País registra queda de 24,27% em casos de
hanseníase
Redução ocorreu em apenas dois anos.Segundo estimativa do Ministério da
Saúde, em 2005, mais de 10 mil pessoas deixaram de contrair a doença
O Brasil conseguiu uma grande vitória na luta contra a hanseníase – um
problema de saúde que, além de grave, ainda se associa ao preconceito. Graças
ao esforço e ao investimento do Ministério da Saúde na detecção precoce e no
tratamento adequado dos portadores, conseguiu-se, em dois anos, a redução em
24,27% de casos da doença no país. Segundo estimativas do governo federal, em
2005, 10,9 mil pessoas deixaram de contrair hanseníase.
Em 2005, a taxa de detecção da doença ficou em 2,09 casos por 10 mil
habitantes. Em 2004, a taxa era de 2,76 por 10 mil. Houve 38,4 mil novas
notificações contra 49,3 mil no ano anterior. Em 2005, realizaram-se campanhas
de detecção em nível nacional, estadual e municipal e a oferta de serviços de
diagnóstico e tratamento cresceu 41,06%. Com esses indicadores, a expectativa é
que a doença seja eliminada até o final de 2006, segundo avaliação da
Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). "São reduções importantes em
apenas dois anos", observa a consultora da área de hanseníase da Opas, Vera
Lúcia Gomes Andrade.
Além disso, em 2005, registrou-se a queda de 13,45% na taxa de
prevalência, que passou de 1,71 por 10 mil habitantes em 2004 para 1,47.
Calcula-se esse indicador com base no número de pacientes em tratamento. Em
dezembro de 2005, 27,1 mil pessoas se submetiam tratamento. Até dezembro de
2004, eram 30,6 mil.
Os investimentos do Ministério da Saúde para o combate à hanseníase
quase dobraram: passaram de R$ 7,7 milhões em 2004 para R$ 13,1 milhões em
2005, numa escalada iniciada em 2003, quando foram aplicados R$ 6,4 milhões –
o maior volume desde 2000 – no aperfeiçoamento do Programa Nacional de
Eliminação de Hanseníase, que envolve governo federal, estados, municípios e
sociedade civil organizada. Em 2005, foram repassados R$ 2,9 milhões para os
176 municípios prioritários (onde estão concentrados os maiores números de
casos) e houve investimento de R$ 2 milhões em pesquisas sobre hanseníase.
Outros R$ 3,6 milhões foram utilizados na reestruturação de antigos
Hospitais-Colônia. O Telehansen do Movimento de Reintegração das pessoas
Atingidas pela Hanseníase (Morhan) recebeu R$ 45 mil. Com os investimentos,
também se implementou o Sistema de Alerta da Hanseníase do Conselho
Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems).
Ampliação da rede – Outro avanço importante na luta contra a doença foi que a
redução no número de casos veio acompanhada da ampliação da rede de
diagnóstico. O aumento do número de unidades que fazem o diagnóstico permitirá
a identificação da doença na fase inicial. Isso contribuirá para a redução da cadeia
de transmissão. O contágio da hanseníase acontece de uma pessoa para a outra
por via respiratória.
Em 2005, o número de unidades de saúde em todo o país aumentou em
41,06%. Um total de 12.151 unidades de saúde passou a fazer o diagnóstico da
doença. Em 2004, o país contava com 8.614 postos.
Esses números indicam o cumprimento da meta estabelecida pelo
Programa Nacional de Eliminação da Hanseníase (PNEH) da Secretaria de
Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, com a intensificação de ações
para que diagnóstico e tratamento fiquem próximos de quem necessita.
Para saber mais – A hanseníase é causada por um micróbio, o Mycobacterium
leprae (o bacilo de Hansen), que ataca a pele e os nervos, principalmente dos
braços e das pernas. A hanseníase tem cura e, se descoberta precocemente e
tratada de maneira adequada, não deixa seqüelas. Qualquer mancha clara e com
perda de sensibilidade na pele deve ser considerada suspeita de hanseníase e o
portador terá de ser encaminhado imediatamente para uma unidade de saúde
pública.A forma de transmissão ocorre pelas vias aéreas, com a liberação de
bacilos por uma pessoa infectada que ainda não está em tratamento.
Os principais sinais e sintomas da hanseníase são áreas da pele com
dormência, com ou sem manchas; dormência também nos pés e nas mãos;
caroços e "inchaços" no rosto e nas orelhas e diminuição de força nas mãos e nos
pés.
A pessoa com sinais e sintomas suspeitos de hanseníase deve procurar o
serviço de saúde mais próximo de sua casa para esclarecimentos e diagnóstico. O
tratamento da hanseníase é feito gratuitamente nos ambulatórios do Sistema
Único de Saúde (SUS), sem necessidade de internação. O paciente em
tratamento pode conviver com a família, no trabalho e na sociedade sem qualquer
restrição.
Mais informações por meio do serviço Disque-Saúde, do Ministério da
Saúde, pelo telefone: 0800-61-1997. O serviço Telehansen também presta
esclarecimentos à população. O telefone é 0800-262001.
Instituição apóia portadores
Os movimentos e instituições em defesa do portador da hanseníase
surgiram para tirar dúvidas sobre a doença e apurar denúncias. O Movimento de
Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) é um dos mais
antigos do país. Criado em 1981, existe em 100 comunidades brasileiras e
funciona apenas com trabalho voluntário, movido por pacientes, ex-pacientes e
pessoas interessadas no combate ao preconceito em torno da doença.
Um dos principais trabalhos da organização funciona com o serviço
Telehansen, um tira-dúvidas que esclarece sobre sintomas e cura da doença e
ainda registra queixas de agressões ou preconceito contra o portador da
hanseníase.
Aurenice Ferreira dos Santos (31 anos) trabalha como atendente do
Telehansen. Há dois anos, descobriu que era portadora e resolveu engajar-se em
uma instituição de apoio aos portadores de hanseníase. “Quando descobri que
estava com a doença, achei que meu mundo fosse acabar. Sofri preconceito até
dentro da minha própria família”, lembra. Depois de informar-se sobre as
possibilidades de cura, Aurenice fez o tratamento no SUS, curou-se e trabalha
para que outras pessoas não sofram com a desinformação ou preconceito.
Podem haver dificuldades práticas na vida de quem tem a doença, como
arranjar emprego ou executar simples tarefas com as mãos. Em estágios mais
avançados, a hanseníase pode comprometer os nervos periféricos e provocar
paralisia nas mãos e nos pés. Junto com a medicação, oferecida gratuitamente no
SUS, e as recomendações sobre prevenção de incapacidades, o paciente precisa
ser orientado sobre cirurgias reparadoras, quando já apresentar alguma seqüela
instalada. Estas cirurgias também são executadas gratuitamente em centros de
referência do Sistema Único de Saúde.
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