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Aquecimento Global
Elaboração: Gilvana da Silva Santos – Professora e Bióloga, Especializada em
Educação Ambiental.
INFORMAÇOES DO CURSO:
Este curso possui como informação adicional as principais causas do
Aquecimento global para o planeta e para os seres humanos. Possui também 3
leituras
adicionais,
que
são
sobre
Aquecimento
Global,
selecionados
cuidadosamente com o objetivo de aprimorar o conhecimento e analisar as diversas
possibilidades da área. Estas leituras são enviadas junto com o conteúdo deste
curso. Ao final do curso, você encontrará a avaliação a ser respondida para
verificarmos sua aprendizagem. Bons estudos.
INTRODUÇÃO:
Todos os dias acompanhamos na televisão, nos jornais e revistas as
catástrofes climáticas e as mudanças que estão ocorrendo, rapidamente, no clima
mundial. Nunca se viu mudanças tão rápidas e com efeitos devastadores como tem
ocorrido nos últimos anos.
O clima sempre mudou ao longo da história do mundo, mas de maneira
natural onde o próprio sistema climático da Terra se equilibrava. Era em que se
acreditava. Nas últimas duas décadas, as mudanças ocorridas no clima passaram a
fazer parte da pauta de discussão entre alguns cientistas que concluíram que a
influência sobre as mudanças climáticas não são exclusividade da natureza. A
humanidade, a partir de seus diversos movimentos civilizados, tem provocado tais
mudanças devido a sua relação com o meio ambiente.
A Europa tem sido castigada por ondas de calor de até 40 graus centígrados,
ciclones atingem o Brasil (principalmente a costa sul e sudeste), o número de
desertos aumenta a cada dia, fortes furacões causam mortes e destruição em várias
regiões do planeta e as calotas polares estão derretendo (fator que pode ocasionar o
avanço dos oceanos sobre cidades litorâneas). O que pode estar provocando tudo
isso? Os cientistas são unânimes em afirmar que o aquecimento global está
relacionado a todos estes acontecimentos.
Pesquisadores do clima mundial afirmam que este aquecimento global está
ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes, principalmente,
derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc), na atmosfera.
Estes gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido
de carbono) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o
famoso efeito estufa. Este fenômeno ocorre, pois, estes gases absorvem grande
parte da radiação infravermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor.
O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colabora para
este processo. Os raios do Sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como
esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da
temperatura global. Embora este fenômeno ocorra de forma mais evidente nas
grandes cidades, já se verifica suas conseqüências em nível global.
O registro geológico da história da Terra, preservado nas rochas e fósseis,
indica que o nosso planeta passou por longos períodos alternados de resfriamento e
aquecimento em escala global (TEIXEIRA et al., 2000).
Contudo a ação antrópica nos últimos séculos vem provocando alterações
atmosféricas que influenciam diretamente o clima das diversas regiões do mundo,
fazendo com que o aquecimento pelo qual nosso planeta está passando seja acima
do considerado como normal, ou seja, do esperado. A real ocorrência de um
aquecimento global fora dos padrões geológicos e naturais é um tema que já gerou
muita polêmica. A falta de informações climáticas confiáveis e de longo prazo era um
fator limitante, que dava margem a se acreditar nas causas naturais como causas
para o aquecimento. Mas isto não é o que as evidências indicam hoje! A ciência da
Paleoclimatologia consegue agora avaliar bem a atmosfera do planeta em tempos
remotos e estimar também parâmetros climáticos antigos (QUEIROS, 2006).
EFEITOS DO AQUECIMENTO GLOBAL:
Muitos elementos podem ser analisados para se verificar a ocorrência de um
aquecimento em escala global. Um deles, o mais imediato, é a Temperatura Média
Mundial.
De acordo com dados do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change),
a temperatura média na superfície terrestre cresceu 0,6 ± 0,2°C durante o século
XX, como pode ser observado na Figura 1, onde a linha preta simboliza a variação
ano a ano dessa grandeza. Ainda segundo a mesma fonte, a temperatura média do
Hemisfério Norte subiu 0,2°C por década, entre as décadas de 1950 e 1990. A
Figura 2 mostra a variação dessa grandeza no Hemisfério Norte num intervalo de mil
anos, onde, apesar dos dados de anos mais distantes do atual apresentarem maior
incerteza, é possível perceber uma grande elevação da temperatura no período mais
recente (HOUGHTON et al., 2001).
Figura 1. Variação da temperatura média global nos últimos 140 anos (FONTE:
HOUGHTON et al.,2001).
Figura 2. Variação da temperatura média do Hemisfério Norte nos últimos 1000
anos (FONTE: HOUGHTON et al., 2001).
O aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e
vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. Além do aumento da temperatura,
outros fatores indicam as mudanças climáticas. Dados provenientes de satélites
mostram que houve uma redução de 10% de toda a neve que cobria o planeta
desde o final dos anos 1960.
DERRETIMENTO DAS CALOTAS POLARES:
Mais recentemente, pesquisadores do Centro Goddard de Vôo Espacial e do
Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa indicaram que o gelo marinho perene
costumava ser razoavelmente estável no Ártico, com declínios de 1,4% a 2% por
década. Porém, em 2005 e 2006 houve uma redução de 6% em relação à média dos
26 anos anteriores. Usando dados de satélites (Figura 3), chegaram à cifra de 14%
de redução entre 2004 e 2005 (FOLHA DE SÃO PAULO, 2006).
Figura 3. Imagem comparativa do gelo perene no Ártico entre 2004 e 2005 (FONTE:
FOLHA DE SÃO PAULO, 2006).
O nível de água dos oceanos subiu entre 100 e 200 cm no século XX.
Episódios de fenômenos climáticos como o El Niño tem acontecido com mais
freqüência desde os anos 1970 (HOUGHTON et al., 2001). O aumento do nível das
águas (Figura 4 e 5) dos aceanos pode ocorrer futuramente, a submersão de muitas
cidades litorâneas.
Figura 4: Avanço do nível do mar em cidades litorâneas.
(Fonte: http://www.energiaeficiente.com.br).
Figura 5: O futuro das cidades litorâneas de todo o mundo por causa do
aumento do nível do mar (Fonte: http://www.energiaeficiente.com.br).
Segundo dados coletados em portos ao longo da costa brasileira, o nível do
mar está aumentando no Brasil cerca de 40 centímetros (cm) por século, ou 4
milímetros (mm) por ano (mm/ano). A constatação é do Laboratório de Marés e
Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanográfico (IO) da USP
que investiga as variações no nível do mar no litoral brasileiro, a partir de séries de
medições que começaram em 1980 (QUEIROS, 2006).
AUMENTO DOS TORNADOS NO BRASIL:
Há uma maior ocorrência dos chamados fenômenos extremos (tornados,
raios) - e especificamente no Brasil, os tornados passaram a ser verificados com
maior freqüência e com maior intensidade em alguns casos (QUEIROS, 2006).
No dia 25 de maio, na região rural de Palmital, próximo à sede da Destilaria
São Joaquim, várias equipes de trabalhadores rurais estavam abrigadas da chuva
em alguns ônibus estacionados; pouco antes das 14:00 LT com a diminuição da
chuva, os trabalhadores foram orientados a deixar os ônibus e iniciar o corte de
cana-de-açúcar. Já do lado de fora, as pessoas ouviram um ruído crescente,
descrito como um “barulho de jato”, que chamou a atenção de todos. Na direção do
ruído, os trabalhadores vislumbraram uma nuvem “negra” (figura 6) que girava muito
rápido sugando a cana (figura 7) e ligando a nuvem ao chão, a cerca de 300m deles,
e que vinha em sua direção. Assustados, os trabalhadores retornaram aos ônibus
procurando abrigo; 53 pessoas entraram num dos ônibus e três deles, não. Quando
o redemoinho atingiu esse ônibus pela parte de trás, ele foi lançado para o alto,
sendo arremessado a uma distância de cerca de 50 m, quando caiu no solo com as
rodas para cima; na queda, 2 dos trabalhadores faleceram e cerca de 50 ficaram
feridos, sendo 3 deles gravemente. Dos 3 trabalhadores que ficaram fora do ônibus,
dois nada sofreram; o terceiro foi levantado do solo várias vezes, vindo a sofrer
ferimentos no rosto e nos olhos. O acidente com o ônibus foi presenciado, a cerca
de 200 m, por um outro espectador que observou um segundo redemoinho
descendo das nuvens a cerca de 500m mais atrás do primeiro. Esse segundo funil
não tocou o solo, tendo “voltado” para as nuvens (ANTONIO et al., 2005).
Figura 6. A foto mostra a nuvem giratória com o cone do tornado tocando o chão,
registrada às 17:00 LT de 25/05/2004, na região ao sul de Lençóis Paulista. (Fonte:
ANTÔNIO et al., 2005).
Figura 7. Cana-de-açúcar danificada pela passagem do tornado (25/05/2004) em
Lençóis Paulista. As touceiras de cana foram quebradas ou arrancadas na trilha do
tornado (Fonte: ANTÔNIO et al., 2005).
DESERTIFICAÇÃO:
Desertificação também é um fenômeno do aquecimento global em que um
determinado solo é transformado em deserto, através da ação humana ou processo
natural. No processo de desertificação a vegetação se reduz ou acaba totalmente,
através do desmatamento Neste processo, o solo perde suas propriedades,
tornando-se infértil (perda da capacidade produtiva).
Nas última décadas vem ocorrendo um significativo aumento do processo de
desertificação no mundo As principais áreas atingidas são: oeste da América do Sul,
Oriente Médio, sul da África, noroeste da China, sudoeste dos Estados Unidos,
Austrália e sul da Ásia (QUEIROS, 2006).
No Brasil, a desertificação vem aumentando, atingindo várias regiões.
Nordeste (região do sertão), Pampas Gaúchos, Cerrado do Tocantins e o norte do
Mato-Grosso e Minas Gerais são áreas do território brasileiro afetadas atualmente
pela desertificação (QUEIROS, 2006).
A desertificação gera vários problemas e prejuízos para o ser humano. Com a
formação de áreas áridas (figura 8), a temperatura aumenta e o nível de umidade do
ar diminui, dificultando a vida do ser humano nestas regiões. Com o solo infértil, o
desenvolvimento da agricultura também é prejudicado, diminuindo a produção de
alimentos e aumentando a fome e a pobreza. O meio ambiente também é
prejudicado com este processo. A formação de desertos elimina a vida de milhares
de espécies de animais e vegetais, pois modifica radicalmente o ecossistema da
região afetada. A desertificação também favorece o processo de erosão do solo,
pois as plantas e árvores não existem mais para "segurar" o solo (ANTÔNIO et al.,
2005).
Figura 8: Área de desertificação no Brasil.
(Fonte:http://inovabrasil.blogspot.com/2010/08/inpe-e-mma-parceria-combatera.html)
Crescimento e surgimento de desertos somado ao desmatamento que vem
ocorrendo, principalmente em florestas de países tropicais (Brasil, países africanos),
a tendência são aumentar cada vez mais as regiões desérticas do planeta Terra. O
total de áreas atingidas por secas dobrou em trinta anos. Um quarto da superfície do
planeta é agora de deserto. Só na China, as áreas desérticas avançam 10.000
quilômetros quadrados por ano, o equivalente ao território do Líbano. A Floresta
Amazônica poderia ser drasticamente afetada e transformada em savana
(ANTÔNIO, 1997).
Migrações em massa de pessoas: o alagamento de cidades e o aquecimento
da temperatura em algumas regiões do mundo, podem provocar a migração de
milhões de pessoas, provocando sérios problemas sociais nas regiões que
receberão estes migrantes (ANTÔNIO et al., 2005).
AGUECIMENTO GLOBAL E O PREJUIZO NA AGRICULTURA:
Problemas na agricultura é de muita importancia em relação ao aquecimento
global: o aumento da temperatura global pode provocar sérios problemas na
agricultura. Diminuindo a produção de alimentos no mundo, podemos ter milhões de
pessoas morrendo de fome, principalmente nas áreas mais pobres do planeta
(ANTÔNIO et al., 2005).
Os gases de efeito estufa existem naturalmente na atmosfera, porém este
aumento de concentração causa um forçamento radioativo positivo que tende a
aquecer a baixa atmosfera e a superfície terrestre. Do ponto de vista científico e
global, mudanças climáticas são causadas por forças naturais e antropogênicas
(IPCC, 2001). No Brasil, a proporção entre as contribuições de gases de efeito
estufa da queima de combustíveis fósseis versus agricultura e uso da terra é
diferente em comparação ao padrão mundial. Queima de combustíveis fósseis é
menos importante enquanto a utilização dos solos e alteração da agricultura
respondem por mais de dois terços do total das emissões (BRASIL, 2004).
O Brasil, localizado quase inteiramente na zona tropical, não é uma exceção a
esta regra e, portanto, é suscetível a uma redução na produção agrícola e pecuária.
Além disso, a agricultura compreende o maior setor da economia brasileira,
representando 29% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002, e cerca de 47,5% das
exportações brasileiras em 2003. Portanto, a compreensão das possíveis impactos
das alterações climáticas sobre a agricultura brasileira é um ponto essencial para os
decisores governamentais, a fim de não comprometer a produção alimentar interna e
das exportações agrícolas (CERRI et al., 2007).
Os solos agrícolas podem atuar como dreno ou fonte de gases de efeito
estufa (GEE), dependendo do sistema de manejo a que forem submetidos (IPCC,
2001). Sistemas de manejo que aumentem a adição de resíduos vegetais e a
retenção de carbono (C) no solo se constituem em alternativas importantes para
aumentar a capacidade de dreno de C-CO2 atmosférico e mitigação do aquecimento
global. Práticas agrícolas como aração e gradagem intensificam os processos
microbianos no solo e fazem com que o C do solo volte para a atmosfera na forma
de CO2. Já o PD associado à rotação de culturas com alto aporte de resíduos, pode
ser uma alternativa para reduzir a emissão de CO2 para a atmosfera e aumentar os
estoques de Calcio no solo (SÁ et al., 2001).
Sendo a agropecuária uma das responsáveis pela emissão de gases
poluentes que provocam o aquecimento global, caberá a esta a responsabilidade de
encontrar soluções para os problemas ligados ao setor agrícola e buscar alternativas
para que possam minimizar esses danos. Como a agricultura é totalmente
dependente do clima se nada for feito, em pouco tempo, haverá uma grave crise
mundial provocada pela falta de água potável e de alimentos.
A agricultura é uma atividade altamente dependente de fatores climáticos, tais
como temperatura, pluviosidade, umidade do solo e radiação solar (LIMA, 2002). Os
impactos do aquecimento global poderão ter amplos reflexos no meio ambiente.
Além dos efeitos diretos da elevação da temperatura sobre os organismos, o
aquecimento global poderá também afetar os padrões regionais de precipitação e de
evapotranspiração, o que terá repercussão em todo regime hidrológico, biológico e
agrícola, comprometendo o funcionamento dos ecossistemas e agroecossistemas
pela alteração na oferta de serviços ambientais como disponibilidade de água,
fertilidade e conservação do solo, biodiversidade, entre outros. Além disso, poderá
ocorrer diminuição da produção de alimentos pela redução da produtividade das
culturas, maior incidência de pragas e doenças e redução das áreas propícias para
plantio (FERNANDES & FERNANDES, 2008).
Hilton Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas
Aplicadas à Agricultura (Cepagri) pesquisou cenários que levam em conta a
elevação da temperatura média no Brasil em 1,3 e 5,8 °C até o final deste século, o
impacto das mudanças sobre cinco das principais culturas agrícolas do País: arroz,
feijão, milho, soja e café, (tabela 1) as condições de solo nas maiores regiões
produtoras e aumentos de 5%, 10% e 15% nos índices médios de precipitação
pluviométrica. O estudo contemplou uma possibilidade de acerto de 80% e os
resultados obtidos encontram-se na Tabela 1 (VEIGA FILHO, 2007).
Tabela 1. Perdas estimadas de produção das principais culturas do país em função
do aumento da temperatura mundial média.
Fonte: Veiga Filho (2007).
O mesmo pesquisador afirmou ainda: “O aumento da temperatura afeta as
culturas
mais
sensíveis,
causando
perda
de
água
por
aumento
da
“evapotranspiração”, conseqüentemente, a redução da fotossíntese, diminuição da
capacidade reprodutiva e baixa produtividade. Quando a temperatura supera 34°C
por períodos prolongados, ocorre o abortamento das flores.” Nas lavouras de café,
as mais analisadas pelos pesquisadores do Cepagri e da Embrapa, os efeitos da
elevação da temperatura já são observados em São Paulo, na região Noroeste,
antiga fronteira de expansão do café, que passa a abrigar seringais em escala
crescente (PINTO apud por VEIGA FILHO, 2007).
Segundo Pinto et al., (2002), considerando o cenário de aumento das
temperaturas, pode-se admitir que, nas regiões climaticamente limítrofes àquelas de
delimitação de cultivo adequado de plantas agrícolas, a anomalia positiva que venha
a ocorrer será desfavorável ao desenvolvimento vegetal. Quanto maior a anomalia,
menos apta se tornará a região, até o limite máximo de tolerância biológica ao calor.
Por outro lado, outras culturas mais resistentes a altas temperaturas,
provavelmente serão beneficiadas, até o seu limite próprio de tolerância ao estresse
térmico. No caso de baixas temperaturas, regiões que atualmente sejam limitantes
ao desenvolvimento de culturas susceptíveis a geadas, com o aumento do nível
térmico devido ao aquecimento global passarão a exibir condições favoráveis ao
desenvolvimento da planta (VEIGA FILHO, 2007).
Na Tabela 2 observa-se que o potencial atual de cultivo econômico de café
arábica no estado de São Paulo corresponde a uma área de 97.848 Km2, ou seja,
39,4% da área do estado. No caso extremo considerado pelo IPCC, de 5,8º C de
aumento da temperatura e 15% de chuvas, a área apta fica sendo de apenas 2.738
Km2, ou 1,1% do estado (Pinto et al., 2002).
Tabela 2. Áreas, em Km2 e porcentagem, disponíveis ao plantio de café no estado
de São Paulo com condições climáticas distintas, atuais e simuladas para 15% de
aumento das chuvas e de 1º C, 3º C e 5,8º C na temperatura.
Fonte: adaptada de Pinto et al. (2002).
Com base em dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), é
possível estimar as perdas econômicas como conseqüência do “efeito estufa”,
provocado pelo aquecimento global. Das safras de 2004 e 2005, o valor bruto da
produção das culturas analisadas caiu de R$ 73,8 bilhões para R$ 52,9 bilhões,
acumulando uma perda significativa de R$20,8 bilhões, apenas nas duas últimas
safras (PINTO apud VEIGA FILHO, 2007).
No cenário estudado por Hilton Pinto com perdas de produtividade média de
27%, na soma das culturas estudadas (arroz, feijão, soja, milho e café), haveria
prejuízos da ordem de R$ 24 bilhões/ano, em valores de 2006 e, por ironia, quanto
mais elevada a cotação daqueles produtos, maior será a perda para os agricultores.
O que oferece a chance de potencializar os ganhos num cenário de maior
preservação da natureza (VEIGA FILHO, 2007).
Siqueira et al., (2001) relataram que simulações mostram um aumento na
temperatura média do ar entre 3 a 5 º C e um aumento de cerca de 11% na
precipitação média para a região Centro-Sul ao longo do ano 2050. Este cenário
poderia causar uma redução de 30 e 16% das produções de trigo e milho,
respectivamente, e um aumento de cerca de 21% na produção de soja. Os principais
problemas decorrentes de chuvas adicionais estão relacionados a maior solo mais
elevados riscos de erosão hídrica.
A pecuária também será afetada pelo aquecimento do planeta, pois é tão ou
mais sensível do que a agricultura. Os pesquisadores alertam para os riscos de
redução na produção de leite, incremento das taxas de aborto e redução de
prenhes. No caso dos suínos, espera-se um aumento na taxa de mortalidade
durante a gestação e no nascimento dos leitões. Para as aves, prevê-se queda na
produção e o aumento de postura de ovos sem casca, afetando a oferta de animais
para reprodução e abate. Todos esses fatores indicam mais trabalho para os
especialistas em conforto animal (VEIGA FILHO, 2007).
AQUECIMENTO GLOBAL E O EFEITO ESTUFA:
Sabemos que boa parte da contribuição humana para o aquecimento global
advém da emissão de gases estufa para a atmosfera. Desde que se instaurou a era
industrial, a emissão de CO2, CH4 e demais cresceu exponencialmente (Figura 9).
Por isso muito dos esforços da nações vem sendo no sentido de reduzir a emissão
desses gases (QUEIROS, 2006).
Figura 9. Concentração global de CO2, CH4 e N2O na atmosfera ao longo do tempo
(Fonte: QUEIROS, 2006)
Os
gases
responsáveis
pelo
efeito
estufa,
como
vapor
de
água,
clorofluorcarbono (CFC), ozônio (O3), metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e o dióxido
de carbono (CO2), absorvem uma parte da radiação infravermelha emitida pela
superfície da Terra e irradiam, por sua vez, uma parte da energia de volta para a
superfície (Figura 10). Como resultado, a superfície recebe quase o dobro de
energia da atmosfera em comparação com a energia recebida do Sol, resultando em
um aquecimento da superfície terrestre em torno de 30°C. Sem esse aquecimento,
a vida, como a conhecemos, não poderia existir (SILVA & PAULA, 2009)
Figura 10 – Esquema do efeito estufa na Terra (Fonte: adaptado de Efeito Estufa,
U.S. Global Change Research Program)
Os principais gases antropogênicos causadores do fenômeno do aquecimento
global são os seguintes:




Dióxido de Carbono (CO2),
A tabela 3 sintetiza, para os principais gases causadores do efeito estufa, a
evolução de seus níveis de concentração, desencadeados pela aumento da
atividade industrial.
Tabela 3 - Índices de Concentração de Gases de Efeito Estufa.
CO2
CH4
CFC-11
N2O
PRÉ-INDUSTRIAL 1750-1800
280 ppmv
0,8
0
288 ppbv
Nível Atual
353 ppmv
1,72
280 pptv
310 ppbv
ppmv
Taxa atual de crescimento
0,50%
0,90%
4%
0,25%
Vida média na atmosfera (anos)
50-200
10
65
150
(ppmv= partes por milhão por volume, ppbv= partes por bilhão por volume; pptv=
partes por trilhão por volume). Fonte: UNEP, 1997
O gás que tem maior conseqüência individual na geração do aquecimento
global é o vapor d'água troposférico, mas sua concentração atmosférica depende
menos de atividades antropogênica, cabendo a fontes naturais (evapotranspiração,
vulcões, etc.) sua contribuição mais significativa (SILVA & PAULA, 2009).
O volume das emissões é apenas um indicador quantitativo da presença dos
gases na atmosfera, pois a contribuição efetiva de cada substância ao aquecimento
global deve ser ponderada pelo peso molecular e pelo tempo de permanência médio
na atmosfera e pelo efeito de aquecimento cumulativo de cada gás. A ponderação
de todos estes fatores vai fornecer o Poder de Aquecimento Global – Global
Warming Potential (GWP)-, calculado pelo IPCC (CARDOSO et al., 2001).
Este índice foi criado de forma a instrumentar a esfera de tomada de decisão
quanto ao efeito relativo dos gases causadores do aquecimento global entre o
presente e um outro intervalo de tempo escolhido (IPCC, 2005).
Os gases de efeito estufa exercem um forçamento radiativo de forma direta e
de forma indireta. A forma direta ocorre quando o próprio gás é um gás de efeito
estufa, ou seja, a seção de choque da molécula do gás interage fortemente com a
radiação térmica. A forma indireta de forçamento radiativo ocorre quando há
transformações químicas no gás original que produz um outro gás ou gases que
apresentam propriedades de alta interação com a faixa térmica de radiação do
espectro eletromagnético (CARDOSO et al., 2001).
Grande parte do aquecimento observado durante os últimos 50 anos se deve
a um aumento nas concentrações de gases-estufa de origem antropogênica. Em um
período de 100 anos houve um aumento médio da temperatura global dos
continentes de 0,85°C, da temperatura global do oceano de 0,55°C e da temperatura
global da Terra de 0,7°C (Figura 11) (IPCC 2007).
Figura 11 – Comparação das mudanças observadas na temperatura da superfície
em escalas continental e global (Fonte: IPCC 2007).
Modelos matemáticos climáticos projetam que as temperaturas globais de
superfície provavelmente aumentarão no intervalo entre 1,1 e 6,4°C, e o nível médio
das águas do mar subirá entre 9 a 88 cm entre 1990 e 2100 (Figura 12) (IPCC
2007). O aumento do nível do mar trará impactos ambientais e sócioeconômicos
significativos: risco de submersão de ilhas planas (como o arquipélago da Indonésia,
que poderá perder até 2 mil de suas 17,5 mil ilhas), portos e terrenos agrícolas;
salinização das águas potáveis superficiais e subterrâneas; mudanças em padrões
de precipitação, resultando em enchentes e secas, podendo acelerar o fenômeno
de desertificação; poderá haver também um ligeiro aumento de amplitude
do
fenômeno El Niño, o qual acarreta estiagem na Amazônia (Lefale 2002).
Figura 12 – Mudanças observadas na (a) temperatura média global da superfície,
(b) média global da elevação do nível do mar a partir de dados de marégrafo (azul) e
satélite (vermelho) e (c) cobertura de neve do Hemisfério Norte para março-abril.
(Fonte: IPCC 2007)
Com base em 2,5 anos de levantamento de dados por meio de satélites com
sensores gravimétricos, detectou- se que as geleiras da Groenlândia, a segunda
maior fonte de água doce do planeta, estão derretendo cerca de 1,8 mm por ano,
três vezes mais rápido do que foi observado nos últimos 5 anos (PETIT et al. 1999,
CHEN et al., 2006, DOWDESWELL,l 2006). Pelas projeções de aquecimento médio
global, até 2100, grande parte do gelo da Groenlândia terá derretido, resultando em
uma elevação do nível do mar de 3 a 4 m (OVERPECK et al., 2006).
O derretimento dos lagos congelados da Sibéria Ocidental, congelados na
última glaciação no final do Pleistoceno Superior, há 11.000 anos, e considerados
como a maior turfeira do mundo, com cerca de 25% do CH4 do planeta, está
auxiliando a liberação de 10 g.m-2/dia de CH4 para atmosfera (Walter et al., 2006).
Desde sua origem, há aproximadamente 4,55 bilhões de anos, o planeta
Terra está em constante desenvolvimento, tendo passado por inúmeras alterações
climáticas. Algumas dessas mudanças foram tão drásticas que diversos organismos
vivos não foram capazes de se adaptar e foram extintos, como mostram os
abundantes registros fósseis. Nesse processo de desenvolvimento natural existem
ciclos de aquecimento global devido à atuação combinada dos fatores internos: as
massas continentais, por exemplo, em função do tectonismo de placas, estão em
constante movimento, e as mudanças de latitude e longitude afetam o clima nas
mesmas (SILVA & PAULA, 2009).
Durante 345 milhões de anos da Era Paleozóica (570 milhões a 225 milhões
de anos atrás) a temperatura média da Terra era superior à atual, que é de 15ºC.
Desde cerca de 300 milhões de anos atrás foram descobertas assembléias
fossilíferas de vegetais representativos de climas quentes e úmidos em diversas
partes da Terra (SUGUIO, 2008).
Durante cerca de 80 a 90% da Era Paleozóica as regiões polares da Terra
não se apresentaram recobertas de geleiras, mas entre os períodos SilurianoOrdoviciano (500 milhões a 430 milhões de anos) ocorreram glaciações não muito
intensas. Além disso, entre os períodos Permiano e Carbonífero (345 milhões a 280
milhões de anos atrás) ocorreu uma glaciação mais intensa. Durante essas
glaciações, as geleiras, especialmente as que recobriram grandes áreas do
Supercontinente Gondwana, estenderam-se por até 10 milhões de quilômetros
quadrados e as espessuras variaram de 2.000 a 3.000 m. Evidências desses
acontecimentos de glaciações permocarboníferas do Supercontinente Gondwana
são representadas no Parque do Varvito de Itu. O varvito é uma rocha sedimentar
depositada em fundo de lago formado por água de degelo acumulada em depressão
do terreno (SILVA & PAULA, 2009).
Durante a Era Mesozóica, que durou cerca de 160 milhões de anos (225
milhões a 65 milhões de anos), a temperatura média da Terra atingiu 30 a 33ºC e,
mesmo nas regiões polares, as temperaturas eram variáveis entre 8 a 10ºC
(SUGUIO, 2008).
Houve um grande aquecimento global no final da Era Mesozóica durante o
Cretáceo (entre 145 e 65 milhões de anos atrás). Neste período, os níveis de CO2
atingiram valores quatro vezes maiores que os níveis do final da Revolução
Industrial, com temperaturas médias anuais superiores a 38ºC nos trópicos e
maiores do que 10ºC nos pólos, e a insolação estava entre 3 e 6% superior a atual
devido à menor concentração de material particulado na atmosfera, produzindo
assim número menor de nuvens (KUMP & POLLARD, 2008).
A Era Cenozóica, que perdura há 65 milhões de anos, exibia no início clima
quente como nos primeiros tempos da Era Mesozóica. Porém no fim do Período
Terciário (há 2 a 3 milhões de anos), iniciaram-se as glaciações quaternárias. As
paleotemperaturas da época apresentaram mudanças variáveis, temporal e
espacialmente, estabelecendo-se diferenças de menos de 1ºC em 100 anos e mais
de 10ºC em centenas de milhares de anos nas temperaturas médias (SUGUIO,
2008).
Nos últimos 6 mil anos a temperatura média subiu 2º a 3ºC. Durante o último
milênio houve grandes variações de temperatura. Entre os séculos IX e XII houve o
Período Quente Medieval, com temperaturas mais altas que as atuais, e a “Pequena
Idade do Gelo”, entre os séculos XVII e XIX, mais fria e da qual o aquecimento
registrado no século XX parece não ser mais que uma recuperação (BRIFFA 2000,
JONES et al., 2001, MANN et al., 2003).
Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento da
concentração de poluentes antropogênicos na atmosfera é a causa principal do
efeito estufa, consequentemente do aquecimento global. Independente de sua
causa, o efeito estufa antrópico ou a recuperação natural do clima após três séculos
(séculos XVII a XIX) de baixas temperaturas durante o período da “Pequena Idade
do Gelo” tem ocasionado efeitos devastadores nos ecossistemas.
PROTOCOLO DE KYOTO:
O Protocolo de Kyoto, acordado em 1997, reuniu 41 países num consenso
ético de responsabilidade sobre o futuro do planeta. (QUEIROS, 2006).
O principal objetivo é que ocorra a diminuição da temperatura global nos
próximos anos. Infelizmente os Estados Unidos, país que mais emite poluentes no
mundo, não aceitou o acordo, pois afirmou que ele prejudicaria o desenvolvimento
industrial do país.
Começou a vigorar em 2005 e a maior parte de suas ações são em função de
reduzir a emissão de gases estufa para a atmosfera. Criou-se, a partir dele, o
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que consiste na comercialização
de “Créditos de Carbono”, comprados por nações que provisoriamente não
reduziriam as emissões como, acertado no Protocolo. Mas a grande dificuldade do
Protocolo é o fato dele levar a restrições de caráter econômico, que justificaram à
não adesão do maior emissor mundial de gases estufa, os EUA (QUEIROS, 2006).
O Brasil foi o primeiro país a aprovar um projeto no Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL), uma alternativa criada pelo Protocolo de Kyoto que
prevê ações para a contenção das emissões dos gases causadores do efeito estufa.
Apesar disso, vem perdendo posições no ranking internacional do mercado de
créditos de carbono. Países como China e Índia já superam o país em número de
projetos aprovados. Os dados são do Banco Mundial (Bird) e foram divulgados no
seminário internacional "Mercado de Reduções de Emissões", promovido pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em março (VIEIRA et al., 2007).
O Brasil tem 88 projetos registrados e 118 aprovados na Convenção-Quadro
das Nações Unidas para Mudanças Climáticas. A Índia tem 169 projetos registrados.
No ano passado, o mercado mundial de créditos de carbono movimentou cerca de 3
bilhões de dólares e há expectativas de que esses valores subam muito (VIEIRA et
al., 2007).
Uma das razões pelas quais o Brasil perdeu a liderança na comercialização é
a burocracia do governo para chancelar os projetos cadastrados que, após essa
etapa precisam ser aprovados pelo MDL. Segundo levantamento da Associação
Internacional de Comércio de Emissões (IETA), o país tem o prazo mais lento entre
os emergentes analisados. Enquanto um empreendimento no México leva em média
45 dias para obter a aprovação, no Brasil o prazo vai de dois a seis meses (VIEIRA
et al., 2007).
Não há dúvidas sobre as razões pelas quais indianos e chineses se tornaram
os líderes mundiais de crédito de carbono, uma vez que as economias dos dois
países crescem a taxas espantosas e suas matrizes energéticas são baseadas em
carvão mineral. O que quer dizer que o potencial de redução de emissões de gases
de efeito estufa nesses dois países é infinitamente maior do que o do Brasil, que
consome energia hidrelétrica, essencialmente limpa.
DO QUE SE TRATA O PROTOCOLO DE KYOTO:

Compromete a uma série de nações industrializadas a reduzir suas emissões
em 5,2% - em relação aos níveis de 1990 – para o período de 2008- 2012.

Estabelece 3 “mecanismos de flexibilidade” que permitem à esses países
cumprir com as exigências de redução de emissões, fora de seus territórios.

Especifica que as atividades compreendidas nos mecanismos devem ser
desenvolvidas
adicionalmente
às
ações
realizadas
pelos
países
industrializados dentro de seus próprios territórios. Entretanto, os Estados
Unidos, como outros países, tentam, à todo custo, evitar limites sobre o uso
que podem fazer desses mecanismos.

Permite aos países ricos medir o valor líquido de suas emissões, ou seja,
contabilizar
as
reduções
de
carbono
vinculadas
às
atividades
de
desmatamento e reflorestamento. Atualmente existe um grande debate em
relação à essas definições. Há outra cláusula que permitiria incluir “outras
atividades” entre os sorvedouros de carbono, algumas delas, como a fixação
de carbono no solo, são motivo de preocupação especial. Determina que é
essencial criar um mecanismo que garanta o cumprimento do Protocolo de
Kyoto.
OS PROJETOS DE MDL E O CREDITO DE CARBONO:
Para serem validados, existem basicamente duas modalidades de projetos de MDL
considerados elegíveis perante as regras do Protocolo de Kyoto:
a) Projetos Florestais
As atividades que visam à remoção de CO2 da atmosfera e estão
relacionados ao uso da terra, referem-se aos projetos florestais. As áreas elegíveis,
á luz do Protocolo de Kyoto, para florestamento e reflorestamento devem comprovar
que não apresentavam cobertura florestal até o ano-referência de 1989 (BERTUCCI,
2006).
O tempo de duração de um projeto desta natureza é definido por um prazo
máximo de 30 anos ou de 20 anos, havendo a possibilidade para mais duas
renovações por igual período, podendo atingir até 60 anos, dependendo do tipo de
floresta e dos ciclos de plantio e colheita (UNIQIMICA, 2006).
b) Projetos Não-Florestais
São projetos cujas atividades objetivam a redução da emissão de gases do
efeito estufa. Para esta modalidade, o Protocolo relaciona os setores e as categorias
para potenciais projetos de MDL (BRASIL, 2006):
- Setor de energia: queima de combustível (setor energético, indústria de
transformação
e
construção,
transporte,
outros)
e
emissões
fugitivas
de
combustíveis (combustíveis sólidos, petróleo e gás natural, outros);
- Setor de processos: industriais (mineradoras, químicas, de metais, produção e
consumo de halocarbonos e hexafluereto de enxofre);
- Setor agrícola: fermentação entérica, cultivo de arroz, manejo do solo, queimadas e
queima de resíduos agrícolas e outros;
- Setor de resíduos: disposição em aterros, tratamento de esgoto, incineração de
resíduos, outros.
Entre os projetos não-florestais de redução, Bertucci (2006) exemplifica os
projetos de substituição de combustíveis, fontes alternativas de eletricidade, aterros
sanitários e cogeração por biomassa, por uso de fontes e combustíveis renováveis,
a partir de resíduos industriais e animais além de projetos que objetivem o aumento
de eficiência energética de matrizes poluidoras.
Para a emissão dos RCEs os projetos deverão ser validados, implementados,
verificados e certificados. A condição para a manutenção dos RCEs é o
acompanhamento
das
emissões,
realizado
anualmente
por uma
Entidade
Operacional Designada (EOD) credenciada pelo Comitê Executivo da ONU Executive Board – EB. As negociações das RCEs ocorrem através de mecanismos
centralizados com organizações de bolsas de mercadorias e de futuros, semelhante
as negociações tradicionais para commodities agrícolas, de energia e financeiro.
Atualmente, os créditos de carbono estão sendo comercializados pela European
Climate Exchange e Chicago Climate Exchange. A perspectiva, segundo Esparta, é
a comercialização de US$ 10 bilhões em créditos de carbono ao ano, entre 2008 e
2012, sendo o Brasil responsável por 10% dessas vendas (BASSETTO et al., 2006).
Em todo o mundo, existem 244 projetos aprovados segundo os critérios do
Protocolo de Kyoto. Desses projetos, 74 são brasileiros, 54 indianos e 14 chineses.
Os 74 projetos brasileiros já aprovados acumulam um total de créditos de 130
milhões de toneladas de CO2, nos cálculos da Comissão Interministerial de
Mudança Global do Clima (PEREIRA, 2003).
O Brasil não tem obrigação de redução das emissões, neste primeiro período
de compromisso que compreende os anos de 2008 a 2012, mas tem potencial para
implantação de projetos de MDL. No entanto, necessita de investimentos que
poderão ser oriundos dos países desenvolvidos, signatários ao Protocolo, e que
possuem o compromisso com a redução dos GEEs (BASSETTO et al., 2006).
O primeiro projeto de MDL aprovado pela ONU foi o Nova Gerar, um aterro
sanitário, em Nova Iguaçu (RJ), que usa o gás metano liberado na decomposição do
lixo para produzir energia elétrica (PEREIRA, 2003). Há estimativas de reduções das
emissões na ordem de 30 milhões de toneladas, podendo representar no mercado
de crédito de carbono um valor de US$ 150 milhões, para os projetos de Nova
Iguaçu (RJ) e de Salvador (BA), ambos relacionados a aterro (GAZZONI, 2006).
PROJETO NOVAGERAR E O MDL NO BRASIL:
Exemplo de parceria para investimentos em projetos de MDL no Brasil é a
NovaGerar, que se constitui de uma joint venture entre a EcoSecurities, empresa
financeira inglesa especializada em projetos de MDL e créditos de carbono e, a S.A.
Paulista que atua no segmento de construção e gerencia a maior estação de
transferência do lixo doméstico da América do Sul (FERNANDEZ, 2004).
O projeto que tem por título “Projeto NovaGerar de conversão de gases de
aterro em energia dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)”,
supracitado, foi um dos primeiros a ser elaborado e o primeiro validado dentro dos
moldes do MDL. Originou-se em 2001 e adaptou-se às metodologias do Project
Design Document – PDD, sendo enviado para o Executive Board da ONU,
responsável pelos assuntos de mudanças climáticas (UNFCCC). Recebeu a carta de
aprovação do governo brasileiro em julho de 2004, reconhecendo o projeto como
contribuidor para o desenvolvimento sustentável do país. A carta é um dos
documentos necessários para o registro no Executive Board, órgão máximo da
ONU. Em setembro de 2004, foi o primeiro projeto brasileiro e um dos primeiros no
mundo a receber o registro pelo referido órgão (BASSETTO et al., 2006).
O projeto contempla o Aterro Sanitário de Adrianópolis e o Lixão de
Marambaia, situados no município de Nova Iguaçu, RJ. O biogás gerado em aterros
é rico em metano (aproximadamente 50%) que, segundo estudos do Painel
Científico para Mudanças Climáticas - IPCC da ONU, tem um potencial de
aquecimento 21 vezes maior que o gás carbônico (FERNANDEZ, 2004).
O NovaGerar tem como objetivo a redução da emissão do metano, um dos
gases do efeito estufa o qual recebe um tratamento, para que não se misture ao
oxigênio e torne-se um biogás. A canalização do biogás constitui-se de fonte
renovável de matéria-prima na geração de energia (BASSETTO et al., 2006).
Segundo o Projeto NovaGerar outros benefícios agregarão o desenvolvimento
sustentável, tais como (FERNANDEZ, 2004):
- Construção do Aterro Sanitário de Adrianópolis e Recuperação do Lixão de
Marambaia, resultando em recuperação paisagística, recolhimento e tratamento do
chorume, entre outras;
- Geração de emprego e renda na região, alcançado pela instalação de uma nova
central de disposição resíduos;
- Geração de eletricidade a partir de uma fonte renovável;
- Transferência de tecnologia britânica na geração de energia a partir do biogás, até
então ignorada no Brasil;
- Aporte de capital externo pelos compradores das RCEs;
- Pioneirismo e Fonte de Motivação: primeiro projeto aprovado de geração de
energia em aterro sanitário, encorajando outros locais na busca de melhor
aproveitamento de seus recursos.
A CAMADA DE OZÔNIO
Conta Scapin (1995) que há muito tempo atrás, as geladeiras usavam um gás
venenoso para retirar calor. O gás era a amônia e tornava a refrigeração perigosa.
As geladeiras ainda funcionam retirando calor. Os químicos inventaram um novo gás
que se comportava como a amônia, mas não era perigoso. Esse gás é o
clorofluocarboneto, que era inerte. Inerte significa que não reage com nenhuma
substância. Parecia perfeito. Porém, na década de 1970, os cientistas descobriram
que se você adiciona energia solar a uma molécula de CFC, ela se divide. Nessa
época o CFC era usado em sprays e em espuma plástica. As pessoas pararam de
consumir os sprays com o CFC. Mas não pararam de usá-lo em geladeiras e ar
condicionados. Esse é o problema.
O ozônio é composto de átomos de oxigênio. A molécula de oxigênio que se
respira é composta de 2 átomos de oxigênio. É representado como O2. O ozônio é
composto de 3 átomos de oxigênio e é representado O3. Não é muito estável e pode
se quebrar em O2 e O (oxigênio atômico) muito facilmente. Há muito ozônio nas
camadas altas de nossa atmosfera. O ozônio possui o tamanho e o formato exatos
para absorver a energia do Sol, na faixa de ultravioleta, danosa à vida.
O ozônio forma uma camada que absorve os raios ultravioleta do Sol. Essa
camada protege a Terra. O clorofluocarboneto e outros produtos químicos sobem
até a estratosfera, que é o local da atmosfera onde está a camada de ozônio.
Quando a luz solar de alta energia atinge uma molécula de CFC, ela se quebra e
produz um ou mais átomos de cloro, dependendo do tipo da molécula de CFC. O
átomo de cloro atinge uma molécula de ozônio. Através de reações químicas
heterogêneas, o ozônio se transforme em oxigênio molecular. O oxigênio não possui
nem o tamanho nem a forma exatos para absorver a radiação solar que é perigosa
(DESSLER, 2000).
Segundo Dessler (2000), o ozônio é uma substância química natural da
atmosfera terrestre. É um gás que se forma de 3 átomos de oxigênio atômico. Seu
símbolo é O3. A camada de ozônio é uma região da atmosfera terrestre, em torno de
20 a 30 km de altura, onde a concentração do gás ozônio é maior. A camada de
ozônio tem importância fundamental para a vida no planeta Terra. É ela que absorve
a radiação UV-B do Sol, e assim não permite que esta radiação, prejudicial à vida,
chegue até a superfície da Terra. Radiação solar, em geral, é a energia que vem do
Sol. Esta energia é distribuída em vários comprimentos de onda: desde o
infravermelho até o ultra-violeta (UV), passando pelo visível, onde a energia é
máxima.
Na parte do UV, existe o UV-C, que é totalmente absorvido na atmosfera
terrestre; o UV-A, que não é absorvido pela atmosfera; e o UV-B, que é absorvido
pela camada de ozônio. A radiação UV-B do Sol é responsável por inúmeras
seqüelas nos seres vivos.
Segundo Kirchhoff (2004), o dia 16 de setembro foi designado como "Dia
Internacional do Ozônio", um dia que deveria servir de meditação para todos porque
representa uma enorme conquista recente da Humanidade civilizada. Trata-se de
um acontecimento que poderia (e poderá ainda) trazer conseqüências desastrosas
para os seres vivos, que é o aumento da radiação ultravioleta pela destruição da
camada de ozônio. O Homem moderno criou substâncias artificiais que destroem a
camada de ozônio, mas uma vez identificado o problema, a sociedade, através de
seus governos, soube sentar à mesa de negociação e dar início ao saneamento do
problema.
Conceito e Características da Camada de Ozônio
De acordo com Salgado (2000), a camada de ozônio situa-se numa faixa de
10 a 35 km da estratosfera - a parte da atmosfera que vai de 10 a 50 km. O oxigênio
absorve a radiação ultravioleta UV-C, formando o ozônio, que por sua vez absorve a
radiação ultravioleta UV-B. Foi graças a esta capa protetora que a vida pôde evoluir
em nosso planeta. Diminuindo a intensidade da chegada dos raios UV à superfície, o
ozônio evita conseqüências graves da radiação UV tais como feridas na pele, câncer
e mutações degenerativas. Ele funciona como um agente do sistema imunológico do
planeta. Sua ausência deixa todos expostos, indefesos ante os efeitos dos raios
ultravioleta. A camada de ozônio, então, é uma "capa" desse gás que envolve a terra
e a protege da radiação ultravioleta que é a principal causadora de câncer de pele.
A camada de ozônio serve como uma proteção contra os raios ultravioleta
(ondas semelhantes às ondas luminosas, que estão acima do extremo violeta do
espectro da luz visível. As ondas prejudiciais dos raios ultravioletas são as mais
curtas). Hoje, sabe-se que ela pode ser destruída por substâncias como os
clorofluorcarbonos (CFC), usados em aerossóis, geladeiras e aparelhos de
arcondicionado.
A principal conseqüência da destruição da camada de ozônio, segundo o site
Ecologia (2006), será o grande aumento da incidência de câncer de pele, já que os
raios ultravioletas são mutagênicos. A maior preocupação dos cientistas está
relacionada com o câncer de pele, cuja incidência vem aumentando nos últimos
vinte anos. Cada vez mais é importante evitar as horas em que o Sol está mais forte
e a utilização de filtros solares, única maneira de se prevenir e de se proteger a pele.
Segundo Dessler (2000), na atmosfera, a presença da radiação ultravioleta
desencadeia um processo natural que leva à contínua formação e fragmentação do
ozônio. A quebra dos gases CFCs é danosa ao processo natural de formação do
ozônio. Quando um desses gases se fragmenta, pelo menos um átomo de cloro é
liberado e reage com o ozônio; podem ser liberados mais átomos de cloro,
dependendo do tamanho da molécula de CFC. O resultado é a formação de uma
molécula de oxigênio e de uma molécula de monóxido de cloro. Mais tarde, depois
de uma série de reações químicas heterogêneas, o átomo de cloro inicial será
liberado e voltará a novamente desencadear a destruição de outras moléculas de
ozônio.
A destruição da Camada de Ozônio
Um número considerável de publicações mostra que o conteúdo total de
ozônio na atmosfera vem diminuindo ao longo das últimas décadas (SOLOMON,
1999). Além disto, no Continente Antártico detecta-se uma considerável diminuição
do conteúdo total de ozônio durante os períodos de primaveras. Esta diminuição é
conhecida como “Buraco na Camada de Ozônio”, sendo sazonal e manifestando-se
do início da primavera austral até novembro decada ano, limitando-se à Antártica e
regiões circunvizinhas (FARMAN et al., 1985; STOLARSKI et al., 1986). Por
convenção, define-se a aparição do “Buraco” e a extensão de sua área geográfica
quando o conteúdo total da coluna de ozônio é menor ou igual a 220 UD (Unidade
Dobson: 1 UD = 2,69.1019 moléculas/cm2 em condições de temperatura 0 °C e
pressão 1 atm).
Efeitos secundários do “Buraco de Ozônio Antártico” já foram observados em
latitudes tropicais, como por exemplo a 30°S em 1993, na região sul do Brasil
(Kirchhoff et al., 1996). Neste caso, a perturbação no ozônio total foi causada pela
injeção de massa de ar pobre em ozônio proveniente diretamente da região
antártica, provocando uma redução temporária na coluna total de ozônio da região.
A expansão da região de abrangência do “Buraco” também foi observada
sobre o extremo sul do continente sul-americano (CASICCIA et al., 1995). Ou seja, o
fenômeno da redução de ozônio sobre a Antártica já está atingindo regiões
povoadas.
Quando os cientistas perceberam, nos anos 80, que produtos químicos
lançados pelo homem na atmosfera vinham corroendo a camada de ozônio,
governos de todo o mundo firmaram o Protocolo de Montreal, proibindo a produção
dos gases artificiais, como os CFCs, que agridem o ozônio (WMO, 1999).
Apesar do Protocolo, o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida
continua abrindo todo o ano. Na verdade, em 2005 o buraco da Antártida atingiu as
proporções máximas, cobrindo uma área de 24 milhões de km2. Mas, enquanto
ozônio sobre a Antártida continua a sofrer, no resto do planeta a situação parece
caminhar para uma solução. Nos últimos 9 anos, o volume de ozônio vem se
mantendo constante, interrompendo o declínio registrado nos anos 80. Os cientistas
descobriram que, na alta estratosfera (acima de 18 km de altitude) a recuperação do
ozônio pode ser totalmente explicada pela restrição aos CFCs. Mas, na baixa
estratosfera (de 10 km a 18 km) o ozônio recupera-se num ritmo melhor do que o
previsto apenas pelo efeito da proibição dos gases danosos. Os cientistas supõem
que essa boa surpresa seja fruto do regime de ventos (O ESTADO DE SÃO PAULO,
2006).
Segundo Roloff e Tupinambá (2003), o buraco de ozônio sobre a Antártida
cresceu mais que o esperado, cobrindo uma área três vezes maior que a do território
brasileiro, registrado pela OMM (Organização Meteorológica Mundial). O recorde
absoluto foi registrado em setembro de 2000, quando ele chegou a 29,78 milhões de
quilômetros quadrados.
Explica Kirchhoff (2004) que o buraco na camada de ozônio é um fenômeno
que só acontece na Antártica, isto é, na região do Pólo Sul. É um fenômeno cíclico.
É uma destruição violenta de ozônio na atmosfera, durante a primavera de cada
ano, quando mais da metade da camada é destruída. Nestas ocasiões, a radiação
UV-B aumenta muito. É um fato, registrado por medidas em vários locais do mundo,
que a camada de ozônio está diminuindo numa taxa média anual de 4% por década.
Como a camada é o único filtro natural protetor contra a radiação UV-B, esta
radiação deve aumentar nos próximos anos. A radiação UV-B está sendo
monitorada em todo o mundo, inclusive no Brasil pelo INPE e UFSM. Ainda não há
evidências concretas mostrando um aumento do UV-B nos últimos anos. Mas tudo
leva a crer, teoricamente, de que a radiação UV-B deverá aumentar nos próximos
anos.
O autor assegura que não é perigoso ficar no Sol, a não ser quando a
exposição é exagerada. Existem hoje meios de se determinar para cada paciente, o
tempo que pode ficar exposto ao Sol sem se queimar, e sem o risco de ter câncer de
pele no futuro. É perfeitamente possível ficar mais tempo no Sol, com alguns
cuidados que protegerão adequadamente, como o uso do guarda-sol, de chapéu,
camiseta, óculos, etc. No entanto, a maneira tecnologicamente mais correta de se
proteger do Sol nos dias de hoje é através do uso de protetores solares químicos,
disponíveis no mercado, e produzidos por empresas competentes. Devem-se passar
estes filtros solares mais de uma vez durante a exposição ao Sol. Os filtros solares
normalmente vêm com uma indicação numérica, bem visível, estampada no frasco,
por exemplo, 15. Este é o chamado fator de proteção.
A radiação UV-B do Sol e as Seqüelas nos Seres Vivos
Conforme Scapin (1995), a Terra é envolvida por uma frágil camada de
ozônio que protege animais, plantas e seres humanos dos raios ultravioleta emitidos
pelo Sol. Na superfície, o gás ozônio (O3) contribui para agravar a poluição do ar
das cidades e a chuva ácida. Mas, nas alturas da estratosfera (entre 15 e 50 km
acima da superfície), o ozônio é um filtro a favor da vida. Sem ele, os raios
ultravioleta poderiam aniquilar todas as formas de vida no planeta. Alerta o autor que
a radiação perigosa é chamada de ultravioleta. A radiação ultravioleta pode alterar
uma parte das células da pele. Pode fazer com que cresçam desordenadamente.
Isso é chamado de câncer de pele, uma cópia incontrolada das células da
pele. A região ultravioleta (UV – de 100 a 400 nm) do espectro da radiação solar
representa uma pequena fração da energia radiante total que atinge a superfície da
Terra. A região do UVC abrange a faixa de comprimentos de onda mais curtos, de
100 a 280 nm, e é importante para a fotoquímica da atmosfera, sendo
completamente absorvida na atmosfera pelo ozônio, oxigênio molecular e outros
constituintes atmosféricos, não atingindo o solo (WMO, 1999). A região espectral de
UV remanescente é dividida em duas partes: UVB e UVA. A região de UVB (de 280
a 320 nm) é fortemente absorvida pelo ozônio e aumenta quando o ozônio
atmosférico diminui (WMO, 1999).
Esta região tem significativo impacto em importantes biomoléculas, tais como
DNA e proteínas, e desta forma em organismos vivos (WMO, 1999). A região do
UVA (de 320 a 400 nm) é muito pouco atenuada pela atmosfera. Apesar de seus
fótons serem menos energéticos que o UVB, o UVA tem efeitos biológicos
importantes como as queimaduras de pele pela exposição ao Sol (WMO, 1999).
Na última década, o estudo da radiação UV tem se concentrado na radiação
UVB, pois ela pode produzir efeitos danosos à biosfera (ROY et al., 1994),
especialmente a saúde humana (TEVINI, 1993; VAN DER LEUN & GRUIJL, 1993).
O PAPEL DAS FLORESTAS
As atividades fotossintéticas principalmente das florestas tropicais úmidas
representam um fator preponderante para o ciclo de CO2 atmosférico e para a
manutenção da estabilidade climática global.
Aumentando a atividade fotossintética com o aumento da disponibilidade de
dióxido de carbono (CO2), temperatura e água (até o limite do ponto de estresse
hídrico, no qual a planta morre e se torna fonte de CO 2), as florestas tropicais
funcionam como poderosos ‘resfriadores’ da baixa troposfera, consumindo
quantidades gigantescas de calor no processo de evapotranspiração. Por exemplo,
a quantidade de calor envolvida na evapotranspiração pela floresta Amazônica,
numa área de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, durante um dia equivale à
potência gerada pela usina hidroelétrica de Itaipu durante um período de
aproximadamente 145 anos! As árvores não somente participam na diminuição da
temperatura atmosférica à superfície, mas atuam também ativamente no processo
gerador de chuva, com a emissão de compostos químicos voláteis (ARTAXO et al.,
1998).
As conexões entre a floresta, a chuva e o clima foram evidenciadas em
resultados recentes de pesquisa utilizando o modelo de circulação geral acoplado
oceano-atmosfera do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com cenários
de savanização da Amazônia. Tais resultados indicam que a floresta tem um papel
importante na manutenção das chuvas sobre a Amazônia, e ao mesmo tempo
contribui para modular tanto a intensidade quanto a freqüência do fenômeno El Niño
no Pacífico Equatorial e o aquecimento da superfície do mar sobre o Atlântico
Tropical (NOBRE et al., 2007).
Assim, o resultado combinado da savanização da Amazônia provocada pelo
aquecimento global (IPCC, 2007) e da ação antrópica de desmatamento da floresta
(Figura 13) Amazônica por pressões extrativistas e agropecuaristas é a diminuição
da pluviometria sobre a Amazônia e o aumento da variabilidade climática sazonal
sobre o Brasil, com conseqüências adversas sobre o meio ambiente, a economia e a
sociedade.
Figura
13:
Parte
da
Floresta
Amazônica
agropecuaristas (Fonte: NOBRE et al., 2007).
desmatada
por
O PAPEL DO CORTE SELETIVO E DA QUEIMADA NA PERDA DA FLORESTA
O corte seletivo aumenta consideravelmente a vulnerabilidade da floresta ao
fogo. Quando o fogo entra na floresta, (figura 14) ele mata as árvores, aumenta a
carga de combustível e seca o sub-bosque, elevando o risco de futuras queimadas e
da completa degradação da floresta.
O impacto do corte de espécies de baixa densidade e comercialmente
valiosas é, freqüentemente, subestimado. O processo de corte seletivo resulta em
um prejuízo de quase duas vezes o volume de árvores que estão sendo removidas
(VERÍSSIMO et al., 1992). Devido ao fato de muitas árvores menores serem mortas,
o efeito sobre os indivíduos é ainda maior. Próximo à Paragominas, no Pará, para
cada árvore retirada, 27 outras árvores foram mortas ou severamente prejudicadas
(VERÍSSIMO et al., 1992). As aberturas no dossel permitem ao sol e ao vento
atingirem o solo da floresta, resultando em microclimas mais secos. O número de
dias sem chuvas necessários para o sub-bosque atingir condições inflamáveis é
muito menor em uma floresta afetada pelo corte seletivo do que em uma floresta não
explorada (NEPSTAD et al., 2004).
Nas florestas da Amazônia, o fogo se espalha como uma linha de chamas de
movimento lento no sub-bosque. As bases de muitas árvores são queimadas à
medida que o fogo se prolonga. As árvores da floresta amazônica não são
adaptadas ao fogo e a mortalidade a partir de uma primeira queimada fornece o
combustível e a aridez necessários para fazer as queimadas subseqüentes muito
mais desastrosas. A temperatura alcançada e a altura das chamas na segunda
queimada são, significativamente, maiores que na primeira, matando muitas outras
árvores (COCHRANE, 2003). Depois de várias queimadas, a área fica devastada a
ponto de aparecer como desmatamento nas imagens de satélite Landsat
(COCHRANE et al., 1999; NEPSTAD et al., 1999).
Durante o fenômeno El Niño, em 1997-1998, o grande incêndio de Roraima
queimou entre 11.394 e 13.928km2 de floresta primária intacta (BARBOSA &
FEAMSIDE, 1999), e as queimadas no arco do desmatamento totalizaram mais 15 x
103km2 (NEPSTAD et al., 1999; COCHRANE, 2003). Uma queimada significativa
também ocorreu em áreas de corte seletivo próximo à Tailândia, no sul do Pará e
em floresta no estado do Amazonas. No sul do Pará, os danos do El Niño são
maiores devido à uma combinação de fatores: uma estação seca mais duradoura
que em outras partes da Amazônia, a concentração da atividade de corte seletivo e
a concentração de desmatamento e queimada associada para favorecer a
agricultura e a criação de gado.
Os incêndios florestais emitem gases de efeito estufa. O grande incêndio de
Roraima liberou, através da combustão de 17,9 a 18,3 x 106 toneladas de carbono
equivalente ao carbono de CO2, dos quais 67% (12,0 a 12,3 x 106 de carbono)
foram provenientes de queimadas na floresta primária (BARBOSA & FEAMSIDE,
1999).
Figura 14: Queimadas dentro das Florestas.
(Fonte:http://projetoflorestaverde.blogspot.com/2010/06/desmatamento-equeimadas.html).
Os carbonos equivalentes ao carbono do dióxido de carbono são utilizados
para comparar as emissões de vários gases de efeito estufa baseado no potencial
de aquecimento global de cada gás em um horizonte de tempo de 100 anos. O
desmatamento em uma taxa igual à de 2003 implica na emissão de,
aproximadamente, 429 x 106 toneladas de carbono equivalente ao carbono de CO2.
No período de 1988 a 1994 (período base usado pelo Brasil para o seu
inventário inicial de gás estufa para o Protocolo de Kyoto) foram liberadas 275 x 106
toneladas, incluindo todos os componentes (FEAMSIDE, 2000), considerando as
correções em Fearnside & Laurance, 2004 e Nogueira et al., 2005), ou 252 x 106
toneladas se considerados apenas os componentes das emissões usados no
Inventário Nacional, assim como os valores de densidade de madeira disponíveis
antes da revisão de Nogueira et al., (2005). Esse valor é ligeiramente maior que o
dobro do valor oficial de 116,9 x 106 toneladas (MCT, 2004:149). A diferença é
explicada por uma série de componentes omitidos na apreciação oficial (incluindo
raízes e necromassa) e por uma estimativa elevada da absorção do carbono pelas
florestas secundárias, que não reflete a lenta taxa na qual elas crescem nas
pastagens degradadas da Amazônia.
O que mais distingue as implicações do desmatamento amazônico no
aquecimento global daquelas de outras florestas tropicais é o enorme potencial para
emissões futuras. Em 1990, as emissões líquidas comprometidas do desmatamento
no Brasil representaram 5% do total de todas as fontes de emissão (incluindo tanto
as mudanças do uso da terra quanto os combustíveis fósseis) na época
(FEAMSIDE, 1997), enquanto que o estoque de carbono na biomassa na Amazônia
brasileira representava 38% do total tropical (FEAMSIDE, 2000). As emissões
líquidas comprometidas referem-se ao resultado líquido de emissões e absorções
quando uma paisagem florestada é substituída por um mosaico de usos da terra
(que seria o resultado de uma condição de equilíbrio criado por uma projeção das
tendências atuais).
SOLUÇOES PARA DIMINUIR O AQUECIMENTO GLOBAL:
- Diminuir o uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel,
querosene) e aumentar o uso de biocombustíveis (exemplo:
biodíesel) e etanol.
- Os automóveis devem ser regulados constantemente para evitar
a queima de combustíveis de forma desregulada. O uso
obrigatório de catalisador em escapamentos de automóveis,
motos e caminhões.
- Instalação de sistemas de controle de emissão de gases
poluentes nas indústrias.
- Ampliar a geração de energia através de fontes limpas e
renováveis: hidrelétrica, eólica, solar, nuclear e maremotriz. Evitar
ao máximo a geração de energia através de termoelétricas, que
usam combustíveis fósseis.
- Sempre que possível, deixar o carro em casa e usar o sistema
de transporte coletivo (ônibus, metrô, trens) ou bicicleta.
- Colaborar para o sistema de coleta seletiva de lixo e de
reciclagem.
- Recuperação do gás metano nos aterros sanitários.
- Usar ao máximo a iluminação natural dentro dos ambientes
domésticos.
- Não praticar desmatamento e queimadas em florestas. Pelo
contrário, deve-se efetuar o plantio de mais árvores como forma
de diminuir o aquecimento global.
- Uso de técnicas limpas e avançadas na agricultura para evitar a
emissão de carbono.
- Construção de prédios com implantação de sistemas que visem
economizar energia (uso da energia solar para aquecimento da
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