O NOVO MARKETING AMBIENTAL: A gestão sócio

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MARKETING AMBIENTAL: A GESTÃO SÓCIO-AMBIENTAL COMO
FERRAMENTA ESTRATÉGICA DA EMPRESA
Zulivana Lobato da Silva1
RESUMO:
Este trabalho tem como objetivo apresentar os benefícios que a gestão de negócios
através do marketing ambiental pode proporcionar às organizações privadas fabris
em Manaus. O marketing ambiental aborda o posicionamento social e ambiental das
empresas qualificando assim o desenvolvimento sustentável das mesmas. Este
conceito de marketing, relativamente recente, serve como uma ferramenta de gestão
corporativa que é observada como sendo uma conduta responsável que pode gerar
ganhos tangíveis para as empresas. Os principais resultados positivos da utilização
desta ferramenta estratégica estão relacionados com a imagem da empresa perante
a sociedade, com a sua participação no mercado (market share), com a motivação
dos empregados e fornecedores e com a visibilidade e reconhecimento da marca.
PALAVRAS-CHAVE: marketing, marketing ambiental, benefícios, Manaus.
INTRODUÇÃO
A expansão da capacidade produtiva e o crescimento demográfico mundial
vêm colocando em evidência a preocupação quanto aos recursos naturais.
Oliveira (2007) menciona que mercado consumidor tem evoluído na procura
de uma efetiva solução para a preservação do meio-ambiente e conseqüentemente
da própria vida humana. Em contrapartida a produção mundial de bens e serviços,
como um todo, tem apresentado no mesmo período um crescimento significativo.
A análise de Oliveira (2007) também mostra que o avanço de novas
tecnologias e processos produtivos, dentro de um mercado altamente competitivo,
tem contribuído para um novo cenário de consumo. Há uma grande oferta e
variedade de produtos e serviços, aumentando-se o ritmo de consumo devido à boa
acessibilidade do consumidor a esse mercado e também ao aumento de
competitividade entre as empresas. Isto contribui significativamente para um
desequilíbrio dentro da cadeia produtiva e do meio-ambiente. O ritmo do consumo é
superior à capacidade instalada de descarte e tratamento de produtos, da
1
Tecnóloga em Marketing pela Universidade Paulista – UNIP, com MBA em Marketing Avançado pela UNIP e
MBA Executivo em Gestão de Pessoas pela Universidade Gama Filho – UGF. Acadêmica do curso de
Administração de Empresas da UNILASALLE e mestranda em Master en Administración de Negocios pela
Universidad de Alcalá.
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manutenção dos recursos naturais utilizados como matéria prima, e de outras ações
que utilizam recursos do meio-ambiente.
As implicações deste cenário, se não controlados em curto prazo, são de
prejuízo irreparável para a qualidade de vida da sociedade.
Ações isoladas de grupos sociais mostram não terem sido efetivas, pois
segundo Kotler e Keller (2006), as organizações são passiveis de conflitos nas áreas
de interesse, tais como lucros empresariais, satisfação do cliente e interesse público.
Nesta conjuntura social aparece esta nova abordagem de marketing, o
marketing ambiental, como uma ferramenta para uso conjunto de toda a sociedade,
quer seja de empresas privadas, quer seja de empresas públicas e do próprio
governo, quer seja da própria sociedade.
Silva (1995) enfatiza que “Todos os seres humanos têm o direito fundamental
a um meio ambiente adequado a saúde e bem-estar”. É no artigo XXV da
Declaração Universal dos Direitos do Homem que já se reconhecia, em 1946, que
toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família
a saúde e o bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, cuidados médicos e os
serviços sociais indispensáveis.
No Brasil foi criado em 1635, as primeiras medidas visando à proteção
ambiental, a primeira delas foi tornar o pau-brasil propriedade real evitando sua
extração. Em 1797, foi assinada a primeira Carta Régia sobre a conservação das
florestas e madeiras; em 1808, Dom João VI funda o Jardim Botânico. Outro
acontecimento importante foi à decisão de Dom Pedro II que mandou plantar em
1861, a Floresta da Tijuca, com o objetivo de garantir o suprimento de água para o
Rio de Janeiro, ameaçado pelos desmatamentos das encostas. Em 1920 quase 285
anos depois, infelizmente o pau-brasil é considerado extinto (REVISTA MEIO
AMBIENTE (2007)).
Este trabalho se limita a analisar as possibilidades da gestão do marketing
ambiental nas empresas do pólo industrial de Manaus – AM, e tem como propósito
identificar e caracterizar quais os principais benefícios que a gestão do marketing
ambiental pode proporcionar às empresas do pólo industrial de Manaus.
Presume-se que haja benefícios decorrentes da utilização desta nova
orientação de marketing ambiental tanto para as organizações como para a
sociedade. Tem-se em mente também que a sociedade está interessada, em sua
maioria, na melhoria do meio-ambiente.
3
O objetivo geral deste trabalho é o de apresentar os benefícios que a gestão
de negócios através do marketing ambiental pode proporcionar às organizações
privadas fabris em Manaus.
Os objetivos específicos deste trabalho são os seguintes: apresentar o
conceito de marketing ambiental; analisar a importância para as organizações de
possuírem uma gestão ambientalmente correta; analisar quais são as tendências de
uma organização ecologicamente correta na sua evolução de negócios e apresentar
os benefícios que a gestão do marketing ambiental pode proporcionar as
organizações.
Uma das grandes preocupações do mundo moderno refere-se ao cuidado que
a população deva ter com o meio ambiente, pois durante muito tempo o planeta terra
tem sofrido grandes maus tratos.
O surgimento desta nova orientação para o marketing que pode proporcionar
condições às organizações para que melhorem sua imagem diante da sociedade,
para que fomentem a conservação ou melhoria do meio-ambiente, torna-se um
diferencial competitivo das mesmas e de interesse de todos os administradores
atuais.
Essa nova orientação de gestão ambiental sinaliza às empresas que passem
a considerar questões éticas e sociais em suas práticas de marketing, que é
denominada por vários nomes. Além de marketing ambiental, tem-se também o
marketing ecológico ou marketing verde.
O conhecimento destes conceitos e as suas aplicações ainda carecem de
estudos acadêmicos para se firmarem definitivamente.
Gil (2007) menciona que uma pesquisa é um procedimento racional e
sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são
propostos. Uma pesquisa é necessária quando não se dispõe de informação
suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se
encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada
ao problema. A pesquisa utiliza cuidadosamente os métodos, técnicas e outros
procedimentos científicos.
Segundo Cervo e Bervian (2002), o método, em seu sentido geral, é a ordem
que se deve dar aos diferentes processos requeridos para atingir um determinado
objetivo. O método é um conjunto ordenado de procedimentos que se mostraram
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úteis e eficientes, ao longo da história, na busca do saber. O método é, desta forma,
um instrumento de trabalho.
Diante da classificação apresentada por Lakatos e Marconi (2007), a
abordagem a ser utilizada neste projeto será de método indutivo, por ser o que
melhor se enquadra aos anseios deste projeto, pois neste método parte-se da
observação de fatos ou fenômenos cujas causas desejam-se conhecer.
O método utilizado é o comparativo. O método comparativo consiste na
investigação de grupos sociais, classes, fenômenos ou fatos, verificando suas
semelhanças e diferenças, neste caso comparam-se organizações com gestão
ambiental e organizações sem gestão ambiental.
Segundo Gil (2007) sua ampla utilização nas ciências sociais deve-se ao fato
de possibilitar o estudo comparativo de grandes agrupamentos sociais, separados
pelo espaço e pelo tempo.
Usa-se a revisão da literatura existente, como técnica de pesquisa, para
conhecer o assunto e tecer análise de valor sobre os benefícios da utilização do
conceito em estudo.
Para Gil (2007), a principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato
de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais
ampla
do
que
poderia
pesquisar
diretamente.
Essa
vantagem
torna-se
particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito
dispersos pelo espaço.
A coleta de dados é qualitativa baseada em livros.
Segundo Severino (2007) a abordagem qualitativa refere-se a conjunto de
metodologias, envolvendo, eventualmente, diversas referências epistemológicas.
São várias metodologias de pesquisa que podem adotar uma abordagem
qualitativa, modo de dizer que faz referência mais a seus fundamentos
epistemológicos do que propriamente a especificidades metodológicas.
2
MARKETING AMBIENTAL
Antes de introduzir este conceito de marketing ambiental, impõe-se uma
rápida revisão do conceito de marketing como um todo.
“Podemos definir o marketing como o processo social e gerencial através do
qual indivíduos e grupos obtêm aquilo que desejam e de que necessitam criando e
trocando produtos e valores uns com os outros” (KOTLER,1999,p.03).
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“A essência do marketing é um estado da mente. Em marketing os
profissionais de negócios adotam o ponto de vista do consumidor. E essas decisões
são apoiadas com base no que o cliente necessita e deseja” (COBRA, 2003,p.07).
Segundo Kotler (1999), existe o um conceito de marketing societário que diz
que a organização deve determinar as necessidades, desejos e interesses dos
mercados-alvo, e então proporcionar aos clientes um valor superior de forma a
manter ou melhorar o bem- estar do cliente e da sociedade. Esse conceito questiona
se o conceito tradicional de marketing é adequado a uma época com problemas
ambientais, escassez de recursos naturais, rápido crescimento populacional,
problemas econômicos no mundo inteiro e serviços sociais negligentes. Ele pergunta
se a empresa que percebe, serve e satisfaz desejos individuais está sempre fazendo
o melhor para os consumidores e para a sociedade em longo prazo.
Com isto em mente pode-se avançar para o conceito de Marketing Ambiental
que surge de forma reativa, já se tendo danos sensíveis ao meio-ambiente.
A preocupação com os efeitos ou impactos ambientais decorrentes da
ação do homem no ambiente natural passou a merecer maior atenção a
partir da década de 1950, motivada pela queda da qualidade de vida em
algumas regiões do planeta.
Surgiram movimentos ambientalistas em diversos países e foram
criadas entidades não-governamentais sem fins lucrativos, assim como
agências governamentais voltadas para a proteção ambiental. O tema
poluição passou a ser discutido em conferências nacionais e internacionais
(NASCIMENTO, LEMOS e MELLO,2008,p.57).
Este conceito ainda é relativamente recente e tanto o seu título como também
a sua definição ainda são encontrados em várias formas. Citam-se aqui algumas
dessas definições.
O marketing verde ou ambiental, consiste de todas as atividades
designadas para gerar e facilitar qualquer troca com o objetivo de satisfazer
os desejos ou necessidades humanas, desde que a satisfação dessas
necessidades e desejos ocorra, com um mínimo de impacto prejudicial sobre
o meio ambiente. (POLONKY apud DIAS, 2007, p.74)
Segundo Prakash (apud DIAS, 2007) o marketing ambiental é um conceito de
marketing na qual a redução dos impactos sobre o meio-ambiente tem um papel
importante no processo de satisfação das necessidades dos clientes e também nos
resultados da empresa.
A definição mais sucinta é oferecida por Peattie (apud DIAS, p. 74), que
considera o marketing ambiental “um processo de gestão integrada, responsável
6
pela identificação, antecipação e satisfação das demandas dos clientes e da
sociedade de uma forma rentável e sustentável.
O mercado atualmente vem atuando como um agente impulsionador das
atividades ambientais. Ações dos concorrentes, imposições de clientes ou
fornecedores, obrigações legais, são algumas forças que influenciam e até mesmo
direcionam as estratégias nas empresas, na direção de estabelecer uma estratégia
para a solução de questões ambientais. Cada vez mais é cobrado das organizações
um comportamento ético e responsável, tanto no tocante às ações sociais, quanto
no tocante às ações ambientais.
Após análise em Dias (2007), pode-se afirmar que a atuação do marketing
ambiental se baseia na busca de soluções racionais para o problema de tornar
competitivos os produtos que de uma forma ou de outra terão que incorporar no
preço os custos ecológicos, o que cria a necessidade do entendimento dos
problemas ambientais, que acaba levando, de qualquer forma, à mudança de
comportamento dos consumidores, das empresas e conseqüentemente do próprio
marketing. Uma das principais modificações no próprio marketing será reconhecer
suas próprias limitações e aceitar a necessidade de existência de restrições ao
mecanismo de mercado, para manter a sustentabilidade dos negócios que envolvam
aspectos relacionados com o meio ambiente. Reconhecer a necessidade da
existência de restrição e controle, feita por órgãos governamentais, implica em
incorporar essas limitações de forma organizada e definitiva no processo de
marketing, tornando-o sustentável.
Dias (2007), acredita ainda que a sustentabilidade do marketing significa que
toda a sua organização está voltada para a diminuição dos impactos negativos sobre
os ecossistemas, e ao mesmo tempo que continua atendendo às necessidades dos
consumidores, fornecendo-lhes os produtos que os beneficiem e a sociedade como
um todo.
Conforme DIAS (2007) cabe ao marketing ecológico ações de caráter geral e
específico. Segundo este mesmo autor as funções de caráter geral são as seguintes:
informativa, educativa, estimulativa de ações, modificadora de comportamento e
modificadora de valores da sociedade.
E as funções específicas do marketing ecológico são as seguintes:
redirecionar a escolha dos consumidores, redirecionar o marketing-mix da
organização, difundir o componente ecológico em todo o processo e incorporar
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objetivos mais gerais de respeito ao meio ambiente aos objetivos específicos da
empresa.
O marketing ambiental é uma ferramenta estratégica que é capaz de proteger
e sustentar a imagem de uma empresa, projetando uma nova visão da mesma para
o mercado, enfatizando seu diferencial ambiental correto para todos.
O marketing ambiental também é chamado de marketing verde, de marketing
ecológico, de ecomarketing, etc, mas as definições e conceituais são muito
similares.
3
BENEFÍCIOS DO MARKETING AMBIENTAL
“O marketing verde ou ambiental pode beneficiar uma organização de várias
maneiras, pois é simpático aos valores de muitas pessoas” (NASCIMENTO, LEMOS
e MELLO, 2008, p.42).
Las Casas e Garcia (2007) mencionam que atualmente vive-se um momento
em que as empresas, buscando diferenciais no mercado, acabam por se envolver
em projetos sociais ou ambientais. Essa forma de exercício da cidadania busca
agregar valor à sua marca institucional ou de algum de seus produtos específicos.
As organizações que praticam o marketing verde procuram mostrar
que seus produtos causam menor ou nenhum dano ao meio ambiente[...]
esse processo nem sempre é simples, pois existem resistências dos próprios
consumidores, além de dificuldades técnicas[...] (NASCIMENTO, LEMOS e
MELLO, 2008, p.42).
Paseto (2007) comenta que dentre as vantagens da adoção do Marketing
ambiental, salientam-se as seguintes: o desenvolvimento de novas óticas sobre as
demandas e valores do mercado e do consumidor; a possibilidade de ganhos de
mercado pela valoração de suas marcas, produtos e serviços sempre que
observados os valores éticos e sociais; uma melhor cooperação estratégica com os
demais membros da cadeia produtiva que adotam práticas igualmente sustentáveis
e um aumento da motivação e da produtividade dos funcionários em suas funções
devido à participação direta e ou indireta, de forma sinérgica, nos projetos
corporativos e nas indicações para melhor performance social das empresas.
A adoção pelas empresas de estratégias de responsabilidade social pode
gerar ganhos tangíveis sob a forma de valor agregado ao produto e aumento da
competitividade no mercado, todavia os ganhos intangíveis podem ser bem maiores
devido à adoção de ferramentas de sustentabilidade. Elas influenciam diretamente a
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melhoria da imagem institucional, a reputação corporativa e a procura de inovações
tecnológicas. Podem propiciar assim o incremento da participação de mercado
[market share] de produtos e serviços além, ou por causa, de benefícios diretos
oferecidos às comunidades locais.
Paseto (2007) ainda conclui que o Marketing Ambiental não se limita à
promoção de produtos que tenham alguns atributos verdes (tais como produtos
recicláveis, produtos que diminuem impactos sobre o clima e que não destroem a
camada de ozônio). Uma empresa para posicionar-se como ambientalmente
responsável deve ter seus processos produtivos bem estruturados, com a
identificação dos custos e benefícios internos e externos associados ao produto
em todo o seu ciclo de vida, com a identificação dos impactos ambientais
causados à saúde e à qualidade de vida, aliada a uma postura funcional
adequada à responsabilidade de suas atividades.
Todos os funcionários devem estar conscientes e engajados com o plano
estratégico sustentável da empresa, pois o processo de construção da imagem
institucional ambiental e socialmente responsável é observado por todos os
stakeholders, quer sejam consumidores, quer sejam acionistas, quer sejam
autoridades governamentais, quer sejam parceiros de negócio.
Outro segmento de negócios que não pode ser descartado do cenário
econômico e que vem assumindo relevância é aquele relativo ao ecoturismo.
Empresas passam a explorar o "desejo ecológico" das pessoas, podendo este ser
definido como a necessidade dos indivíduos em se verem integrados ao meio
ambiente, e que acabam movimentando significativas quantias de dinheiro.
3.1 REFLEXÕES SOBRE OS BENEFÍCIOS EM MANAUS
Consumidores de países mais evoluídos economicamente estão dispostos a
pagar um diferencial a mais pelos produtos "verdes", sendo que o mesmo
comportamento não pode ser esperado daqueles de países com baixa renda per
capita, onde o fator preço na maioria das vezes determina o processo de escolha
dos produtos.
Percebe-se também que para a maioria das grandes empresas do pólo
industrial é um fator importante a parcela de exportação de produtos. Fato este que
implica na necessidade de se preparem rapidamente para terem produtos e serviços
ecologicamente corretos para manter e até mesmo ampliar seus negócios nos
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mercados mais esclarecidos a respeito da proteção ambiental e certamente mais
exigentes. As empresas que não se preocupam com isso são algumas das
empresas que atendem o mercado local, mas isso não deve durar muito tempo, pois
com a crescente veiculação de noticias e programas de defesa do meio-ambiente
mesmo o mercado local tornar-se-á mais exigente, preferindo desta forma os
produtos que promovem um desenvolvimento sustentável.
Em estudos concebe-se o meio-ambiente englobando aspectos de ordem
biológica, social, cultural, econômica e política. No entanto, em pesquisa efetuada
por Salem e Santos (2006) na região de Manaus, as empresas consultadas
apresentaram uma concepção reducionista do termo. As empresas pesquisadas a
respeito da existência de aspectos relacionados à educação ambiental restringem-se
aos treinamentos. As empresas afirmam estar desenvolvendo Programas de
Educação Ambiental, mas o que ocorre é um treinamento para os colaboradores.
Quando aplicados à comunidade, se resumem a palestras e visitas.
3.2 TENDÊNCIAS
Nascimento, Lemos e Mello (2008) mostram que existem tendências
favoráveis ao ambiente ecológico, pois as leis ambientais estão ficando, em quase
todos os países do mundo, cada vez mais restritivas; também estão começando a
surgir mecanismos legais de incentivos econômicos para quem produz com
responsabilidade socioambiental, tanto em âmbito nacional como internacional; em
paralelo os bancos estão aumentando as exigências socioambientais para fornecer
crédito e há um rápido aumento do mercado consumidor para produtos verdes e
uma busca por fornecedores sócio-ambientalmente mais corretos.
Em 2006 foi apresentado um projeto ambiental, no concurso Prêmio Banco da
Amazônia de Empreendedorismo Consciente, de autoria da engenheira civil Carolina
Maria Porto Salsa, pós-graduada em Ecologia e Gestão Ambiental, o projeto
“Amazônia Ambientalmente Lúdica” que propõe a implantação de um pólo industrial
de jogos e brinquedos ecológicos em Manaus. Segundo Pinto (2008):
Trata-se de um Ecossistema de Negócios Conscientes, conceito
lançado pelo Banco da Amazônia que visa promover o desenvolvimento
econômico e social da região, sem a destruição de seus ecossistemas
naturais. Essa concepção busca garantir a conservação, a preservação e
também a restauração do ativo ecológico da Amazônia, assegurando os
meios para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.
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O turismo ecológico é outra ação em desenvolvimento na região, tanto em
empreendimentos como em escolas de formação de profissionais no setor, quer seja
em graduação, quer seja em curso de pós-graduação [MBA – Mestrado em
Administração de Negócios].
4 RESULTADOS
O IBOPE Inteligência - empresa do IBOPE [Instituto Brasileiro de Opinião
Pública e Estatística] dedicada a pesquisas nas áreas de consumo e eleitoral –
revelou, em publicação de 09 de maio de 2008 no 3º. Congresso Brasileiro de
Empresas de Pesquisa [realizado entre 20 e 23 de abril de 2008], como o brasileiro
tem dificuldade de praticar as idéias de sustentabilidade difundidas. Segundo o
estudo Cidadania Sustentável: Um chamado para a ação [publicado neste
Congresso], é grande a quantidade de pessoas que, embora tenham conhecimento
de práticas de cidadania sustentável, não as inclui no seu dia-a-dia. Na pesquisa,
foram relacionadas as ações que promovem a sustentabilidade mais disseminadas
na sociedade, tais como o consumo consciente, a pirataria e a separação do lixo,
além de pilhas e baterias. Mesmo tendo 70% a 90% dos cidadãos consultados terem
afirmado serem bem-intencionados quanto a estes hábitos, apenas de 30% a 60%
exercem de fato essas ações.
Neste mesmo estudo, o levantamento efetuado também aponta para uma
associação exagerada do termo “sustentabilidade” ao meio-ambiente, o que marca o
termo como jargão de ambientalistas – podendo causar uma repulsa em parte da
sociedade que é avessa ao radicalismo de alguns ativistas ambientais. Tem-se
também como um dos resultados deste estudo, portanto, a necessidade de resignificar o termo sustentabilidade para ser entendido num sentido amplo, no sentido
de fomentar carreiras sustentáveis, finanças sustentáveis, dietas sustentáveis, etc.
Os autores do estudo avaliam, ainda, que os resultados sugerem uma relação
“platônica” da sociedade com a sustentabilidade, como se fosse um sonho distante,
muito difícil de ser alcançado.
De Andrade, Tachizawa e De Carvalho (2002) respondem uma questão sobre
as iniciativas nas áreas ambiental e ecológica, encontrada em obras e artigos sobre
o assunto de gestão ambiental: “não seria um mero surto de preocupações
passageiro que demandaria medidas com pesados ônus para as empresas que a
adotassem?”. A resposta vem de uma pesquisa Confederação Nacional da Indústria
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– CNI – e do Ibope, que mostra o contrário. Esta pesquisa revela também que 68%
dos consumidores brasileiros estariam dispostos a pagar mais por um produto que
não agredisse o meio ambiente.
Com isso pode-se evidenciar que o marketing ambiental pode ser uma
ferramenta decisiva de gestão ambiental para mudar o comportamento do
consumidor e mais ainda, que apresenta uma margem nos preços para financiar
suas ações.
CONCLUSÕES E SUGESTÕES DE ESTUDOS FUTUROS
O mercado atualmente vem atuando como um agente impulsionador das
atividades ambientais. Ações dos concorrentes, imposições de clientes ou
fornecedores, obrigações legais, são algumas forças que influenciam e até mesmo
direcionam as estratégias nas empresas, na direção de estabelecer uma estratégia
para a solução de questões ambientais. Cada vez mais é cobrado das organizações
um comportamento ético e responsável, tanto no tocante às ações sociais, quanto
no tocante às ações ambientais.
A responsabilidade não deve recair somente sobre as organizações, porém o
ato de consumo em si deve ser reavaliado por parte de consumidores. Os excessos
e desperdícios no momento do consumo devem ser levados em consideração, pois,
não basta exigir produtos ecologicamente corretos se na contrapartida não há uma
conscientização. E ainda assim, mesmo havendo conscientização, deve-se garantir
que as intenções se tornem realidade, o que não vem ocorrendo no momento.
As empresas estão inseridas na sociedade. Sabe-se que algumas delas,
principalmente
as
multinacionais,
atuam
fortemente
sobre
as
decisões
governamentais, portanto, as mesmas têm responsabilidade social. Uma parcela
desta responsabilidade é a preocupação com as questões ambientais, obviamente
não perdendo de vista suas metas comerciais, de obtenção de lucros.
Faz parte desta nova postura empresarial a avaliação e percepção da
consciência que está se despertando nos consumidores, no que tange às questões
ambientais. Estudos e pesquisas locais sobre essa nova postura empresarial é uma
sugestão de trabalho futuro neste assunto.
Uma estratégia de marketing que tenha como objetivo chamar a atenção dos
consumidores em relação a preocupação das empresas com o meio ambiente deve
ser perseguida. Faz parte desta estratégia, fazer com que a realidade não fique tão
12
longe da intenção declarada dos consumidores e que os conceitos sejam atrativos à
maioria da população. Com isso o consumidor se sente superior, fazendo um gesto
altruísta de defender o meio-ambiente e a si próprio. Essas estratégias devem,
assim, ser implantadas de fato e produzir resultados visíveis para a sociedade. Um
exemplo de implantação destas estratégias é que os processos produtivos devem
enfocar procedimentos de preservação ambiental, e também estar atento para não
encarecer o produto final, uma vez que o preço é um fator de decisão de compra.
As empresas da região precisam acelerar suas ações para se ter um
completo ambiente de desenvolvimento sustentável e também obter mais benefícios
nos seus negócios. Se isto não acontecer, muitos dos atuais negócios, que não
pretendem usar o marketing ambiental, poderão desaparecer mesmo antes que o
nosso maior patrimônio, o meio-ambiente do qual fazemos parte, tenha um fim
indesejado por todos. A elasticidade dos preços dos produtos e serviços ambientais
e ecológicos oferecidos, para se chegar a valores aceitos pelos consumidores e na
capacidade de lucratividade e financiamento dessas iniciativas fica também como
sugestão para trabalhos futuros.
O marketing ambiental voltado para o turismo também é um ponto muito
interessante para o mercado local. Têm-se todas as condições para oferecer um
serviço de classe mundial para todos, com benefícios claramente visíveis para a
população local e para o próprio meio-ambiente. Este assunto é outra sugestão de
trabalho futuro sobre o marketing ambiental.
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