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Currículo e Ensino de Ciências I
Utopia
Conteúdos,
epistemologia
Formação
Interdisciplinaridade
Concepções de
aprendizagem, didática,
competências e
habilidades, avaliação
Finalidade da
educação
Identidade,
Flexibilização x
padronização,
homogeneidade,
contexto dos
alunos, inclusão
Objetivos
Valores
Planejamento
Concepções
de educação
Interpretações,
Coletivo,
percepções do
professor
Currículo
oculto
Não neutralidade do
currículo, interesses,
contexto sócio cultural,
relações de poder, aspectos
políticos
Práticas na escola
Ações do professor
PRÁTICAS
Aplicabilidade
Currículo
oficial
O que tem a ver o cotidiano de cada um
de nós, professores, com o currículo,
tanto do ponto de vista das políticas
como das seleções de conhecimento
correspondentes ?
Currículo real
CURRÍCULO
PRÁTICAS
Currículo oficial
Não se pode falar em currículo sem analisar as práticas,
porque o currículo se constrói no cotidiano da escola e
da sala de aula.
É no interior da sala de aula que se
decide o destino das políticas públicas,
pelas resistências oferecidas pelos
professores às mudanças e pelas
alterações efetuadas nos padrões de
trabalho vigentes.
(Azanha, 1991)
A questão das práticas” entra” na
reflexão do currículo através de
abordagens mais sociológicas, que tem
a ver com a cultura.
CULTURA ESCOLAR
e/ou
CULTURA DA ESCOLA
A questão das práticas” entra” na
reflexão do currículo através de
abordagens mais sociológicas, que tem
a ver com a cultura.
CULTURA como categoria
e conceito capaz de dar
conta das práticas sociais
como constitutivas da
sociedade (para além das
relações apenas sócioeconômicas)
CULTURA ESCOLAR
e/ou
CULTURA DA ESCOLA
1. Em que consiste ou como caracterizar as
práticas curriculares (ou a cultura escolar)
em suas relações com o currículo , seja ele
oficial ou real?
Perguntas
2. Em que sentidos essa caracterização
poderia vir a ser útil, em termos das
práticas cotidianas do professor?
Autores: Forquin, Chervel, Julia, Viñao-Frago, Michael Apple
Forquin

“Pode-se perguntar se de fato todos os
saberes ensinados nas escolas não são
verdadeiramente senão o resultado de uma
seleção e de uma transposição efetuadas a
partir de um corpo cultural pré-existente, e se
não se pode considerar a escola como sendo
também verdadeiramente produtora ou
criadora de configurações cognitivas e de
habitus originais que constituem de qualquer
forma o elemento nuclear de uma cultura
escolar sui generis” (p.34-35)
Retomando Forquin
Escola = seleção cultural
O que selecionar dos
conhecimentos estabelecidos?
Seleção a partir do que é importante
na ciência (critério epistemológico)
Seleção a partir do que é importante
na sociedade (critério cultural)
Escola = conhecimento próprio
Decorre da necessidade de uma didatização (sem invenção tem que
ter exposição, repetição, fazer aprender...)
Imperativos didáticos: organização, seriação, tempos próprios, etc.
Produção de um saber cultural novo
Existe uma cultura da escola

“A escola é também um mundo social, que tem
suas características e vidas próprias, seus ritmos
e seus ritos, sua linguagem e seu imaginário,
seus modos próprios de regulação e de
transgressão, seu regime próprio de produção e
gestão de símbolos. E esta cultura da escola (...)
não deve ser confundida tampouco com o que se
entende como cultura escolar, que se pode
definir como o conjunto de conteúdos cognitivos e
simbólicos que selecionados, organizados,
“normalizados”, “rotinizados”, sob o efeito de
imperativos
de
didatização,
constituem
habitualmente o objeto de transmissão deliberada
no contexto das escolas” (Forquin, 1993, p.167)
Chervel
Chervel recusa a ideia que o saber escolar é
uma simplificação ou vulgarização de um saber
acadêmico e critica as concepções de disciplina
escolar como “conhecimento” somado à
pedagogia, isto é, a um modo de transmissão.
 Mostra que a gramática do francês é um
conhecimento estritamente escolar, isto é, uma
invenção para a escola e que nem mesmo era
vista como um qualificador para os homens
cultos.

Retomando Chervel
Escola = capacidade de
produzir conhecimento
próprio
(Em oposição às idéias de
transposição didática do Chevalard)
A construção dos saberes na escola
produz algo novo e original (do ponto
de vista das disciplinas)
Escola = cultura própria
É porque o sistema escolar é detentor de um poder criativo
insuficientemente valorizado até aqui, que ele desempenha na
sociedade um papel que não se percebeu que era duplo: de
fato, ele forma não somente os indivíduos, mas também uma
cultura que vem, por sua vez, penetrar, moldar, modificar a
cultura da sociedade.
Cultura escolar como de mão dupla
Dominique Julia
Historiador francês,
contemporâneo (nascido em 1940)
Foi diretor de pesquisas do
CNRS, antigo prof. do Instituto
Universitário Europeu (Florença).
Especialista em história religiosa
e história da educação na época
moderna.
A CULTURA ESCOLAR COMO
OBJETO HISTÓRICO
Poder-se-ia descrever a cultura escolar como :
Um conjunto de normas que definem
conhecimentos a ensinar e condutas a inculcar,
E um conjunto de práticas que permitem a
transmissão desses conhecimentos e a
incorporação desses comportamentos.
Normas e práticas coordenadas a finalidades que
podem variar segundo as épocas
Poder-se-ia descrever a cultura escolar como :
Um conjunto de normas que definem conhecimentos a
ensinar e condutas a inculcar,
E um conjunto de práticas que permitem a transmissão
desses conhecimentos e a incorporação desses
comportamentos.
Normas e práticas coordenadas a finalidades que
podem variar segundo as épocas
A cultura escolar não pode ser estudada sem a
análise precisa da relações conflituosas ou
pacíficas que ela mantém, a cada período de
sua história, com o conjunto das culturas que
lhe são contemporâneas: cultura religiosa,
cultura política ou cultura popular
Constituição da cultura escolar (Julia - elementos de análise):
Espaços, tempos, organizações do ensino, nos vários níveis,
protagonistas, etc.
• Projetos pedagógicos e realidade histórica
• A profisssionalização dos professores
• Conteúdos ensinados e práticas escolares
CURRÍCULO PRESCRITO
CURRÍCULO APRESENTADO AOS PROFESSORES
ENSINO INTERATIVO CURRÍCULO EM AÇÃO
CURRÍCULO REALIZADO
(Efeitos complexos: explícitos-ocultos, alunos,
professores, meio, ..)
CURRÍCULO AVALIADO
Condicionamentos
escolares
CURRÍCULO (Re?) MODELADO PELOS PROFESSORES
Condicionamentos econômicos, políticos,
sociais, culturais e administrativos
Currículo como confluência de práticas (Sacristan)
(Sacristan, 2000 , p.105)
Dimensões da cultura escolar (Vidal)
• Saberes, conhecimentos e currículos
• Espaços e tempos das instituições escolares
• Materialidade escolar e métodos de ensino
Dificuldades de caracterização:
Categorias de análise para a história de educação.
Para nós, interessa identificar dimensões da cultura escolar,
no sentido de compreensão de suas práticas.
Âmbitos da cultura escolar (por construir):
• Saberes e organização dos conhecimentos,
disciplinas escolares,
• Espaços e tempos, normas e regras,
regulações das instituições escolares
• Materialidade escolar: meios e recursos
• Métodos e atividades de ensino
• “Teorias” de ensino/aprendizagem
Pesquisas em Ensino
• Estatuto da profissão professor
• Atividades dos alunos
• Interação escola/comunidade
(De que se trata, ou de que não se trata....)
Multiculturalismo, Grupos culturais específicos, Identidades,
Diferenciação, Globalização, Homogeneidade,
Internacionalização...
Culturas
escolares
correspondem a
realidades
sociais
diferenciadas
Envolvem espaços,
recursos e
organização dos
espaços
Espaços e organização
dos espaços
Tempos de aula, seriação, número de aulas,
organização e regulação dos tempos
Tempos de aula, seriação, número de aulas,
organização e regulação dos tempos
Tempos das disciplinas, compartimentalização
dos saberes. Quais disciplinas. Quais saberes.
Gerenciamento dos tempos de aula, tempos
de recreio, tempos de estudo ....
Natureza da
disponibilidade de
materiais, livros
didáticos, recursos,
laboratórios, bibliotecas,
computadores, etc. ...
Práticas normativas, regras
disciplinares (pode ou não pode),
valores, atitudes, etc. ...
Ações, discursos, e
atividades dos
professores, em
sala de aula ou na
sala dos
professores...
As culturas da
escola indicam
que não existe
uma escola
“natural”
De uma maneira ou de outra, todos esses
aspectos fazem parte de uma cultura escolar.
Toda escola tem uma cultura própria.
Esses elementos expressam a cultura escolar
(Não existe UMA cultura escolar, mas várias... )
Tudo isso é currículo.
Perguntas
1. Em que consiste ou como caracterizar
as práticas curriculares (ou a cultura
escolar) em suas relações com o
currículo , seja ele oficial ou real?
2.
Em que sentidos essa
caracterização poderia vir a ser
útil, em termos das práticas
cotidianas do professor?
O que significa dar-se conta da existência de uma cultura escolar?
(Forquin)
O reconhecimento da cultura escolar é uma forma de
desnaturalizar o conhecimento escolar. A cultura
escolar como tendo uma dinâmica própria.
O que significa dar-se conta da existência de uma cultura escolar?
(Forquin)
(Julia)
O reconhecimento da cultura escolar é uma forma de
desnaturalizar o conhecimento escolar. A cultura
escolar como tendo uma dinâmica própria.
Na cultura escolar, o professor põe em funcionamento os
dispositivos escolares de maneira criativa, respeitando as
normas estabelecidas. O espaço escolar é espaço de criação.
Ainda que locais e limitadas, pequenas mudanças podem
insensivelmente transformar o interior do sistema.
O que significa dar-se conta da existência de uma cultura escolar?
(Forquin)
O reconhecimento da cultura escolar é uma forma de
desnaturalizar o conhecimento escolar. A cultura
escolar como tendo uma dinâmica própria.
(Julia)
Na cultura escolar, o professor põe em funcionamento os
dispositivos escolares de maneira criativa, respeitando as
normas estabelecidas. O espaço escolar é espaço de criação.
Ainda que locais e limitadas, pequenas mudanças podem
insensivelmente transformar o interior do sistema.
(ViñaoFrago )
Há pouca permeabilidade da cultura escolar a possíveis
transformações. A identificação da cultura escolar pode
apontar possíveis causas do insucesso das reformas
educacionais.
O que significa dar-se conta da existência de uma cultura escolar?
(Contreras)
Desvendar o currículo oculto é parte da conquista
dos professores para uma autonomia crítica
(como proposta por Contreras).
O que significa dar-se conta da existência de uma cultura escolar?
(Contreras)
(Apple)
Desvendar o currículo oculto é parte da conquista
dos professores para uma autonomia crítica
(como proposta por Contreras).
O currículo oculto, de Michael Apple, tem seu foco principal
na não neutralidade da escola e da educação do ponto de
vista das teorias críticas. Elas, as práticas, podem ser
indicativas das funções atribuídas à escola e que ficam
ocultas.
O que significa dar-se conta da existência de uma cultura escolar?
(Contreras)
Desvendar o currículo oculto é parte da conquista
dos professores para uma autonomia crítica
(como proposta por Contreras).
(Apple)
O currículo oculto, de Michael Apple, tem seu foco principal
na não neutralidade da escola e da educação do ponto de
vista das teorias críticas. Elas, as práticas, podem ser
indicativas das funções atribuídas à escola e que ficam
ocultas.
( ...)
Tomar consciência da cultura escolar, de forma não
naturalizada, implica em identificar os conflitos internos da
escola, que expressam interesses e posicionamentos mais
gerais. Os conflitos apontam dinâmicas.
Identificar a
cultura escolar
como cultura
fechada e
institucionalizada
Ou não reconhecer nem buscar seu caráter dinâmico....
(Preservar a cultura para uma melhor acomodação.....)
O currículo oculto das escolas serve para reforçar as regras
básicas que envolvem a natureza do conflito e seus usos. Ele
impõe uma rede de hipóteses que, quando internalizadas pelos
alunos, estabelece os limites da legitimidade
Esse processo realiza-se não tanto pelos exemplos explícitos que
demonstram o valor negativo do conflito, mas pela quase total
ausência de exemplos que demonstrem a importância do
conflito intelectual e normativo em diferentes áreas do
conhecimento
(Apple, 2000, p.130)
Novos sentidos da relação
escola e cultura
Novo papel da escola em
sua perda de centralidade
O mundo
gira....
As TICs modificam
conhecimentos, meios,
compreensão da escola
Surgimento de novos
espaços sociais de
disseminação da cultura
Proposta de trabalho:
Na nossa vivência, seja como alunos em cursos de graduação ou
pós graduação, seja como professores, em diferentes níveis e
contextos, estivemos ou estamos imersos na cultura escolar.
Quais elementos dessa cultura nos chamam a atenção?
Existem aspectos da cultura escolar através dos quais
identificamos os conflitos inerentes à dinâmica
social/educacional, relativos ao currículo ?
APESAR DE IMERSOS EM CULTURAS ESCOLARES, NEM SEMPRE
TOMAMOS CONSCIÊNCIA DE ASPECTOS QUE LHES SÃO INERENTES. O
QUE UMA REFLEXÃO SOBRE O TEMA PODERIA ACRESCENTAR?
1. Qual o contexto escolar ou curricular que é objeto de sua
reflexão, assim como o ponto de vista adotado.
2. Quais elementos podem ser identificados como próprios da
cultura escolar, nesse contexto.
3. Em que medida esses elementos expressam (ou não) conflitos e a
natureza desses conflitos.
Referências
• O currículo oculto e a natureza do conflito
Em: Ideologia e Currículo, Michael Apple, Porto Alegre, RS, Artmed, 2006
(Cap. 5) (p.125 a 150)
• A cultura escolar como objeto histórico
Dominique Julia
Revista Brasileira de História da Educação, Campinas, V.1 (p.9-44), 2001
• A cultura escolar como categoria de análise e como campo de investigação na
história da educação
Luciano M. F. Filho, Irlen A. Gonçalves, Diana Vidal, André L. Paulilo
Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30 (1), p.139-159, 2004
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