DESENVOLVIMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE

Propaganda
DESENVOLVIMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE NANOCÁPSULAS POLIMÉRICAS
CONTENDO NAPROXENO
João Hélio Venâncio Gomes1, Éden Cristina de Oliveira Silva1, Francine Pazini2,
Ana Lúcia Teixeira de Carvalho Zampieri*2
1 Graduandos do Curso de Farmácia do Centro Universitário de Anápolis -GO.
2 Professoras Adjuntas do Curso de Farmácia do Centro Universitário de Anápolis-GO
*Autor para correspondência: e-mail: [email protected]
Introdução
O naproxeno é um antiinflamatório não esteróide (AINES) amplamente usado para o
controle da dor muscular (mialgias) e artrites, entretanto, diversos estudos demonstram que usado
oralmente pode causar danos à mucosa gástrica podendo gerar ulceração e/ou hemorragia
(SHEBA et al, 2002; WANNMACHER, 2006; CARVALHO; 2006). Com isso, a diminuição da
irritação gástrica proveniente da administração de naproxeno tem sido estudada através de
modificações em formas farmacêuticas que o contenham, bem como através do uso de outras vias
de administração (AMARAL, 1997; CUNHA, et al, 2010).
Os novos sistemas de liberação, como as nanocápsulas poliméricas são formas
farmacêuticas inovadoras capazes de promover de forma modificada, a liberação de fármacos
como o naproxeno, através de vias alternativas à oral, como a via tópica (MOSER et al, 2001; LAU
et al, 2005; ALVES et al, 2007; SCHÄFER-KORTING et al, 2007).
Objetivo
O presente trabalho teve como objetivo obter, caracterizar e avaliar a estabilidade de
nanocápsulas de PLA contendo naproxeno.
Metodologia
O estudo foi laboratorial de caráter experimental, com abordagem quali-quantitativa. A
pesquisa foi realizada no Laboratório de Desenvolvimento de Produtos, da Farmácia Escola, do
curso de Farmácia, do Centro Universitário de Anápolis (UniEVANGÉLICA) e Laboratório de
Tecnologia Farmacêutica da Universidade Federal de Goiás (FARMATEC).
Nanocápsulas brancas (sem princípio ativo) e contendo naproxeno foram preparadas a
partir do método de deposição interfacial de polímero pré-formado (Nanoprecipitação), adaptado de
Fessi e colaboradores (1989) e Zampieri (2009) (Figura 01). A fim de determinar a melhor
formulação de nanocápsulas contendo naproxeno foram testadas diferentes composições na
presença e ausência do fármaco. As variações estão apresentadas na tabela 01. A caracterização
físico-química e sua estabilidade foi realizada durante 30 dias (SHAFFAZICK et al, 2003;
ZAMPIERI, 2009).
Figura 01- Representação do método de deposição interfacial
(nanoprecipitação). Adaptado de SCHAFFAZICK et al, 2003
do polímero pré-formado
Tabela 1- Formulações de nanocápsulas brancas e contendo naproxeno obtidas durante a fase de
preparação da dispersão de nanocápsulas.
Resultados e Discussão
O lote 01 (nanocápsulas brancas) foi preparado a fim de se observar a formação das
nanocápsulas na ausência do fármaco, apresentando-se adequado quanto aos parâmetros
avaliados. Porém, ao se adicionar o fármaco houve precipitação deste devido a sua pouca
solubilidade em acetona (THE MERCK INDEX, 2001). A partir do lote 02, a quantidade de acetona
foi diminuída, sendo este produzido com clorofórmio. Obteve-se PDI adequado (0,193), com
população unimodal, porém houve formação de microcápsulas, com tamanho médio das partículas
de 1608nm. Outra observação relevante sobre o lote 02 foi o aspecto, resultando em uma
suspensão de coloração branco amarelado, sugerindo que o clorofórmio interferiu na miscibilidade
dos componentes, demonstrando a necessidade de substituí-lo por outro solvente.
Os demais lotes, também na presença do fármaco (lotes 03 a 06), apresentaram
resultados dentro dos parâmetros aceitáveis, possibilitados pelos ajustes na formulação, já que
foram produzidos com éter em substituição ao clorofórmio. Os resultados obtidos a partir dos lotes
03 a 06, quanto à estabilidade após 24 horas, 15 e 30 dias de armazenamento, estão apresentados
na tabela 02.
Todos os lotes apresentaram homogeneidade, coloração branca, turvação e ausência
de precipitado e separação de fases. Esses resultados são importantes, pois a presença de
separação de fases, ou formação de resíduos pode indicar a quebra das nanocápsulas (ZAMPIERI,
2009). Outro relevante parâmetro foi o tamanho das partículas observado, já que este demonstra a
tendência à agregação e sedimentação das nanopartículas dispersas, em função do tempo, tendo
sido uma ferramenta importante na avaliação da estabilidade dos nanosistemas (SHAFFAZICK et
al, 2003).
Foi possível constatar que as amostras contendo 2,5 e 5,0mg de naproxeno (lotes 03 e
04) demonstraram manutenção de suas características, no período de monitoramento, além da
uniformidade entre os parâmetros analisados das diferentes concentrações.
Determinação da eficiência de encapsulação do fármaco em nanocápsulas de PLA
A construção da curva padrão do fármaco naproxeno gerou a expressão: Abs:
5.88622*Conc +0.07211, com coeficiente de correlação igual a 0,9959 obtido pela regressão linear
da curva (figura 02).
Concentração (mg/mL)
Figura 02- Curva padrão do Naproxeno
Tabela 2: Caracterização e estabilidade de nanocápulas de PLA contendo naproxeno em diferentes
concentrações após 24 horas (T0), 15 dias (T1) e 30 dias (T2) de armazenamento a 4±1ºC
A partir da curva padrão foi possível determinar a eficiência de encapsulação dos lotes
04 e 05, já que esses atenderam os parâmetros desejados para nanocápsulas contendo
naproxeno.
No lote 04 foi verificada a concentração de 1,6175 mg, equivalente a 32,35% de
fármaco. Já no lote 05 foi verificado fármaco nanoencapsulado com concentração de 0,56908,
sendo esta quantidade equivalente a 22,76% de fármaco usado inicialmente. Embora, seja
desejada a máxima capacidade de encapsulação, ou seja, 100% do fármaco de partida
nanoencapsulado, estudos mencionam diferentes resultados, de acordo com os constituintes dos
nanosistemas, bem como de acordo com as características físico-químicas dos fármacos (FESSI et
al, 1989; BOUCHEMAL et al, 2004; CEGMAR et al, 2004; TEIXEIRA et al, 2005, ZAMPIERI,
2009). Por exemplo, Cegmar e colaboradores (2004), ao prepararem nanopartículas contendo
cistatina obtiveram eficiências de encapsulação entre 12 e 57% do montante de partida. Eles
concluíram que essa variação se deveu a diferentes características do polímero frente ao fármaco,
como massa molecular, viscosidade da solução do polímero e polaridade. Já Teixeira e
colaboradores (2005) ao trabalharem com nanopartículas de PLGA contendo xantona e 3metoxixantona obtiveram 33 e 42% de eficiência de encapsulação dos respectivos fármacos. De
acordo com os autores, quando o fármaco tem baixa afinidade pelo polímero pode ocorrer sua
difusão da fase orgânica para a fase externa durante o processo de formação da nanopartícula
levando a baixa capacidade de encapsulação do fármaco.
Conclusão
Os resultados obtidos no presente estudo demonstraram que a composição, método de
obtenção e formação de nanocápsulas de PLA contendo naproxeno foram padronizadas. Além
disso, a caracterização e estabilidade dos nanosistemas foram realizadas com sucesso para as
amostras contendo 2,5 e 5,0mg de fármaco.
De acordo com resultados obtidos pode-se observar que o lote 05 (5,0mg de fármaco)
obteve o melhor resultado, uma vez que, além de apresentar aspecto, resistência à centrifugação,
diâmetro médio de partículas e PDI dentro do recomendável (<0,5 e < 500nm), a taxa de
encapsulação do fármaco apresentou-se maior dentre os lotes analisados. Entretanto, a
continuidade desse estudo é recomendada, a fim de ampliar o percentual de fármaco encapsulado
possibilitando a utilização desses nanosistemas como formas farmacêuticas viáveis.
Referências Bibliográficas
ALVES MARTA P., ANA L. SANTOS SCARRONE B, MARCOS, POHLMANN ADRIANA R., GUTERRES
SILVIA S. Human skin penetration and distribution of nimesulide from hydrophilic gels containing
nanocarriers. International Journal of Pharmaceutical, Amsterdam. v.341, p.215–220, 2007.
AMARAL M. H. A. R. Estudo do naproxeno em formas de aplicação cutânea. 1997. Dissertação (Mestrado
em Controle de Qualidade). Universidade do Porto, Portugal.
BOUCHEMAL K.; BRIANÇON S.; PERRIER E.; FESSI H.; BONNET I.; ZYDOWICZ N. Synthesis and
characterization of polyurethane and poly(etherurethane) nanocapsules using a new technique of interfacial
polycondensation combined to spontaneous emulsification. International Journal of Pharmaceutical,
Amsterdam, v, 269, p.89–100, 2004.
CARVALHO, W. A. Antiinflamatorios não-esteroides, analgésicos, antipiréticos, e drogas utilizadas no
tratamento da gota. In SILVA, P. Farmacologia. 7. ed. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, p 440 – 443, 2006.
CEGMAR M.; KOS J.; KRISTL J. Cystatin incorporated in poly(lactide-co-glycolide) nanoparticles:
development and fundamental studies on preservation of its activity. European Journal of Pharmaceutical
Sciences, Arlington. v. 22, p. 357–364, 2004
CUNHA V. R. R.; FERREIRA A. M. C.; CONSTANTINO V. R. L. Hidróxidos duplos lamelares: nanopartículas
inorgânicas para armazenamento e liberação de espécies de interesse biológico e terapêutico. Química
Nova, v.33, n.1, p. 159-71, 2010.
FESSI H.; PUISIEX F.; DEVISSAGUET J.; AMOMOURY N.; BENITA S. Nanocapsules formation by
interfacial polymer deposition following solvent displacement. International Journal of Pharmaceutical,
Amsterdam, v.55, p. R1-R4, 1989.
LAU KENT G., HATTORI YOSHIYUKI, CHOPRA SUNIL, O’TOOLE EDEL A., STOREY ALAN, NAGAI
TSUNEJI, MAITANI YOSHIE. Ultra-deformable liposomes containing bleomycin: In vitro stability and toxicity
on human cutaneous keratinocyte cell lines. International Journal of Pharmaceutical, Amsterdam. v. 300, p.4–
12, 2005
MOSER KATRIN; KRIWET KATRIN; NAIK AARTI; KAHA YOGISHWAR N,; GUY RICHARD H.; Passive skin
penetration enhancement and its quantification in vitro. European Journal of Pharmaceutical and
Biopharmaceutical, v.52, p.103-102, 2001.
SCHÄFER-KORTING M. A.; WOLFGANG M. B.; KORTING H. Lipid nanoparticles for improved topical
application of drugs for skin diseases. Advanced Drug Delivery Reviews, Amsterdam, v. 59, p. 427–443,
2007.
Schaffazick S. R.; Guterres S. S. Caracterização e estabilidade físico-química de sistemas poliméricos
Quimica Nova, São Paulo, v. 26, n. 5, p.726-737, 2003.
SHEBA M.; KHEDR A.; ELSHERIEF H. Biologial and metabolic study of naproxen-propyphenazone mutual
prodrug. European Journal of Pharmaceutical Sciences, Amsterdam, v. 17, p. 121-130, 2002.
TEIXEIRA M.; ALONSO M. J.; PINTO M. M. M.; BARBOSA C. M. Development and characterization of PLGA
nanospheres and nanocapsules containing xanthone and 3-methoxyxanthone. European Journal of
Pharmaceutics and Biopharmaceutics, Stuttgart. v.59, p. 491–500, 2005.
WANNMACHER L. Osteoartrose de joelhos Parte I: Evidências sobre abordagens medicamentosas. Uso
Racional de Medicamentos. Vol. 3, Nº 3, p. 1-6, 2006.
ZAMPIERI, A. L. T. C. Desenvolvimento, caracterização e avaliação da permeação cutânea da isoflavona
genisteína em nanocápsulas poliméricas. 2009. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) Universidade
Federal de Goiás, Brasil.
Download