Corpo x Velhice na Grécia Antiga.

Propaganda
Apresentação Oral
Corpo x Velhice na Grécia Antiga.
1
Ernani Francisco dos Santos Neto
1. Discente do curso de Psicologia da FMS; Membro do Núcleo de Pesquisa em Cognição; Humana –
NUPEC/FMS; Membro do Laboratório de Estudos do Corpo – LABESC/UFJF.
Palavras - Chaves: Velhice. Corpo. Grécia Antiga.
O presente trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica e objetivou avaliar o
significado do corpo na sociedade grega, precisamente no período helenístico e compreender
a concepção dada a velhice e sua representação na cultura e na arte. Analisamos o período
helênico tendo por base o pensamento de (Gombrish, 1984) para quem este período histórico
se caracteriza por uma expansão territorial, cultural e uma superprodução artística. O estudo
fundamenta-se na abordagem teórica da perspectiva Life-Span.
O aumento de idosos na população apresenta-se como um desafio a ser enfrentado nas
sociedades modernas (FERREIRA, CORREIA, BANHATO, 2010). A compreensão da
velhice impõe a consideração de aspectos importantes como: a reestruturação familiar, o
crescimento do campo da institucionalização para idosos, o reconhecimento de idosos como
sujeitos de suas ações em áreas como saúde, educação, lazer, esporte, assistência e
previdência social e o impacto que essa nova demanda causará no contexto sociopolítico e
econômico brasileiro. ( Baltes, 1987) afirma que a multiplicidade de influências sobre as
origens e direções do desenvolvimento ao longo do curso da vida está intrinsicamente
relacionada ao fato de que qualquer disciplina isolada sobre ela é incompleta sendo necessário
estudá-lo dentro de vários campos do conhecimento humano oferecendo assim uma maior
compreensão do curso vital. Urge, portanto, a necessidade de aprofundar nossos
conhecimentos em relação ao fenômeno conhecido como envelhecimento e, principalmente,
saber quem é esse nosso novo idoso. Realizaremos aqui uma aproximação entre Psicologia e
Arte, relacionando a velhice a períodos históricos, que acreditamos pode possibilitar uma
compreensão maior desse fenômeno tanto no presente quanto em outro momento histórico.
O estudo se constituiu de uma revisão bibliográfica cujos dados foram obtidos através
de busca em fontes secundárias que versam sobre a velhice e a sociedade grega. Devido às
poucas produções que abordam a temática, priorizamos as fontes secundárias estabelecendo
um diálogo com outras produções cientificas justamente por exporem apenas fragmentos que
discorrem sobre o tema.
O estudo apontou que na Grécia antiga havia uma supervalorização do corpo com
ênfase no gênero masculino, o corpo era visto como elemento de glorificação e de interesse
do estado. O ideal de homem, cidadão grego proposto por Platão influenciará o pensamento
grego e consequentemente todo o período Helênico. As formas de lapidar o corpo e a beleza
foram promovidas pelas práticas de guerra e pelos esportes como também exerciam a prática
do cuidado de si (Foucault, 1985). E estava diretamente relacionada à filosofia, à política, à
vida social, à alma, ao corpo como também à velhice. Já a velhice era concebida como um
resfriamento da vida, na maioria das vezes mencionada de forma negativa correlacionada
sempre a morte e em outras, atribuída a uma hierarquia social, quando o idoso era homem e
rico. O velho atuava em quase todas as esferas sociais de poder, a hierarquia social era
composta em sua maioria por anciões, eles eram a referência viva do conhecimento, dos
cuidados de si, com o corpo e com a alma. As percepções e as representações sobre essa etapa
da vida se misturam e se confundem... No entanto, fica claro, uma evolução das
representações aceca da velhice quando relacionada a períodos antigos gregos. No período
arcaico ela está associada à decrepitude e sabedoria. No período clássico uma hierarquia
social a diferencia, poder e conhecimento aos guerreiros e homens ricos e a doença e
negatividade ao homem comum. No período helênico passa a ser contestada e compreendida,
na arte evidencia-se o predomínio da dramaticidade da vida humana.
Cicero (106-43. aC) é provavelmente quem realiza o primeiro ensaio sobre o que hoje
conhecemos como envelhecimento bem sucedido, possivelmente o que mais se aproxima da
perspectiva Life-Spam, (Fontaine, 2010). Na atualidade a velhice apresenta-se diante de um
novo cenário. É cada vez mais evidente que o novo idoso rompeu com a concepção grega
adotando uma postura ativa no processo de envelhecimento buscando se adaptar cada vez
mais aos limites e capacidades físicas e cognitivas. O idoso outrora visto como incapaz, dá
lugar ao novo idoso, o idoso produtivo, funcional... Que aliado aos avanços tecnológicos e das
ciências da saúde apostam em um aumento da longevidade, de uma melhor qualidade de vida
com uma velhice bem sucedida.
Referências
Baltes, P. (1987).Theoretical, propositions of fife-span developmental psychology: on the
dynamics between growth and decline. Developmental psychology ,1987, Vol. 2.1, No.
5, 611-626.
Ferreira, M.E.; Corrêa, J. C; Banhato, E.F.C. (2010). Desafios de envelhecer no século XXI
- 1ª edição – São Paulo: Residencial Santa Catarina.
Foucault, M. (1985). A História Da Sexualidade 3 – O Cuidado De Si. Tradução: Maria Thereza Da
Costa Albuquerque, Tradução Técnica: José Augusto Guilhon Alburqueque - Rio De Janeiro, Edições
Graal.
Fontaine, R.(2010) Psicologia Do Envelhecimento. cap. I O envelhecimento e suas causas.
São Paulo- Edições: Loiola.
Gombrish, E. H. (1984). A História da Arte. Rio De Janeiro, Ed. Guanabara.
Download