Sistema Imunológico

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Sist ema I muno ló gico ¹
A palavra imunidade deriva do latim immunis, que significa isento, ou seja, o sistema imunológico nos deixaria isento de algo. Como
vimos ao longo deste ano, alguns tipos de vírus e seres vivos podem atuar como patógenos, ou seja, podem causar prejuízos ao
nosso organismo. Então, como o nosso corpo seria capaz de se defender da invasão de vírus, bactérias, protozoários, fungos,
vermes e substâncias tóxicas?Bem, quando as barreiras mecânicas, como a pele, e químicas, como secreções protetoras produzidas
nas mucosas, não dão conta de eliminar os patógenos, um conjunto de células pode entrar em ação: são as células fagocitárias, que
são células capazes de englobar partículas estranhas e digeri-las. Mas a principal via pela qual nosso corpo luta contra ataques dos
riscos ambientais, como invasão de vírus ou bactérias, é pela ativação do sistema imunológico.O sistema imune é composto por
células livres (leucócitos), tecidos (tecido da medula óssea que produz células do sangue, incluindo os leucócitos)e órgãos (timo,
baço e linfonodos). Para entendermos como o processo inflamatório pode ocorrer, a turma fará uma pequena interpretação da
história abaixo.
UM DIA DE INFLAMAÇÃO...
Miguel é um adolescente de 15 anos que adora andar de skate no seu tempo livre e fazer manobras super radicais. Ele deseja ser o
“campeão das verticais” como o brasileiro Sandro Dias. Mas parece que para isso vai ter que treinar muito e tomar mais cuidado.
Numa das suas manobras “sinistras”, caiu da rampa e acabou cortando o braço no seu próprio skate. Miguel nem ligou muito para
o ferimento, mas ele nem imagina o trabalhão que seu organismo tem para se defender da invasão dos patógenos...
De ntro d o c orp o d e Mi gu el :
(No tecido conjuntivo):
(Na corrente sangüínea):
Mastócitos: Ai! Fui atingido!Vou morrer! Pelo menos todas as
substâncias quimiotáxicas e histaminas que produzi em vida servirão
para atrair as células fagocitárias!
Macrófago 1: Epa, epa, algo de estranho
está acontecendo! Está percebendo
Macrófago 2, que aqui o capilar
sanguíneo está mais dilatado e frouxo?
Vários Mastócitos estão liberando
histaminas (proteínas) que promovem a
vasodilatação dos capilares.
Macrófago 2: Está escapando um
pouco de plasma para o tecido e
ficando inchado por aqui! Acho que o
tecido foi lesado e começo a perceber
corpos estranhos.
Macrófago 3: Sim, são os antígenos!O Miguel deve ter se
machucado feio em mais uma de suas manobras radicais de skate!
Macrófago 1: Daqui a pouco o Miguel começará a sentir dor. A
pressão dentro desse capilar está aumentando! Não podemos perder
tempo! Hora de fagocitar esses antígenos e sinalizar para as outras
células de defesa o que está acontecendo!
Macrófago 2: Calma! Em breve as células dendríticas e as células de
defesa que estão na corrente sanguínea irão perceber que há algo de
errado!
Macrófago 1: É, e todas essas células em atividade vão acabar
aumentando a temperatura dessa região.
Neutrófilo 1: Estou detectando sinais químicos indicando o local de
uma infecção. Vamos, neutrófilos! Vamos até lá!
Neutrófilos: Quimiocinas! Vamos, vamos!!
Neutrófilo 2: Desculpa perguntar, mas eu acabei de amadurecer e
estou meio perdido! O que vamos fazer com essa tal infecção?
Neutrófilo 1: Como você não sabe o que vai acontecer? Nós somos
responsáveis por fagocitar coisas que não pertencem ao organismo
do Miguel!
Neutrófilo 2: Hummm, entendi.
Neutrófilo 1: Já encontrei o local da lesão. Vou me grudar nas
células e tentar atravessar a parede do vaso sangüíneo para chegar no
local infectado. Todos os neutrófilos, devem fazer o mesmo!
Neutrófilos: Sim, vamos!
(No tecido conjuntivo):
Neutrófilo 2: Pronto. Consegui passar fácil para o tecido
conjuntivo! Essa tal de histamina funciona mesmo, hein! Está
esquentando muito por aqui, credo!
Neutrófilo 1: Eh..não se fazem mais novatos como
antigamente..Neutrófilo 2, isso é normal!O hipotálamo já percebeu a
gravidade da inflamação e está desencadeando o processo que
aumenta a temperatura do corpo(febre) para inibir a reprodução das
bactérias.
Neutrófilo 2: Ok! Então lá vou eu fagocitar! Ah, está difícil
combater esses microrganismos! Vejo que outros iguais a mim estão
morrendo, vou morrer também. Ah... Vou virar pus...
¹Material didático produzido por Sama de Freitas, Valéria Sousa e Vanessa Sodré, alunas do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da
UFRJ, durante suas atividades de Prática de Ensino em 2007, sob a supervisão das professoras Isabel Lima (Colégio de Aplicação da UFRJ) e
Marcia Serra Ferreira (Faculdade de Educação da UFRJ). Ilustrações feitas por Itajaci Rogério Araújo Amaral, aluno do curso de Licenciatura em
Educação Artística da UFRJ. Disponível no sítio eletrônico www.projetofundao.ufrj.br/biologia.
Células dendríticas: Estamos indo, macrófagos! Vamos fagocitar!
Célula dendrítica: Capturei! Agora vou digerir esses antígenos e
levá-los até os leucócitos da família dos Linfócitos T. Esse é um
trabalho para... O SISTEMA IMUNE ADAPTATIVO.
E stu d o Di rigi d o
1) A resposta inflamatória é tradicionalmente definida pelas
quatro palavras latinas: dor, rubor, calor e tumor. Leia mais
uma vez a história e diga porque acontecem esses sintomas no
local da infecção indicando cada tipo celular envolvido e
apresentando suas funções principais no processo.
2) O sistema imunológico, assim como o sistema nervoso,
também se estrutura em rede, estando intimamente ligado ao
sistema linfático, por onde circula a linfa (líquido incolor
proveniente do extravasamento sangüíneo, composto por
triglicerídeos, colóides, leucócitos entre outros). Sendo assim, o
sistema linfático participa do mecanismo de defesa, removendo
antígenos dos tecidos e levando até os linfonodos.
Qual a vantagem de se ter um segundo tipo de sistema
circulatório (vasos linfáticos) distribuído por todo o corpo,
apresentando vários gânglios linfonodos?
Concent ração de Anticorpos
3) A resposta inflamatória, como vimos na história, é um tipo
de defesa inespecífica, chamada de imunidade inata ou
natural. Já a resposta imune produzida pelo sistema imune
propriamente dito é específica, e é chamada de imunidade
adquirida. Quatro características definem a resposta imune:
(1) Sensibilidade  Reconhecimento de substâncias próprias
do organismo e substâncias estranhas, ou seja, não próprias; (2)
Diversidade  Reconhecimento de milhares de tipos de
microorganismos diferentes uns dos outros, desencadeando
numa resposta adequada para cada tipo de antígeno; (3)
Especificidade  Produção de proteínas chamadas de
anticorpos que são específicas contra determinado antígeno e
(4) Aquisição de memória  Quando o sistema imunológico
entra em contato com um antígeno, desenvolve células capazes
de reconhecer esses agentes mesmo depois de décadas.
Quando um antígeno entra no organismo ele é
detectado por um tipo de linfócito, os linfócitos B. Após o
reconhecimento os linfócitos B se diferenciam em plasmócitos,
que produzem anticorpos, e em células de memória. Os
anticorpos ligam-se aos antígenos, que passam a ser
reconhecidos por outras células do sistema imune, que irão
exterminá-las.Num estudo sobre resposta imune usou-se um
rato que foi exposto duas vezes ao mesmo antígeno em dois
momentos diferentes. Paralelo a isso foi medido diariamente a
concentração de anticorpos no sangue do rato, referente a
esses antígeno, e encontrou-se o gráfico seguinte:
4) Enquanto os linfócitos B são tipos celulares capazes de
gerar uma resposta imune humoral ou específica, através da
produção de anticorpos, os linfócitos T são responsáveis pela
resposta imune celular, sendo ativados pelas células
dendríticas, durante o processo inflamatório, e assim
participam do processo de reconhecimento e apresentação de
antígenos para os linfócitos B, além de estimular outros tipos
de linfócitos T a combater antígenos em particular.
No caso da infecção pelo HIV, os linfócitos T são
destruídos pelos vírus num ciclo lítico (infiltração do material
genético do vírus no núcleo celular do linfócito T, produção de
novos vírus e lise celular) causando a diminuição das taxas de
linfócitos T na corrente sanguínea e um aumento da carga viral.
A longo prazo, qual seria uma das principais
conseqüências para a resposta imunológica em uma pessoa
infectada pelo vírus HIV? Por quê?
5) Todos nós sabemos que uma das medidas mais eficazes para
a prevenção de doenças é tomar vacinas. Mas como funcionam
as vacinas? A idéia básica da vacina é fazer com que haja
produção de anticorpos e aquisição de memória para
determinado antígeno. Para que isso ocorra é necessário que o
corpo entre em contato com o antígeno, portanto as vacinas
podem conter em sua composição os agentes causadores da
doença mortos, toxinas inativadas, fragmentos de agentes
infecciosos ou fragmentos de DNA ou RNA.
Assim como as vacinas os soros também ajudam na
defesa do organismo, mas com algumas diferenças.
Normalmente os soros possuem em sua composição
anticorpos produzidos em outros animais que tiveram contato
com determinada doença ou substância estranha. Ao usarmos
um soro recebemos anticorpos prontos, com isso, o sistema
imunológico não desenvolve a memória necessária para uma
ação rápida no segundo contato com o antígeno.
a) Soros e vacinas desencadeiam ações diferentes no nosso
organismo. Descreva que diferenças são essas.
b) Uma pessoa ao ser mordida por uma cobra vai ao Prontosocorro e recebe o soro específico para aquele antígeno. Se
futuramente essa mesma pessoa for mordida pela mesma
espécie de cobra será necessário tomar novamente o soro?
Porquê?
c) O governo federal está lançando uma nova campanha de
vacinação, e Joãozinho diz que não quer se vacinar porque já
tomou muitas vacinas nessa vida. Argumente porque
Joãozinho tem que tomar todos os tipos de vacinas.
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Explique a variação na concentração de anticorpos ao longo do
tempo.
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