albergam uma
quantidade de fauna e flora única, bem como um conjunto de espécies ameaçadas ímpares no
mundo animal. Servem de maternidade para muitos organismos e de local de paragem para
aves migratórias.
No entanto o estuário é, e cabe a quem trabalha na área do ambiente alertar, um ecossistema
frágil, que sofre com a acção humana, nomeadamente a das pescas, e com a poluição dos
rios. A mais pequena alteração de pH, de salinidade ou temperatura não comportada pelo
ecossistema, pode com facilidade leva-lo à seca e à desertificação. Compete assim ao homem,
preservar, de forma sustentável, o estuário. Sempre com a noção da importância económica,
ecológica e patrimonial que este tem para a terra, num primeiro plano, e para o homem, por
arrasto.
BIBLIOGRAFIA:
Fauna Submarina Atlântica; Saldanha, Luís; Publicações Europa-América, 4ª edição ; Terra,
Universo de Vida, Biologia 12º ano; Dias da Silva, Amparo, e outros; Porto-Editora; Caderno da
saída de Campo e das aulas das pelas professoras Prof. Maria Helena Costa, Prof. Isabel Peres,
Prof. Luísa Castro e Prof. Maria Webb
ESTE TRABALHO ENCONTRA-SE PUBLICADO ONLINE EM BIOLOGIA.DO.SAPO.PT
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Relatório nº 2 de Biologia Geral