Capítulo 4

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1088 - INSTRUMENTAÇÃO
INDUSTRIAL
Cópia das transparências sobre:
TRANSDUTORES DE POSIÇÃO
Prof. Demarchi
Capítulo 4 – TRANSDUTORES DE POSIÇÃO
4.1 – Potenciômetros Resistivos
A resistência de um condutor elétrico varia de acordo com
a relação:
R=ρ
onde:
L
A
R = resistência elétrica
ρ = resistividade do material
L = comprimento do condutor
A = área da seção transversal do condutor
Um transdutor resistivo de contato deslizante
(potenciômetro) converte deslocamento mecânico
(translação ou rotação) em um sinal elétrico, através da
variação do comprimento L da relação acima.
Consiste de uma resistência com um contato móvel. O
elemento resistivo é alimentado com uma tensão “dc” ou
“ac” e a tensão de saída é idealmente uma função linear do
deslocamento.
2
Eo
=
Eex.
1
Rp ⎛
Xi ⎞
1
+
⎜1 − ⎟
Xt ⎠
⎛ Xi ⎞ Rm ⎝
⎜ ⎟
⎝ Xt ⎠
Para o caso ideal, com um medidor com alta impedância de
entrada:
Rm → ∞
e
Rp
≅0
Rm
Assim:
Eo
Xi
=
Eex. Xt
Na prática, entretanto, Rm ≠ ∞ e o desvio de linearidade é
mostrado abaixo:
Boa linearidade é obtida para potenciômetro de baixa
resistência em relação a Rm. Esta condição conflita com o
interesse de alta sensibilidade, pois Eo é diretamente
proporcional a Eex. , que está limitada pela máxima
potência que pode ser dissipada na forma de calor:
3
Eex. = PRp
Assim, baixo Rp → baixo Eex. → baixa sensibilidade.
4.2 – Transdutores Indutivos
4.2.1 – Transformadores Lineares Diferenciais Variáveis
(LVDT)
Baseiam-se no princípio de variação de indutância e
fornecem um sinal elétrico de saída proporcional à posição
de um núcleo no interior de bobinas. O LVDT (Linear
Variable Differential Transformer) consiste de três bobinas
dispostas simetricamente, no interior das quais se move
uma barra magnética que gera uma trajetória para o fluxo
magnético entre as bobinas. A posição da barra ou núcleo
controla a indutância mútua entre a bobina primária e as
duas bobinas secundárias.
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Quando uma excitação “ac” é aplicada à bobina primária,
tensões são induzidas nas duas bobinas secundárias, que
são instaladas em série e opostas. Quando o núcleo está
exatamente entre as duas bobinas secundárias, as tensões
induzidas são iguais e opostas, conseqüentemente, a
tensão de saída é nula. Quando o núcleo se move da
posição central, ocorre um desbalanceamento das
indutâncias mútuas entre as bobinas primária e
secundárias e aparece uma tensão de saída. Esta tensão
varia linearmente com o deslocamento do núcleo e o
sentido do movimento pode ser determinado pelo sinal da
tensão de saída.
A freqüência associada à tensão de entrada na bobina
primária pode variar entre 50 e 25000Hz. Se o LVDT for
utilizado para medidas dinâmicas, a freqüência de
excitação deve ser 10 vezes maior que a mais alta
componente de freqüência do sinal dinâmico. A tensão de
entrada varia de 5 a 15V. A potência requerida é
normalmente inferior a 1W e a sensibilidade pode variar de
0,02 a 0,2 V/mm de deslocamento para cada Volt da
tensão de alimentação da bobina primária.
5
As maiores sensibilidades estão associadas a núcleos
curtos, que operam na faixa de ±2mm, enquanto que as
menores sensibilidades estão associadas a núcleos mais
longos que operam na faixa de ±150mm.
Uma vez que o LVDT é um sensor passivo, requerendo
uma excitação “ac”, a uma tensão e freqüência nem
sempre disponíveis, circuitos condicionadores de sinais
devem ser utilizados em sua operação. Um circuito típico
para o condicionamento do sinal de um LVDT é mostrado a
seguir, onde o demodulador converte o sinal de saída do
LVDT de “ac” para “dc”.
Vantagens:
• Excelentes precisão, sensibilidade e linearidade;
• Resolução;
• Baixo atrito;
• Eliminação de movimentos transversais;
• Resistência mecânica;
• Boa isolação elétrica e ambiental.
Desvantagens:
• Tamanho;
• Massa (inércia);
• Susceptíveis a interferências magnéticas.
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4.2.2 – Sensor de Proximidade
São sensores que alteram sua indutância devido à
aproximação de materiais magnéticos ou condutivos.
Basicamente consistem de uma bobina excitada por uma
tensão “ac” de alta freqüência, geralmente da ordem de
400 kHz.
O campo magnético gerado por esta bobina induz
correntes parasitas (correntes de Foucault) nos materiais
magnéticos ou condutores que se aproximam da bobina.
Isto faz com que o campo magnético seja alterado e este
altera a amplitude da tensão de excitação. O sinal de
excitação, assim, fica modulado em amplitude pela
aproximação dos materiais magnéticos ou condutores. A
tensão de excitação é gerada por um circuito que também
funciona como demulador do sinal, fornecendo um sinal
“dc” proporcional à distância do núcleo da bobina até o
material cuja distância deseja-se medir. Para a obtenção de
um valor numérico para esta distância, é feita a calibração
do instrumento com lâminas de espessuras conhecidas.
A principal desvantagem é a pequena distância necessária
entre o objeto de interesse e a extremidade da bobina, da
ordem de 0,5 a 5mm. Sua faixa linear é da ordem de 1 a
2mm.
Possuem sensibilidade da ordem de 200mV/milésimo de
polegada. Dentro de sua faixa linear, apresentam excelente
resolução, podendo chegar a 0,1µm. A principal vantagem
é a curva de resposta em freqüência, que é totalmente
plana desde 0 até aprox. 100 kHz.
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4.2.3 – Tacômetros de Pulso
São transdutores de proximidade que geram um ou mais
pulsos elétricos a cada giro de um eixo. Baseiam-se em
três princípios relacionados a campos magnéticos:
a) Relutância variável
b) Efeito Hall
c) Magnetoresistência
( VR – Variable Reluctance)
(HE – Hall Effect)
(MR – Magnetoresistance)
4.2.3.1 – Sensores de Relutância Variável
“Relutância está para campo magnético assim como a
resistência está para corrente elétrica.”
Geram uma pequena tensão elétrica quando sofrem
variações no campo magnético.
O “gap” (vazio) entre os dentes da roda dentada
(engrenagem) não conduz o campo magnético tão bem
quanto o material metálico do dente (o ar tem uma
relutância maior que o metal). A passagem de dentes e
“gaps”, ou a variação da relutância altera a densidade do
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campo magnético através da bobina do sensor, gerando
um sinal:
V =n
dΦ
dt
onde:
V – tensão do sinal gerado
n – nº de voltas da bobina
dФ/dt – razão de variação do fluxo
magnético com o tempo
O sinal de saída é senoidal (tensão) com a amplitude
proporcional à velocidade de rotação e a freqüência igual
ao número de dentes que passam em frente ao sensor por
segundo.
Desempenho do sensor depende:
• das dimensões do núcleo e bobina;
• das dimensões dos dentes e “gaps”;
• da distância entre o sensor e os dentes.
Para melhor desempenho, deve-se ter:
• dimensão do núcleo ≈ dimensão do dente;
• gap entre dentes ≈ 2 a 3 vezes a dimensão do dente;
• distância do sensor ao dente < 1mm.
Vantagens:
Baixo custo
Não necessitam de alimentação elétrica
Desvantagens:
Sinal muito baixo para rotações baixas
Relação sinal / ruído baixa
Além de rodas dentadas (engrenagens), podem ser usados
eixos com descontinuidades em sua superfície (furos,
rasgos, etc.). Rodas dentadas são mais utilizadas por
fornecerem uma quantidade maior de pulsos por rotação do
eixo (melhor qualidade do sinal e melhor resolução).
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4.2.3.2 – Sensores de Efeito Hall
Possuem melhor repetibilidade e exatidão que os
anteriores. Consistem de um elemento plano de material
semicondutor através do qual se passa uma corrente
elétrica (3 a 10 mA). Um ímã permanente é colocado sobre
este elemento, de tal modo que se tenha um campo
magnético perpendicular à superfície.
Surge então uma tensão elétrica na superfície do elemento
Hall perpendicular à corrente e esta tensão elétrica é
detectada como o sinal de saída do sensor.
A tensão de saída no elemento Hall é proporcional à
densidade do campo magnético através do elemento.
Valores típicos de tensão: 100 a 500mV para um campo
magnético na faixa de 250 a 800 Gauss.
De forma semelhante aos sensores de relutância variável,
a passagem dos dentes de uma roda dentada provoca a
variação na densidade do fluxo magnético através do
sensor Hall, resultando em variações no sinal de saída.
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Outra configuração de sensor utiliza dois sensores de
Efeito Hall e compara a diferença de sinais entre eles.
Também conhecido como “comparador magnético
diferencial”.
O espaçamento entre os sensores e entre os dentes é tal
que quando um dos sensores se aproxima de um dente, o
outro se aproxima de um “gap”. Permite a detecção de
posição com velocidade zero. Problemas: requer menores
tolerâncias de desalinhamento, distância entre o sensor e o
dente, espaçamento entre os sensores e o balanceamento
entre os campos magnéticos nos dois sensores (deve ser
igual para os dois).
4.2.3.3 – Sensores Magnetoresistivos
Nestes sensores, sua resistência elétrica é proporcional à
densidade do campo magnético a que estão sujeitos. Ligas
de índio-antimônio apresentam esta característica.
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Construção similar à dos sensores Efeito Hall, porém são
passivos, requerendo circuitos para detectar a variação de
resistência.
Maiores variações de resistência na faixa de 2000 a 3000
Gauss: 500Ω/1000 Gauss.
Possuem elevados sinais de saída, o que proporciona
melhor exatidão na determinação de posição angular.
Comparação entre os sensores magnéticos
Relutância
Efeito
Efeito Hall
Tipo
variável
Hall
Diferencial
Máxima distância
< 1mm
≤ 1mm
≤ 1mm
sensor ao dente
Exatidão
± 2°
± 2°
± 1°
Precisão
± 0.1°
± 0.1°
± 0.05°
Relação
Baixa
Média
Alta
sinal/ruído
Tolerância de
Baixa
Baixa
Baixa
alinhamento
Campo típico
2000 a
250 a
250 a
(Gauss)
4000
800
4000
Magnetoresistivo
≤ 3mm
± 0.5°
± 0.025°
Muito alta
Alta
2000 a
4000
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4.3 – Transdutores Capacitivos
Um movimento de translação ou rotação pode ser utilizado
de várias formas para alterar a capacitância de um
capacitor. Esta variação de capacitância pode ser
convertida em um sinal elétrico por meio de um circuito.
Apresentam facilidade de construção e alta sensibilidade
com pequenos deslocamentos.
C=K
A
X
onde:
C – Capacitância
K – Constante dielétrica do meio
entre as placas
A – Área comum das placas
X – Distância entre as placas
Meios de medição: - variação de distância
- variação de área
- variação do meio entre as placas
Sensibilidade para variação da distância:
dC − KA
=
dX
X2
Sensibilidade aumenta quando X diminui. Para pequenas
mudanças de X em torno de uma posição neutra, pode-se
considerar:
dC − C
=
dX
X
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Sensibilidade para variação de área:
Um transdutor capacitivo pode também utilizar placas
paralelas com distância h constante e variar sua
capacitância pela área A, conforme figura:
Neste caso, a sensibilidade é constante e pode ser
expressa por:
dC kKw
=
dX
h
onde w é a largura das placas (constante).
Para medição da variação de capacitância utiliza-se uma
Ponte de Wheatstone.
Outra grande vantagem dos transdutores capacitivos é que
as forças envolvidas no movimento de uma placa em
relação à outra são extremamente pequenas.
4.4 – Transdutores Ultra-sônicos
Um cristal piezoelétrico emite salvas de sinais senoidais em
freqüência ultra-sônica (acima de 20 kHz). Esse trem de
pulsos reflete-se em qualquer objeto e volta ao emissor.
Nos intervalos entre as salvas de sinais, o transmissor se
comporta como receptor e é sensibilizado pela energia
refletida. O sinal assim obtido é amplificado e usado para
desabilitar um contador de tempo que foi disparado quando
o sinal do pulso original deixou o transmissor. A distância
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do transdutor ao objeto é igual à velocidade do som no
meio vezes a metade do tempo decorrido entre a emissão
do pulso e a sua volta. A distância medida é fornecida em
forma de corrente ou tensão. A principal desvantagem
deste tipo de transdutor é a dependência da velocidade de
propagação do som no meio em função de fatores
externos, como por exemplo, a temperatura.
4.5 – Transdutores Digitais
O termo digital implica na discretização do sinal de posição,
isto é, a resolução do sistema fica limitada ao mínimo
incremento que o sistema digital permitir:
R=
onde:
L
2n
R – resolução
L – maior dimensão que se deseja medir
n – número de bits utilizado pelo sistema de
posicionamento
Exemplo: Posição angular de uma peça: 360°
Sensor de 8 bits
Resolução = 360 / 256 = 1.4°
Estes sensores de posição funcionam através do sistema
LED / Fototransistor. Uma peça dentada (cremalheira) ou
perfurada pode ser usada para interromper periodicamente
a luz dentro da abertura do sensor. O mesmo efeito é
obtido com um disco dentado ou perfurado (para medição
de posição angular).
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Para que o sistema tenha condições de diferenciar uma
posição da outra, é necessário um contador de pulsos. O
sistema só monitora a posição de peças com apenas um
sentido de movimento.
No caso de movimento em ambos os sentidos, é
necessário um contador “up/down” (incrementa num
sentido e decrementa no outro). Utilizam-se dois conjuntos
LED/Fototransistor colocados de tal modo que para cada
sentido haverá uma ordem de excitação. Sempre que
houver uma inversão de sentido, haverá duas obstruções
de luz consecutivas em um dos sensores. Esta informação
é usada para inverter a contagem. Neste caso, a resolução
é metade da resolução obtida com apenas um conjunto
(para cada passagem de furo haverá dois pulsos, um de
cada conjunto): 720 pulsos por volta; resolução de 0.5°;
palavra de 10 bits para representar todas as posições
possíveis.
Resolução do sistema = distância / número de dentes ou
furos
(relacionada com a precisão de usinagem das peças).
Estes tipos de sensores são chamados de “encoders”
incrementais.
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Exemplo:
Movimento da peça p/
esquerda
Trilha 1
Trilha 2
B
B
P
B
P
P
B
P
B
B
P
B
P
P
B
P
Movimento da peça p/
direita
Trilha 1
Trilha 2
B
B
B
P
P
P
P
B
B
B
B
P
P
P
P
B
Para melhorar a resolução, utilizam-se vários sensores ao
longo da cremalheira de forma que a distância entre eles
seja tal que para um movimento da cremalheira equivalente
a um dente, haja uma obstrução de luz em cada um dos
sensores (passagem de um dente gera tantos pulsos
quanto o número de sensores).
Exemplo: Máquinas ferramenta com controle numérico →
escala linear de vidro com graduações gravadas por laser a
cada 20µm → 4 sensores → resolução de 5µm
Exemplo: idem para rotação → escala circular (disco)
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Desvantagem dos encoders incrementais: contagem
eletrônica, devido ao posicionamento relativo; perda de
energia provoca perda de informações e o sistema “se
perde”, necessitando nova regulagem por parte do
operador (“zeragem” com um padrão).
“Encoders” absolutos: medem a posição de maneira
absoluta, utilizando várias trilhas com um sensor em cada
uma delas.
Exemplo: 12 trilhas - angular
12 trilhas → 12 sensores → 212 leituras por rotação →
resolução de 0.09°
Exemplo: 4 trilhas - angular e linear
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