Mahabharata-comentário

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Mahabharata
Comentário à peça
Mahabharata: uma peça em que as personagens são bonecos feitos de metal, pano,
cartão, madeira, (…), movidos por um actor apenas, que lhes dá voz e vida.
Esta peça é uma adaptação de um poema épico do Hinduísmo, o “Mahabharata”, a
maior obra literária alguma vez escrita. Esta obra é composta por dezoito livros e é
quinze vezes mais extensa que a Ilíada e oito vezes mais longa que todos os poemas
homéricos reunidos.
A história narrada pelo poema é mítica. Aliás, crê-se que o próprio autor dos versos seja
também uma personagem mítica, sagrada para a cultura hindu que, além de autor e
narrador da trama, seria paralelamente uma das personagens – Krishna1.
Mahabharata conta a história trágica de dois clãs de primos, descendentes de Krishna,
que por sua vez descendia do rei Bharata. O próprio nome da obra significa isso mesmo.
Numa tradução menos literal, “Mahabharata” pode verter-se como “Grande história (ou
guerra) dos descendentes de Bharata”. Estas duas famílias disputaram o trono e
acabaram por se envolver numa guerra sangrenta, da qual ambas saíram sem glória. Na
busca do equilíbrio e da ordem, as duas famílias acabaram por se destruir uma à outra.
Mas o propósito desta obra não é simplesmente relatar a história do conflito entre as
duas famílias, mas através dela representar a luta entre a ordem, a lei, simbolizada pelo
clã dos Pandava e o caos, simbolizado pelos Kaurava, no fundo, a luta entre o bem e o
mal. O poema retrata também a luta interior de cada ser em busca da sua verdadeira
identidade.
Esta obra pode ser uma metáfora da cultura indiana, mas também de toda a humanidade.
No poema existe uma passagem que ilustra isso mesmo: “ Tudo o que está no mundo
está no Mahabharata, o que não está no Mahabharata não está em mais parte nenhuma.”
Um aspecto que gostaria de salientar em relação à representação é o trabalho admirável
do actor e encenador Massimo Schuster. Além de já conjugar estas duas funções,
concilia ainda, em palco, os papéis de actor, marionetista e narrador da história.
1
Segundo o ensaio de Carlos João Correia “Mitologias do mal no Mahabharata”: “A autoria
desta narrativa épica é atribuída a uma personagem mítica, senão mesmo sagrada, da cultura
hindu, que curiosamente intervém directamente como uma das figuras centrais de própria
historia que está a relatar.”.
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